sábado, 31 de outubro de 2009

Reforma, João 8.31-36

Reforma.2009
João 8.31,32,36: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos: e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

Estamos mais uma vez num feriadão: Reforma, Todos os Santos, Finados. Estes três dias têm uma íntima ligação entre si. Somente quem conhece e crê na bênção da Reforma luterana sabe em que consiste a verdadeira santidade de uma pessoa, e tem o verdadeiro consolo diante da morte. Vejamos.
Celebramos hoje os 492 anos da Reforma luterana. Infelizmente, muitos cristãos luteranos dizem hoje: Os problemas da época de Lutero e suas soluções não têm mais nada a ver conosco. Os tempos são outros. De fato, o homem com sua ciência e tecnologia perdeu o temor de Deus e não pergunta mais pela graça de Deus, mas questiona, dizendo: Será que Deus existe? Onde está Deus?

A Justiça de Deus
No tempo de Lutero ainda se conhecia a santidade e a justiça de Deus. Lutero foi educado nos Dez Mandamentos. O temor de Deus era algo presente. Ele sabia: Sou miserável pecador. Deus está irado sobre mim. Sou réu do inferno. Qualquer manifestação da natureza: temporais, raios; qualquer infortúnio o atormentava, lembrando a ira de Deus. Certa vez, ao voltar da casa de seus pais, no caminho de volta à Universidade, foi surpreendido por uma tempestade. Refugiou-se num bosque. Um raio caiu bem perto dele e partiu uma árvore ao meio. Ele caiu de joelhos e clamou: Santa Ana ajuda-me. Vou me tornar monge se sobreviver.
Ele sobreviveu. Na época, como bom católico, foi ensinado a clamar aos santos, pois nenhum pecador poderia se aproximar de Deus e invocar o nome do santo Deus. E a pergunta: Como conseguirei a misericórdia de Deus tinha como resposta: Torna-te monge ou freira. É o que ele prometeu. Ele era um brilhante estudante na Universidade. Cursava ali jurisprudência, que é o estudo das leis, para ser advogado, o que o atormentou ainda mais.
Como monge cumpriu todas as leis do mosteiro, mas não alcançou a paz com Deus. Foi recomendado então que estudasse teologia. Assim teve o contato direto com a Bíblia. Lia nela todos os dias. Os primeiros meses de leitura aumentaram seu desespero, pois ele se defrontou com o Deus santo e justo que diz:
- Homem nenhum verá a minha face e viverá. (Êxodo 33.20 RA)
- Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. (Mateus 15.19 RA)
- Ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. (Romanos 3.20 RA)
- Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (Romanos 3.10-12 RA)
- A alma que pecar, essa morrerá. (Ex 18.22 RA)
Tudo isso aumentou o desespero de Lutero. E não somente isso, a lei provoca a ira. Ele odiava o Deus que exigia tal cumprimento da lei. Este é o coração humano: desesperadamente corrupto, incapaz do bem, e odeia a Deus. Até ler no profeta Habacuque: O justo viverá por fé (Hc 2.4). No início não compreendeu, mas o Espírito Santo lhe abriu os olhos. Finalmente reconheceu que Deus o amou e amava em Cristo. E que Cristo, como substituto da humanidade cumpriu a lei, e pagou pelos pecados de toda a humanidade e venceu nossos inimigos, pecado, morte e Satanás. Que Deus nos oferece isso por sua Palavra, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16), sua alma se encheu de paz, consolo, alegria, júbilo. Ele escreveu: Senti que renasci. Pela primeira vez pude pensar em Deus sem pavor e ódio, mas com alegria e amor. Sim, se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

Pela fé
Lutero havia aprendido na Igreja Católica que Deus só perdoa o pecado original e que todos os outros pecados cometidos após o batismo, cada um teria que pagar por suas penitências, isto é, orações, jejuns, ofertas; só então poderia se aproximar e invocar a Deus. Agora aprendeu da Bíblia que Deus aceita o pecado: Tal como estou tão pecador, fiado em teu divino amor, me achego a ti. E quem confia neste amor, neste perdão que Cristo nos conquistou, quem se achega a Deus confiando no amor de Cristo, isto é, em fé, é perdoado, é coberto com o manto da justiça de Cristo, é declarado perdoado, santo, filho de Deus e herdeiro do céu. É, pela graça de Cristo, um verdadeiro santo. Somos, portanto, santos pecadores, isto é, nossa natureza carnal não muda, pela fé em Cristo, Deus nos perdoa abundante e diariamente todos os pecados. E, como templos do Espírito Santo, nós lutamos diariamente contra todos os pecados em nosso próprio coração. Sim crucificamos nossa carne. Lutamos também contra os pecados que vem de fora e procuram arrastar-nos de volta à incredulidade, para o amor ao mundo, etc. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (1 Pe 2.9)


Bem-aventurados

Bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam! (Lucas 11.28 RA) Eternamente felizes os que confiam no amor de Cristo. Estes são os bem-aventurados. Estes podem jubilar e dizer com o apóstolo Paulo: Tragada foi a morte pela vitória. (1 Coríntios 15.54 RA) Não precisam temer a morte, pois são bem-aventurados.
E dos nossos queridos que faleceram podemos dizer com o apóstolo João: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham. (Apocalipse 14.13 RA)

Conclusão
Portanto, sejamos gratos a Deus pela Reforma Luterana. Apeguemo-nos à Bíblia, lendo e meditando na palavra de Deus que nos liberta, lembrando: Somente a Bíblia, somente por graça, somente pela fé.
Jubilemos pela salvação e libertação que Cristo nos conquistou, completo perdão, vida e eterna salvação.
Sejamos agradecidos a Deus por nos ter aberto os olhos e levado à fé em Cristo. Que Deus, por sua graça, nos conserva na fé até à morte bem-aventurada.
Aproveitemos este feriadão para falar a nossos parentes, amigos, vizinhos sobre a verdadeira razão e consolo destes três dias: Reforma, Todos os Santos e Finados. Amém.
São Leopoldo, 27/10/2009
Horst R. Kuchenbecker

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Marcos 10.17-22. O jovem rico

Marcos 10.17-22. O jovem rico.
Meditação.
Em sua peregrinação pela Peréia, um senhor jovem (Mt 19.20), um dos principais dos judeus (Lc 18.18), talvez o presidente de uma Sinagoga daquela redondeza, veio ao encontro de Jesus. Ele se prostrou respeitosamente aos pés de Jesus, se ajoelho e lhe disse: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? (v.17)
Jesus lhe respondeu: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um só, que é Deus. (v.18) O jovem tinha Jesus como um Mestre, um profeta, mas ainda não o reconhecia como Filho de Deus, o Salvador do mundo. Nestes termos, Jesus toma a palavra do jovem e lhe diz: Ninguém é bom se não um só, que é Deus. Com isso Jesus não nega ser o Filho de Deus e bom, mas, ele quer mostrar ao jovem que se julgava bom, que entre os nascidos de mulher não há um bom sequer. Pois o que é nascido da carne é carne, (Jo 3.6) isto é, cheio de pecado, impossível de entrar no céu. O caminho ao céu é pelo caminho do arrependimento e da fé na graça de Cristo, mas disso o jovem rico não tinha a mínima noção.
Por isso Jesus continua: Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. (Marcos 10.19 RA) Vejam, Jesus toca somente na segunda tábua da Lei, a vivência prática da lei de Deus, do amor ao próximo.
É importante notar, como Jesus faz missão. Pessoas, que em sua justiça própria julgam estarem cumprindo a lei e ainda não compreenderam a profundidade da exigência da lei, nem reconheceram sua própria e total corrupção, que têm em sua cabeça a auréola da justiça própria, da auto- estima, a tais pessoas não adianta expor o plano da salvação. Elas precisam ser, em primeiro lugar, defrontadas com a lei de Deus. Elas precisam ouvir sobre a verdadeira compreensão espiritual da lei de Deus, diante da qual ninguém é justo ou conseguirá alcançar o céu. Não adiante falar-lhes do evangelho e do salvador, pois elas ainda não vêem a necessidade de tal.
A isso o jovem respondeu a Jesus: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. (v. 20) Vejam só! Sem dúvida este jovem foi uma pessoa honrada e honesta. Isto lembra o fariseu Saulo, que disse: Quanto à justiça que há na lei, irrepreensível, (Fp 3.6) isto é, como os fariseus interpretavam a lei, ele era considerado irrepreensível. Mas ele ainda não tinha um conhecimento mais profundo, a compreensão espiritual da lei.
Quantos ainda hoje andam no mesmo erro e na mesma ilusão de terem cumprido a lei. Cabem aqui todos os que dizem: Eu não fumo, não bebo, cumpro meus deveres na família e na minha profissão, dou esmolas, sou melhor do que muitos em minha volta. Ou mesmo muitos membros de nossas congregações que dizem: Sempre procurei estar no culto. Contribui para a comunidade, fiz até ofertas especiais para construção de igrejas, cumpri meus deveres. Deus, sem dúvida, me receberá nos céus. E muitas outras formas que expressam esse farisaísmo que esse jovem expressou diante de Jesus. De arrependimento e confiança na graça de Cristo, o Messias, não havia nele o menor sinal.
O Senhor Jesus fitando-o, o amou. (v. 21) Ele queria ajudar ao jovem, salvar sua alma. Sim, ele queria mostrar o que lhe faltava. Queria abrir os olhos dele para que reconhecesse sua perversa justiça própria, seu engano, compreendesse melhor a lei de Deus, e que não estava amando a Deus sobre tudo e seu próximo como a si mesmo, para que reconhecesse a necessidade de salvação, reconhecendo em Cristo o Filho de Deus, o salvador da humanidade. Jesus queria mostrar-lhe o verdadeiro caminho para o céu e fazer dele seu discípulo.
Jesus não fez isso por meio de um discurso sobre o plano da salvação, mas por uma forma bem prática. Ele colocou céu e inferno diante dos olhos do jovem. Jesus lhe disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. (v. 21) Isto era uma palavra da sabedoria e da autoridade divina.
Sabedoria de Deus. Jesus conhecia o coração do jovem, de como ele estava apegado à riqueza, ao deus Mamon. Esta sua idolatria disfarçada precisava ser desmascarada. Jesus lhe pôs à prova, com respeito ao 1° Mandamento e lhe deu uma ordem: Vai, e vende tudo o que tens. Isto não era somente um bom conselho, como alguns o acham, mas o cumprimento da lei: Amar a Deus sobre tudo. Isto a lei requer de todos, também de mim e de ti. O jovem deveria tomar a sua cruz e seguir a Jesus (Mc 8.34) Nós todos devemos estar prontos para deixar tudo o que nos possa enredar e impedir a seguir a Deus. E onde necessário para, por amor a Cristo, abandonar tudo. Ainda hoje muitos são postos a prova nesse respeito. Na semana passada, (02/10/09) forçados a negarem sua fé, 25 famílias cristãs em Azerbaijão, devido à perseguição, preferiram deixar tudo e fugir, só com a roupa no corpo, por causa de sua fé. Mesmo nós, num país onde não somos perseguidos, mas as tentações materiais são muitas que procuram nos afastar da fé e impedir que vivamos a fé e nos dediquemos ao reino de Deus. Importa vigiar e orar.
O que fez o jovem? Ele, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. (v.22)
Assim muitos procedem ainda hoje. Eles tiveram a oportunidade de ouvir a palavra de Deus, eles se defrontaram com Jesus, o Espírito Santo tocou seus corações, mas eles, em lugar de se arrependerem e crerem, ficaram contrariados, se chocaram com a palavra de Deus, se revoltaram contra a palavra de Jesus. Assim procedem muitos em sua justiça própria, em seu amor ao mundo ou aos prazeres do mundo. Que Deus em sua misericórdia nos guarde de tal.
Onde será que está o jovem? Jesus ficou olhando para ele e disse a seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas. (v. 23)
A riqueza exerce um terrível poder sobre a pessoa. É um peso que puxa para longe de Deus. Por isso Jesus diz: Quão dificilmente. Como é difícil. Quem põe seu coração na riqueza, a riqueza o sufoca. O apóstolo Paulo escreveu: Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. (1 Timóteo 6.9 RA)
Conclusão
Que farei para herdar a vida eterna? Sim, o que poderíamos fazer? Em si nada. Jesus, o Cordeiro de Deus, como substituto de toda a humanidade cumpriu a lei, por seu padecer e morrer na cruz pagou nossa dívida, e triunfou por sua ressurreição sobre nossos inimigos: pecado, morte e Satanás. Ele convida todos: Vinde a mim!
Sigamos, pois, o bom Senhor / com tudo o que nós temos; / a toda angústia, sem temor, / alegres suportemos. / Quem foge à luta aqui, perdeu / o prêmio eterno lá no céu. (HL 319.7)
São Leopoldo, 06/10/2009
Horst R. Kuchenbecker

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Marcos10.1-16. Divórcio.

Marcos 10.1-16. Divórcio. Crianças
Meditação
Em sua última e grande peregrinação pela Judéia, Jesus passou o rio Jordão para o lado oriental e veio para a Peréia. Ali, ele só esteve uma vez numa passagem rápida. Agora ele queria revelar-se também ali como Salvador antes de ir para Jerusalém, a fim de sofrer, parecer e morrer. Ele ensinou e curou ali os doentes. (Mt 19.1,2) Seus inimigos, os fariseus, o seguiram também e lhe colocaram uma pergunta capciosa, para o experimentar. É lícito ao marido repudiar sua mulher? (v.2) A maioria dos fariseus, firmados na lei de Moisés, e para agradar ao povo, diziam que sim, era lícito repudiar. Havia um pequeno grupo entre os escribas que combatiam o divórcio leviano e eram detestados pelo povo. Pela explicação que eles já haviam ouvido de Jesus de outros discursos, sabiam que Jesus honrava o matrimônio. Assim julgavam que obteriam de Jesus uma resposta dura contra o divórcio e isto poderia torná-lo não simpático ao povo, o que eles queriam.
Jesus lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. (Dt 24.1-4; Mt 5.31)
Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento; porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. (Marcos 10.5-9 RA) Com esta resposta Jesus citou a origem da instituição do matrimônio. E o que Deus uniu, não o separe o homem.
Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? (Mateus 19.7 RA) Impressionante! Os fariseus lançam Moisés contra Jesus. Será que a Escritura é contra Jesus?
Jesus lhes expõe a Escritura, a afirmação de Moisés. Ele não invalida a lei que Moisés instituiu. Ele lhes mostra a razão, a causa da lei e a quem esta lei se destina. Primeiro. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento. (Marcos 10.5 RA) No início não era assim.
Moisés era também o legislador. Ele tinha o ofício de decretar as leis civis para o povo de Israel, que já no tempo de Moisés era numeroso, 600 mil homens com mais de 20 anos. (Nm 1) As leis civis não expressam a completa vontade de Deus. Pois as leis civis não são só para o povo de Deus, que tem prazer na lei de Deus, mas para o povo em geral, também pra os incrédulos, que estão longe de Deus, que vivem na incredulidade, na dureza de seus corações. A lei civil não pode ordenar amar a Deus de todo o coração e alma sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. (Mt 22.37) O Estado não é governado pelos Dez mandamentos. A lei civil só pode procurar regular o comportamento exterior. Por isso, não pode ordenar o que a lei de Deus ordena, amar a Deus. A lei civil só pode procurar criar certa ordem num mundo de incrédulos e gentios. Assim Moisés, como legislador, permitiu aos israelitas o divórcio, pois em Israel, mesmo sendo povo de Deus, havia muitos incrédulos e de coração endurecidos. Se Moisés não o permitisse, haveria um prejuízo, uma desordem ainda maior. Por isso Moisés estabeleceu, como legislador civil, a carta de divórcio.
Mas, quem se divorciava, dando carta de divórcio, deveria saber que não estava agindo conforme a vontade e a lei de Deus. Jesus lhes diz: Desde o princípio não era assim. (v. 6) O divórcio é contra a instituição do matrimônio, pois o que Deus ajuntou não o separe o homem! (v. 9)
Assim ainda hoje, as leis civis sobre o divórcio diferem da lei de Deus. Estas lei nem podem ser conforme a lei de Deus, pois lidam com o mundo incrédulo.
Vejamos um exemplo. O juiz de uma cidade é um sincero cristão de nossa Igreja. Eis que vem a ele um membro da própria congregação e requer o divórcio, por um motivo fútil, não válido diante de Deus, mas que a lei civil aceita tal possibilidade. O que o juiz deve fazer? Ele terá que aceitar o pedido e conceder o divórcio e não estará fazendo uma injustiça. Fora do tribunal, no entanto, em particular ou na sua congregação junto com o pastor, cabe-lhe admoestar seu irmão na fé. Se tal pessoa insistir no divórcio, o juiz não o considerará mais seu irmão na fé visto vive num divórcio pecaminoso.
Os fariseus, mesmo citando Moisés contra Jesus, não tinham razão.
De forma muito clara Jesus disse aos fariseus: Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério. (Mateus 19.9 RA) Há somente um motivo, para que um cônjuge possa se separar do seu cônjuge, a saber, o adultério. Pois pelo adultério o laço matrimonial é rompido. E quem casar com uma pessoa que se separou levianamente, sem justa causa, indicada por Jesus, também quebra o matrimônio, pois está casando com alguém que está compromissado e não tem direito de se separar. Outra coisa é, se uma pessoa é abandonada, que não queria se separar, mas sofreu o divórcio. (1 Co 7.15) Esta pode casar novamente.
Quando chegaram à casa onde se hospedaram, os discípulos voltaram ao assunto. Jesus lhes repetiu e lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério. (Marcos 10.11-12 RA) Ora, se um homem e uma mulher são unidos no matrimônio num vínculo tão indissolúvel, disseram os discípulos, não convém casar. Jesus lhes disse: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. (Mateus 19.11 RA) A vida celibatária à qual os discípulos se referiram, nem todos são capazes de viver sem pecar, isto é um dom que precisa ser dado por Deus. Por isso Jesus continuou: Porque há eunucos de nascença. Eles são por natureza incapazes para o matrimônio. Há outros a quem os homens fizeram tais, a saber, que por acidente, ou ferimentos em guerras, ou porque foram feitos prisioneiros de guerra e castrados, que são incapazes para o matrimônio. E há outros que a si mesmo se fizeram eunucos, por causa do reino do céu. Quem é apto para o admitir, admita.(Mt 19.11,12) Quem tem o dom especial que o faça, a saber, não se case. Mas, quem não tem este dom deve casar, pois caso contrário se expõe a muitas tentações e pecados. E, o que tem o dom e não casa, este deve cuidar para não se orgulhar e julgar que por essa obra seja melhor ou mereça graça especial de Deus.

Observação. Temos grande necessidade de pregar sobre o matrimônio e o divórcio e instruir nossos membros, jovens e adultos. Mesmo assim vamos encontrar muitas aberrações e erros já praticados e concretizados. O que fazer? Ensinar e chamar ao arrependimento, ao reconhecimento dos erros, para que peçam perdão a Deus e ao próximo onde houve ofensas. Onde houver arrependimento e o caminho para a reconciliação estiver aberto, que se reconciliem. Onde o caminho estiver fechado, isto é, já há novas uniões concretizadas, mesmo que, conforme a palavra de Deus, sem direito, que se peça o perdão a Deus e ao próximo, para que as uniões, mesmo iniciadas erradamente, possam agora continuar sob a bênção de Deus.

Jesus e as crianças (Mc 10.13-16)
Algumas mães trouxeram suas crianças a Jesus para que as tocasse, isto é, impusesse as mãos e as abençoasse. Os discípulos repreenderam as mães. Provavelmente até com palavras rudes que deixassem de importunar o Mestre com seus bebês. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. (Marcos 10.13-14 RA) Jesus se sentou, tomou as criancinhas em seus braços e as abençoou. Com isto Jesus mostrou que também as criancinhas de colo, que ainda não podem suar sua razão são aptas para receber as bênçãos do seu reino. E mais, Jesus acrescentou: Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. (Marcos 10.15 RA) Com isto mostrou que as criancinha de peito ou colo são capazes de receber as bênçãos do reino de Deus, a saber crer.
O que aprendemos desta história?
Primeiro, que todas as bênçãos do seu reino são também para as criancinhas: Dos tais é o reino de Deus.
Segundo. Que as criancinhas são capazes de receber, aceitar e se apegar a estas bênçãos, a saber, crer. (Assim como já reconhecem a partir dos primeiros dias de vida sua mãe e depois seus familiares, distinguindo-as dos estranhos, também no campo espiritual recebem, aceitam e confiam.
Terceiro. É desejo de Jesus que as criancinhas sejam trazidas a ele. Onde Jesus está hoje? Em sua Palavra e seus sacramentos. Portanto, é vontade de Jesus que as criancinhas sejam trazidas ao batismo, para receberem a bênção do reino de Deus. Já no Antigo Testamento os meninos eram circuncidados e se sacrificavam em favor de meninos e meninas. Hoje temos o batismo.
Quarto. Também nós adultos devemos receber o reino de Deus como uma criança, pelo Espírito Santo e crer, não permitindo que a razão ponha a Palavra e ação do Espírito Santo em dúvida.
Fontes: A.M. Zorn. Der Heiland; G. Stöckhardt. Die bilbische Geschichte, Neues Testament.
São Leopoldo, 30/09/2009
Horst R. Kuchenbecker