segunda-feira, 28 de julho de 2008

Mateus 14.13-21. 1° multiplicaçãodos pães.

Mateus 14.13-21. A primeira multiplicação dos pães. 11° Domingo após Pentecostes

Introdução

Cientistas estão preocupados com a fome no mundo. A fome já existe, pois mais de um terço da humanidade passa fome e as previsões são de que a situação tende a se agravar ainda mais, pelas mudanças climáticas, provocadas pelo homem.
Políticos e cientistas anunciavam que o terceiro milênio seria um milênio esplendido de paz, com doenças erradicadas e abundância de alimentos. As esperanças falharam. As guerras aumentam, bem assim as epidemias e a escassez de alimentos.
Interessante observar que os tempos difíceis nos quais vivemos, com terremotos, guerras e rumores de guerras, egoísmo, tempos difíceis, tudo isso foi amplamente anunciado na Bíblia por Jesus, por profetas e apóstolos, e ridicularizado ao longo dos tempos. Mas a palavra de Jesus está-se cumprindo.
E em meio a esses dias difíceis vivem os filhos de Deus, os cristãos, expostos a estes sofrimentos. Como enfrentar tudo isto? O que o evangelho da multiplicação dos pães, tem a nos ensinar com respeito à crise de pão.
1) Jesus se compadeceu da multidão, como ainda hoje se compadece.
2) Vendo o milagre queriam fazer dele um rei.
3) Jesus se retirou deles, pois ele não veio para tornar este terra um paraíso, mas
para salvar o que estava perdido e abrir aos fiéis a porta do céu.
4) Enquanto aos fiéis, cabe lhes carregar aqui a cruz.

Fundo histórico
Jesus trabalhou mais de dois anos na região da Galiléia. Proferiu muitas mensagens, curou muitos doentes. E, lugares que ele não pôde visitar pessoalmente, enviou os seus discípulos para anunciarem: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Os discípulos retornaram entusiasmados de sua ação missionária. (Mc 6.30) Ao mesmo tempo, alguns discípulos de João Batista lhe trouxeram a triste notícia de que João Batista fora decapitado. (Mt 14.13) Isto os entristeceu muito. Então Jesus disse a seus discípulos: Vamos nos retirar para descansar um pouco. (Mc 8.31) Ele queria estar a sós com seus discípulos. Assim saíram da região de Cafarnaum, onde Jesus havia fixado sua residência. Tomaram um barco e atravessaram o mar da Galiléia rumo a Betsaida. Dali Jesus se dirigiu para uma região deserta, para descansar. Mas o povo observou a direção que tomaram e seguiram depressa por terra. Não porque estivessem sedentos pela salvação. Não! Eles queriam ver mais milagres. (Jo 6.2) Queriam a cura de seus doentes.
Quando Jesus chegou ao lugar, eis que a multidão chegou junto e o seguiram ao deserto (lugar ermo). Jesus sentou-se, com seus discípulos, no alto de uma colina e vendo a grande multidão, compadeceu-se deles porque eram como ovelhas sem pastor. (Mc 6.34) Jesus começou a ensinar e a curar os doentes. Não se cansava de ensiná-los. Não conhecemos seus sermões desta ocasião. Só sabemos que ele falou sobre o Reino de Deus. (Lc 9.11) O dia passou rápido. Quando o dia ia declinando, os discípulos disseram ao mestre: O lugar é deserto e vai adiantada a hora, despede, pois, as multidões para que indo pelas aldeias, comprem para si o que comer. (v.15) Então Jesus disse a Filipe: Onde compraremos pão para lhes dar a comer? Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer. (Jo 6.5,6) Jesus lhes disse: Não precisam se retirar, dai-lhes vós mesmos de comer. (Mt 14.16) Filipe respondeu: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço. (Mc 6.37) Um dos discípulos chamado André, irmão de Simão Pedro, informo a Jesus: Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos: mas isto que é para tanta gente?Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se: pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em numero de quase cinco mil. (João 6.8-10)
Se nós estivéssemos diante de uma ordem expressa de Jesus, o que faríamos? Pois, Jesus não estava brincando ao dizer: Dai-lhe vós de comer. Quando Jesus dá uma ordem ela é executável. Os discípulos fizeram o que nós, na maioria das vezes, fazemos. Começamos a pensar numa solução. A razão calcula e chegamos à conclusão: Impossível! Um dos discípulos calculou que duzentos denários não bastariam. Um denário é o salário de um dia. E – mesmo se tivéssemos esse dinheiro - onde comprariam (encontrariam) pão para cinco mil homens, mulheres e crianças não foram contadas. Sem dúvida alguma o número passava de 10 mil pessoas.
E eis que um menino ouvindo isso, disse: Eu tenho cinco pais e dois peixinhos. Não temos maiores detalhes sobre o menino. De onde ele tinha cinco pães nesta hora. Será que a mãe o havia mandado comprar pão, e voltando da compra, vendo a multidão passar, de curioso foi junto e não voltou para casa? Ou talvez até sua mãe estivesse lá junto? Não sabemos. O que sabemos é que ele ofereceu os pães e os dois peixinhos. Que oferta! Já pensaram o que ele poderia fazer com isto numa multidão com fome? Poderia faturar bastante. Ele o ofereceu a Jesus, que os tomou e transformou em grande bênção para a multidão
Os discípulos - podemos dizer - rodaram no exame. Eles deveriam ter respondido: Senhor, tu és o Filho de Deus, nada te é impossível. Tu podes providenciar pão para todos eles e alimenta-los.
Então ordenou a seus discípulos: façam a multidão se assentar. Sem dúvida em certa ordem. Desta vez, por mais estranha que pareça a ordem, eles obedeceram. Jesus tomou os pães e os dois peixinhos, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões (v. 19) E trabalharam bastante nessa distribuição. Na correria do trabalho, parece que nem se aperceberam o que estava acontecendo. Que o pão e os peixes se multiplicaram nas mãos de Jesus. Assim somos nós, que em meio ao trabalho, nem nos apercebemos das grandes bênçãos de Jesus que nos dá: saúde, proteção, força, e abençoa o trabalho de nossas mãos.
Será que nós nos apercebemos da grande bênção de Deus quando podemos levantar de manhã descansados e com outras centenas de trabalhadores nos dirigir ao trabalho, crianças à escola, mercados cheios de alimentos? Que bênção. Ainda hoje, apesar de todos os pecados na humanidade, apesar de toda a incredulidade e fraquezas de fé nos cristãos, Jesus ainda hoje se compadece da multidão e concede o alimento espiritual e material.
No final, Jesus ordenou que recolhessem os restos. Eis que recolheram doze cestos cheios (v.20) Mas ainda nenhuma palavra de reconhecimento e de agradecimento por parte dos discípulos. Mas a multidão percebeu o grande milagre. Formou-se ali um movimento que tinha o intuito de aclamarem rei. (João 6.15)
Isto sim seria um rei que curaria gratuitamente todas as enfermidades, que lhes daria pão em fartura e o que mais necessitariam para a vida sem precisarem trabalhar. Seria esta a solução? Não tinham Israel no deserto tudo isso, até sua roupa não se gastou durante 40 anos. Mesmo assim se rebelaram contra Deus.
Jesus, ao perceber o movimento de quererem aclamá-lo reis, impeliu seus discípulos para que entrassem no barco e partissem para a outra margem. Ele mesmo se retirou para orar.
O evangelista Marcos observa que na quarta vigília da noite, isto é, já perto da madrugada, levantou-se uma grande tempestade. Os discípulos temeram pela vida. Então Jesus veio ao encontra deles, caminhando sobre as ondas. E lhes disse: Tendo bem ânimo! Sou seu. Não temais! Marcos acrescenta: porque não haviam compreendido o milagre dos pães, antes o seu coração estava endurecido. (Mc 6.50-52) Tendo Jesus subido no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és o Filho de Deus! (Mt 14.33) Finalmente seus olhos foram abertos para reconhecerem em Jesus o Filho de Deus.
O que aprendemos deste evangelho?
1. Jesus não veio para transformar a terra em um paraíso. Ele veio salvar o que estava perdido. Chamar ao arrependimento e à fé, para pela fé serem membros do reino de Deus e aguardarem o novo céu e a nova terra.
2. Aqui no mundo, apesar de todo o progresso, dos avanços da medicina, das técnicas agrícolas, doenças, terremotos, secas, enchentes se multiplicarão e trarão fome sobre a terra. (Mt 13.8) O homem em sua vaidade e ganância continua a poluir e estragar a criação, promovendo revoluções e guerras. E os cristãos no meio de tudo isso estão expostos a estes sofrimentos. A isto se soma ainda o ódio do mundo aos cristãos, que serão perseguidos. Hoje, já um em cada dez cristãos sofre de uma ou outra forma rejeição ou perseguição violenta no mundo.
3. Mas para os filhos do reino vale: Tendo bom ânimo, sou eu. Não temais, ó pequenino rebanho. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. Tudo o que nos atinge, passa pelas mãos do Rei Jesus. E se ele o permitiu, servirá para o nosso bem e o bem da igreja como um todo. Mesmo que não o compreendemos.
Por isso, Johannes Chrysóstomo (350-407) orou assim: Senhor Jesus tu és meu bastão e minha segurança. Tu és meu porto, neste mundo cheio de inquietações e perturbações. Não me assustarei, pois tenho a tua Palavra que é meu escudo. Nisto confio plenamente. Amém.
Horst R. Kuchenbecker
São Leopoldo, 20/07/2008

domingo, 13 de julho de 2008

Rm 8.26-27. Gemidos e intercessões

Romanos 8.26,27 – 9° após Pentecostes, 13/07/2008

A presente epístola se compõe de dois versículos, mas para compreendê-los precisamos tomá-los no seu contexto, especialmente alguns versículos que antecedem. Por isso tomaremos o texto de 18 a 27, sob o tema: O grande gemido dos fiéis pela glória a ser revelada neles.

1. O sofrimento do presente
Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. (Romanos 8.18 RA)
O que são os sofrimentos do presente? Pela fé na graça de Cristo somos justificados, isto é, perdoados e aceitos como filhos de Deus e herdeiros da vida eterna. Herdeiros quer dizer: Já é nosso, mas ainda não no ver. Nós o temos pela fé. E enquanto estamos peregrinando nesta terra, estamos sob a cruz. O apóstolo falou disto no versículo que antecede: Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. (Romanos 8.17 RA) Veja, ele disse: Se com ele sofremos. E não somente nós cristãos, mas toda a criação geme e suporta angústias até agora. (v.22) O apóstolo continua: E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. (Romanos 8:23 RA) Que sofrimentos são estes? São os sofrimentos por causa do pecado de Adão e Eva e de todos nós. Quando Deus disse a eles: Maldita é a terra por tua causa. (Gn 3.17) A terra foi amaldiçoada por causa do pecado. Isto trouxe sofrimentos sobre toda a criação. E os filhos de Deus, mesmo sendo perdoados, enquanto aqui na terra, estão sujeitos aos mesmos sofrimentos. Quais são estes sofrimentos? Vejamos: a) o sofrimento que temos em conjunto com toda a criação:secas, enchentes, catástrofes, fomes, doenças, e todas as conseqüências que o pecado em si traz: desentendimentos, brigas, injustiças, revoluções e guerras, etc. que se multiplicam nos tempos finais; b) os sofrimentos que nós próprios nos causamos por nossa vida errada, por vícios, por descuidos que provocam acidentes, etc.; c) os sofrimentos por causa de nossa fé, por amor a Cristo, quando somos desprezados, perseguidos, aprisionados. Nem podemos citar todos os países em que cristãos são perseguidos por causa de sua fé; d) e por fim a disciplina que o próprio Deus impõe a seus fiéis, para evitar que eles se desviem ou caim da fé. Vejam tudo isso faz parte da cruz, dos sofrimentos, dos gemidos que suportamos com toda a criatura. Pois tudo passa pela mão de Cristo e serve para o bem dos que teme e amam a Deus.

2. Não são para comparar
Mas tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós. (v.18) O que o apóstolo Paulo diz a respeito destes sofrimentos? Ele diz que por mais dolorosos, são insignificantes, quando olhamos para o futuro dos filhos de Deus, para a glória celestial, vir a ser revelada, para o novo céu e a nova terra, onde haverá felicidade por toda a eternidade. Nesta luz, os sofrimentos são uma pequena partícula de pó se colocados numa balança, em relação a esta grande glória celestial a ser revelado nos filhos de Deus.
E o apóstolo diz: A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. (Romanos 8.19 RA) Toda a criação, animais, pássaros, plantas, montes, vales, rios e mares, aguardam com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Impressionante. Esta criação, por belo que seja, foi submetida, devido ao pecado, à maldição de Deus. Toda a criação sofre também os filhos de Deus que estão vivendo ela. Mas todos nós aguardamos a grande libertação. O grande momento em que serão libertados da servidão. O profeta Isaías diz: Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas. (Isaías 65.17 RA) Que maravilha. O apóstolo Pedro o confirma e diz: Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. (2 Pedro 3.13 RA) E o apóstolo João já o vê em visão e descreve: Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. (Apocalipse 21.1 RA) Com tais pensamentos em mente queremos olhar já agora para a criação e os sofrimentos que se multiplicam nestes tempos finais. Mas, precisamos lembrar que temos esta esperança em fé. Pois, se temos aquilo que não vemos em fé, importa que o aguardemos esperançosos. E esta fé, este aguardar o Espírito Santo opera em nós por sua Palavra e os santos sacramentos. E aqui surge um outro fato que o apóstolo menciona:

3. Intercede por nós sobremaneira.
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8:26 RA)
Vimos que a criatura geme e suporta. Este gemer é uma súplica, um anseio da criatura irracional pela libertação que sobe aos céus. Também nós cristãos, filhos de Deus pela fé, gememos e suplicamos a Deus. E agora pasmem, o terceiro gemido vem do Espírito Santo que intercede, em nós, por nós e nos assiste.
Nós cristãos suplicamos sempre a Deus. E qual a súplica: Livra-nos do mal. Como Lutero explica: de todos os males do corpo e da alma. É a súplica da saúde, do desejo querer estar com Deus o que é muito melhor do que aqui na terra. Mas em nossa fraqueza nem sabemos orar como convém. Não sabemos o que pedir. Queremos ficar aqui na terra, pois amamos nossos queridos, ou pedir para partir e estar com Deus.
E no fundo, nós, que temos um Deus tão grande, que nos amou e ama tanto, e temos uma esperança tão gloriosa, nossas orações deveriam ser um permanece louvor e agradecimento. Deveríamos nos envergonhar por nossas orações mesquinhas. E nesta nossa fraqueza na oração, o Espírito Santo nos assiste. Ele toma o nosso lugar e suplica ao Pai por nós. Intercede por nós. O Espírito Santo habita em nós. E se importa com nossa miséria e intercede por gemidos inexprimíveis. Não podemos transformar estes gemidos em palavras. Por vezes sentimos algo desses gemidos em nosso íntimo. Uma inquietação interna que não sabemos dizer o que é. Mas Deus que perscruta os corações ouve e entende. Assim, gemendo o Espírito Santo ora em nós ao Pai. Ele suplica por nossa salvação. Ele clama dia e noite, mesmo quando trabalhamos, passeamos, dormimos e nem estamos pensando em Deus. Este é o grande suspiro e oração para que os eleitos alcancem a salvação, a grande glória que lhes está reservada. Sim, céus e terra, toda a criatura, e nós cristãos e o Espírito Santo anseiam por este glorioso dia da libertação. Isto nos dá forças para testemunhar, suportar e jubilar mesmo em meio aos sofrimentos e lágrimas. Vem Senhor Jesus. Amém.
Horst R. Kuchenbecker
São Leopoldo, 02/07/2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A parábola do semeador, Mateus 13.1-23

Mateus 13.1-9 (18-23)

Introdução
Mateus relata no capítulo anterior que Jesus expulsou um demônio de uma pessoa que era ao mesmo tempo cega, muda e surda, - que sofrimento - e fez com que o homem voltasse a enxergar, ouvir e falar. O povo ficou maravilhado e as pessoas diziam: Não é este o filho de Davi, o Messias que haveria de vir. (Mt 13.23) Mas os fariseus acusaram Jesus de que ele estava fazendo isto pelo poder de Belzebu, isto é, pelo poder do diabo. (v.24) Jesus lhes mostrou que isto era impossível, pois se um reino está dividido entre si, perecerá. Assim, sua pregação em alguns corações gerou fé, mas outros a rejeitaram.
Então Jesus se retirou dali e foi para sua residência em Cafarnaum, no mar da Galiléia. No outro dia levantou cedo e foi para o mar. Grande multidão se aglomerou em torno dele. Para poder falar melhor ao povo, Jesus entrou num barco, à beira do mar. Fez do barco o seu púlpito e começou a ensinar a multidão. A incredulidade, experimentada no dia anterior, lhe deu ocasião para falar sobre o mistério da fé, pela parábola do semeador. Isto nos leva à pergunta:

Que tipo de solo a palavra de Deus encontra em nós?

a) Uma parte caiu no caminho
b) Uma parte caiu em solo rochoso,
c) Uma parte caiu entre espinhos
d) E uma parte caiu em terra fértil.

1 – Uma parte caiu no caminho
Jesus inicia a parábola dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves a comeram. (v.3,4) O próprio Jesus explicou a parábola. A semente é a palavra de Deus. (Lc 8.11) O semeador é o próprio Jesus. Ao pregar a palavra de Deus, ele realiza a mesma ação que o semeador ao lançar a sua semente, só num sentido espiritual. Ele espalha a semente, a palavra de Deus, no coração de seus ouvintes.
E o que Jesus diz nesta parábola, ele o diz em primeiro lugar a seus ouvintes. Ele lhes diz que a pregação em muitos de seus ouvintes não opera os frutos desejados. O pregador faz a mesma experiência que um semeador. Este lança boa semente, mas uma parte da semente cai no caminho, cuja terra é dura e não deixa a semente penetrar. E vêm os passarinhos e a roubam. Assim é o pregador. Ele tem a boa e poderosa semente da palavra de Deus que ele lança, claramente pregada. Mas como o semeador, ele não tem o poder de fazer esta semente germinar, lançar raízes e frutificar. Este poder está na semente. Assim o pregador lança a poderosa palavra de Deus, mas não tem o poder de fazer esta palavra operar vida nova, a fé e produzir o fruto das boas obras. Mesmo tendo a Palavra este poder, muitos corações a rejeitam e não permitem que penetre no coração e atue.
É importante notar aqui, que Jesus está falando de pessoas que tiveram a oportunidade de ouvir a palavra de Deus, que querem ser cristãos. Destes Jesus está falando nesta parábola. A culpa de não terem chegado à fé, não é do semeador, nem da semente, mas dos corações endurecidos.
Jesus menciona aqui dois fatores: Não a compreenderam e vem o maligno e a arrebata. O compreender é um processo. A palavra, que é poder de Deus, (Hb 4.12) entra em seus ouvidos, mas eles não permitiram a esta palavra penetrar no coração. Sua consciência, que sentiu o ferrão da palavra de Deus, se fecha diante dela. Ou a razão a despreza como loucura, não permitindo que a Palavra penetre. Seus corações são como chão batido e duro. Eles não permitem que a semente penetre. Então vêm as aves e roubam a semente. Estas aves são as forças pelas quais Satanás atua, para roubar a semente e impedir que ela penetre e germine. Por isso Estevão diz a seus inimigos: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. (Atos 7.51 RA)
Na verdade, todos os corações humanos são por natureza como solo duro. Confessamos na explicação do Terceiro Artigo do Credo Apostólico: “Creio que por minha própria razão ou forço não posso crer em Jesus Cristo, nem vir a ele.” Mas a palavra de Deus é poder. O escritor aos Hebreus afirma: A palavra de Deus, no entanto, é poderosa para penetrar e dividir medula. Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. (Hebreus 4.12 RA)
E nós, que solo somos nós? Damos lugar à palavra de Deus em nosso coração, para que esta germine, nos conduza e mantenha em diário arrependimento e fé na graça de Cristo, e produza os frutos desejados. Importa que cada um se examine?
Há ainda uma outra classe de ouvintes.

II - Como que em rocha dura.
Outra parte caiu em solo rochoso onde a terra é pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol a queimou; e porque não tinha raiz, secou-se. (v.5,6) Todo o agricultor conhece tal solo. Entre as pedras se a ajuntam folhas que apodrecem e formam uma terra muito boa e retém boa umidade, mas por pouco tempo. A semente que cai ali germina logo, mas não pode aprofundar suas raízes. Por isso, vindo o sol, a planta seca e morre. Jesus explica: O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. (Mateus 13.20-21 RA) São pessoas, digamos, sentimentais, que, quando ouvem a palavra, logo a aceitam. Jubilam. Crêem por um tempo, mas depois caem da fé.
Jesus diz que eles não têm raízes. Não permitiram que a palavra lance raízes mais profundas. Foram levianos com a palavra de Deus. E vindo as tentações: desprezo, perseguições, problemas, eles abandonam a fé. Caem da fé.
A história da Igreja cristã está cheia de tais exemplos. Nos primeiros anos do cristianismo muitos que aceitaram a fé, judeus e gentios, jubilaram, mas provindo as perseguições, caíram da fé. Dois anos depois da morte de Lutero, quando o imperador Carlos V invadiu Wittenberg para derrotar o luteranismo, muitos abandonaram a fé.
Quantos confirmandos abandonam cedo a fé cristã. Cada ano as estatísticas das Comunidades e da Igreja registram abandonos. Seja isto um alerta para todos nós. Aproveitemos o tempo para crescer no conhecimento e na fé, para sermos firmados e estabelecidos.
Há ainda uma outra classe mencionada por Jesus.

III - Como que entre espinhos.
Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Jesus explica: O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera. (Mateus 13.7,22 RA) A boa semente caiu num coração e gera a fé. Mas a pessoa deixa que o inço, espinhos e outras ervas daninhas continuem crescendo. São as preocupações pela vida, o amor ao dinheiro e aos prazeres da vida. Ali a fé não pode se desenvolver. Ela é sufocada. Muitos querem ser bons cristãos, mas não abrem mão do amor ao mundo. Eles se iludem com uma falsa liberdade cristã, para continuarem vivendo em pecados. E não permitem que a palavra de Deus os conduza a uma compreensão melhor da lei de Deus, ao arrependimento, à fé e amor ao próximo.
Finalmente Jesus menciona a quarta classe:

IV - Em terra fértil.
Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um...
Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. (Mateus 13.8,23 RA)
O que é esta terra fértil. De primeira vista parece que o mérito é da terra, que estes ouvintes são por natureza melhores. Sabemos, no entanto, que por natureza somos todos igualmente corrompidos pelo pecado, espiritualmente cegos, mortos e inimigos de Deus. Se não fosse lançada ali a boa semente, esta terra nada produziria por si mesma.
Nestes ouvintes, para assim dizer, a lei fez o seu trabalho com profundidade. Penetrou. Ela quebrou a resistência natural. Lavrou como um arado que quebra a terra dura e arranca os espinhos, e o evangelho, a boa semente, pôde penetrar, germinar, criar a vida, a fé, e levar a planta da fé produzir os frutos.
Tais pessoas não ouviram somente com os ouvidos, mas também com o coração. E, uma vez levados à fé, se apegam à palavra, vivendo diariamente em arrependimento e fé, produzindo frutos dignos de arrependimento. Amando a Deus e ao próximo. Ainda em fraqueza, mas crescendo em amor, paciência, cordialidade e renúncia ao pecado e as tentações de nosso tempo.
Jesus termina esta sua parábola dizendo: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. (v.9) Com isto nos exorta: Provai-vos, examinai-vos se estais na fé. (2 Co 13.5) Como nós nos comportamos diante da palavra de Deus?
- Questionando, resistindo como terra dura?
- Temos recebido a palavra com entusiasmo, mas não permitindo que a Palavra pudesse lançar raízes mais profundas, fazendo-nos vacilar em dias de provações?
- Ouvimos a Palavra por habito e costume, sem refletir que a mesma nos leve a sincero reconhecimento dos pecados, à fé e renúncias ao amor do mundo; tendo como conseqüência o sucumbir da fé.
- Ou a recebemos como Maria, que movimentada a palavra no seu coração e refletia sobre a mesma, sendo firmada e fortalecida.
Diante deste texto clamamos a Deus: Abre, Senhor, os meus ouvidos e meu coração, para receber tua palavra e me apegar a ela, para crescer na fé e ser praticante da mesma, (Tg 1.22) e trazermos muitos frutos desejados. Amém.

São Leopoldo, 28/06/2008
Horst R. Kuchenbecker