Ascensão
“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas” (Efésios 4.10 RA).
Estimados em Cristo!
Hoje, 01/05/08 a Igreja cristã celebra mais uma vez, no mundo inteiro o dia da Ascensão de Jesus Cristo.
A ascensão de Cristo foi algo grandioso e majestoso. É o dia da coroação de Jesus como Rei dos reis, Senhor dos senhores. É o dia em que ele assumiu o seu reino, subiu ao seu trono para governar céu e terra. Como lemos no salmo: “Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Salmos 110:1 RA).
Por isso, este dia é um dia de grande júbilo para toda a cristandade, no qual cada pessoa batizada em nome de Jesus jubila e triunfa. Um júbilo que nos acompanha ao longo de nossa vida, até passarmos do crer para o ver.
Vale a pena relembrar como já os fiéis do Antigo Testamento, mesmo em meio ao sofrimento, recordavam as profecias do triunfo e da ascensão do Messias e, então, irrompiam em júbilo. Lemos nos salmos: “Batei palmas, todos os povos; celebrai a Deus com vozes de júbilo. Pois o SENHOR Altíssimo é tremendo, é o grande rei de toda a terra” (Salmos 47.1-2 RA). “Reinos da terra, cantai a Deus, salmodiai ao Senhor, àquele que encima os céus, os céus da antiguidade; eis que ele faz ouvir a sua voz, voz poderosa” (Salmos 68.32-33 RA).
Se Israel já se alegrava tanto na ascensão futura de Cristo, quanto mais nós. Pois a ascensão de Jesus Cristo é um firme fundamento para nossa fé, que nos faz triunfar e jubilar diariamente.
I – A Ascensão de Jesus, o firme fundamento para nossa fé.
Pela queda dos homens em pecado, todos se tornaram pecadores, escravos de Satanás, réus da eterna condenação. Destes três inimigos: Pecado, morte e Satanás, nenhuma sabedoria, poder ou força humana poderia nos libertar. Nascemos em pecado, escravos de Satanás e réus da eterna condenação.
Mas Deus em seu infindo e eterno amor à humanidade caída, enviou o seu unigênito Filho, Jesus Cristo, para salvar a humanidade. Jesus aceitou voluntariamente esta incumbência. Ele desceu da glória celestial. Humilhou-se profundamente, e. como substituto de toda a humanidade, cumpriu a lei, tomou sobre si a culpa de toda a humanidade e entrou com ela na morte. Desta forma reconciliou a humanidade com Deus. Ressurgiu vitorioso no dia da Páscoa e disse a seus discípulos: “Paz seja convosco”. Ele nos adquiriu verdadeira paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14.27 RA).
Agora faltava só uma coisa, subir ao céu e ser empossado como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Tomar o centro do seu poder em suas mãos. Isto aconteceu no dia da ascensão. Neste dia cumpriu-se a profecia do salmo 2: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião ... Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão” (Salmos 2.8 RA).
Este fato tem um alto significado para todos nós. Jesus é o precursor da humanidade.
Uma figura deste fato é a história de Davi e Golias. Assim como Davi derrotou a Golias e com isto todo o Israel foi liberdade da escravidão e da opressão dos filisteus, assim a vitória de Jesus e sua subida ao céu trouxeram libertação ao povo de Deus. Todo aquele que crê em Cristo, tem agora perdão, vida e eterna salvação, sim a esperança certa da vida eterna. Lemos no salmo: “Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o SENHOR Deus habite no meio deles” (Salmos 68.18 RA). Ele levou cativo o cativeiro, os nossos inimigos que nos aprisionavam e deu-nos a libertação. Por isso o apóstolo Paulo jubila e escreve: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, -- pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2.4-6 RA). Assim como toda a pessoa que se arrepende e crê em Cristo é perdoada, declarada justo, e ressuscitada com Cristo, também já se torna herdeira do céu, assim tudo é nosso, se crermos de coração.
Vede, à base desta verdade, a ascensão de Jesus nos é o firme fundamento para a fé.
- Se somos tentados pelos pecados, lembrando a ascensão podemos dizer: O pecado foi vencido, ele não pode mais me amedrontar.
- Se fraquejamos na fé, podemos invocar a Cristo e suplicar por perdão e fortalecimento.
- Se a lei nos acusa, podemos dizer, foste cumprida, não tens mais direito de me acusar.
- - Se a morte nos amedronta, podemos responder, foste vencida e precisas servir-me de porta para o céu.
II – Cristo, presente, ao lado dos fiéis.
A ascensão nos lembra também a graciosa presença de Cristo em sua comunidade.
Muitos julgam que tendo Jesus subido aos céus, Ele se ausentou daqui. Alguns acham que ele subiu só como Elias.
Precisamos olhar para alguns detalhes da ascensão de Jesus. O apóstolo Paulo afirma: “Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas” (Efésios 4.10 RA). Quem seria capaz de compreender isto? O que é o céu? Onde fica? Como é? Não podemos compreender. Aqui a razão precisa silenciar. Só podemos crer o que a Escritura nos diz. Ele venceu e enche céus e terra como verdadeiro Deus e homem.
Em Hebreus lemos: “Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem” (Hebreus 8.1-2 RA). O que significa à direita de Deus? Onde está Deus? Deus está em toda a parte. A destra de Deus significa que Deus lhe conferiu todo o poder e todo o governo. Ele, como Rei, governa poderosamente sobre todas as coisas e ninguém lhe pode resistir. Com graça a sua igreja (esta graça é resistível) e com glória aos que estão com ele.
O apóstolo Paulo ainda escreve: “Qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Efésios 1.19-23 RA). Tudo isto não é dito somente de sua natureza divina, mas também de sua natureza humana, pois é um só Cristo. Jesus enche o céu e a terra, como verdadeiro Deus e homem, nosso irmão na carne. Por isso ele disse: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28.20 RA). Que profundo consolo para todos nós. A ele podemos recorrer em oração. Ele vem a nós por sua palavra de forma bem especial no sacramento da santa ceia.
Que conforto na aflição, na tentação, na dor, na morte. Por isso jubilamos dizendo com as palavras de Apocalipse: e clamavam em grande voz, dizendo: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!” (Apocalipse 7.10-12)
São Leopoldo, 25/04/2008
Horst R. Kuchenbecker
segunda-feira, 28 de abril de 2008
A vida em Cristo, Jo 14.15-21. 6° Domingo de Páscoa
João 14.15-21. Vida em Cristo. 6° Domingo de Páscoa.
Viemos à casa de Deus, porque Deus nos convidou e chama. Ele quer nos fala e nos edificar na fé por sua Palavra e sacramentos, e com isto estreitar nossa comunhão com ele. Esta comunhão é a vida em Cristo, isto é, ele em nós e nós nele. Comunhão essa criada e sustentada pelo Espírito Santo.
Isso nos leva a uma série de perguntas, como por exemplo: O que é esta comunhão e em que consiste? Quais são os sinais desta comunhão? Vejamos.
1. A vida em Cristo - O evangelho lido é um trecho da mensagem de despedida de Jesus, dirigida a seus discípulos na Quinta-feira Santa, após a instituição da Santa Ceia.
Estes discípulos, Jesus havia escolhido e chamada um por um. Eles o seguiram durante três anos. Nestes três anos, Jesus os instruiu e lhes abriu os olhos. Eles reconheceram que Jesus Cristo era o Filho de Deus, o Messias prometido, o Salvador da humanidade, mesmo que ainda não entendiam muitos detalhes desta obra de Deus por seu Filho Jesus. Eles já conheciam o Espírito Santo. Foi ele que os levou à fé. Mas o Espírito Santo em sua plenitude, isto é, a ação completa do Espírito Santo, só seria possível após Jesus ter completado sua obra, após Jesus ter morrido na cruz, ressuscitado e subido ao céu.
Jesus lhes disse: Se me amais, guardareis os meus mandamentos. (v. 15) Após Jesus os ter escolhido e chamado, levado e fortalecidos na fé pela instrução durante os três anos, nada mais justo do que a pergunta pela resposta da fé: Se me amais! Sim, eles já haviam afirmado várias vezes que o amavam e o demonstraram por atos concretos. Mas agora estavam diante de um momento crucial: a traição, aprisionamento, morte de Jesus e sua partida ao céu. Eles ficariam chocados, sim desesperados. Nestes momentos angustiantes importava guardar os mandamentos. Pouco depois Jesus repete a afirmação dizendo: Se alguém me ama, guardará a minha palavra. (v.23)
De que amor Jesus está falando aqui? Não é em si do amor filial, mas do amor que é a resposta da fé, a compreensão e o propósito da adoração. Ele espera deles esta resposta da fé, o amor. Assim como eles vivem diariamente do amor de Jesus, recebendo diariamente o perdão de seus pecados e todas as bênçãos, Jesus espera que eles o amem. Isto não é em si uma admoestação, mas o amor em vista a uma tarefa.
2. E como este amor se expressa? Temos duas afirmações: Guardem os meus mandamentos, guardem a minha Palavra. Na NTLH temos: Obedeçam. O que significa isso? Em primeiro lugar convém dizer que Jesus não é um novo legislador, como Moisés. Portanto, a palavra mandamentos aqui não se refere a novos preceitos da lei ou aos Dez Mandamentos da lei de Moisés em si. No versículo 23, temos, em vez de mandamentos, minhas palavras. Isto é mais amplo. Mas a compreensão está na palavra guardar, que a NTLH traduz por “obedecer”. Guardar, no entanto, tem um sentido mais profundo. Significa apegar-se confiadamente a esta palavra, tê-la no coração com fé, para que o Espírito Santo possa, por esta palavra, dirigi-los. Portanto é um apego, confiante em fé a esta Palavra de Jesus, chamado também de meus mandamentos.
Esta era a intenção de Jesus. Quando agora, em breve veriam Jesus ser preso e crucificado, eles ficariam chocados. Não entenderiam o que estava acontecendo. Ficariam confusos. Neste momento só haveria uma solução: apegar-se cegamente à sua Palavra. E depois de sua ressurreição, quando receberiam a ordem de pregar o evangelho a todas as criaturas, novamente em amor e apego à sua palavra, para assim cumprir alegremente esta missão. Para tanto Jesus lhes enviaria o Consolador.
Quão precioso é este conselho para todos nós. Também nós em nossa vida hoje, como discípulos, enfrentamos momentos difíceis, de angústia e desespero. Mesmo não estando por enquanto expostos a perseguição, prisões e morte por causa de nossa fé, como em muitos lugares, todos nós enfrentamos momentos de dificuldades, desastres em que nos perguntamos: Por que meu Deus? O que fazer nesses momentos? Apegar-se à palavra de Deus. Recitar salmos e hinos, consultar nosso livrinho de Orações, ler a Bíblia e lembrar versículos memorizar, através disto o Espírito Santo nos reerguerá, consolará e guiará à toda a verdade.
3. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber. (v.16,17) O Espírito Santo já trabalhava neles. Ele lhes abriu os olhos para reconhecerem Jesus como Salvador, mas em sua plenitude o Espírito Santo só lhes poderia ser dado após Jesus ter cumprir e executado toda a obra da salvação, a saber, morrido, ressuscitado e subido ao céu. Então desceria sobre eles o Espírito Santo, o Espírito da verdade, que os guiaria em toda a verdade. Então compreenderiam as palavras de Jesus, a obra de Jesus, e veriam como todas as profecias do Antigo Testamento se cumpriram em Jesus. O Espírito Santo, o Consolador estaria com eles em toda a obra missionária, em todas as dificuldades. Ele os guiaria e consolaria e os fortaleceria na esperança da vida eterna. E vemos o cumprimento disto no livro de Atos dos Apóstolos. Ao partir e lhes enviar Jesus enriqueceu imensamente seus discípulos. Pois o Espírito Santo, o Consolador é o que opera a verdadeira fé e estreita a comunhão com Deus em Cristo, consola e dá a verdadeira paz e esperança, coragem de fé, alegria, força para amar, paciência, sabedoria, etc. Que riqueza.
Este Espírito é dado ainda hoje pelo Santo batismo e pela pregação da Palavra. Ele ainda hoje chama, ilumina, santifica e congrega por Palavra e sacramentos. Ele guia à toda a verdade.
3. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece. No mundo há uma grande procura pela verdade. Em todos os ramos da filosofia, da psicologia, da ciência, da vida prática do dia-a-dia procura-se a verdade. Os milhares de programas e de livros o comprovam. Diariamente surgem novas teorias que prometem a verdade e por meio dela a felicidade, mas após pouco tempo se revelam como mentira ou são substituídas por outras teorias. E a verdade que Deus nos deu a conhecer por Jesus Cristo, que antigamente falou pelos profetas, depois veio pessoalmente testemunhar da verdade e após falou por seus apóstolos, (Hb 1.1-2) esta verdade pela qual o Espírito Santo vem ao coração, o mundo rejeita e com isto rejeitam o próprio Espírito Santo, que só vem e atua pela Palavra. E quem rejeita a Palavra fecha a porta ao Espírito Santo. Que triste.
4. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (v.21) Aquele que tem e os guarda. A Palavra é pregada em todo mundo. Já o apóstolo Paulo pôde escrever que a Palavra está sendo pregada em todo o mundo. (Rm 10.18) Mas especialmente hoje, pela facilidade dos meios de comunicação ela está no mundo todo e praticamente todos têm acesso a ela. Mesmo se a Bíblia ainda não está traduzida para alguns dialetos e línguas minoritárias, muitos desses dominam outros idiomas nos quais a Bíblia está à disposição. Mas não basta simplesmente ter a palavra. Muitos têm uma Bíblia em casa, mas ela continua fechada. Muitos são membros de uma igreja cristã, mas não a freqüentam. Por isso Jesus acrescenta: e a guardam. O guardar como dissemos a cima é realmente o crer, o apegar-se a esta palavra, fazendo como Maria que as movia em seu coração, meditava nesta Palavra, para os quais a Palavra se constitui o seu grande tesouro e fundamento de sua vida. Na qual eles têm o seu prazer e meditam, como lemos no Salmo 119: Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia (v. 92); Quanto amor a tua lei! É a minha meditação todo o dia. (v. 97) Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos; (v. 105). Feliz quem vive assim e pode confessar assim. A este o Espírito Santo firma cada vez mais na comunhão com Deus, desfrutará de paz no perdão de Cristo, terá força na luta contra o pecado e no carregar sua cruz, jubila na esperança da vida eterna, tem prazer na lei do Senhor e em todo o trabalho de levar esta mensagens a outros corações. Amém.
São Leopoldo, 19/04/2008
Horst R. Kuchenbecker
Viemos à casa de Deus, porque Deus nos convidou e chama. Ele quer nos fala e nos edificar na fé por sua Palavra e sacramentos, e com isto estreitar nossa comunhão com ele. Esta comunhão é a vida em Cristo, isto é, ele em nós e nós nele. Comunhão essa criada e sustentada pelo Espírito Santo.
Isso nos leva a uma série de perguntas, como por exemplo: O que é esta comunhão e em que consiste? Quais são os sinais desta comunhão? Vejamos.
1. A vida em Cristo - O evangelho lido é um trecho da mensagem de despedida de Jesus, dirigida a seus discípulos na Quinta-feira Santa, após a instituição da Santa Ceia.
Estes discípulos, Jesus havia escolhido e chamada um por um. Eles o seguiram durante três anos. Nestes três anos, Jesus os instruiu e lhes abriu os olhos. Eles reconheceram que Jesus Cristo era o Filho de Deus, o Messias prometido, o Salvador da humanidade, mesmo que ainda não entendiam muitos detalhes desta obra de Deus por seu Filho Jesus. Eles já conheciam o Espírito Santo. Foi ele que os levou à fé. Mas o Espírito Santo em sua plenitude, isto é, a ação completa do Espírito Santo, só seria possível após Jesus ter completado sua obra, após Jesus ter morrido na cruz, ressuscitado e subido ao céu.
Jesus lhes disse: Se me amais, guardareis os meus mandamentos. (v. 15) Após Jesus os ter escolhido e chamado, levado e fortalecidos na fé pela instrução durante os três anos, nada mais justo do que a pergunta pela resposta da fé: Se me amais! Sim, eles já haviam afirmado várias vezes que o amavam e o demonstraram por atos concretos. Mas agora estavam diante de um momento crucial: a traição, aprisionamento, morte de Jesus e sua partida ao céu. Eles ficariam chocados, sim desesperados. Nestes momentos angustiantes importava guardar os mandamentos. Pouco depois Jesus repete a afirmação dizendo: Se alguém me ama, guardará a minha palavra. (v.23)
De que amor Jesus está falando aqui? Não é em si do amor filial, mas do amor que é a resposta da fé, a compreensão e o propósito da adoração. Ele espera deles esta resposta da fé, o amor. Assim como eles vivem diariamente do amor de Jesus, recebendo diariamente o perdão de seus pecados e todas as bênçãos, Jesus espera que eles o amem. Isto não é em si uma admoestação, mas o amor em vista a uma tarefa.
2. E como este amor se expressa? Temos duas afirmações: Guardem os meus mandamentos, guardem a minha Palavra. Na NTLH temos: Obedeçam. O que significa isso? Em primeiro lugar convém dizer que Jesus não é um novo legislador, como Moisés. Portanto, a palavra mandamentos aqui não se refere a novos preceitos da lei ou aos Dez Mandamentos da lei de Moisés em si. No versículo 23, temos, em vez de mandamentos, minhas palavras. Isto é mais amplo. Mas a compreensão está na palavra guardar, que a NTLH traduz por “obedecer”. Guardar, no entanto, tem um sentido mais profundo. Significa apegar-se confiadamente a esta palavra, tê-la no coração com fé, para que o Espírito Santo possa, por esta palavra, dirigi-los. Portanto é um apego, confiante em fé a esta Palavra de Jesus, chamado também de meus mandamentos.
Esta era a intenção de Jesus. Quando agora, em breve veriam Jesus ser preso e crucificado, eles ficariam chocados. Não entenderiam o que estava acontecendo. Ficariam confusos. Neste momento só haveria uma solução: apegar-se cegamente à sua Palavra. E depois de sua ressurreição, quando receberiam a ordem de pregar o evangelho a todas as criaturas, novamente em amor e apego à sua palavra, para assim cumprir alegremente esta missão. Para tanto Jesus lhes enviaria o Consolador.
Quão precioso é este conselho para todos nós. Também nós em nossa vida hoje, como discípulos, enfrentamos momentos difíceis, de angústia e desespero. Mesmo não estando por enquanto expostos a perseguição, prisões e morte por causa de nossa fé, como em muitos lugares, todos nós enfrentamos momentos de dificuldades, desastres em que nos perguntamos: Por que meu Deus? O que fazer nesses momentos? Apegar-se à palavra de Deus. Recitar salmos e hinos, consultar nosso livrinho de Orações, ler a Bíblia e lembrar versículos memorizar, através disto o Espírito Santo nos reerguerá, consolará e guiará à toda a verdade.
3. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber. (v.16,17) O Espírito Santo já trabalhava neles. Ele lhes abriu os olhos para reconhecerem Jesus como Salvador, mas em sua plenitude o Espírito Santo só lhes poderia ser dado após Jesus ter cumprir e executado toda a obra da salvação, a saber, morrido, ressuscitado e subido ao céu. Então desceria sobre eles o Espírito Santo, o Espírito da verdade, que os guiaria em toda a verdade. Então compreenderiam as palavras de Jesus, a obra de Jesus, e veriam como todas as profecias do Antigo Testamento se cumpriram em Jesus. O Espírito Santo, o Consolador estaria com eles em toda a obra missionária, em todas as dificuldades. Ele os guiaria e consolaria e os fortaleceria na esperança da vida eterna. E vemos o cumprimento disto no livro de Atos dos Apóstolos. Ao partir e lhes enviar Jesus enriqueceu imensamente seus discípulos. Pois o Espírito Santo, o Consolador é o que opera a verdadeira fé e estreita a comunhão com Deus em Cristo, consola e dá a verdadeira paz e esperança, coragem de fé, alegria, força para amar, paciência, sabedoria, etc. Que riqueza.
Este Espírito é dado ainda hoje pelo Santo batismo e pela pregação da Palavra. Ele ainda hoje chama, ilumina, santifica e congrega por Palavra e sacramentos. Ele guia à toda a verdade.
3. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece. No mundo há uma grande procura pela verdade. Em todos os ramos da filosofia, da psicologia, da ciência, da vida prática do dia-a-dia procura-se a verdade. Os milhares de programas e de livros o comprovam. Diariamente surgem novas teorias que prometem a verdade e por meio dela a felicidade, mas após pouco tempo se revelam como mentira ou são substituídas por outras teorias. E a verdade que Deus nos deu a conhecer por Jesus Cristo, que antigamente falou pelos profetas, depois veio pessoalmente testemunhar da verdade e após falou por seus apóstolos, (Hb 1.1-2) esta verdade pela qual o Espírito Santo vem ao coração, o mundo rejeita e com isto rejeitam o próprio Espírito Santo, que só vem e atua pela Palavra. E quem rejeita a Palavra fecha a porta ao Espírito Santo. Que triste.
4. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (v.21) Aquele que tem e os guarda. A Palavra é pregada em todo mundo. Já o apóstolo Paulo pôde escrever que a Palavra está sendo pregada em todo o mundo. (Rm 10.18) Mas especialmente hoje, pela facilidade dos meios de comunicação ela está no mundo todo e praticamente todos têm acesso a ela. Mesmo se a Bíblia ainda não está traduzida para alguns dialetos e línguas minoritárias, muitos desses dominam outros idiomas nos quais a Bíblia está à disposição. Mas não basta simplesmente ter a palavra. Muitos têm uma Bíblia em casa, mas ela continua fechada. Muitos são membros de uma igreja cristã, mas não a freqüentam. Por isso Jesus acrescenta: e a guardam. O guardar como dissemos a cima é realmente o crer, o apegar-se a esta palavra, fazendo como Maria que as movia em seu coração, meditava nesta Palavra, para os quais a Palavra se constitui o seu grande tesouro e fundamento de sua vida. Na qual eles têm o seu prazer e meditam, como lemos no Salmo 119: Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia (v. 92); Quanto amor a tua lei! É a minha meditação todo o dia. (v. 97) Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos; (v. 105). Feliz quem vive assim e pode confessar assim. A este o Espírito Santo firma cada vez mais na comunhão com Deus, desfrutará de paz no perdão de Cristo, terá força na luta contra o pecado e no carregar sua cruz, jubila na esperança da vida eterna, tem prazer na lei do Senhor e em todo o trabalho de levar esta mensagens a outros corações. Amém.
São Leopoldo, 19/04/2008
Horst R. Kuchenbecker
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Jesus, o Bom Pastor e a Porta
Jo 10.1-10. Jesus a porta. (reflexão)
Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus lhes propôs esta parábola, mas eles não compreenderam o sentido daquilo que lhes falava. Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10.1-10 RA)
Obs.: Eu sou a porta das ovelhas – pela qual as ovelhas entram e saem.
Eu sou a porta para as ovelhas – que conduz para as ovelhas. As duas traduções são possíveis.
Introdução
Para compreendermos este texto, precisamos ter uma visão da vida pastoril no tempo de Jesus. Hoje temos fazendas com cercas. No tempo de Jesus os campos eram abertos. Os pastores de ovelhas cuidavam de seus rebanhos e os conduziam às pastagens verdes e águas tranqüilas. À noite, os diversos pastores com seus rebanhos os traziam para um curral ao céu aberto. Era área cercada com um murro de pedras. Na entrada havia guardas que cuidavam à noite. Da manhã seguinte, os pastores se dirigiam para a entrada. Os guardas conheciam os pastores e os deixavam entrar. Cada qual chamava suas ovelhas, muitos as chamavam pelo nome. Tão bem os pastores conheciam suas ovelhas e as ovelhas a voz de seu pastor. Não havia nenhuma confusão. Então saíam para apascentá-las.
A ovelha é um animal indefeso, não morde, não tem chifres, não agride. Ela não tem faro para poder se orientar como outros animais. O boi ou um cavalo conhece a cocheira do seu dono e se orienta na estrada. A ovelha não, ela precisa ser guiada. Mas ela tem um excelente ouvido. Ele conhece a voz do seu pastor, isto lhe basta. Pois, bem. Vamos ver então a parábola de Jesus sobre o pastor e as ovelhas.
História
Jesus estava cercado por uma grande multidão, bem como por anciãos, fariseus e escribas. Tudo isso, por causa do cego que Jesus havia curado. Os líderes religiosos não aceitaram Jesus como o verdadeiro Messias prometido, o Filho de Deus e Salvador da humanidade. Eles achavam que tinham a sabedoria e viam claramente, pois esperavam um salvador que lhes proporcionasse o céu aqui na terra. Mas Jesus lhes disse: Vocês são cegos e guias de cegos. Para expor isso mais uma vez, ele contou a parábola do pastor e suas ovelhas e lhes disse: Eu sou a porta para as ovelhas. Eu sou o bom pastor e as ovelhas ouvem a minha voz e me seguem. Elas não dão ouvidos à voz de falsos pastores, antes fogem deles. Isto nos leva a algumas perguntas.
1.Com quem Jesus está falando? Jesus disse: Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador - Sob juramento ele lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo. Jesus se dirige aos líderes religiosos do seu tempo que não queriam dar ouvidos a Jesus, nem o aceitaram como o verdadeiro Pastor das ovelhas. Eles se dizem “Guias” da igreja, das ovelhas. Mas Jesus lhes mostra que o único acesso para as ovelhas é pela porta que é Jesus. Quem chega às ovelhas por outro caminho é ladrão e salteador. Os outros caminhos são falsas doutrinas, interesso próprio, lisonjas para conquistar as ovelhas, orgulho e vaidade, etc. Isto não falta em nossos dias. Quantas igrejas grandes, bonitas, maravilhosas, quantos cultos de louvor, entusiasmo, nos quais o nome de Cristo e seu poder são proclamados, mas que ele é único e suficiente Salvador dos pecados, da morte e do poder de Satanás a quem nós nos devemos apegar em fé, tomar a nossa cruz e segui-lo, não é anunciado ali. Quantos pastores, bem dotados, excelentes oradores que conquistam centenas de adeptos, prometem todo o tipo de curas, prosperidade e bênção, atendem o anseio do povo, conclamam o povo à tomarem decisões por Cristo, obedecerem, vendem toda a sorte de livros com mil regras de como obter vitórias na vida e ser feliz, mas pregação para verdadeiro arrependimento e fé na graça de Cristo não se ouve ali, da qual brota o verdadeiro amor a Deus e ao próximo, a verdadeira vida santificada, o tomar sua cruz e seguir a Jesus, não se ouve ali.
2. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora - Para se chegar às ovelhas e apascentá-las, guiá-las é preciso entrar pela porta. A esse, o porteiro, que é Deus Pai, que guarde as ovelhas, deixa entrar. Quem entrar por outro caminho não é verdadeiro pastor, mas ladrão e salteador. E esta porta é Jesus.
3. Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Eles não haviam compreendido a parábola. Então Jesus a explica detalhadamente e diz: Eu sou a porta para as ovelhas.
A primeira coisa que Jesus afirma é que ele é a porta. Ele é o verdadeiro Pastor das ovelhas. Ele deu sua vida pelas elas. Ele é o único Salvador. Muitos se apresentam no mundo como salvadores, mas não o são. Jesus é o único e suficiente Salvador. Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, pra que todo o que nele crê não perca, mas tenha a vida eterna. (Jo 3.16) Só entrando por ele, isto é, por verdadeiro arrependimento e fé, confiança na graça de Cristo, é que alguém entra no rebanho de Cristo, faz parte do rebanho de Cristo, que hoje chamamos a santa igreja cristã, a comunhão dos santos.
Por outro, para ser pastor deste rebanho, o que hoje chamamos de ministro, pastor, professor, diácono, professores da Escola Dominical, bem como para ocupar cargos na diretoria, somente os que entraram pela porta que é Cristo. Somente os que foram batizados em nome do Deus triúno, instruídos nas principais verdades do Catecismo menor e estão na verdadeira fé na graça de Cristo, são dignos de ocuparem cargos na igreja cristã.
4. As ovelhas ouvem a sua voz. Reconhecem a voz; de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. As ovelhas conhecem a voz do seu pastor. Elas o ouvem. Elas o seguem. Elas fogem de outras fozes.
Permitam que conte um pequeno acontecimento. Há anos atrás, eu viajei com um fazendeiro, criador de ovelhas, à meia noite para sua fazendo, nas regiões de Piratini, sul do Rio Grande do Sul. Era inverno, mês de julho. Já era muito frio e havia geado. Neste mês nascem os cordeirinhos. Vi, ao luar, o rebanho deitado na pastagem. Então eu disse ao fazendeiro:
- Você tem tantos galpões, porque não recolhe as ovelhas. Veja a noite fria e os coitados dos cordeirinhos?
- Vejo que você não entende nada sobre criação de ovelhas, respondeu o fazendeiro. Você como pastor, deveria conhecer isso. Veja, é o mês em que nascem os cordeirinho.
Então ele parou o carro.
- Observe ali. Você está vendo. Lá vai uma ovelha conceber seu filhote. Veja, ela está-se afastando do rebanho. Fica bem sozinha.
Não demorou nasceu o cordeirinho.
- Observe disse ele.
Então se ouviu um pequeno berro do cordeirinho e a mãe ovelha retribuiu o grito. Após um pequeno espaço de tempo, mãe e filha retornaram ao rebanho.
- Você compreendeu, perguntou o fazendeiro? E explicou. A mãe se afasta do rebanho, para ouvir bem o berro do seu filhote e gravá-lo e o recém nascido cordeirinho grava o berro da mãe. Agora podem se misturar no meio de centenas de ovelhas, e mãe e filhote sempre reconhecerão a voz um do outro. Esta é a grande propriedade das ovelhas. O seu ouvido. Por isso não posso juntá-las, nesta época num galpão. Elas precisam estar sozinhas na hora de conceber.
Assim, diz Jesus, minhas ovelhas, as quais ele chamou pelo nome no batismo, dando-lhes o seu Espírito Santo, lhe reconhecem a voz. A voz do puro e claro evangelho. Por esta voz, a sã doutrina, o pastor as apascenta e guia. Mas se vierem outros pastores que não têm este evangelho, ou misturam nele sabedoria e filosofia humana, as ovelhas, mesmo as mais simples, sabem que esta não é a voz de Jesus. E não lhe dão ouvidos, antes fogem dele.
5. Eu sou a porta. Esta verdade Jesus ainda expôs, ou complementou em outras parábolas, quando fala do caminho largo e do caminho estreito, da porta larga e da porta estreita.
A porta estreita no sentido de que quando nós nos voltamos a Deus e comparecemos diante de sua presença, precisamos despojar-nos de toda nossa bagagem, isto é, de nossa justiça própria, de nossas obras e merecimentos. Cantamos no hino Rocha Eterna: Nada trago, ó meu Jesus; só recorro à tua cruz. Nu, me venho em ti vestir, só a graça te pedir. Corro, imundo, ao manancial; lava, oh! Livra-me do mal! (HL 276.3) Qualquer bagagem minha me impede de entrar pela porta estreita. Esta porta está bem aberta para todos os pobres pecadores, como disse Jesus: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobre carregados e eu vos aliviarei. (Mt 11.28)
6. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. - Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz. Jesus as guia por sua palavra, as alimenta, as protege, toma no braço as fracas e feridas e as conduz para o lar celestial. Que bênção conhecermos Jesus, ouvimos sua voz, pertencermos ao seu rebanho, sermos por ele guiados, amparados, protegidos e guiados ao lar celestial.
((http://kuchenbecker.blogspot.com) São Leopoldo, 08/04/2008
Horst R. Kuchenbecker
Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus lhes propôs esta parábola, mas eles não compreenderam o sentido daquilo que lhes falava. Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10.1-10 RA)
Obs.: Eu sou a porta das ovelhas – pela qual as ovelhas entram e saem.
Eu sou a porta para as ovelhas – que conduz para as ovelhas. As duas traduções são possíveis.
Introdução
Para compreendermos este texto, precisamos ter uma visão da vida pastoril no tempo de Jesus. Hoje temos fazendas com cercas. No tempo de Jesus os campos eram abertos. Os pastores de ovelhas cuidavam de seus rebanhos e os conduziam às pastagens verdes e águas tranqüilas. À noite, os diversos pastores com seus rebanhos os traziam para um curral ao céu aberto. Era área cercada com um murro de pedras. Na entrada havia guardas que cuidavam à noite. Da manhã seguinte, os pastores se dirigiam para a entrada. Os guardas conheciam os pastores e os deixavam entrar. Cada qual chamava suas ovelhas, muitos as chamavam pelo nome. Tão bem os pastores conheciam suas ovelhas e as ovelhas a voz de seu pastor. Não havia nenhuma confusão. Então saíam para apascentá-las.
A ovelha é um animal indefeso, não morde, não tem chifres, não agride. Ela não tem faro para poder se orientar como outros animais. O boi ou um cavalo conhece a cocheira do seu dono e se orienta na estrada. A ovelha não, ela precisa ser guiada. Mas ela tem um excelente ouvido. Ele conhece a voz do seu pastor, isto lhe basta. Pois, bem. Vamos ver então a parábola de Jesus sobre o pastor e as ovelhas.
História
Jesus estava cercado por uma grande multidão, bem como por anciãos, fariseus e escribas. Tudo isso, por causa do cego que Jesus havia curado. Os líderes religiosos não aceitaram Jesus como o verdadeiro Messias prometido, o Filho de Deus e Salvador da humanidade. Eles achavam que tinham a sabedoria e viam claramente, pois esperavam um salvador que lhes proporcionasse o céu aqui na terra. Mas Jesus lhes disse: Vocês são cegos e guias de cegos. Para expor isso mais uma vez, ele contou a parábola do pastor e suas ovelhas e lhes disse: Eu sou a porta para as ovelhas. Eu sou o bom pastor e as ovelhas ouvem a minha voz e me seguem. Elas não dão ouvidos à voz de falsos pastores, antes fogem deles. Isto nos leva a algumas perguntas.
1.Com quem Jesus está falando? Jesus disse: Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador - Sob juramento ele lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo. Jesus se dirige aos líderes religiosos do seu tempo que não queriam dar ouvidos a Jesus, nem o aceitaram como o verdadeiro Pastor das ovelhas. Eles se dizem “Guias” da igreja, das ovelhas. Mas Jesus lhes mostra que o único acesso para as ovelhas é pela porta que é Jesus. Quem chega às ovelhas por outro caminho é ladrão e salteador. Os outros caminhos são falsas doutrinas, interesso próprio, lisonjas para conquistar as ovelhas, orgulho e vaidade, etc. Isto não falta em nossos dias. Quantas igrejas grandes, bonitas, maravilhosas, quantos cultos de louvor, entusiasmo, nos quais o nome de Cristo e seu poder são proclamados, mas que ele é único e suficiente Salvador dos pecados, da morte e do poder de Satanás a quem nós nos devemos apegar em fé, tomar a nossa cruz e segui-lo, não é anunciado ali. Quantos pastores, bem dotados, excelentes oradores que conquistam centenas de adeptos, prometem todo o tipo de curas, prosperidade e bênção, atendem o anseio do povo, conclamam o povo à tomarem decisões por Cristo, obedecerem, vendem toda a sorte de livros com mil regras de como obter vitórias na vida e ser feliz, mas pregação para verdadeiro arrependimento e fé na graça de Cristo não se ouve ali, da qual brota o verdadeiro amor a Deus e ao próximo, a verdadeira vida santificada, o tomar sua cruz e seguir a Jesus, não se ouve ali.
2. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora - Para se chegar às ovelhas e apascentá-las, guiá-las é preciso entrar pela porta. A esse, o porteiro, que é Deus Pai, que guarde as ovelhas, deixa entrar. Quem entrar por outro caminho não é verdadeiro pastor, mas ladrão e salteador. E esta porta é Jesus.
3. Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Eles não haviam compreendido a parábola. Então Jesus a explica detalhadamente e diz: Eu sou a porta para as ovelhas.
A primeira coisa que Jesus afirma é que ele é a porta. Ele é o verdadeiro Pastor das ovelhas. Ele deu sua vida pelas elas. Ele é o único Salvador. Muitos se apresentam no mundo como salvadores, mas não o são. Jesus é o único e suficiente Salvador. Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, pra que todo o que nele crê não perca, mas tenha a vida eterna. (Jo 3.16) Só entrando por ele, isto é, por verdadeiro arrependimento e fé, confiança na graça de Cristo, é que alguém entra no rebanho de Cristo, faz parte do rebanho de Cristo, que hoje chamamos a santa igreja cristã, a comunhão dos santos.
Por outro, para ser pastor deste rebanho, o que hoje chamamos de ministro, pastor, professor, diácono, professores da Escola Dominical, bem como para ocupar cargos na diretoria, somente os que entraram pela porta que é Cristo. Somente os que foram batizados em nome do Deus triúno, instruídos nas principais verdades do Catecismo menor e estão na verdadeira fé na graça de Cristo, são dignos de ocuparem cargos na igreja cristã.
4. As ovelhas ouvem a sua voz. Reconhecem a voz; de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. As ovelhas conhecem a voz do seu pastor. Elas o ouvem. Elas o seguem. Elas fogem de outras fozes.
Permitam que conte um pequeno acontecimento. Há anos atrás, eu viajei com um fazendeiro, criador de ovelhas, à meia noite para sua fazendo, nas regiões de Piratini, sul do Rio Grande do Sul. Era inverno, mês de julho. Já era muito frio e havia geado. Neste mês nascem os cordeirinhos. Vi, ao luar, o rebanho deitado na pastagem. Então eu disse ao fazendeiro:
- Você tem tantos galpões, porque não recolhe as ovelhas. Veja a noite fria e os coitados dos cordeirinhos?
- Vejo que você não entende nada sobre criação de ovelhas, respondeu o fazendeiro. Você como pastor, deveria conhecer isso. Veja, é o mês em que nascem os cordeirinho.
Então ele parou o carro.
- Observe ali. Você está vendo. Lá vai uma ovelha conceber seu filhote. Veja, ela está-se afastando do rebanho. Fica bem sozinha.
Não demorou nasceu o cordeirinho.
- Observe disse ele.
Então se ouviu um pequeno berro do cordeirinho e a mãe ovelha retribuiu o grito. Após um pequeno espaço de tempo, mãe e filha retornaram ao rebanho.
- Você compreendeu, perguntou o fazendeiro? E explicou. A mãe se afasta do rebanho, para ouvir bem o berro do seu filhote e gravá-lo e o recém nascido cordeirinho grava o berro da mãe. Agora podem se misturar no meio de centenas de ovelhas, e mãe e filhote sempre reconhecerão a voz um do outro. Esta é a grande propriedade das ovelhas. O seu ouvido. Por isso não posso juntá-las, nesta época num galpão. Elas precisam estar sozinhas na hora de conceber.
Assim, diz Jesus, minhas ovelhas, as quais ele chamou pelo nome no batismo, dando-lhes o seu Espírito Santo, lhe reconhecem a voz. A voz do puro e claro evangelho. Por esta voz, a sã doutrina, o pastor as apascenta e guia. Mas se vierem outros pastores que não têm este evangelho, ou misturam nele sabedoria e filosofia humana, as ovelhas, mesmo as mais simples, sabem que esta não é a voz de Jesus. E não lhe dão ouvidos, antes fogem dele.
5. Eu sou a porta. Esta verdade Jesus ainda expôs, ou complementou em outras parábolas, quando fala do caminho largo e do caminho estreito, da porta larga e da porta estreita.
A porta estreita no sentido de que quando nós nos voltamos a Deus e comparecemos diante de sua presença, precisamos despojar-nos de toda nossa bagagem, isto é, de nossa justiça própria, de nossas obras e merecimentos. Cantamos no hino Rocha Eterna: Nada trago, ó meu Jesus; só recorro à tua cruz. Nu, me venho em ti vestir, só a graça te pedir. Corro, imundo, ao manancial; lava, oh! Livra-me do mal! (HL 276.3) Qualquer bagagem minha me impede de entrar pela porta estreita. Esta porta está bem aberta para todos os pobres pecadores, como disse Jesus: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobre carregados e eu vos aliviarei. (Mt 11.28)
6. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. - Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz. Jesus as guia por sua palavra, as alimenta, as protege, toma no braço as fracas e feridas e as conduz para o lar celestial. Que bênção conhecermos Jesus, ouvimos sua voz, pertencermos ao seu rebanho, sermos por ele guiados, amparados, protegidos e guiados ao lar celestial.
((http://kuchenbecker.blogspot.com) São Leopoldo, 08/04/2008
Horst R. Kuchenbecker
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Discípulos de Emaús, Lucas 24.13-35
Lucas 24.13-35. 2° Domingo de Páscoa, 06/03/2008
Análise do texto.
1. Lucas 24.13-35. Os discípulos de Emaús.
O termo ABLAZE é uma palavra inglesa, tomada da história dos discípulos de Emaús: não nos ardia o coração (RA) – não parecia que o nosso coração queimava no peito (NTLH) – nosso coração queimava em nós (original) (v.32). Vejamos a história.
- v.13. Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia, chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios (10km).
Era domingo da Páscoa, à tarde. Dois discípulos, que eram do círculo maior dos 70. O nome de um era Cléopas (v.18). O historiador Eusébio (AD 280-339) diz no 3° vol. de sua História da Igreja, que Cléopas era irmão de José, esposo da virgem Maria. E a irmã da virgem Maria, também chamada Maria (João 19.25), era sua esposa. O outro discípulo era, provavelmente, o próprio Lucas, porque relata a história com muitos detalhes.
Emaús não existe mais. Ela tinha também o nome de Nikópolis, cidade da vitória, onde os Macabeus derrotaram o exército de Antíoco. Uma aldeia há uns 10km de Jerusalém. Emaús significa Mãe da Força ou Alvorada do Consolo. Provavelmente Cléopas residia ali.
- v.14,15. E iam conversando... Que caminhada! Que conversas! Eles estavam no fundo do posso. Conhecemos estes sentimentos quando um desastre nos prostra ao chão, nossos sonhos se foram, nossas esperança se quebraram. Neste espírito esses dois discípulos caminhavam ainda inconformados com os acontecimentos da Sexta-feira Santa. Eles conversam sobre os acontecimentos, procurando vislumbrar em algum detalhe uma esperança, algo em que pudessem se agarrar. Foi neste momento em que Jesus, na forma de um peregrino, se juntou a eles. Jesus queria reorientar esses seus discípulos desesperados. Eles não o reconheceram.
Que bom relembrar: Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mt 28.20) Ele está, ainda hoje, ao lado de todos os seus discípulos, especialmente nos momentos de dor, desespero e desorientação, nos momentos de fraqueza de fé, nas lutas, nas catástrofes, nas dúvidas, para consolar, guiar e fortalecer.
- v.17. Então lhes perguntou: Que é isso que vos preocupa... Interessante a pergunta. Jesus não sabia o que se passava nos corações desses dois? Sem dúvida que sim. Mas ele pergunta para que eles abram seus corações. Que formalizem sua dor. Para que eles próprios pudessem reconhecer melhor suas necessidades, para que Jesus pudesse pegar um gancho por onde começar. Aqui temos o caminho para o verdadeiro cura d´almas e o evangelizador.
E a propósito disso, você dá atenção ao rosto de seus familiares e amigos, colegas de trabalho, patrões ou empregados, de seus vizinhos, para ver como estão? Evangelismo começa com o interesse pelas pessoas que nos cercam. Pergunte pelo seu bem estar? Mostre interesse em suas vidas, suas lutas, seus problemas e suas frustrações e desilusões. Comece uma vez a observar e perguntar. Você ficará surpreso com a possibilidade de testemunhar.
- v.18. Um, porém, chamado Cléopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? – Ele expôs a razão de sua tristeza e desolação. Os acontecimentos de Sexta-feira Santa. Nota-se pelo relato que a fé não esmoreceu completamente. Ela está como uma brasa sepultada pelas cinzas dos chocantes acontecimentos dos últimos dias. Eles falam de Jesus e o que esperavam deste varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. (v.19). Nenhuma palavra em desabono a Jesus. Esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel... é já este o terceiro dia desde que... É verdade também que algumas mulheres... nos surpreenderam... dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. Que luta interna na alma desses discípulos. Que esperança era essa? Jesus como libertador nacional? Mas ele morreu! E agora?
Quando começamos a perguntar as pessoas sobre suas esperanças, ouviremos muitas vezes que as pessoas têm certo conhecimento de Jesus, da religião cristã, mas falta-lhes o verdadeiro conhecimento da salvação de Cristo, sobre pecado e graça. Especialmente em nossos dias, quando tantas pessoas são enganadas pela pregação do positivismo, da auto-ajuda, como expresso pelo hino: “Esta tarde vai ser maravilhosa, pois Jesus vai revelar o seu poder.” E depois se desiludem quando não vêem suas orações cumpridas ao pé da letra, quando não experimentaram o poder que imaginavam. Experimentaram sim, um breve sentimento emocional que se evapora fácil. Isto era também o problema dos discípulos de Emaús. Interpretaram as profecias de forma material, pensando mais em termos terrenos do que nos verdadeiros termos espirituais.
- v.25. Então lhes disse Jesus: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram... – Jesus repreende a incredulidade deles com palavras duras. Ele os repreende, em primeiro lugar, pela falta de conhecimento: Tudo o que os profetas disseram; segundo, pela falta de fé nas palavras dos profetas: tardos para crer tudo. E a terceira parte, vocês não compreenderam que tudo isso, que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória, tinha que acontecer.
Essa falta de compreensão, a interpretação errada da Escritura e a falta de fé provém de nossa natureza corrompida. Existe loucura maior do que não conhecer, não aceitar e não confiar na palavra de Deus? Ao mesmo tempo vemos aqui a verdadeira natureza da fé que não é somente conhecer e aceitar a palavra com a razão, mas confiar de coração.
Ao mesmo tempo, evangelistas, professores e pastores têm aqui um exemplo de como admoestar e repreender, mesmo se nós teremos que suar palavras duras, o faremos com cordialidade e amor como Jesus o fez, colocando-se ao lado deles, caminhando com eles, perguntando por seus problemas. Pois mesmo usando a palavra “néscios”, Jesus não ralha, não xinga, nem grita com eles.
Então Jesus passa para a segunda parte, a edificação dessa fé que estava por esmorecer.
- v.27. E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. – Vamos de forma breve arrolar aqui as profecias, figuras e símbolos que apontam para Jesus.
a) Profecias: Gn 3.15; 12.3; 49.10-12; 2 Sm 7.12,13; Sl 2.7; 8.6; 16.9,10; Sl 22; 31; 41.10; 68; 69; 109; 110.7; Is 43.24; 50.6,7; 53; 55.3; 63.1; Dn 9.26; Os 13.14; Mq 2.13; Sc 9.11; 11.12; 12.10; 13,7. Na Bíblia de estudos encontrarão os versículos correspondentes no Novo Testamento. (Estas profecias podemos usar especialmente no tempo quaresmal e de advento).
b) Figuras: Algumas figuras nos são bem conhecidas, outras talvez possam nos parecer um pouco forçadas, mas nossos pais os interpretaram assim. Gn 4.4; Hb 11.4; 12.14; Noé. Agostinho compara a arca de Madeira à cruz. Gn 22, o sacrifício de Isaque. Gn 39, José vendido por seus irmãos, figura de Cristo morto pelos principais dos judeus. Ex 2.2, Moisés no balaio de junco é resgatado e torna-se libertador do povo. Jesus exclama: que água me sobem até à alma (Sl 69.1). Ex 3.2, a sarça não é consumida, assim os sofrimentos não consumiram a Jesus (Lc 23,31). Ex 12, a páscoa judaica. Jo 19.36; 1 Co 5.7. Levíticos descreve os muitos sacrifícios, símbolos de Cristo, Ef 5.2. Lv 16.21, o bode da expiação, símbolo de Cristo. Nm 16.48, Arão se coloca entre vivos e mortos e aplaca a ira de Deus, assim Jesus, Rm 5.10. Nm 17.8, a vara de Arão, símbolo da ressurreição: Is 11.1; Sl 22.16. Nm 19.2, a água purificadora, símbolo de Jesus, que suportou o fogo da ira de Deus, e agora nos purifica. Hb 9.18; 13.13. Nm 21.8, a serpente de bronze, simboliza Jesus. Jo 3.14; Rm 8.3. Nm 28.3, ofertas diárias de manhã e à noite um cordeiro, simboliza Jesus, Jo 1;29; Ap 13.8. Nm 35.38, o assassino deve ficar fora de sua pátria até a morte do sumo sacerdote. Jesus, nosso sumo sacerdote saiu de sua pátria o céu e nos abriu a porta à pátria celestial. Js 10.26, Josué mata os cinco reis, simboliza Jesus que matou nossos inimigos. Jz 7.20, Gideão vence. Isto é aplicado à vitória Jesus, Jo 9.4; Sl 22.16. Jz 16.3, Sansão arranca as portas da cidade de Gaza, simboliza Jesus, o verdadeiro nazireu, que destruiu as portas da morte. 1 Sm 17.49, Davi enfrenta Golias, simboliza Jesus vencendo nossos inimigos. Dn 6.22 Daniel, libertado da boca dos leões proclama a Deus. Jesus, liberto dos inimigos (Sl 22.14), proclama a graça, Lc 24.47. Jn 2.1, Jonas na barriga do peixe, simboliza Jesus na sepultura. Mt 12.40.
Qual é nossa capacidade de expor a salvação que Cristo nos preparou para levar às pessoas para dentro da Escritura, abrir-lhes a Escritura para que entendam. Isto requer de nós leitura da Bíblia, especialmente do Novo Testamento; e para compreendermos melhor a doutrina, vamos reler nosso Catecismo Menor e participar dos estudos bíblicos, etc.
Aqui algumas dicas de como podemos transmitir o evangelho. Aproveite os dias de aniversário para convidar pessoas para sua casa. Faça uma devoção, expondo (ou lendo) o Credo Apostólico, mostrando que no dia do aniversário agradecemos a Deus Pai que nos criou e mantém, a Jesus que nos salvou e ao Espírito Santo que nos santifica. Se ficares sabendo de que um dos seus vizinhos (colegas de estudo, de trabalho, etc) está doente, sofreu a morte de um parente, aproveite para visitá-lo e levar-lhe a mensagem de Cristo. – Certo dia o pastor Herberto Hoerlle, de Brasília, chegou ao anoitecer cansado em casa. Iria descansar, quando ouviu nas notícias da noite sobre o falecimento do filho de uma pessoa da alta sociedade que conhecia. Ele se perguntou: Será que essa pessoa ouviu a mensagem da ressurreição? Arrumou-se e foi visitá-lo, para lhe expressar os pêsames. A pessoa ficou muito agradecida e disse: São as primeiras palavras de um consolo real que recebo. E dali em diante começou a freqüentar nossa igreja.
- v.28,29. Quando se aproximavam da aldeia para onde iam... eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina. – Eles gostaram da conversa com Jesus e o convidaram para vir à sua casa. Enquanto Jesus lhes expunha as Escrituras, eles confessam depois: não nos ardia o coração. Em primeira linha, este arder era a dura lei. Este é, também, o primeiro significado da palavra grega. A consciência os acusava: Como não vimos tudo isso antes? Porque não compreendemos e confiamos? Nossa tristeza e desespero não fazem sentido? Mas o principal ainda não aconteceu: de reconhecerem no peregrino, o Salvador Jesus, o ressuscitado. Mas eles querem ouvir mais a respeito e convidam a Jesus para ficar com eles..
Que maravilha, quando pessoas, à quem falamos de Jesus, seja após a primeira conversa, a quinta, a décima, ou até mais tarde, de repente nos convidam, mostrando interesse de conhecerem mais a respeito de Jesus. Certa vez perguntei ao Rev. Paulo Hasse, missionário na Lapa, SP: Até quando insistes com uma família na visita missionária? Ele respondeu: Enquanto não me fecham a porta, insisto. Mesmo as que me dizem: Obrigado. Não quero mais sua visita. Deixo passar um ou dois meses e volta a contatá-las para lhes entregar folhetos e procurar falar. Realmente, precisamos de perseverança. Jesus já havia trabalhado três anos com esses dois. E ainda vai atrás deles.
- v. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o, e, tendo-o partido, lhes deu; então se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. – Jesus aceitou o convite. Em casa, após terem-se lavado, sentaram à mesa. Normalmente, o chefe da casa fazia a oração na mesa. Se havia como visita uma pessoa mais idosa ou honrada, davam ao visitante a honra de dirigir a oração. Eles deram a honra a Jesus, o qual tomou o pão, quebrou-o, o levantou para fazer a oração para então alcançá-lo a eles. (Não era a Santa Ceia) Neste momento foi reconhecido por eles. Então se lhes abriram os olhos. Talvez alguém pudesse perguntar: Por que o reconheceram no partir do pão e não antes, durante a exposição das Escrituras? Precisamos dar atenção à afirmação: Seus olhos foram abertos. A razão porque o reconheceram não foi na forma de quebrar o pão, nem em alguma força humana, mas unicamente na ação milagrosa de Jesus, do Espírito Santo, que lhes abriu os olhos. A frase “no partir do pão” indica somente o tempo em que o reconheceram. É preciso lembrar o que a Confissão de Augsburgo afirma: Deus nos dá o Espírito Santo pelos meios Palavra e sacramentos, mas o Espírito Santo não confere seu poder aos meios. Ele permanece com sua liberdade de agira “onde e quando lhe aprouver”. Lutero afirma acertadamente, por vezes a palavra precisa espera no coração 10 ou mais anos, até o que o Espírito Santo a toma e aciona. A Palavra precisa preceder à ação do Espírito Santo, que age “onde e quando lhe aprouver” (CA V), isto é a seu tempo.
Na eternidade, todos os que confiam na graça de Cristo, o verão face a face. 1 Co 13.12; 1 Jo 3.2).
- v.33. E, na mesma hora, levantando-se voltaram pra Jerusalém onde acharam reunidos os onze e outros com eles. – Que alegria, que júbilo. Esta alegria, apesar de todo o cansaço, não poderia ficar retida só no coração deles. Podemos esconder nossa tristeza, mas a alegria não. Mesmo sendo já noite escura, puseram-se a caminho e voltaram os 10 ou 12 km, para repartir a alegria com os outros discípulos, que imaginavam estarem ainda envoltos na tristeza. Quantas coisas devem ter conversado nessa caminhada, revendo, recordando, analisando as palavras de Jesus. Agora sim, seus corações estavam repletos, não de um ardor da lei, mas do santo fogo de amor, do alegre calor e júbilo que o Espírito Santo concede. Aquecidos pela esperança da salvação e ressurreição, com profunda alegria e amor aos irmãos.
Que este calor perpasse também nossos corações para louvor, e encher nosso corações de verdadeiro amor ao nosso próximo, no transmitir-lhe a vitória e ressurreição de Jesus, para que desfrute da verdadeira paz e esperança da vida eterna.
São Leopoldo, 03/03/2008
Horst R. Kuchenbecker
Análise do texto.
1. Lucas 24.13-35. Os discípulos de Emaús.
O termo ABLAZE é uma palavra inglesa, tomada da história dos discípulos de Emaús: não nos ardia o coração (RA) – não parecia que o nosso coração queimava no peito (NTLH) – nosso coração queimava em nós (original) (v.32). Vejamos a história.
- v.13. Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia, chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios (10km).
Era domingo da Páscoa, à tarde. Dois discípulos, que eram do círculo maior dos 70. O nome de um era Cléopas (v.18). O historiador Eusébio (AD 280-339) diz no 3° vol. de sua História da Igreja, que Cléopas era irmão de José, esposo da virgem Maria. E a irmã da virgem Maria, também chamada Maria (João 19.25), era sua esposa. O outro discípulo era, provavelmente, o próprio Lucas, porque relata a história com muitos detalhes.
Emaús não existe mais. Ela tinha também o nome de Nikópolis, cidade da vitória, onde os Macabeus derrotaram o exército de Antíoco. Uma aldeia há uns 10km de Jerusalém. Emaús significa Mãe da Força ou Alvorada do Consolo. Provavelmente Cléopas residia ali.
- v.14,15. E iam conversando... Que caminhada! Que conversas! Eles estavam no fundo do posso. Conhecemos estes sentimentos quando um desastre nos prostra ao chão, nossos sonhos se foram, nossas esperança se quebraram. Neste espírito esses dois discípulos caminhavam ainda inconformados com os acontecimentos da Sexta-feira Santa. Eles conversam sobre os acontecimentos, procurando vislumbrar em algum detalhe uma esperança, algo em que pudessem se agarrar. Foi neste momento em que Jesus, na forma de um peregrino, se juntou a eles. Jesus queria reorientar esses seus discípulos desesperados. Eles não o reconheceram.
Que bom relembrar: Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mt 28.20) Ele está, ainda hoje, ao lado de todos os seus discípulos, especialmente nos momentos de dor, desespero e desorientação, nos momentos de fraqueza de fé, nas lutas, nas catástrofes, nas dúvidas, para consolar, guiar e fortalecer.
- v.17. Então lhes perguntou: Que é isso que vos preocupa... Interessante a pergunta. Jesus não sabia o que se passava nos corações desses dois? Sem dúvida que sim. Mas ele pergunta para que eles abram seus corações. Que formalizem sua dor. Para que eles próprios pudessem reconhecer melhor suas necessidades, para que Jesus pudesse pegar um gancho por onde começar. Aqui temos o caminho para o verdadeiro cura d´almas e o evangelizador.
E a propósito disso, você dá atenção ao rosto de seus familiares e amigos, colegas de trabalho, patrões ou empregados, de seus vizinhos, para ver como estão? Evangelismo começa com o interesse pelas pessoas que nos cercam. Pergunte pelo seu bem estar? Mostre interesse em suas vidas, suas lutas, seus problemas e suas frustrações e desilusões. Comece uma vez a observar e perguntar. Você ficará surpreso com a possibilidade de testemunhar.
- v.18. Um, porém, chamado Cléopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? – Ele expôs a razão de sua tristeza e desolação. Os acontecimentos de Sexta-feira Santa. Nota-se pelo relato que a fé não esmoreceu completamente. Ela está como uma brasa sepultada pelas cinzas dos chocantes acontecimentos dos últimos dias. Eles falam de Jesus e o que esperavam deste varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. (v.19). Nenhuma palavra em desabono a Jesus. Esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel... é já este o terceiro dia desde que... É verdade também que algumas mulheres... nos surpreenderam... dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. Que luta interna na alma desses discípulos. Que esperança era essa? Jesus como libertador nacional? Mas ele morreu! E agora?
Quando começamos a perguntar as pessoas sobre suas esperanças, ouviremos muitas vezes que as pessoas têm certo conhecimento de Jesus, da religião cristã, mas falta-lhes o verdadeiro conhecimento da salvação de Cristo, sobre pecado e graça. Especialmente em nossos dias, quando tantas pessoas são enganadas pela pregação do positivismo, da auto-ajuda, como expresso pelo hino: “Esta tarde vai ser maravilhosa, pois Jesus vai revelar o seu poder.” E depois se desiludem quando não vêem suas orações cumpridas ao pé da letra, quando não experimentaram o poder que imaginavam. Experimentaram sim, um breve sentimento emocional que se evapora fácil. Isto era também o problema dos discípulos de Emaús. Interpretaram as profecias de forma material, pensando mais em termos terrenos do que nos verdadeiros termos espirituais.
- v.25. Então lhes disse Jesus: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram... – Jesus repreende a incredulidade deles com palavras duras. Ele os repreende, em primeiro lugar, pela falta de conhecimento: Tudo o que os profetas disseram; segundo, pela falta de fé nas palavras dos profetas: tardos para crer tudo. E a terceira parte, vocês não compreenderam que tudo isso, que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória, tinha que acontecer.
Essa falta de compreensão, a interpretação errada da Escritura e a falta de fé provém de nossa natureza corrompida. Existe loucura maior do que não conhecer, não aceitar e não confiar na palavra de Deus? Ao mesmo tempo vemos aqui a verdadeira natureza da fé que não é somente conhecer e aceitar a palavra com a razão, mas confiar de coração.
Ao mesmo tempo, evangelistas, professores e pastores têm aqui um exemplo de como admoestar e repreender, mesmo se nós teremos que suar palavras duras, o faremos com cordialidade e amor como Jesus o fez, colocando-se ao lado deles, caminhando com eles, perguntando por seus problemas. Pois mesmo usando a palavra “néscios”, Jesus não ralha, não xinga, nem grita com eles.
Então Jesus passa para a segunda parte, a edificação dessa fé que estava por esmorecer.
- v.27. E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. – Vamos de forma breve arrolar aqui as profecias, figuras e símbolos que apontam para Jesus.
a) Profecias: Gn 3.15; 12.3; 49.10-12; 2 Sm 7.12,13; Sl 2.7; 8.6; 16.9,10; Sl 22; 31; 41.10; 68; 69; 109; 110.7; Is 43.24; 50.6,7; 53; 55.3; 63.1; Dn 9.26; Os 13.14; Mq 2.13; Sc 9.11; 11.12; 12.10; 13,7. Na Bíblia de estudos encontrarão os versículos correspondentes no Novo Testamento. (Estas profecias podemos usar especialmente no tempo quaresmal e de advento).
b) Figuras: Algumas figuras nos são bem conhecidas, outras talvez possam nos parecer um pouco forçadas, mas nossos pais os interpretaram assim. Gn 4.4; Hb 11.4; 12.14; Noé. Agostinho compara a arca de Madeira à cruz. Gn 22, o sacrifício de Isaque. Gn 39, José vendido por seus irmãos, figura de Cristo morto pelos principais dos judeus. Ex 2.2, Moisés no balaio de junco é resgatado e torna-se libertador do povo. Jesus exclama: que água me sobem até à alma (Sl 69.1). Ex 3.2, a sarça não é consumida, assim os sofrimentos não consumiram a Jesus (Lc 23,31). Ex 12, a páscoa judaica. Jo 19.36; 1 Co 5.7. Levíticos descreve os muitos sacrifícios, símbolos de Cristo, Ef 5.2. Lv 16.21, o bode da expiação, símbolo de Cristo. Nm 16.48, Arão se coloca entre vivos e mortos e aplaca a ira de Deus, assim Jesus, Rm 5.10. Nm 17.8, a vara de Arão, símbolo da ressurreição: Is 11.1; Sl 22.16. Nm 19.2, a água purificadora, símbolo de Jesus, que suportou o fogo da ira de Deus, e agora nos purifica. Hb 9.18; 13.13. Nm 21.8, a serpente de bronze, simboliza Jesus. Jo 3.14; Rm 8.3. Nm 28.3, ofertas diárias de manhã e à noite um cordeiro, simboliza Jesus, Jo 1;29; Ap 13.8. Nm 35.38, o assassino deve ficar fora de sua pátria até a morte do sumo sacerdote. Jesus, nosso sumo sacerdote saiu de sua pátria o céu e nos abriu a porta à pátria celestial. Js 10.26, Josué mata os cinco reis, simboliza Jesus que matou nossos inimigos. Jz 7.20, Gideão vence. Isto é aplicado à vitória Jesus, Jo 9.4; Sl 22.16. Jz 16.3, Sansão arranca as portas da cidade de Gaza, simboliza Jesus, o verdadeiro nazireu, que destruiu as portas da morte. 1 Sm 17.49, Davi enfrenta Golias, simboliza Jesus vencendo nossos inimigos. Dn 6.22 Daniel, libertado da boca dos leões proclama a Deus. Jesus, liberto dos inimigos (Sl 22.14), proclama a graça, Lc 24.47. Jn 2.1, Jonas na barriga do peixe, simboliza Jesus na sepultura. Mt 12.40.
Qual é nossa capacidade de expor a salvação que Cristo nos preparou para levar às pessoas para dentro da Escritura, abrir-lhes a Escritura para que entendam. Isto requer de nós leitura da Bíblia, especialmente do Novo Testamento; e para compreendermos melhor a doutrina, vamos reler nosso Catecismo Menor e participar dos estudos bíblicos, etc.
Aqui algumas dicas de como podemos transmitir o evangelho. Aproveite os dias de aniversário para convidar pessoas para sua casa. Faça uma devoção, expondo (ou lendo) o Credo Apostólico, mostrando que no dia do aniversário agradecemos a Deus Pai que nos criou e mantém, a Jesus que nos salvou e ao Espírito Santo que nos santifica. Se ficares sabendo de que um dos seus vizinhos (colegas de estudo, de trabalho, etc) está doente, sofreu a morte de um parente, aproveite para visitá-lo e levar-lhe a mensagem de Cristo. – Certo dia o pastor Herberto Hoerlle, de Brasília, chegou ao anoitecer cansado em casa. Iria descansar, quando ouviu nas notícias da noite sobre o falecimento do filho de uma pessoa da alta sociedade que conhecia. Ele se perguntou: Será que essa pessoa ouviu a mensagem da ressurreição? Arrumou-se e foi visitá-lo, para lhe expressar os pêsames. A pessoa ficou muito agradecida e disse: São as primeiras palavras de um consolo real que recebo. E dali em diante começou a freqüentar nossa igreja.
- v.28,29. Quando se aproximavam da aldeia para onde iam... eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina. – Eles gostaram da conversa com Jesus e o convidaram para vir à sua casa. Enquanto Jesus lhes expunha as Escrituras, eles confessam depois: não nos ardia o coração. Em primeira linha, este arder era a dura lei. Este é, também, o primeiro significado da palavra grega. A consciência os acusava: Como não vimos tudo isso antes? Porque não compreendemos e confiamos? Nossa tristeza e desespero não fazem sentido? Mas o principal ainda não aconteceu: de reconhecerem no peregrino, o Salvador Jesus, o ressuscitado. Mas eles querem ouvir mais a respeito e convidam a Jesus para ficar com eles..
Que maravilha, quando pessoas, à quem falamos de Jesus, seja após a primeira conversa, a quinta, a décima, ou até mais tarde, de repente nos convidam, mostrando interesse de conhecerem mais a respeito de Jesus. Certa vez perguntei ao Rev. Paulo Hasse, missionário na Lapa, SP: Até quando insistes com uma família na visita missionária? Ele respondeu: Enquanto não me fecham a porta, insisto. Mesmo as que me dizem: Obrigado. Não quero mais sua visita. Deixo passar um ou dois meses e volta a contatá-las para lhes entregar folhetos e procurar falar. Realmente, precisamos de perseverança. Jesus já havia trabalhado três anos com esses dois. E ainda vai atrás deles.
- v. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o, e, tendo-o partido, lhes deu; então se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. – Jesus aceitou o convite. Em casa, após terem-se lavado, sentaram à mesa. Normalmente, o chefe da casa fazia a oração na mesa. Se havia como visita uma pessoa mais idosa ou honrada, davam ao visitante a honra de dirigir a oração. Eles deram a honra a Jesus, o qual tomou o pão, quebrou-o, o levantou para fazer a oração para então alcançá-lo a eles. (Não era a Santa Ceia) Neste momento foi reconhecido por eles. Então se lhes abriram os olhos. Talvez alguém pudesse perguntar: Por que o reconheceram no partir do pão e não antes, durante a exposição das Escrituras? Precisamos dar atenção à afirmação: Seus olhos foram abertos. A razão porque o reconheceram não foi na forma de quebrar o pão, nem em alguma força humana, mas unicamente na ação milagrosa de Jesus, do Espírito Santo, que lhes abriu os olhos. A frase “no partir do pão” indica somente o tempo em que o reconheceram. É preciso lembrar o que a Confissão de Augsburgo afirma: Deus nos dá o Espírito Santo pelos meios Palavra e sacramentos, mas o Espírito Santo não confere seu poder aos meios. Ele permanece com sua liberdade de agira “onde e quando lhe aprouver”. Lutero afirma acertadamente, por vezes a palavra precisa espera no coração 10 ou mais anos, até o que o Espírito Santo a toma e aciona. A Palavra precisa preceder à ação do Espírito Santo, que age “onde e quando lhe aprouver” (CA V), isto é a seu tempo.
Na eternidade, todos os que confiam na graça de Cristo, o verão face a face. 1 Co 13.12; 1 Jo 3.2).
- v.33. E, na mesma hora, levantando-se voltaram pra Jerusalém onde acharam reunidos os onze e outros com eles. – Que alegria, que júbilo. Esta alegria, apesar de todo o cansaço, não poderia ficar retida só no coração deles. Podemos esconder nossa tristeza, mas a alegria não. Mesmo sendo já noite escura, puseram-se a caminho e voltaram os 10 ou 12 km, para repartir a alegria com os outros discípulos, que imaginavam estarem ainda envoltos na tristeza. Quantas coisas devem ter conversado nessa caminhada, revendo, recordando, analisando as palavras de Jesus. Agora sim, seus corações estavam repletos, não de um ardor da lei, mas do santo fogo de amor, do alegre calor e júbilo que o Espírito Santo concede. Aquecidos pela esperança da salvação e ressurreição, com profunda alegria e amor aos irmãos.
Que este calor perpasse também nossos corações para louvor, e encher nosso corações de verdadeiro amor ao nosso próximo, no transmitir-lhe a vitória e ressurreição de Jesus, para que desfrute da verdadeira paz e esperança da vida eterna.
São Leopoldo, 03/03/2008
Horst R. Kuchenbecker
Assinar:
Postagens (Atom)