Gênesis 12.1-4. Abraão. Ano Novo.
Confiança num caminho desconhecido.
Introdução
Estamos no limiar de um novo Ano. O que ele nos trará? Mesmo os mais corajosos e otimistas admitem que nosso mundo globalizado se encontra diante de grandes dificuldades e questionamentos desafiadores.
Quem imaginava que o ano 2008, que prometia paz e prosperidade, fosse abalado por grandes catástrofes da natureza, pela crise na economia mundial, por novas ameaças de terroristas, por seqüestros, entre eles do maior navio petroleiro, etc.?
Não é de admirar que o mundo esteja em pânico. Há uma procura desesperada por segurança. As pessoas temem por seus empregos e olham para o futuro com medo. Apelam para cartomantes e o horóscopo em busca de alguma direção. Enquanto isso, falsas religiões prometem auxílio e bem-estar pelo poder de Deus, gerando desilusões.
Diante de tudo isso importa, como cristãos, lembrar que há somente um que pode nos guiar com segurança, ao lar celestial, através dos desafios na estrada desconhecida desse novo Ano e este é o nosso Deus triúno, no qual Abarão confiou quando saiu, por ordem de Deus, do meio de sua parentela para um caminho desconhecido.
Abraão
Abraão vivia tranqüilo na cidade de Ur da Caldéia. Ele era rico. Isto era há mais ou menos dois mil anos antes de Cristo. Certo dia, Deus lhe disse: Abarão sai de tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei... (Gn 12.1)
Quantas perguntas devem ter surgido na mente de Abraão. Abandoar tudo, o conforto, a tranqüilidade, os amigos e sair para uma vida nômade, para um destino desconhecido? Mas sua fé em Deus venceu. Ele fez os preparativos e partiu, com uma grande caravana, para um caminho que ele nunca trilhou, para um destino desconhecido, confiando unicamente na direção de Deus que o chamou.
Esses mesmo sentimentos de incerteza, de ansiedade e de medo do desconhecido se apossam de nós ao entrarmos no novo Ano. Fazemos os preparativos e nos cercamos de todos os cuidados: Seguro de nossos bens, planos de saúde, buscando as melhores opções para nossas finanças. Tudo isso é razoável em nosso mundo, mas não podem nos proteger de perigos maiores ou catástrofes. Não podemos colocar nossa confiança nestas coisas materiais. Precisamos de um fundamento mais sólido para nossa vida.
Fé
Por isso, não há palavra mais vital para nossa vida do que a palavra “fé”. Esta palavra, no entanto, é mal interpretada em nossos dias. Ouvimos expressões como: “Tenha fé em si mesmo. Cultive pensamentos positivos e a auto-estima, etc.” Nossa geração parece caracterizar se pela auto-ajuda. Tudo isso não passa de um grito de desespero num mundo que perdeu o rumo.
Deus nos deu a conhecer o verdadeiro sentido da palavra fé. Fé não em coisas materiais, em pensamentos positivos, em nós mesmos ou em nossa fé, mas em Cristo que se revelou e revela a nós em sua Palavra, pela qual o Espírito Santo nos ilumina, chama e opera a verdadeira fé na graça de Cristo.
Essa era também a fé do patriarca Abraão, plena confiança neste Deus, que é o nosso Criador, Salvador e Santificador.
É verdade que de Abraão até hoje o mundo mudou muito, mas Deus não muda. Mesmo que o ser humano cresceu no saber, mas quanto à sua índole, ele não mudou. Deus que guiou o patriarca Abraão é o mesmo Deus que ainda hoje tem o mundo em suas mãos, que edifica sua Igreja e guia seus filhos sabiamente. A ele queremos apegar-nos. Nele queremos confiar de coração também neste novo Ano.
A Bíblia
Graças a Deus podemos ter a mesma fé que Abrão tinha. Deus falou com ele e ele confiou na palavra de Deus. Hoje Deus nos fala por sua palavra, a Bíblia. Nela podemos confiar plenamente. Ela é o firme fundamento para a fé. Ela é lâmpada para nossos pés. Ouvimos nas leituras de Natal que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. A luz resplandeceu nas trevas. (Jo 1.1,5) Ele não só iluminou as trevas de fora, mas resplandeceu nas trevas. Ele veio e habitou corporalmente em nosso mundo. A esta Palavra queremos nos apegar de coração, ouvir, ler, meditar e orar. Firmados nesta Palavra queremos entrar no novo Ano.
Não nos deixemos enganar pela filosofia moderna deste mundo que diz: Não há verdade absoluta. Tudo é relativo. Cada um tem um pouco de verdade, por isso devemos cultivar a tolerância, como regra suprema de nossa vida. Esta tolerância, no entanto, é a intolerância com relação à palavra de Deus, a verdadeira doutrina cristã, a verdade absoluta.
A entrada no novo Ano
Abraão partiu de Ur da Caldeia na firma convicção de que o verdadeiro e único Deus, que o chamou e lhe ordenou partir, estaria com ele, o guiaria, ampararia e protegeria. Deus cumpriria sua palavra para com Abraão.
Nesta mesma convicção queremos entrar no novo Ano. Não queremos permitir que dúvidas a respeito do poder e do amor de Deus nos desviem dessa confiança. Temos muitas afirmações de Deus neste respeito. Ele diz aos seus: A minha presença irá contigo. (Êx 33.14) Temos sua presença em Palavra e sacramentos. Oh! Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. (Sl 34.9-9) Ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Por isso queremos afirmar confiadamente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem? (Hb 13.5,6)
A cruz
Mas a jornada de Abraão não foi fácil. Ele levou quase um ano até chegar a Harã, um pouco acima, onde hoje está Damasco. De dia, um calor acima dos 45 graus e à noite, até cinco abaixo de zero.
Na jornada não faltaram problemas nem perigos. Ao chegar à terra prometida, mal se havia fixado no lugar onde pretendia ficar, foi surpreendido por uma grande seca que o obrigou a ir ao Egito, em busca de pão. Sendo sua esposa muito bonita, Abraão temeu por sua vida, pensando que o poderoso rei do Egito poderia matá-lo para se apossar de sua esposa. Por isso disse ao rei que sua esposa era sua irmã. Deus protegeu a Abraão. Voltando à terra prometida e crescendo seus rebanhos, houve seguidos conflitos com os empregados de seu sobrinho Ló. Abraão propôs separação e deu a Ló a preferência na escolha da terra. Em sua ganância, Ló escolheu as terras boas da planície, deixando Abraão as montanhas rochosas. Abraão deve ter ouvido muitas reclamações por parte de seus empregados e ficou triste. Mas Deus o consolou. Poderíamos enumerar muitos outros problemas que Abraão teve que enfrentar. Não somente problemas de fora, mas também seus problemas internos, fraquezas, erros e pecados. Em tudo isso, no entanto, Abraão se apegou e consolou com a misericórdia de seu Deus.
Dele queremos aprender que a vida cristã não é um mar de rosas, pelo contrário, não faltam problemas e sofrimentos. O apóstolo Paulo, após ter sido apedrejado e jogado como morto num lixão, sendo rodeado pelos fiéis e recobrando os sentidos, confortou os irmãos na fé e lhes disse: Por muitas tribulações nos importa entrar no reino dos céus. (At 14.22) Toda a vez que dentro das adversidades e infortúnios nossa consciência nos acusar de pecados e nossa mente levantar dúvidas sobre o amor e a providência de Deus, olhemos para a cruz, lembrando: Ali Deus nos mostrou seu amor. Ele deu seu próprio Filho para nos resgatar da maldição da lei e nos oferecer o perdão dos pecados e a adoção de filhos. Nesta verdade queremos buscar, arrependidos, o consolo. Mesmo não compreendendo os caminhos de Deus, queremos lembrar que todas as coisas cooperam para o bem dos que temem e amam a Deus. E dizer com o apóstolo: Nada nos há de separar do amor de que, que está em Cristo Jesus nosso Senhor (Rm 8.37,38) Importa que tomemos a nossa cruz sobre nós e sigamos a Jesus (Mt 16.24), para a terra prometida, a pátria celestial. Nisto importa termos nossas lâmpadas acessas, isto é, fé na graça de Cristo. Jesus nos diz: Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. (Lucas 12.35-37 RA)
Conclusão
Confiantes no poder, no amor e na misericórdia de Deus, nós queremos entrar neste novo Ano, nesta estrada desconhecida, certos de que Deus nos guiará com sua bondosa mão. Pois ele nos disse pelo profeta Isaías: Não temas, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e sustento com a minha destra fiel (Is 41.10). E: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. (Is 43.1) Isto aconteceu em nosso batismo. Nesta confiança queremos entrar no novo Ano em nome de nosso Senhor Jesus, com o propósito de servi-lo ali onde ele nos colocou, até que ele nos chama ao lar celestial. Que Deus o conceda a todos nós. Amém.
São Leopoldo, 27/12/2008
Horst R. Kuchenbecker
31 DE DEZEMBRO
Cingidos estejam os vossos corpos e acessas as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor. (Lc 12.35,36)
Onipotente e eterno Deus! Nós te agradecemos por todas as bênçãos com as quais nos acompanhaste durante este ano que está findando. Estiveste conosco nos dias de alegria e de tristes. Com grande fidelidade nos dirigiste, atraindo-nos sempre a ti em dias bons e maus.
Perdoa nossa ingratidão. Em Jesus Cristo nos colocaste o alvo eterno. Muitas vezes, no entanto, nas preocupações desta vida e no amor ao mundo perdemos este alvo de vista.
Onipotente e eterno Pai! Cabe-nos confessar que ali onde deveríamos ter vigiado, dormimos; onde deveríamos ter lutado, fomos preguiçosos. Perdoa onde fomos infiéis a ti, na família, na comunidade e na sociedade. Sim, que o sangue de Cristo nos purifique de todos os pecados.
Não sabemos o que o futuro nos trará. Mas sabemos que tu estarás ao nosso lado para nos guardar e guiar. Se for de tua vontade, impeça a destruição da natureza e toda a brutalidade humana. Destrua todo o poder de Satanás e de seus súditos. Em ti esperamos, às tuas mãos nós nos entregamos. Seja feita a tua vontade.
Fortalece a tua Igreja. Conserva-nos tua Palavra e dá-nos o teu Espírito. Permite que aguardemos com fé a volta do teu Filho, Jesus. Ajuda-nos a usarmos bem as tuas bênçãos, tempo, dons e bens no serviço a ti e ao próximo. Amém.
Oh! faze-nos em ti viver,
na fé em ti adormecer,
naquele dia despertar
e a celestial mansão herdar. (HL 56.6)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Mensagem de Natal
.Mensagem de Natal
Mais uma vez nos é dado o privilégio de celebrar Natal, o nascimento de Jesus. Ouvir as maravilhosas profecias e o cumprimento das mesmas. O apóstolo Paulo escreveu: Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, (Gálatas 4.4 RA)
A história do nascimento de Jesus encontramos nos evangelhos: Mateus 1.18-25; Lucas 2.1-20; João 1.1-14. Muitos conhecem a história, mas será que a compreenderam e crêem o quê e para o quê tudo isso aconteceu?
Ouçamos a mensagem dos anjos. O anjo, porém, lhes disse: Não temais: eis aqui vos trago boas-nova de grande alegria, que o será par todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor... E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo: Glórias a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem. Lc 2.10-14.
A respeito disso, o profeta Isaías escreveu 740 anos antes do nascimento de Jesus, o seguinte: Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. (Isaías 7.14 RA); e: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9.6 RA) Por isso, o anjo Gabriel quando anunciou a Maria que ela fora escolhida por Deus para ser a mãe do Jesus, disse: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. (Lucas 1.35 RA) E Isabel confessou: De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? (Lucas 1.43 RA) Por isso cremos que Maria não deu à luz a um simples homem, mas ao verdadeiro Filho de Deus. Por essa razão ela é, corretamente, chamada de Mãe de Deus, e verdadeiramente o é. Claro que Maria não poderia ser a mãe de Deus no sentido de dar princípio e existência a Deus, que é eterno. Mas não é correto se dizer que quem nasceu de Maria foi somente Jesus homem. Ela deu à luz ao Menino Deus. Deus se fez carne no ventre de Maria. E quem nasceu foi o Deus-Homem. Assim Maria teve nos seus braços e acalentou ao seu peito o eterno Filho de Deus, o Senhor, que governa céu e terra. Confessamos com Lutero na explicação do 2° Artigo do Credo Apostólico: Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, é meu Senhor.”
A segunda parte importante da mensagem do anjo é: Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor. (Lc 2.11) Jesus não nasceu somente para nos trazer algum ensino, combater injustiças, ou nasceu para alguns santos ou pessoas virtuosas. Ele nasceu para nos salvar de nossos principais inimigos: pecado, morte e Satanás. Ele não é um salvador parcial. Ele é nosso único e suficiente salvador. Fora dele não há reconciliação com Deus Pai e salvação. O apóstolo Paulo escreveu: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2.8-10 RA) E: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. (2 Coríntios 5.19-20 RA)
Mas nossa razão levanta objeções. Quanto à pessoa de Jesus, nossa razão se choca com sua humildade. Nasceu pobre, numa estrebaria, morreu miserável numa cruz. Como pode ele ser Deus? Quanto à sua obra, se choca com o fato de o justo morrer pelos injustos e perdoar os pecados aos pecadores penitentes. Realmente, por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. É preciso que o Espírito Santo me chame, pelo evangelho, ilumine com seus dons, santifique e conserve na verdadeira fé. Por isso Jesus disse: Bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (Mateus 11.6 RA) E: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus. (Lucas 8.10 RA) Este conhecimento é dado por Deus.
Vejamos isto nos pastores que ouviram a mensagem do anjo.
Nem podemos imaginar o temor, o medo, o pavor que se apossou da alma desses pastores de ovelhas nos campos de Belém da Judéia, quando subitamente apareceu na escuridão da noite o clarão celestial, e um anjo com a sublime mensagem: Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor, e com ele milhares de anjos voando e cantando: Glórias a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem. (Lc 2.10-14)
Que pavor foi este? Não simples pavor diante do extraordinário, mas o pavor diante da santidade de Deus, que estremece a alma dos pecadores e os faz sentir a condenação eterna, exclamando: Ai de mim, estou perdido. Misericórdia Senhor! (Is 6.5; Sl 123.3) Feliz quem estremece assim diante de Deus, a este vale a mensagem do anjo: Não temais! Eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
Ele nasceu para salvar os que estavam perdidos. Pecadores contritos que confiam na graça de Cristo experimentam esta alegria suprema, quer em dias felizes ou na dor, na riqueza ou na pobreza, no auge da vida ou diante da morte. Pois nele temos perdão dos pecados, vida, eterna salvação. Assim queremos juntar-nos ao coro dos anjos e cantar também neste Natal: Glórias a Deus nas maiores alturas...
Feliz Natal e abençoado Ano Novo 2009, são os votos de Ursula e Horst.
Mais uma vez nos é dado o privilégio de celebrar Natal, o nascimento de Jesus. Ouvir as maravilhosas profecias e o cumprimento das mesmas. O apóstolo Paulo escreveu: Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, (Gálatas 4.4 RA)
A história do nascimento de Jesus encontramos nos evangelhos: Mateus 1.18-25; Lucas 2.1-20; João 1.1-14. Muitos conhecem a história, mas será que a compreenderam e crêem o quê e para o quê tudo isso aconteceu?
Ouçamos a mensagem dos anjos. O anjo, porém, lhes disse: Não temais: eis aqui vos trago boas-nova de grande alegria, que o será par todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor... E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo: Glórias a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem. Lc 2.10-14.
A respeito disso, o profeta Isaías escreveu 740 anos antes do nascimento de Jesus, o seguinte: Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. (Isaías 7.14 RA); e: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9.6 RA) Por isso, o anjo Gabriel quando anunciou a Maria que ela fora escolhida por Deus para ser a mãe do Jesus, disse: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. (Lucas 1.35 RA) E Isabel confessou: De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? (Lucas 1.43 RA) Por isso cremos que Maria não deu à luz a um simples homem, mas ao verdadeiro Filho de Deus. Por essa razão ela é, corretamente, chamada de Mãe de Deus, e verdadeiramente o é. Claro que Maria não poderia ser a mãe de Deus no sentido de dar princípio e existência a Deus, que é eterno. Mas não é correto se dizer que quem nasceu de Maria foi somente Jesus homem. Ela deu à luz ao Menino Deus. Deus se fez carne no ventre de Maria. E quem nasceu foi o Deus-Homem. Assim Maria teve nos seus braços e acalentou ao seu peito o eterno Filho de Deus, o Senhor, que governa céu e terra. Confessamos com Lutero na explicação do 2° Artigo do Credo Apostólico: Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, é meu Senhor.”
A segunda parte importante da mensagem do anjo é: Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor. (Lc 2.11) Jesus não nasceu somente para nos trazer algum ensino, combater injustiças, ou nasceu para alguns santos ou pessoas virtuosas. Ele nasceu para nos salvar de nossos principais inimigos: pecado, morte e Satanás. Ele não é um salvador parcial. Ele é nosso único e suficiente salvador. Fora dele não há reconciliação com Deus Pai e salvação. O apóstolo Paulo escreveu: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2.8-10 RA) E: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. (2 Coríntios 5.19-20 RA)
Mas nossa razão levanta objeções. Quanto à pessoa de Jesus, nossa razão se choca com sua humildade. Nasceu pobre, numa estrebaria, morreu miserável numa cruz. Como pode ele ser Deus? Quanto à sua obra, se choca com o fato de o justo morrer pelos injustos e perdoar os pecados aos pecadores penitentes. Realmente, por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. É preciso que o Espírito Santo me chame, pelo evangelho, ilumine com seus dons, santifique e conserve na verdadeira fé. Por isso Jesus disse: Bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (Mateus 11.6 RA) E: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus. (Lucas 8.10 RA) Este conhecimento é dado por Deus.
Vejamos isto nos pastores que ouviram a mensagem do anjo.
Nem podemos imaginar o temor, o medo, o pavor que se apossou da alma desses pastores de ovelhas nos campos de Belém da Judéia, quando subitamente apareceu na escuridão da noite o clarão celestial, e um anjo com a sublime mensagem: Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor, e com ele milhares de anjos voando e cantando: Glórias a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem. (Lc 2.10-14)
Que pavor foi este? Não simples pavor diante do extraordinário, mas o pavor diante da santidade de Deus, que estremece a alma dos pecadores e os faz sentir a condenação eterna, exclamando: Ai de mim, estou perdido. Misericórdia Senhor! (Is 6.5; Sl 123.3) Feliz quem estremece assim diante de Deus, a este vale a mensagem do anjo: Não temais! Eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
Ele nasceu para salvar os que estavam perdidos. Pecadores contritos que confiam na graça de Cristo experimentam esta alegria suprema, quer em dias felizes ou na dor, na riqueza ou na pobreza, no auge da vida ou diante da morte. Pois nele temos perdão dos pecados, vida, eterna salvação. Assim queremos juntar-nos ao coro dos anjos e cantar também neste Natal: Glórias a Deus nas maiores alturas...
Feliz Natal e abençoado Ano Novo 2009, são os votos de Ursula e Horst.
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