quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Marcos 9.33-50. Como crianças.

Marcos 9.33-37,41-50
Jesus se dirigiu, com seus discípulos, para a cidade de Cafarnaum, na Galiléia. No caminho os discípulos discutiram acaloradamente o tema, que sem dúvida, já há dias povoava suas mentes: Quem entre eles era o maior aos olhos de Jesus? Esta preocupação surgiu, provavelmente, porque Jesus já tomou algumas vezes a Pedro, João e Tiago à parte. E disse também a Pedro: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, (Mt 16.18) o que deve ter despertado ciúme nos outros discípulos.
Chegados a Cafarnaum, entraram na casa, provavelmente a de Pedro, que residia ali. Alguns deles se perguntaram a Jesus: Mestre, quem é o maior no reino dos céus (Mt 18.1) Os discípulos, sem dúvida, vivam em verdadeiro arrependimento e fé, mas ainda pensavam e tinham aspirações humanas altas a respeito de si mesmos. Aquele que , no entanto, perscruta os corações (1 Co 2.10) conhece os pensamentos egoístas e orgulhosos que cruzam nossos corações.
Jesus chamou os discípulos a si e, em vez de responder a pergunta diretamente, perguntou: O que vocês estavam discutindo no caminho? Eles silenciaram. Então com muito amor e paciência Jesus os censurou e, respondendo a pergunta, disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos. (v. 35) Ele mostrou que não está errado pensarem o que poderiam fazer mais para o reino de Deus. Por outro, muito cuidado para por seu egoísmo e orgulho não caírem da fé e fecharam para si mesmo a porta do reino de Deus. No serviço do reino de Deus se requer humildade.
Trazendo uma criança, colocou a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me recebe, não recebe a mim, mas ao que me enviou. (v. 35-37)
Esta admoestação vale a todos nós, pois ainda estamos na carne e precisamos constantemente de admoestações. Em primeiro lugar, Jesus diz: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. (Mt 18.3) Tornarem-se como crianças. Ser como crianças, pequenos e insignificantes à seus próprios olhos. Tão ingênuos, despretensiosos e modestos como crianças. Tanto diante de Deus como diante dos irmãos, devemos ser humildes, não nos exaltar sobre os outros, mas ser servos uns dos outros. (v. 35) Não pensemos como poderemos ser grandes. O ser grande no reino de Deus se caracteriza pelo ser pequeno. “No reino de Deus não vale ser grande, mas pequeno. (Lutero) O ser como crianças é a grandeza no reino de Deus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. (Mt 18.4) Quem sabe-se insignificante e vive somente da graça de seu Deus, este é graciosamente honrado por Deus.
E então, em segundo lugar, tomando uma criança nos braços, admoestou seus discípulos a consideraram altamente tais crianças, considerá-las preciosas e recebê-las. Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou. (v. 37) Quão preciosa promessa para aqueles que, por amor a Jesus, recebem crianças abandonadas. Que palavra séria para pais que descuidam da educação com amor a seus filhos.
Jesus continuou: E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes (cristãos simples), melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar. (v. 42) Aqui Jesus não está falando somente de crianças, mas de forma geral de todos os “pequenos que crêem nele, isto é, dos fiéis, que em sua simplicidade e humildade crêem como crianças. Quem escandalizar por seu falar, por seu exemplo de vida, e obras a um
desses cristãos ingênuos, excitando os ao pecado, levando-os a ficarem confusos em sua fé, melhor lhes seria ... Este castigo de serem jogados no mar e afogados (para não escandalizarem mais os pequenos na fé) é ainda pequeno em relação à ira de Deus que os aguarda na eternidade.
Jesus acrescenta: Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem os escândalos. (Mt 18.7) O mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19) Por isso escândalos virão. Mas isso não exime de culpa os que escandalizam outros.
Mais um detalhe, o terceiro. Os membros de nosso próprio corpo: mãos, pés, olhos, nos excitam ao pecado. Em nossos membros sentimos constantemente a inclinação ao pecado, a cobiça. Então vale o que Jesus disse no sermão do monte, cortar a mão, o pé e arrancar o olho que nos fazem tropeçar. Isto não deve ser entendido que devemos nos mutilar corporalmente, mas sim dominar, com o auxílio do Espírito Santo e pela fé estas inclinações e impulsos ao pecado. Estes membros devem ser dominados pelo Espírito de Deus, para que estes membros, mãos, pés, olhos não façam o que nossa “natureza pecaminosa” quer. (Lutero) É melhor entrar na vida eterna com um só dos teus olhos, do que, tendo dois seres lançado no inferno de fogo, (Mt 18.9) onde não lhe morre o verme, nem o fogo se apaga. (Mc 9.46) Quem dispõe seus membros para servirem à injustiça e ao pecado, este perecerá de corpo e alma no fogo eterno. Quem, no entanto, pela força do Espírito Santo dominar seus membros, para que não serva ao pecado e permanece fiel na fé, servindo a Deus, este guarda seu corpo e alma para a vida eterna.
Assim Jesus exorta seus discípulos ao difícil e doloroso sacrifício dos membros de seus corpos. Tal sacrifício é necessário, se querem escapar à corrupção eterna. Por que cada um será salgado com fogo. (Mc 9.49) Como cada sacrifício era temperado com sal, (Lv 2.13) assim cada discípulo será salgado com fogo. Jesus não está pensando no fogo do inferno, mas no fogo que purifica. Tal fogo é a disciplina da palavra de Deus e do Espírito, que purifica os fiéis levando-os a “por contrição e arrependimento diários, afogar e fazer morrer o velho homem com todos os pecados e maus desejos, e, por sua vez, sair e ressurgir diariamente novo homem, que vive em justiça e pureza diante de Deus eternamente”. (Cat. Menor, 4ª do Batismo) Assim servem a Deus em santificação.
Também pelo fogo da aflição. O apóstolo Pedro diz: Pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado. (1 Pe 4.1) Este fogo é como o sal que preserva da putrefação e do cair da fé. Jesus repete o que ele disse no sermão do monte: Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? (Mc 9.50; Mt 5.13) E, tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros. (Mc 9.50) Os cristãos que pela Palavra e o Espírito Santo foram santificados e de contínuo são diariamente santificados, devem ter este seu sal sempre consigo e com a palavra de Deus o Espírito Santo punir as más obras do mundo, em lugar de se deixarem atrair ao pecado. E entre si devem guardar paz, não se exaltando e procurando se sobre por uns sobre os outros.
São Leopoldo, 17/09/2009
Horst R. Kuchenbecker

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Semana da Pátria. Rm 13.1-7

Semana da Pátria. Rm 13.1-7

Introdução
Estamos na Semana da Pátria. Celebramos nossa independência, não mais no regime imperialista, mas democrático. A democracia, como qualquer outro regime, seja império, presidencialista ou parlamentarismo, só funciona a contento, onde há o temor de Deus. Quando o temor de Deus enfraquece ou desaparece, surgem desmandos de toda a ordem, quer por parte do povo ou pela opressão do próprio governo que escraviza o povo.
Graças a Deus, vivemos num país muito abençoado por Deus, rico e ainda em relativa paz, tendo como seu fundamento a ética cristã, mesmo que já bastante enfraquecida e abalada, diante da angustiante pergunta: Até quando teremos liberdade e paz? Até quando permanecerão os resquícios dos princípios cristãos?
A situação política especialmente na América Latina em geral é tensa. Alguns paises do regime democrático estão voltando à ditadura, apoiados pelo povo, por julgar ser esta a melhor solução diante dos muitos desmandos, e não vê como estão sendo novamente escravizados.
Atualmente, mais de 100 nações no mundo vivem em guerra ou revoluções, semeando destruição, miséria e fome. O que o futuro nos trará, uma vez que também em nosso país estamos perdendo o temor a Deus. Nosso país está maduro para o juízo de Deus.

A autoridade
Por isso, expor este texto de Romanos em nossos dias não é nada fácil, como não foi fácil para o apóstolo Paulo escrever estas palavras sob a inspiração do Espírito Santo e enviá-lo às congregações que viviam em dias ainda piores do que os nossos.
Naquele tempo, o imperador romano, Nero, oprimia as nações. Ele mandou matar muitos cristãos. E o apóstolo Paulo exorta os fiéis – contra todo o raciocínio humano - a se submeterem à autoridade, obedecerem e cooperarem, porque mesmo um ditador é, no cargo, servo de Deus, colocado em sua posição de autoridade conforme os planos de Deus, como Deus o diz: Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. (v.1)

Deus no comando
Para compreendermos esta verdade sobre a autoridade constituída por Deus, precisamos em primeiro lugar recordar algumas outras verdades bíblicas, como por exemplo:
a) Deus, Criador e mantenedor. Confessamos no Credo Apostólico: Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra. Ele é o Criador e Mantenedor de todas as coisas. Ele tem o controle nas mãos. Não cai um cabelo de nossa cabeça, sem a permissão de Deus. (Lc 21.18) Ele dirige, governa todas as coisas e tem tudo em suas mãos. Não podemos esquecer nem duvidar dessa verdade. Mesmo que muitos incrédulos indagam a nós cristãos: Como é possível vocês falaram num Deus todo-poderoso e bondoso num mundo tão cheio de sofrimento e dor.
b) Deus não é a causa do pecado. Deus não é a causa do pecado, nem o aprova. No entanto, ele usa o pecador, o povo pecador e mesmo as próprias obras más e pecaminosas em seus planos para esse mundo e as pessoas.
Nisso ele visa levar o povo, as pessoas ao reconhecimento de seus pecados, ao arrependimento. Visa levar o povo a admitir suas necessidades, seu desampara, sua dependência de Deus, para que busquem a Deus, se voltem a ele e olhem para eternidade.
c) Permite. Por isso Deus permite que pessoas más e perversas consigam galgar e ocupar cargos no governo de um país. Alguns exemplos disso são, no tempo do apóstolo Paulo, o cruel imperador Nero, mais tarde o imperador Deocleciano que queria exterminar todos os cristãos. Alguns exemplos mais recentes e/ou atuais são os ditadores: Hitler, Stalin, Mão Tsetung, os Talibans, os terroristas, os líderes dos genocídios. Isso só para mencionar alguns. Deus tem permitido que estes indivíduos cruéis chegassem ao poder. Isto para levar o povo a reconhecer de quão desesperadora a vida pode ser sem o conhecimento do verdadeiro Deus e a esperança da vida eterna.
d) Nem sempre esse objetivo é alcançado. Na dor muitos têm se revoltado ainda mais contra Deus, outros, pelo contrário, desesperam em meio aos sofrimentos, angústia e dor, caindo ainda mais fundo na incredulidade ou apegando-se a ídolos.
e) Castigo. Deus tem usado essas pessoas cruéis também como açoite, para punir o orgulho, a vaidade, a luxúria, a fome por prazeres pecaminosos, as injustiças e vícios, para exterminar a juventude pecadora e humilhar uma nação.

Obediência à autoridade
Colocado isso, podemos voltar às palavras de nosso texto. O apóstolo afirma: Todo o homem esteja sujeito à autoridade superior; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. (v. 1)... visto que a autoridade é ministra de Deus para teu bem.” (v. 4) No momento em que uma pessoa tomou o poder em suas mãos e o exerce, seja lá como o conseguiu, pela forma correta ou mesmo incorreta, digamos por fraudes ou uma revolução; no momento em que ela está no poder, deve ser acatada, respeitada e obedecida, quer seja boa ou má. Esta é a vontade de Deus. E só temos uma razão para desobedecer. É a que o apóstolo Pedro nos mostra - a chamada clausula de Pedro - , que respondeu ao Sinédrio judaico do seu tempo: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós do que a Deus. (At 4.19) Quando recebemos uma ordem que vai contra nossa consciência, orientada pela palavra de Deus, então nos cabe desobedecer e ao mesmo tempo suportar as conseqüências, que em muitos casos pode ser até a pena de morte. (Exemplos: No tempo de Hitler, generais não concordaram com sua ação e foram fuzilados. Na guerra do Vietnã, muitos jovens americanos não concordaram e conseqüentemente não aceitaram ir ao Vietnã, e foram penalizados com pesadas multas ou dois anos e cadeia, etc.)

Brasil
Mas nós queremos ver o que tudo isso significa, especificamente hoje, para nós aqui em nosso país.
Nossas autoridades municipais, estaduais e federais são boas ou más? As pesquisas que Data Folha realizou não são animadoras. Mas, apesar de tudo, ouso dizer que de um modo geral, sem entrar em detalhes, temos um governo democrático razoável. Isto é uma indizível bênção de Deus. Claro, há desmandos, corrupção, leis ainda imperfeitas e injustas, falta de melhor aproveitamento e distribuição dos recursos naturais, etc. Mas temos sido guardados de turbulências, temos liberdade religiosa, escolas, trabalho. Comparado as outras nações, nós estamos, graças a Deus, bem. Além disso, somos um país muito abençoado com recursos naturais.
Ao mesmo tempo, não podemos ignorar os muitos problemas. A grande corrupção em todas as áreas, o aumento da criminalidade e das drogas, o crescimento dos abortos, a aprovação – e isto é novo – de leis em relação aos homo e heterossexuais (de leis que se desviam dos padrões cristãs, nossa base). E com isso, a glorificação do que está moralmente errado.
A isso temos que acrescentar ainda o crescimento dos falsos profetas, com suas mais diferentes teologias. Confusão entre lei e evangelho, da teologia da glória versus a teologia da cruz, do milenarismo que levam as pessoas a crerem em sua própria fé, o que destrói o verdadeiro temor, o consolo da teologia da cruz, e leva, mais cedo ou tarde à descrença total e ao desespero. Mesmo que, pela feliz inconseqüência, muitos, tendo a Bíblia na mão, possam encontrar nela ainda o verdadeiro caminho da salvação.
O que nos diz tudo isso? Não é tudo isso já prenúncio do juízo de Deus? Mesmo o governo bem intencionado, já não consegue mais conter e solucionar as crises nos diversos setores da vida humana, como: segurança, escolas, hospitais, etc. Há um declínio em todos os setores da vida humana. A nação cristã perdeu seu temor a Deus, isso traz ruína para todos os setores da vida.
Esta decadência vem à tona especialmente no governo. Pois o povo tem o governo que escolheu, que merece. Ou melhor, um povo que perdeu o temor de Deus tem um governo sem temor a Deus, mesmo que haja ainda, graças a Deus, felizes exceções.
Em nossa nação há ainda cristãos e a eles cabe serem exemplos, também na obediência às autoridades e levantarem sua voz contra desmandos.
Como no regime democrático, as autoridades são eleitas pelo povo, e por vezes ganham por uma margem mínima, ouvimos frases como estas: Eu não votei nessas pessoas, por isso não é o meu presidente, etc. Nós cristãos temos que dizer: Uma vez empossado, é nossa autoridade, a quem cabe respeito, honra, obediência, cooperação, pagamento dos impostos e assim por diante, pois são ministros de Deus. (v. 6)
É duro dizer isso e submeter-se. Nossa natureza carnal se revolta. Facilmente nós nos deixamos inflamar pelos desmandos, pelas injustiças, pelas críticas e pela oposição ao governo, para insultar e desrespeitá-lo. Então não agimos como povo de Deus.
Como povo redimido por Cristo Jesus, que confia em seu Deus cabe-nos suplicar a Deus por misericórdia. Sabemos que Deus tem tudo na mão e faz justiça a seu tempo, que ampara os seus e os dirige. Sabemos que aqui somos forasteiros e não temos morada permanente, mas aguardam o novo céu e a nova terra, na qual habita justiça. (2 Pe 3.3)
Este Deus nos dá forças para lhe sermos fiéis na fé, e concede sabedoria para servi-lo e também para expressarmos nossas convicções políticas dentro do respeito e da ordem, para o bem de nossa pátria.
Mas sobre tudo queremos aproveitar esse tempo da graça, para sermos fiéis testemunhas de nosso Salvador Jesus, para proclamar a palavra de Deus com retidão, chamar ao arrependimento e à verdadeira fé na graça de Cristo, orar pelas autoridades e pela pátria. Que Deus em sua graça nos guarde. Amém.
Adaptado de um sermão do Rev. Theodore Allwarth, da LCMS (www.clcs-cb.org)
São Leopoldo, 24/08/2009
Horst R. Kuchenbecker