Administradores das bênçãos de Deus
Um dos momentos muito sublimes na vida cristã é, sem dúvida, o momento do culto.
Mesmo sendo nosso culto e louvar ainda mui imperfeitos, é o momento no qual Deus vem a nós míseros pecadores para nos abençoar por sua Palavra e seus sacramentos.
Sua bênção consiste em nos oferecer, dar e selar o perdão dos pecados, vida e eterna salvação.
Quem poderia dispensar tão precioso momento no qual Deus vem a nós para nos abraçar, consolar, dar verdadeira sabedoria de vida, e encher nossas almas de esperança da via eterna, bem como dar-nos oportunidade de, como seus cooperadores, participar com nossos dons e ofertas na expansão do seu reino?
Por isso os salmistas não se cansam em enaltecer tal momento: Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor. (Sl 122.1) E: Tributai ao Senhor glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios. Adorai o Senhor na glória da sua santidade. (Sl 96.1-3,8-9)
Para crescermos nesta alegria, vamos contemplar o trecho da carta do apóstolo Paulo aos 2 Co 5.14-17: Somos administradores dos bens que Deus nos deu: dons, tempo e bens.
Administrar significa tomar decisões. Mas, em meio a tanta propaganda, nem sempre é fácil escolher as melhores prioridades. Como cristãos, pertencemos cem por cento a Deus. No batismo fomos entregues a Deus e na confirmação renunciamos ao diabo e prometemos ser fiéis a Deus. É nossa responsabilidade, como filhos de Deus pela fé em Cristo, administrar, agora, tudo conforme a vontade de Deus, para sua glória e o bem-estar do próximo.
De um modo geral, temos três grandes áreas onde usar as bênçãos que Deus nos dá. Estas áreas são: a família (isto inclui nossa vida profissional), o Estado (isto inclui os pobres), e o reino de Deus (a Comunidade e igreja em geral).
Mas, em relação à oferta para a igreja, surgem muitas perguntas, como: Quanto devo dar? Por que a igreja não tem um método comum para ofertar? Ou, não concordo como a igreja administra as ofertas, etc.
Bem, a oferta é livre. Cada um é responsável por sua administração, por isso a igreja não estabelece nem formas nem a quantidade. A oferta depende da fé individual de cada um. Quem ama a Deus e confia em sua providência, terá amor e coragem para ofertar.
Ouçamos o que o apóstolo Paulo nos diz: (Abram, por favor, vossas Bíblias)
- v.14. Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.
O amor de Cristo. Este amor excede a todo entendimento. (Ef 3.19) Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. (Romanos 5.6 RA)
Este amor nos constrange, impele, dirige.
Julgando nós isto: um morreu por todos; logo todos morreram. E nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. (Atos 4.20 RA)
Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz como nosso substituto. Se nesta cruz tivesse morrido um simples homem, não teríamos salvação. Mas ali morreu o Filho de Deus, que provou a morte em favor de toda a humanidade (Hb 2.9). Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. (Romanos 5.18 RA) Ninguém pode dizer: Por mim Jesus não morreu. Infelizmente muitos não crêem, não aceitam, antes rejeitam a Jesus. Eles permanecem escravos de Satanás e na morte por sua própria culpa. Pois quem não crê será condenado. (Jo 3.18)
- v. 15. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
O apóstolo fala do proveito, do resultado desta morte de Cristo na vida dos que crêem. 1) Para que. Do efeito objetivo da morte de Cristo no Gólgota. Ele salvou a humanidade. Fomos salvos da morte eterna e recebemos, pela fé, a nova vida em Cristo. 2) Os que vivem. Os que pela fé receberam nova vida em Cristo, isto é, nem todos. Somente os que se arrependem e crêem na graça de Cristo, e enquanto na fé, recebem a vida (conversão, regeneração, força). O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação. (Romanos 4.25 RA) Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. (Gálatas 2.20 RA; cf.: 1 Co 6.19; Tt 2.14; Rm 6.4-6,11; 14.7-9). 3) Não vivam mais para si mesmos, isto é, segundo as obras da carne. Conhecemos as obras da carne que são: egoísmo, avareza, cobiça e toda a sorte de licenciosidades. (Gl 5.19-25) A aceitação da morte e ressurreição de Cristo pela fé, nos dá nova vida e dirige nossa vida. Temos prazer na lei de Deus (Sl 1.2), daí o interesse nas obras do reino de Deus. Pois, para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro, diz o apóstolo Paulo. (Filipenses 2.21)
- v. 16 Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. Não julgamos mais as pessoas segundo a carne, seu exterior, se rico ou pobre, se honrado ou desprezado, se com saúde ou doente, se judeus ou gentios. Olhamos a pessoa do ponto de vista de Cristo, que remiu a todos e quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade e sejam salvos (1 Tm 2.4) E nós, como membros do seu corpo, enquanto neste mundo, nas responsabilidades que Deus nos deu, temos este objetivo em relação a qualquer pessoa. Os coríntios julgavam o apóstolo Paulo conforme a carne e não conforme o ministério que Deus lhe concedeu. Nem olhamos para Cristo segundo a carne, com a razão, mas conforme o que a Escritura revelou a respeito. Muitos evangélicos olham para Cristo conforme a carne e dizem: Seu corpo está no céu, aqui está somente o seu espírito; ou: Como pode Cristo conforme seu corpo estar presente na Santa Ceia. Impossível. Lá só está seu espírito. E não olham a Cristo conforme o que a Escritura, no seu todo, diz de Cristo. Não temos dois cristos, mas um só. E ele agora, exaltado, está, como Deus e homem, presente em todos os lugares. A razão não o compreende.
O segundo propósito da morte e ressurreição de Cristo.
- v. 17 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
1) Em Cristo. Pela fé na graça de Cristo somos colocados em Cristo, membros do seu corpo, por Palavra e sacramentos. Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. (Romanos 6.3-4 RA)
2) Novas criaturas. Não reformados, nem simplesmente transformados, mas novas criaturas. Deus disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. (2 Coríntios 4.6 RA; Jo 3.6; 1 Co 2.14-16; Cl 1.21-23) Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, ...estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, (Efésios 2.1,5; Tt 3.5 RA)
3) Antigas passaram. Como? Meus problemas permanecem: as dificuldades no matrimônio, os problemas financeiros, doenças, atritos, etc. Passou o quê? Perdoados. É um novo começo. O amor de Cristo concede consolo, dá sabedoria, forças, luz e esperança para a caminhada, mesmo tendo este tesouro em vasos de barro (2 Co 4.7), sob a cruz (Mt 16.24).
Tudo isso confessamos no Credo Apostólico
1° Artigo. Creio que Deus me criou... me dá o necessário para a vida... me protege, me guarda. Por tudo isso devo dar-lhe graças e louvor, servi-lo obedecer-lhe. – 2° Artigo. Creio que Jesus Cristo, me remiu ... para que eu lhe pertença e viva submisso a ele, em seu reino e o sirva. – 3° Artigo. Creio que o Espírito Santo me chamou, iluminou, santificou e conservou na verdadeira fé, e no dia derradeiro me ressuscitará a mim e a todos os mortos, e me dará a mim e a todos os crentes em Cristo a vida eterna. (Novo alvo)
O uso dos dons, tempo e bens no dia a dia.
1) Na família. Devoção familiar, leitura da Bíblia e orações. O lar cristão é luz para a vizinhança: ali encontram refúgio, conselho e amparo.
2) No trabalho. O cristão é luz, exemplo de dedicação, amor e testemunho de Cristo.
3) Na igreja. Deus nos fala por sua Palavra e nos serve pelos sacramentos, adoramos e suplicamos, participamos dos trabalhos da Comunidade, no distrito, na igreja, nas assembléias, ofertamos conforme as bênçãos que Deus nos concede.
Como tomar decisões no administrar?
1)Examine o assuntos à luz dos 10 Mandamentos; 2) à luz de sua responsabilidade social, se és pai ou mãe, filho ou filha, patrão ou empregado, cidadão, etc. 3) Em relação do amor ao próximo. 4) Ore pedindo a sabedoria de Deus. 5) Decida e age. 6) Se ao executar a ação notar erro, volte a novo exame.
Disciplina na vida
1. Somos livres não para o mal, mas para o bem. Há luta entre o espírito e a carne. O apóstolo Paulo escreve: Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne... Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito... Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros. (Gálatas 5.16,25,26 RA)
2. Precisamos ter ordem. Isto inclui nosso servir e ofertar. Envelopes mensais. Moisés recomenda ao povo de Israel: Não aparecerá de mãos vazias perante o SENHOR; cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido. (Deuteronômio 16.16-17 RA) Em provérbios, lemos: Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares. (Provérbios 3.9-10 RA) E o apostolo Paulo recomenda: Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. (2 Coríntios 8.12 RA)
Conclusão
Reflita sobre esta matéria com sua família, relendo tudo em devoção familiar. Examine sua vida à luz dos Dez Mandamentos, sua participação com seus dons, tempo e bens e sua oferta pessoal. Que deus o abençoe e lhe fortaleça a fé, para ser abundante em toda a boa obra. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Ef 2.10)
São Leopoldo, 05/11/2009
Motivação.Oferta.09 Horst R. Kuchenbecker
sábado, 14 de novembro de 2009
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