Lc 2.1-14. – A alegria do Natal
(Sermão elaborado à base de um sermão do Dr. Walther, publicado no livro: Licht des Lebens, CPH, 1905, p. 58)
Introdução
Natal é festa de alegria. Assim os anjos o anunciaram aos pastores nos campos de Belém da Judéia. Não temais, eis que vos trago grande alegria que o será para todo o povo. – Sabemos ainda o que é verdadeira alegria. Apesar dos muitos centros de recreações e fontes de divertimentos, verdadeira alegria é algo raro. O fim das maiores e melhoras festa tem sempre um gosto amargo e de enfado. Mesmo a alegria dos cristãos não está isenta do tempero da amargura. Eis, no entanto, que estamos novamente no alegre tempo de Natal, fonte da verdadeira alegria, como anunciada pelo anjo. Vejamos:
Natal a fonte da verdadeira alegria.
a) Por que o nascimento de Cristo é a fonte da verdadeira alegria para todo o povo?
b) O que precisamos fazer para que esta venha ao nosso coração?
1
Deus criou o ser humano conforme sua imagem para alegria eterna. Mas Adão e Eva desobedeceram a Deus, caíram em pecado, com isso desprezaram a coroa da vida em alegre comunhão com Deus e se tornaram réus da eterna condenação.
As conseqüências desse passo são indescritíveis. Vejam a miséria na qual o ser humano está prostrado como escravo de Satanás, e só vemos a miséria terrena, sem falar dos sofrimentos internais que são eternos. Mas, em lugar de retornar a Deus, o homem foge, se esconde e procura negar a Deus.
A imagem, porém, deste santo e justo Deus está gravada na consciência do ser humano. Ele procura livrar desta imagem e iludir-se, dizendo: Deus é bonzinho e não castigará toda a humanidade, inferno não existe. Mas em vão. A consciência acusa e lhe infunde medo e pavor. A cada dor, infortúnio ou catástrofe, o homem estremece e se abala. O homem não pode mudar essa situação. Não pode se libertar nem do poder de Satanás, nem se reconciliar com Deus por próprias forças.
Mesmo nós cristãos, ainda fracos na fé, nos assustamos e estremecemos diante de tribulações, dor ou catástrofes da natureza.
O que Deus fez e ainda faz hoje em prol de sua criatura? Ele poderia tê-la abandonado à sua sorte e executado seu juízo sobre ela. Mas não, em amor eterno buscou o ser humano e fez resplandecer sobre ele seu amor. Já na eternidade Deus planejou em amor salvar a humanidade e anunciou esta salvação a Adão e Eva. Proclamou este evangelho por muitos profetas e homens de Deus, durante 4 mil anos. Até o tempo ter-se cumprido, como o afirma o apóstolo Paulo: Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei (Gl 4.4). E os anjos anunciaram aos pastores nos campos de Belém, há 2009 anos atrás, naquela noite silenciosa: Eis aqui, vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor (v. 10,11).
Como este Salvador veio? O apóstolo Paulo afirma: A graça de Deus se manifestou salvador a todos (Tt 2.11). Assim ele apareceu, nasceu numa humilde estrebaria, como nosso irmão na carne para viver em nosso meio.
Eis que na noite de Natal, Deus enviou seus anjos aos pastores. De repente o céu se iluminou, os pastores estremeceram, mas o anjo lhes disse: Não temais! Ele não vem como juiz para julgar e condenar, mas como vosso humilde Salvador.
Aqui estou, vosso Deus, na manjedoura, despojado de sua majestade e glória celestial, como uma simples criança. Ninguém precisa temer, eu venho a vocês, como vosso irmão. Querem saber qual o sentimento de Deus a vosso respeito, querem conhecer o amor de Deus a vocês? Olhem para mim, pois quem me vê, vê o Pai (Jo 14.9). Como olho alegre para vocês, assim o Pai olha com amor para vocês.
Ele, mesmo sendo Rei, veio humilde, subordinado a Cesar, não num palácio real, mas oculto numa estrebaria em Belém, da Judéia.
O que significa tudo isso? Para compreendê-lo, precisamos ir aos pastores nos campos de Belém, ouvir a mensagem que eles ouviram dos anjos e acompanhá-los à manjedoura.
O que eles ouviram nos campos? Os anjos lhes anunciou: Hoje vos nasceu o Salvador. Deus não somente vos ama, mas ele veio vos salvar. Ele tornou-se vosso irmão na carne, para como vosso substituto cumprir a lei, pagar vossa culpa, libertar-vos de vossos inimigos e reconciliar-vos com Deus Pai. Por isso os anjos puderam proclamar aos pastores: Não temais, eis que vos trago grande alegria que o será para todo o povo. Ninguém é excluído. Jesus veio salvar todo o povo, toda a humanidade.
Uma boa notícia que afasta todo o temor e medo, que nos anuncia perdão, vida e eterna salvação. Deus nos abriu a fonte da salvação, da paz, e verdadeira alegria eterna. Ele convida todos a virem a ele.
II
O que devo fazer, agora, para que esta salvação seja minha, e eu possa me alegrar nela? Para que ninguém possa se queixe, dizendo: Conheci a fonte, mas não sabia como me abastecer nela, quero mostrar - e Deus nos ajude – o que alguém deve fazer para que este amor de Deus penetre no seu coração. Queremos aprendê-lo da história do nascimento de Jesus e das pessoas ali envolvidas: de Cesar Augusto, dos moradores de Belém, dos pastores e dos que ouviram o testemunho deles.
a. Cesar Augusto. – Em sua vaidade e no seu poder, ele ordenou o recenseamento. E sem sabê-lo, foi instrumento de Deus para que se cumprisse o que estava escrito: que o menino Jesus deveria nascer, conforme as profecias, em Belém da Judéia. Ele próprio, no entanto, em sua glória e amor aos prazeres do mundo não tinha interesse nas coisas que Deus estava realizando no seu reino.
b. Moradores de Belém. Eles estavam no meio dos acontecimentos, voltados para suas preocupações em receber os muitos peregrinos que vinham para o recenseamento. Não tinham tempo para os reais acontecimentos, mesmo sendo isso lhes anunciado como lemos: Os que ouviram se admiravam das coisas referidas deste mínimo (v. 18), mas não deram crédito, nem foram conferir como os pastores.
c. Os pastores. Quando os anjos lhes apareceram, eles ficaram tomados de grande medo, pois sabiam-se pecadores. Deram, no entanto, atenção à mensagem dos anjos: Não temais, eis que vos trago grande alegria. Esta mensagem encheu seus corações de ânimo e de alegria. Tendo ouvido à mensagem, disseram uns aos outros: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer (v.15).
Vejam o que devemos fazer para desfrutar deste amor de Deus?
- Devemos guardar-nos do procedimento de Cesar e dos moradores de Belém, que estavam demasiadamente ocupados e apegados às coisas materiais e não tinham tempo para os feitos de Deus. Como hoje, nos preparativos e correrias do Natal, muitos, mesmo cristãos, não se tomam o tempo para ouvir, meditar, orar e louvar a Deus por seus grandes feitos. Importa que lembremos: A salvação é para todos. Só ficam fora aquele que por seu amor ao mundo e sua incredulidade rejeitam o Salvador.
Não é preciso desfazer-se dos bens, cargos ou posições que ocupamos neste mundo. Cesar não precisaria declinar de sua coroa, nem os moradores de Belém de seus afazeres, mas não deveriam por nisso seus corações, antes desprender-se deles para poderem dar atenção à mensagem de Deus e adorar o menino Jesus.
Portanto, vocês que estão apegados aos bens materiais, ou vocês que lutam com problemas, dores e ansiedades, dêem ouvidos à palavra de Deus. Ali, em Cristo, Deus nos abriu uma fonte de consolo, paz, esperança e proporcionam verdadeira alegria, como o anjo o proclamou: que o será para todo o povo...paz na terra aos homens a quem ele quer bem. (v.10,14).
Por isso, como os pastores, como pobres pecadores queremos dar atenção à mensagem de Natal.
É verdade que hoje esta mensagem não chega a nossos ouvidos por meio de anjos, cercados do esplendor celestial, nem circundados pelos coros celestiais. – Mas, também nós pobres pecadores, como os anjos, somos enviados por Deus para anunciar esta mensagem de alegria para todo o povo. E nossa mensagem está circundada do esplendor da uniformidade e testemunho de toda a Escritura. Nossos hinos, cantados pela congregação e pelos coros, são o eco do canto dos anjos.
E mais um detalhe. Após os pastores terem ouvido a mensagem dos anjos, eles disseram: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos. Assim queremos, em verdadeira fé e confiança na palavra de Deus, abraçar o menino Jesus e adorá-lo em espírito e verdade, rechaçando de nós tosos os pensamentos de dúvidas que nos querem desviar da fé.
Queremos confessar a Jesus humildemente nossos pecados que o fizeram sofrer tanto. Confiar no perdão que ele nos conquistou. Pois: Para nos enriquecer, ele se fez pobre. Quão profundo deve ser seu amor tapo nobre (HL 30.3)
E isto nós não queremos fazer somente agora no Natal, mas durante todo o ano acompanhá-lo também durante o tempo de Epifania, paixão, ressurreição, ascensão, Pentecostes, etc. Suplicar que seu Espírito purifique nossos corações e nos fortaleça na fé. Queremos jubilar, adorar e proclamar o seu santo nome, para que também todo o povo em nossos dias ouça esta mensagem, a fonte da verdadeira alegria, paz e esperança. Amém.
São Leopoldo, 12/12/2009
Horst R. Kuchenbecker
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Orações de ADvento. Manhã
Guia-me – Orações da Manhã
Führe mich... Morgengebete
Herr lehre uns beten von Heinrich Riedel.
Neu bearbeitet von Christa und Hans-Lutz Poetsch.
Verlag der Luthe. Buchhandlung, Heinrich Harms. Gross Oesingen, 2003.
Tradução: Ursula R. Kuchenbecker. 2009.
1º DOMINGO NO ADVENTO.
Tema da Semana: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador. Zc 9.9.
Mateus 21.1-9.
Eis aí te vem o teu Rei, humilde (v.5).
Santo e gracioso Deus! Iniciamos, hoje, em teu nome, mais um novo ano da Igreja. Pedimos guia-nos através desse ano. Permita fazermos uso abundante dos bens espirituais que nos ofereces em tua Palavra e teus sacramentos. E que, pelo perdão dos pecados, sejamos fortalecidos na fé e possamos crescer na vida santificada.
Carecemos de tua ajuda, pois somos fracos e facilmente influenciados por aqueles que nos querem afastar de ti. Ilumina-nos pelo teu Espírito para não sermos dominados pelo espírito do mundo. Ampara e mantém-nos em tua comunhão.
Santo e gracioso Deus! O tempo de advento nos lembra que teu filho Jesus Cristo veio ao mundo e nos trouxe salvação. Ele deixou-se crucificar e ser levado à morte, por nós, para reconciliar-nos com Deus Pai, para que todo que nele confia, não pereça, mas tenha a vida eterna.
Agradecemos-te por tua grande compaixão. Fortalece-nos para que nossa vida seja um fervoroso testemunho do teu amor. Abençoa tua Igreja, e chama pelo evangelho muitos das trevas para tua maravilhosa luz.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor, concede-nos a tua Paz.
Virá julgar o mundo: / ao ímpio condenar, / mas com amor profundo / ao crente resgatar. / Oh! vem, Jesus bondoso / , a todos nós buscar / e faze ao céu glorioso /
os teus fiéis entrar. (HL 13.5)
SEGUNDA-FEIRA, após o 1° Domingo de Advento.
2 Coríntios 1.18-22.
Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio (v.20).
Fiel Senhor e Deus! Tua Palavra é a verdade. Dela sabemos que tua fidelidade e compaixão não têm fim. Tuas promessas se cumprem. Agradecemos-te, de e descansocoração, pela salvação que nos trabalhaste.
Em fé queremos responder com um vigoroso Sim ao teu amor, que nos revelaste em Cristo. Não podemos confiar em nosso coração, mas a tua Palavra é a verdade, nela podemos confiar.
Ampara-nos quando estrememos em nosso íntimo e estamos tristes. Permita que encontremos sossego em ti.
Fiel Senhor e Deus! Ajuda-nos a permanecer fiéis ao teu Evangelho, cujas principais verdades temos resumidas, no Catecismo Menor de Lutero. Falsos mestres querem nos enganar com meias verdades e promessas vazias. Guarda-nos, para não sermos jogados de um lado para outro, por qualquer vento de doutrina. Seja tua Palavra luz para nosso caminho.
Concede-nos consolo por teu perdão, prazer em teus Mandamentos e força para vivermos conforme os mesmos, para podermos proclamar o teu santo nome. Amém
Se bem-vindo, ó Salvador! / Canto glórias com fervor. / Grava no meu coração /
teu caminho justo e bom! (HL 18.3)
TERÇA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Miquéias 2.1-2, 9,12-13.
Pô-los-ei todos juntos, como ovelhas no aprisco, como rebanho no meio do seu pastor, farão grande ruído por causa da multidão dos homens (v.12).
Santo e justo Deus! Viemos a tua presença para pedir: Tem compaixão de nós pobres pecadores e do mundo decaído. A maioria das pessoas vive sem ti e desprezam teus Mandamentos. Eles estão em busca de auto-afirmação, para isso subjugam seus irmãos, aumentam a violência e a brutalidade. Por não darem ouvidos a ti, o matrimônio e a família, que tu constituíste, são dissolvidos e trazem muitas desgraças sobre a humanidade.
Mas tu és Senhor e o permaneces para sempre. Tudo está subordinado a ti. Tu colocas limites aos tiranos, quando não reconhecem seus deveres e rejeitando a tua lei.
Santo e justo Deus! Não permitas sermos contagiados pelo espírito deste mundo. E onde nós fracassamos, dá-nos contrição e disposição para voltarmos a ti.
Quando caímos em falsa segurança, acorda-nos. Reúne os dispersos de tua Comunidade. Ampara os que se debatem com dúvidas e ansiedades. Reergue-os solitários e desesperados.
Guarda teus fiéis nesses tempos do fim. Conserva-nos tua Paz, par que se sejamos fiéis até ao fim.
Oh! preparai a vida / ao Príncipe da Paz! / Só ele é nosso guia: / Auxílio e graça traz. /
A estrada endireitai! / De corações aflitos / por causa dos delitos, / ao Rei vos entregai! (HL 8.2)
QUARTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
2 Samuel 7.8-16
O Altíssimo não mora em templos feitos por mãos humanas. E eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino (v.13).
Querido Pai celestial! Agradecemos e louvamos-te pela proteção da noite. Permanece conosco também neste dia em todos nossos caminhos.
Planejamos nosso dia, mas sabemos que nem sempre permitirás as realizações. Muitas vezes não compreendemos teus caminhos para conosco. Guarda-nos na firme convicção de que a tua vontade é melhor do que nosso planejar.
Tu não permitiste ao rei Davi construir o templo em Jerusalém. Reservaste esta tarefa para seu filho, Salomão. Muito além dessa tarefa, porém, cumpriste tua promessa enviando à humanidade teu Filho unigênito, Jesus Cristo, Salvador, o descendente segundo a carne do rei Davi, e edificaste o templo eterno, tua santa Igreja, que permanece além de todos os tempos, por toda a eternidade.
Querido Pai celestial! Pelo batismo nos enxertas como pedra viva neste teu Templo. Firma-nos na fé para que te sejamos fiéis até ao fim. Teu unigênito Filho, Jesus Cristo, por sua morte expiatória na cruz, nos trouxe perdão, vida e eterna salvação. Por este teu amor, queremos te servir.
Tu queres que confessemos teu nome. Sim, seja teu nome santificado e teu reino estendido por toda a terra. Dá-nos teu Espírito Santo para que o mesmo nos guie no confessar o teu nome.
Cristo acorda minha mente; / seja todo o meu falar / para o nome teu honrar. / Quero em gratidão ardente / dedicar-te, ó bom Senhor, / minha vida em teu louvor. (HL 4.4)
QUINTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Isaías 64.1-3.
Oh! Se fendesses os céus, e descesses! (v.1)
Senhor Jesus Cristo! Tu governas com poder céus e terra. Muitas vezes não compreendemos os caminhos pelos quais nos diriges. A ti seja toda a honra e glória.
Quando estamos em dificuldades e com medo, nós te invocamos. Perguntamos por que te ocultas diante de nós? Pensamos que não nos queres ajudar mais. Suplicamos para que venhas a nós, e sabemos que vens a nós por Palavra e sacramentos. Nós, na verdade, gostaríamos sentir tua presença, mas importa que nos apeguemos à tua Palavra, quer o sintamos ou não.
Senhor Jesus Cristo! Perdoa nossa pequenez de fé. Tu sempre estás conosco, mesmo quando não sentimos nada. Tu não nos abandonas, mas estás sempre ao nosso lado. Por tua Palavra e teu sacramento, queres nos fortalecer a confiança em ti. Permita que façamos abundante uso desses meios da graça.
No tempo do Advento nós nos preparamos para celebrar teu nascimento em Belém. Tu te humilhaste e te tornaste servo, para pagar nossas culpas e salvar a humanidade.
Nós nos humilhamos diante de ti confessando nossos pecados. Confiamos em tua misericórdia. Dá-nos força para tanto por teu Santo Espírito.
Sou hospede no mundo, / não tenho aqui lugar; / anseio o meu profundo, / e a pátria eterna achar. / Não tenho aqui descanso, / vou repousar no céu; / ali do Pai alcança /
os bens que prometeu. (HL 432.1 )
SEXTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento
Hebreus 10.19-25.
Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé (v.22).
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Nós te buscamos nesta manhã. Em tua Palavra nos mostras que já abriste e preparaste o caminho a nós. Derramaste o teu santo sangue na cruz, para nos purificar de todos os pecados. Tu és o caminho, a verdade e a vida. Por meio de ti temos acesso ao coração do Pai celestial e ao reino de Deus.
Tu nos trouxeste paz. Guarda-nos de descaminhos. Faze-nos reconhecer que só o que recebemos de ti tem valor.
Senhor e Salvador nosso! Pedimos-te dá-nos força para permanecermos fiéis a ti, em verdadeira fé, para que nada nos engane.
Guarda-nos das tentações do mundo, dá-nos forças para não silenciarmos onde devemos confessar corajosamente teu santo nome.
Dá-nos teu amor para não buscarmos a satisfação do nosso próprio egoísmo em falsa segurança. Tu queres que encontremos a realização de nossa vida em ti e no servir a nosso próximo. Fortalece-nos a fé.
Louvor e glória ao grande Deus! / de graça e por bondade. / Do mal liberta os crentes seus / por toda a eternidade. / Em nós o Pai dos céus se apraz, / agora reina santa paz; / cessou a adversidade. (HL 231.1)
SÁBADO, após o 1º Domingo de Advento
Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21.
Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus (v.20).
Amado Salvador e Senhor Jesus! Gostaríamos muito de conhecer o sentido e a razão de todos os acontecimentos no céu e na terra, mas estes mistérios nos permanecem ocultos.
Nossa própria vida tem muitos enigmas que não podemos desvendar. Mas tu tens todo o poder e governas de eternidade a eternidade. Permita que estejamos voltados inteiramente a ti. Tu és o Criador e o fim de todas as coisas. Em ti encontramos segurança e ajuda em todas as situações.
Perdoa, quando em nosso pensar começamos a duvidar de tua providência.
Amado Salvador e Senhor Jesus! Prometestes voltar em breve para buscar teus fiéis para junto de ti. Aguardamos teu último advento, que nos trará libertação de todos os males.
Mantém-nos na fé. Não permitas cairmos da mesma. Suplicamos em favor de todos os fiéis. Amém, sim, vem Senhor Jesus!
A porta da minha alma / aberta deve estar; / por graça sendo salva, / quer nela o Rei entrar. / As virgens mui prudentes, / o Noivo aguardarão / pois vem o Rei das gentes, / à filha de Sião (5.4).
2º DOMINGO DE ADVENTO
Lucas 21.25-33.
Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus (v.31).
Ó eterno Senhor! Nós te agradecemos pela pregação do teu Evangelho neste domingo. Abençoa tua Palavra onde quer que ela esteja sendo lida, ouvida e, especialmente em todos os cultos. Pedimos: Abre nossos corações ao teu Evangelho, que nos anuncia teu amor em Cristo, para que o aceitemos e nos apeguemos em fé ao mesmo. Fortalece em todos nós a certeza de seres tu o Senhor dos senhores e acima de todos os poderes.
Estende tua mensagem da salvação a todos os confins da terra e permita que muitos cheguem ao conhecimento da verdade salvadora. Tu disseste que o Evangelho será pregado em todo o mundo e isto será um dos sinais dos tempos do fim. Concede-nos força para cumprirmos esta incumbência com fervor.
Eterno Senhor! Notamos que em nossos dias tuas ordens recebem cada vez menos atenção. O respeito diante de tuas instituições: matrimônio, família e Estado são cada vez menor. Cada um quer mandar, ninguém quer se submeter. Mesmo na cristandade se procura agora adaptar teu Evangelho ao espírito do mundo. A confusão aumenta e muitos são desorientados em sua fé.
Tu anunciaste os sinais dos tempos do fim. Suplicamos: Protege e guarda-nos para não cairmos da fé por infidelidade. Conserva-nos, teus eleitos, para o teu reino eterno.
Cristo volta; não sabemos / em que dia possa ser, / mas total certeza temos / que seu rosto iremos ver. / Ele fez promessa certa / que não poderá falhar. / Nossa fé esteja alerta. / Cristo não irá tardar. (HL 537.2)
SEGNDA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
Lucas 12.35-40.
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor (v.36).
Eterno Deus! Nós te agradecemos pela proteção na noite que passou e podermos ver a luz deste novo dia. Abençoa nosso trabalho para que possamos fazê-lo com alegria e não gemendo.
Esteja com nosso Governo e com todos os que têm responsabilidade em nossa pátria. Permita que reconheçam que no fim dos dias precisam prestar contas de sua administração. Abençoa nossa pátria. Impede a incredulidade e liberta, pela pregação do Evangelho, aqueles que estão nas trevas da incredulidade, de idolatrias e superstições.
Eterno Deus! Enche nossos corações com saudade pelo grande dia no qual revelarás tua glória. Nós te aguardamos.
Tu disseste que um dia teremos que comparecer diante do teu trono para juízo. Somos pecadores e culpadas, não podemos agradar-te com nossas obras. Nossa esperança está em teu unigênito Filho, Jesus Cristo, que nos remiu.
Guarda todos membros de tua Igreja de hipocrisia e de falsa segurança. Concede-nos pessoas que sejam modelos de fé. Acorda-nos, para aguardarmos esperançoso o dia, no qual teu unigênito Filho, Jesus Cristo, virá para recolher-nos ao teu reino.
Apressa o dia alegre, / congrega os teus fiéis, / e então nas nuvens desce, / ó santo Rei dos reis. / Por ti nos esperamos, / bendito Salvador, / sim, vem, com majestade, / Jesus, ó bom Senhor! (HL 528.3)
TERÇA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
2 Tessalonicenses 3.1-5.
Todavia o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do maligno (v.3).
Fiel Senhor e Deus! Agradecemos-te pela proteção que nos deste por teus santos anjos e pela paz que desfrutamos na noite que passou. Com todos os que te invocam nesta manhã te suplicamos: Abençoa o dia de hoje. Guia-nos em nossos afazeres, esteja conosco nos momentos de descanso. Guarda-nos de perigos e desastres.
Ao nos impores dificuldades, não permitas que sejamos impacientes e desanimados. Ajuda-nos a carregar e suportar as provações.
Fiel Senhor e Deus! Tua Comunidade é constantemente afrontada pelo Diabo. Ele quer nos separar de ti e impedir que te sigamos, fazendo a obra da qual nos incumbiste.
Guarda-nos para não cairmos da fé. Firma-nos na fé. Dá-nos sabedoria para utilizarmos as armas que nos deste para a luta contra Satanás. Fortalece-nos nas tentações para permanecermos fiéis e herdarmos a vida eterna.
Tem compaixão daqueles que caíram em depressão e desespero por causa de seus fracassos. Tu podes ampará-los mesmo quando a medicina não sabe mais o que fazer. Confiamos em ti. Guia-nos, por Jesus Cristo, ao lar celestial.
Teu Verbo permaneça; / o mundo há de passar! / Ninguém, jamais perece / que em ti, ó Deus confiar! / A tua poderosa mão / me guie em segurança / por trevas e aflição. (HL 314.4)
QUARTA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento.
Apocalipse 2.1-5.
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor (v. 4).
Amado Salvador Jesus! Por amor vieste ao mundo e te entregaste à morte para nos salvar e dar-nos a vida eterna. Tu nos enviaste o Espírito Santo para operar em nós fé e os frutos da fé, o amor. Agradecemos-te por isso.
Tu procuras, agora, em nós os frutos do primeiro amor. Pois teu amor nos move a servir-te conforme o teu querer. Infelizmente, nosso cristianismo é muitas vezes simples hábito. De forma que pouco pode se visto da grande alegria e do júbilo pela salvação. Em vez disso seguimos nossos interesses e estruturas da Comunidade, à qual amarramos nossa piedade. E não suportamos quando alguém, movido pelo primeiro amor, questiona nossas concepções. Sentimo-nos ameaçados e procuramos afastá-lo.
Quantas vezes houve divisões na tua Igreja, porque pessoas não suportaram os que, guiados por teu amor, levantaram a voz. Pedimos-te guarda-nos de tal hipocrisia e de doutrina falsa. Firma-nos na verdadeira fé, mesmo quando precisamos romper com tradições e costumes que amamos. Não queremos permanecer na cegueira espiritual, mas ser guiados por ti.
Amado Salvador, Jesus! Ajuda-nos a reconhecer que nossa fé é alimentada por Palavra e teus sacramentos. Fortalece-nos. Guarda-nos de leviandade e de frieza espiritual.
Protege-nos da impiedade de nosso mundo. Como mensageiros da paz ensina-nos a semear a paz ali onde imperam brigas e ódios. Conserva-nos em tua graça.
Extingue em mim cobiça vil, / me expurga de pecados mil. / De forças vem me aparelhar, / a fim de a carne eu subjugar. (HL 396.2)
QUINTA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
Marcos 13.5-13.
Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo (v.13).
Amado Pai celestial! Em teu nome iniciamos este dia. Agradecemos-te pelo mesmo. Pedimos tua bênção.
Concede que realizemos nosso trabalho com fidelidade. Concede-nos força e sabedoria para enfrentar e suportar as adversidades, alicerçados em tua palavra, para não sucumbirmos com o mundo.
Tu nos buscaste por teu Filho Jesus e nos enxertaste na comunhão de tua Igreja. Concede que nos sinta bem em tua casa. Ela nos é uma proteção contra as tentações do mundo. Pois ali vens a nós por Palavra e sacramentos.
Amado Pai celestial! Os tempos finais, como anunciaste, serão difíceis. Haverá catástrofes e as pessoas não se entenderão. Também os fiéis serão postos arduamente à prova. Não nos deixes cair em descrença, desespero, grande vergonha ou vícios. Concede-nos, conforme tua promessa, sobriedade e paciência, força e alegria para resistirmos na fé até ao fim, e herdarmos a vida eterna.
Pedimos em favor de todos os que sofrem e estão sobrecarregados. Ampara, especialmente, mulheres e crianças de lares desfeitos, os acidentados e os que foram vítimas de assaltantes. Compadece-te dos desterrados e dos que buscam refúgio, dos que estão nas garras das drogas e de outros laços de Satanás, como de doutrinas falsas.
Somente tu podes ajudar e dar-nos forças para sermos fiéis até ao fim. Tem compaixão de nós por amor a Jesus.
Oh! vigiai! O príncipe do mal, / o espírito infernal, / leão que ruge, / andando em derredor, / cruel perseguidor, / a devorar alguém procura, / privando-o eternal ventura. / Oh! vigiai! Sim, vigiai! (HL 533.3)
SEXTA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
Lucas 17.20-25.
Porque o reino de Deus está dentro em vós (v.21).
Amado Salvador Jesus! Agradecemos-te, por teres nos despertado para mais este dia. Em tuas graciosas mãos depositamos tudo o que o dia trará e requer de nós.
Por tua santa Palavra e teus sacramentos, teu Reino de veio a nós. Freqüentemente, buscamos ostentação, poder e glória, como as pessoas do mundo. Tu, porém, vieste em humilhação e pobreza para servir, e estendes o teu reino pelos insignificantes meios da pregação de tua Palavra e dos sacramentos.
Não permitas que por causa do medo ou de nossa cegueira natural, demos ouvidos às tentações de teus inimigos. Abre nossos olhos para os sinais do teu poder e de tua graça. Toca nossos corações e faze habitação nos mesmos. Só assim poderemos permanecer fiéis a ti. Fortalece-nos para que te louvemos, testemunhando do teu amor.
Amado Salvador Jesus! Tem paciência conosco, como tiveste com os teus discípulos. Tua glória e teu poder são invisíveis. Jamais compreenderemos o mistério do teu governo. Infelizmente, queremos sempre ver sinais e sentir tuas manifestações, mas teu Reino da graça se encontra somente ali onde tua Palavra é anunciada e naqueles que confiam na graça de Cristo. Nós buscamos igrejas imponentes e estamos em perigos de olhar mais o exterior do que ouvir e meditar em tua Palavra.
Tu olhas os corações. Por tua graça, enche nossos corações com teu Espírito e teu amor.
Eia! Hosana! Grande Deus, / Filho de Davi, clemente! / Que a coroa e o cetro teus /
manem bênção ricamente! / Cantaremos teu louvor: / Eia! Hosana, ó Salvador! (HL 7.4)
SÁBADO, após o 2º Domingo no Advento
Apocalipse 3.14-22.
Eis que estou à porta e bato (v.20).
Jesus Cristo, Filho de Deus! Nesta manhã viemos novamente a ti para agradecer pela proteção e paz na noite que passou. Neste último dia da semana guarda-nos e protege-nos com tua graça.
Tu és nosso Sol e escudo. Não queremos esquecer que somos forasteiros e peregrinos nesta terra e de que a vida tem um objetivo. Temos medo da morte e do juízo final. Como poderemos subsistir, quando tudo o que pensamos, desejamos, falamos e fazemos será revelado?
Jesus Cristo, Filho de Deus! Fortalece-nos a fé por tua Palavra. Guarda-nos de falsa segurança e hipocrisia. Alerta nossa consciência por tua Palavra.
Tu estás diante da porta de nossos corações e bates. Permita que não a fechemos a porta, mas te recebamos sempre com alegria. Pois onde estás, ali está o perdão e o amor de Deus. Agradeço-te de todo o coração por nos teres chamado, iluminado, congregado, santificado e integrado em teu rebanho. Conserva-nos fiéis em tua graça, por teu Espírito.
Livra-nos de todos os laços do maligno que sempre quer nos dominar e permita que encontremos refúgio em ti. Fortalece-nos para que vivamos conforme tua vontade e executemos nossos bons propósitos para te honrar.
Permaneça ao nosso lado na vida e na morte e recebe-nós na glória eterna.
Desta graça, ó Cristo amado, / sou contínuo devedor. / Fui de todo penhorado /
pelo teu divino amor. / Sei que ingrato tenho sido, / mas suplico o teu perdão. / Por teu sangue fui remido – / enche-me de gratidão (HL 379.3).
3º DOMINGO NO ADVENTO
Tema: Preparai o caminho do Senhor! Eis que o Senhor Deus virá com poder. (Isaías 40.3,10)
Mateus 11.2-10.
E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço (v.6).
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Quando em tua humilhação peregrinaste pelas terras da Galiléia, muitos se escandalizaram em ti. Eles haviam-se imaginado a vinda do enviado de Deus de forma diferente. Mesmo teu antecessor, João Batista, enviou seus discípulos com a pergunta: És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro? (v.3) Na hora da provação no Getsêmani, teus discípulos te abandonaram.
Nós não somos melhores. Confessamos que somos fracos na fé. Muitas vezes, quando deveríamos estar firmes, temos fraquejado. E nos revoltamos quando nos guias por caminhos que não nos agradam.
Confessamos que temos pecado gravemente contra ti. Perdoa! Não temos nada a trazer, confiamos única e inteiramente em tua misericórdia.
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Concede-nos viver diariamente do teu Evangelho. Queremos permanecer em íntima comunhão contigo, apegando-nos com zelo à tua Palavra, vindo com freqüência à tua mesa. Só assim seremos guardados na fé, para não cairmos. Teu Santo Espírito nos fortaleça.
Prepara em tua graça / meu coração, Senhor, / que eu nada queira e faça /
contrário ao teu amor! / Oh! vem em nós morar, / pois tu baixaste ao mundo, / em teu amor profundo, / a fim de nos salvar!”(HL 8.3)
SEGUNDA-FEIRA, no 3º Domingo no Avento
Mateus 11.11-15.
Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista. Mas o menor no Reino de Céus e maior do que ele (v.11).
Senhor Jesus! Tu vieste ao nosso mundo, para nos trazer livramento e salvação. Somos pecadores e ninguém de nós está em condições de, por sua própria força, alcançar a glória. Mesmo João Batista, que te preparou o caminho, dependeu, exclusivamente, de tua graça.
Agradecemos-te por nos teres salvado. Olhamos envergonhados para os caminhos que trilhaste por nós até à cruz. Perdoa nossa culpa e concede-nos crescimento na fé em tua graça.
Senhor Jesus! Ilumina nossa vida por teu amor, para que possa transluzir através de nosso pensar, falar e agir. Abre a porta das nações à tua Palavra, para que muitos dêem atenção ao teu Evangelho e possam ser consolados e erguidos pelo mesmo.
Tu vieste à humanidade para que possamos ser filhos de Deus. Conserva-nos nesta esperança.
Vem, ó Rei da glória, / vem, eu sou teu, de mais ninguém. / Aniquila em mim o mal / por tua força divinal. (HL 18.4)
TERÇA-FEIRA, no 3º Domingo no Advento
Mateus 3.1-11.
Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? (v.7)
Amado Senhor e Deus! Nós gostaríamos de estar inteiramente voltado para a vinda em glória do teu Filho, Jesus Cristo, mas sentimos como nosso querer e bons propósitos encalham e não conseguem realizá-lo. Gostaríamos de servir-te de todo o coração, infelizmente, realizamos tão pouco.
Não entres em juízo com teus servos, perdoa os nossos pecados! Combate e destrua em nós tudo que não seja correto. Concede que nos preparemos sinceramente para o Advento do Senhor Jesus. Não permitas que façamos parte daqueles aos quais João Batista chamou de raça de víboras quem vos induziu a fugir da ira vindoura (v.7).
Senhor Jesus! Teu Espírito Santo nos fez renascer e quer-nos renovar diariamente. Renova-nos por tua força. Concede sermos testemunhas fiéis do teu amor.
Tu prometeste que a cada semeadura, seguirá a ceifa. Pedimos que tua Palavra produza em nós muitos frutos, conforme a tua vontade. Derrota todo o inço de nossos corações.
Tem compaixão de todas as pessoas que nos são próximas. Concede que todos alcancem o alvo que nos propuseste, a vida eterna.
Mesmo cheios de pecado, / em sua graça confiai; / revestidos de humildade,/ em seu reino assim entrai. / Pois a glória do Senhor / revelada é por amor, / e há de vê-la o mundo inteiro
– eis a voz do mensageiro. (HL 11.3)
QUARTA-FEIRA, no 3º Domingo no Advento
Lucas 3.10-20.
Mas Herodes o tetrarca, sendo repreendido por ele... por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito, acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere (v.19,20).
Amado Senhor Deus! Através de João Batista, orientaste teu povo Israel de outrora, sobre como agir em todas as situações da vida: odiar o pecado, abandonar a injustiça e servir um ao outro em amor e justiça. Também a nós tens concedido conhecer tua santa vontade, revelada nos teus Mandamentos. Nós te agradecemos por isso, amado Pai celestial. Infelizmente, cabe-nos confessar que apesar de tua instrução e orientação, não temos dado muita atenção à tua santa vontade, mas seguido nossos próprios caminhos. Precisamos confessar que temos desprezado teus testemunhos e conselhos. Faze-nos amar tua Palavra e teus mensageiros, pois através deles tu mesmo nos falas. Tu és reto Juiz e julgarás a todos os que desprezam tua Palavra, mas és o ajudador de todos os que se deixam disciplinar por tua Palavra e se orientam por ela. Não retires de nós a tua ajuda, amado Pai Celestial. Ampara poderosamente a todos os que sofrem por amor a tua Palavra, a qual eles proclamam.
Alerta, atormentados, / o Rei Jesus chegou. / De nós, seus bem amados, / há muito se lembrou. / A morte e seu horror / jamais nos ameaça, / pois somos já, por graça, / o povo do Senhor. (HL 9.4)
QUINTA-FEIRA, após o 3º Domingo no Advento
João 1.6-9, 15-16.
Porque todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça (v.16).
Senhor Jesus! Tu és a Luz que veio ao mundo. Trouxeste riqueza à nossa pobreza, e a presença de tua graça ao nosso abandono. Tu nos tornes filhos do Pai celestial e nos concedes vida nova.
O evangelista João tomou da riqueza de tuas bênçãos e nos guia a ela para termos parte desta salvação. Agradecemos-te por teu amor, que nos traz salvação e livramento.
Senhor Jesus! Faze com que tua obra avance no mundo por tua Palavra divina, pelo milagre do Batismo que instituíste, pelo divino mistério do teu corpo e sangue que nos ofereces como alimento. Ensina-nos e a muitos por teu Santo Espírito a usufruir diariamente deste tesouro.
Queremos agradecer-te pela salvação, testemunhando e guiando muitos outros a tua graça salvadora. Prepara-nos para sermos portadores de tua luz, pela qual outros possam encontrar-te.
Compadece-te dos doentes e solitários. Tem compaixão de todos que esperam por tua salvação.
Do céu a Luz apareceu, / novo brilho ao mundo deu; / fulgura em nós e nos conduz / das trevas para a eterna luz. Kyrieleis! (HL 35.3)
SEXTA-FEIRA, após o 3º Domingo no Advento
João 1.29-34.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (v.29).
Eterno Deus e Pai! Enviaste João Batista para preparar o caminho para Jesus. Ele mostrou aos homens, do seu tempo, os seus pecados, advertindo-os a respeito do juízo que pairava sobre eles. Suas palavras também valem a nós.
João Batista apontou para Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, que por seu sacrifício pagou completamente pelos pecados da humanidade e a reconciliou contigo, ó Pai. Permitiste que esta consoladora mensagem nos erguesse também. Somente pela fé em Cristo temos perdão dos pecados e nos tornamos cidadãos do reino celestial.
Faça com que demos sempre atenção a esta mensagem. Guarda-nos de darmos atenção a outros programas e propostas que querem nos desviar da única coisa necessária, tua graça.
Eterno Deus e Pai! Teu Filho nos trouxe a paz que excede a todo o entendimento. Por causa dele estás conosco com teu amor. Queremos agradecer-te diariamente por isso.
Permita que, através de tua Palavra, possamos reconhecer sempre tua graciosa vontade e seguir a Cristo na força do Espírito Santo. Apesar de nossa fraqueza, queremos agradecer e louvar-te.
Pedimos em favor de todos os que são levianos ou inimigos teus, que odeiam tua Igreja. Traze-os pelo poder da graça de Cristo ao conhecimento da verdade para que te adorem com todos os santos.
Ao sofrer na cruz maldita, / Cristo as culpas apagou; / a minha alma triste e aflita / com sua morte consolou. / Resgatou-me, gracioso, / do poder de Satanás / para eu sempre, venturoso,
ao Senhor servir em paz. (HL 29. 2)
SÁBADO, 3º Domingo no Advento
Lucas 7.29-35.
Todo o povo que o ouviu, e até os publicanos, justificaram a Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; mas os fariseus e os intérpretes da lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele (v. 29,30).
Senhor Jesus! Deste-nos mais um dia. Por tua graça divina acordamos. Louvado sejas.
Acorda também nossos corações e nossa consciência, para que compreenda a seriedade de tua Palavra. Muitas vezes achamos que já conheço e compreende tua Palavra e não nos importo com o teu sério chamado.
Em tua Palavra nos dizes que os que parecem estar longe de tua Palavra, estão perto e muitos que julgam estar perto de ti, estão longe.
Senhor Jesus! Ilumina nosso pensar e fazer por tua Palavra. Se encontrares ali justiça própria e falta de confiança em ti, perdoa.
Faze com que confiemos inteiramente em tua graça. Concede-nos ânimo para confessar-te nossos pecados, mesmo que isso venha a prejudicar nosso nome junto a amigos e vizinhos.
Cria em mim, ó Deus um coração novo,... Restitui-me a alegria da tua salvação (Sl 51.10-12).
O tempo se cumpriu. / Por Deus eis-nos aceitos! / Pois Cristo satisfez / a Lei e seus preceitos, / e em todo o seu viver / humilde nos serviu; / Deus já proclama a paz: / O tempo se cumpriu. (HL 34. 4)
4º DOMINGO NO ADVENTO
Tema: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, eu Salvador. Lc 1.46,47
João 1.19-28.
Então ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías (v. 23).
Misericordioso Deus e Pai! Através de todos os acontecimentos neste mundo, preparas o caminho para teu Filho, Jesus Cristo. Vemos isto, diariamente, em tua santa Palavra. Agradecemos-te por isso!
Anunciaste a vinda do Salvador ao mundo através do teu servo João Batista. Ele chamou ao arrependimento e à conversão. Dá com que seu testemunho seja preservado em tua Igreja, preparando o caminho para o teu Filho em nossos corações.
Vemos que a pregação de teus servos, da mensagem salvadora de Jesus Cristo, encontra pouca atenção. Nosso povo está espiritualmente endurecido e não se interessada pela salvação. Mas tu podes, por teu Espírito, gerar vida nova em terra seca. Pedimos-te por isso neste tempo de Advento.
Misericordioso Deus e Pai! Prepara o caminho para teu Filho, Jesus Cristo, em nossos corações, a fim de sermos governados por ele, por sua vontade e sua misericórdia.
Tu queres que renunciemos ao pecado e nos afastemos de tudo o que te desagrada. Afasta de nós tudo o que possa impedir a vinda do teu reino a nós. Quebra tu mesmo as trancas em nós que estão impedindo tua entrada. Venha, ó Senhor, com todo o teu poder e vence nossas trevas com a tua eterna luz.
Vem, ó Rei da glória, vem, / eu sou teu, de mais ninguém. / Aniquila em mim o mal / por tua força divinal. (18.4)
SEGUNDA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Isaías 45.1-8.
Destilai, ó céus, dessas alturas e as nuvens chovam justiça; abra-se a terra e produza a salvação, e juntamente com ela brote a justiça; eu, o Senhor, as criei (v. 8).
Senhor e Salvador! Tu governas o mundo de forma maravilhosa e com poder. Tudo está ao dispor de tua glória. Serviste-te de um rei ímpio para destruir o reino babilônico e libertar Jerusalém.
Onde atuas, ali as portas se abrem e as trancas de ferro são quebradas. Os tesouros secretos e tuas jóias ocultas, tu as distribuis a quem queres. Todos os poderes, bons e maus, estão em tuas mãos. Tu os usas para os teus objetivos, e todos precisam te obedecer.
Senhor e Salvador! Tu dás a paz e concedes ao mundo a salvação. Tu edificas tua comunidade e aplainas o caminho para o teu reino. Tu és a luz que brilhas em meio a nossas trevas.
Clamamos com o profeta Isaías: Faze os céus destilar das alturas e as nuvens chover justiça. Abra-se a terra e produza a salvação. Traze-nos a tua salvação. Teu amor nos desperte para uma nova vida espiritual.
Vem a nós e ergue em nosso meio teu reino de justiça que nos salva.
Tal como o orvalho sobre a flor, / vem hoje a nós, o Salvador. / Vós, nuvens, com frescor trazei / para Israel seu grande Rei. (HL 3.2)
TERÇA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
1 Coríntios 2.6-10.
Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outra oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória (v.7).
Senhor Jesus! Agradecemos-te por nos teres levado à fé, que não está firmada em sabedoria humana, mas em tua misericórdia. Já antes da fundação do mundo, planejaste dar e conceder-nos participação em tua glória. Louvado sejas eternamente.
Tua intenção estava oculta na humilde manjedoura e sob o escândalo da cruz. Nenhuma mente humana pode desvendar este mistério, caso contrário, não te teriam perseguido e crucificado.
Senhor Jesus! Concede nos teu Santo Espírito para reconhecermos, teu maravilhoso desígnio de nossa salvação, aceitando a em fé e amando tua graciosa e oculta sabedoria. Tu és o todo poderoso Criador e mantenedor de todas as coisas, mesmo assim te humilhaste profundamente, ocultando tua majestade, vindo a nós em forma de servo, como nenê, deitado na manjedoura, a fim de nos salvar. Aquilo que nenhum olho viu e nenhum ouvido ouviu e jamais alguém pensou, tu preparaste para aqueles que te amam.
Permite pertencermos ao grupo dos teus eleitos.
Vê, minha alma, a maravilha! / Vem a ti, teu Salvador; / tão profundo é seu amor: / pelo pecador se humilha. / Eis na gruta a repousar / quem o mundo vai salvar. / Que alegria, oh! que alegria, / Cristo o mal de nós desvia. / Que ventura, oh! que ventura:
Cristo é o Sol da graça pura. (HL 27.2)
QUARTA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Marcos 3.31-35.
Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão e mãe (v.35).
Senhor Jesus Cristo! Tu vieste para fazer de nós teus irmãos e tuas irmãs. Abriste-nos a porta para a casa do teu Pai celestial. Todos os que confiam em tua graça e te querem seguir são bem-vindos.
Agradecemos-te, por nos teres chamado a tua igreja, a comunhão dos santos. Sabemos que não foi o nosso querer e fazer, mas tua graça nos achou.
Senhor Jesus Cristo! Ensina-nos reta obediência. Não permitas que nós nos escandalizarmos em ti quando nos dirigires por caminhos que não entendemos. Mesmo tua mãe teve que aprender a reconhecer-te melhor, como Filho do Pai celestial. Por isso pedimos-te, firma nos na fé e mantém nos até ao fim.
Neste santo tempo de Advento no qual nós nos preparamos para tua vinda, abre-nos os olhos para teu grande amor.
Ampara-nos, teus irmãos. Pois por amor a ti, teu onipotente Pai nos recebe como queridos filhos.
Mas eu, teu servo bem menor, / suplico sempre com fervor: / Jesus, te quero muito bem,
sou fraco, em meu socorro vem. Aleluia! (HL 23.5)
QUINTA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Romanos 1.1-7.
Paulo, servo de Jesus Cristo chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi, e foi
designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de Santidade (v.1,3-4).
Senhor, nosso Salvador, nós te agradecemos por teres enviado teus apóstolo ao mundo.
Eles proclamaram teu evangelho, cheios do Espírito Santo. O que os profetas anunciaram, se cumpriu ao pé da letra. Tu és o verdadeiro Deus, vieste na força do Espírito como verdadeiro homem, da descendência de Davi. Tu morreste por nós e ressuscitaste dos mortos. Tu nos salvaste e nos tornaste propriedade tua, pela fé na graça de Cristo.
Senhor, nosso Salvador, nós te agradecemos, por pertencermos à comunhão dos santos, que te louvam das diversas nações. Nós te agradecemos pela vida, que tu nos trouxeste. Nós nos alegramos pelos dons da graça, que concedeste à tua igreja na terra.
Suplicamos te firma-nos como pedras vivas na construção de tua igreja. Concede que muitos ainda sejam convertidos a ti, Salvador de nossas almas.
Vem e completa tua obra que iniciaste em nós.
Oh! dá teu Verbo por milhares / de evangelistas sob o teu poder. / É necessário os ajudares; / faze-os império de Satã vencer / e em todo o mundo / o Verbo propagar
para o teu santo nome / assim honrar. (HL 333.3)
SEXTA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Jo 19.25-27.
Vendo Jesus sua mãe, e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis ao o teu Filho. Depois disse aos discípulos: Eis aí, tua mãe (v. 26,27).
Misericordioso Senhor Jesus! Lembramos o momento em que tua mãe estava ao pé da cruz. Ela foi a serva escolhida e agraciada pela qual vieste ao mundo, nascendo em Belém, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ela é a mãe das dores, cuja alma foi traspassada pela espada.
Nela tu ergueste uma imagem para tua santa Igreja. Ela se regozijou na graciosa visitação que lhe foi conferida. Ela sofreu contigo e te seguiu.
Misericordioso Senhor Jesus! Confiaste tua mãe aos cuidados do discípulo João. Concede-nos amor e fidelidade à tua Igreja. Dá-nos força para que te sirvamos com alegria e obediência, e que tua santa e derradeira vontade esteja sempre diante de nossos olhos, para andarmos unânimes na fé e no amor diante do mundo, como uma nova e santa geração e sejamos encontrados como teus discípulos. Dá, ó Senhor, que tua santa igreja, adornada e preparada com os dons da tua graça, te receba como tua noiva. A ti invocamos em fé esperançosa e clamamos a ti com todos fiéis na terra: Venha logo, Senhor e ouça-nos.
Cantemos glória ao Salvador, / ao Pai e ao Santo Ensinador. / Rendamos ao triúno Deus / louvor eterno lá nos céus. (HL 375.7)
24 DE DEZEMBRO
Romanos 5.12,15,17-21.
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens, para justificação que dá vida (v. 18).
Onipotente e misericordioso Pai celestial! Sobre nós, pobres pecadores, paira, desde a queda de Adão e Eva, a maldição do pecado e a morte. Estamos, por sermos pecadores, com toda a humanidade, diante da porta fechada do paraíso, desejosos de paz.
Tu enviaste teu Filho unigênito, e revelaste nele tua profunda compaixão para com a humanidade. Por sua paixão e morte, Jesus extinguiu a velha maldição e nos abriu a porta do céu.
Onipotente e misericordioso Pai celestial! Fizeste Cristo nascer da virgem Maria, que foi obediente a ti até a morte de cruz. Pelo Filho podemos chegar novamente a ti. Tu convidas a todos, que andam na sombra da morte, a vir a teu Filho, que se tornou nosso irmão, para, por arrependimento e fé em sua graça, receberem a adoção de filhos. Governa-nos com tua graça pela qual temos perdão dos pecados e a vida eterna.
O paraíso aberto está, / e o querubim dos céus / a entrada não mais vedará. / Bendito seja Deus, / bendito seja Deus! (HL 31.6)
25 DE DEZEMBRO – NATAL
Lc 2.1-14.
O anjo, porém, lhe disse: Não temais: Eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador (v.10-11).
Onipotente Deus, Pai celestial! Nós te bendizemos, porque mandaste teu Filho como Salvador da humanidade. Ele veio para nos salvar e reconciliar contigo, ó Pai.
Contemplamos este misterioso milagre que nossa razão não compreende. Cabe-nos somente agradecer e ajoelhar com os pastores em profunda adoração.
Ó onipotente, santo e majestoso Deus, nesta criança tu te aproximaste de nós pecadores. Estremecemos como os pastores dos campos de Belém. Tu, porém, nos tiras o medo e nos consolas com a mensagem do anjo: Não temais!
Onipotente Deus, Pai celestial! Teu Filho se humilhou tão profundamente, descendo para nossa miséria, para nos libertar de todas as necessidades e curar todas nossas enfermidades.
Ele veio para a noite deste mundo, para trazer a brilhante luz celestial. Ele se tornou pobre, para nos enriquecer.
Nossa razão é incapaz de captar este mistério do amor, que através de Jesus, o filho de Maria, nos tornas teus filhos. Por tua graça somos justificados e recebemos a vida eterna, que tua graça agora nos governe. Pela fé renascemos e temos parte na nova vida, por Cristo, nosso Senhor.
Mil aleluias cantarei / e alegremente exultarei; / nos céus melhor ressoarão e nunca mais silenciarão. Aleluia. (HL 23.8)
26 DE DEZEMBRO
Dia o mártir Estevão
Lucas 2.15-20.
Voltaram então os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado (v.20).
Senhor Deus, Pai das luzes! Fizeste nascer um novo um dia após a escuridão da noite. Nós te adoramos. Louvamos-te porque também fizeste resplandecer, por teu Filho Jesus Cristo, a tua eterna luz neste mundo em trevas.
Agradecidos nos ajoelhamos em fé diante da manjedoura em Belém, para meditar sobre o mistério da humanação do teu Filho, Jesus Cristo. Ele, o eterno Deus, veio ao mundo, tornando-se nosso irmão na carne, para que nós pudéssemos voltar a ti, ó Pai, ao celeste lar, pela fé na graça de Cristo.
Senhor Deus, Pai das luzes! Ajuda-nos a dar ouvidos ao evangelho de Natal e confiar plenamente nesta verdade. Mostra-nos como as profecias, que testemunham do teu amor a nós, se cumpriram em Jesus.
Concede que ouçamos com fé tua Palavra, meditando nela como Maria. Concede que, como os pastores, creiamos, adorando agradecidos a ti.
Move-nos, para proclamarmos o que ouvimos e vimos nestes dias festivos.
Triúno e santo Deus, / a ti pertencerei, / e com os atos meus / honrar-te deverei. / Por graça mui bendita, / em mim, ó Deus, habita; / e o teu amor clemente / refulge em minha mente. / Feliz eu sou / por seres meu, / sendo eu somente teu. (HL 160.4)
27 DE DEZEMBRO
dia do apóstolo João
João 21.19-24.
Vendo-o, pois, Pedro, perguntou a Jesus: E quando a este? Respondeu-lhe Jesus: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?quanto a ti, segue-me. (v.21,22)
Amado Pai celestial! Tu nos protegeste graciosamente na noite que passou. Cada dia tua fidelidade se renova sobre nós. Tu nos preservas e amparas diariamente. Agradecemos-te de coração por isso.
Esteja conosco também neste dia. Guia-nos graciosamente através dos tempos até o dia de nossa partida para o lar celestial. Mostra-nos que teus caminhos são graça, mesmo quando não os compreendemos. Quando a cruz nos pesa e começamos a nos queixar impacientes, sê nos gracioso. Sustenta-nos nas tribulações. Levanta nossos olhos para contemplarmos tua glória, que por Jesus nos preparaste.
Pai celestial preserva-nos em tua palavra. Nos sofrimentos tu nos amparas, nos momentos de tribulação, nos fortaleces e nas tentações nos aconselhas e preservas. Quando nos encontramos em caminhos escusos, conduze-nos de volta aos teus caminhos.
Pedimos-te em favor de todos os pais cujos filhos estão em perigos de se desviarem de ti. Ouve suas orações e concede graça para que voltem.
Guarda-nos da tentação de querermos tomar nosso destino em nossas próprias mãos, escolhendo nossos próprios caminhos, comparando nossa vida com a dos irmãos, incorrendo assim na inveja, no ciúme, na vaidade e na falta de amor. Ensina-nos a levantar nossos olhos diariamente a Jesus, que nos chamou para segui-lo, no cumprimento de nossos deveres, no lugar em que nos colocaste.
Dá-nos força e coragem para falarmos do teu amor às pessoas que nos cercam e que se afastaram de ti.
Neste final de ano agradecemos-te por todas as bênçãos materiais e espirituais.
Prepara em tua graça / meu coração, Senhor, / que eu nada queira e faça / contrário ao teu amor! / Oh! vem em nós morar; / pois tu baixaste ao mundo, / em teu amor profundo, / a fim de nos salvar. (HL 8.3)
28 DE DEZEMBRO
Dia das crianças inocentes
Mateus 2.13-18.
Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José em sonho e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar (v.13).
Eterno Pai celestial! Estamos radiantes de alegria e cheios de gratidão pela boa nova que ouvimos nestes dias natalinos. Revelaste nos teu imenso amor na criança nascida em Belém da Judéia. Por meio dele a luz eterna veio ao nosso mundo.
Como teu Filho correu risco de vida e Maria e José tiveram que fugir com ele para o Egito; ainda hoje muitos pais, com seus filhos, são ameaçados pelo terror, por guerras e pela fome.
Eterno Pai celestial! Compadece-te das pessoas que são fugitivos e sem pátria. Mostra-lhes que Jesus teve a mesma sorte. Dá-nos força para sermos misericordiosos para com os que sofrem e pronto a ajudar com aquilo que graciosamente nos confiaste.
Tu deste teu Filho a este mundo miserável, para que ele, como nosso irmão, participasse de tudo o que nos oprime e nos resgataste de tudo que nos causa dor. Fortalece a todos que sofrem perseguição por causa do nome de Jesus e mostra-lhes que fazem parte da comunhão de teu Filho, o qual desde sua meninice já teve que sofrer o ódio do mundo. A todos que precisam abandonar casa e lar, faze saber que teu Filho veio o mundo como estrangeiro por nossa causa. A todos os que sofrem injustiça, aos que perderam seus filhos neste mundo cheio de dor, abre-lhes os olhos para que vejam que tu enviaste o teu Filho para que o amor vença o ódio e injustiça e que um dia toda lágrima dos nossos olhos dos teus fiéis será enxugada no teu reino.
Ao sofrer na cruz maldita, / Cristo as culpas apagou; / a minha alma triste e aflita / com sua morte consolou. / Resgatou-me, gracioso, / do poder de Satanás / para eu sempre, venturoso, / ao Senhor servir em paz. (HL 29.2)
29 de Dezembro
(ou 1º DOMINGO APÓS NATAL)
Tema da semana: Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua Palavra, porque o meus olhos já viram a tua salvação Lucas 2.29-30.
Lucas 2.33-40.
Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição (v.34).
Amado Pai celestial! Após o nascimento do teu Filho, deste teu Espírito às pessoas como a Simeão, para que reconhecessem na criança de Belém, o Salvador do mundo. Permite que possamos ver e experimentar que tu iniciaste a bem-aventurada obra da salvação em nós.
Ajuda-nos a reconhecer maravilhados e com gratidão que cumpriste tuas profecias em Cristo. Faze-nos jubilar, cantar e orar cheios de alegria pelo fato de o Salvador ter vindo ao mundo e nos preparado a eterna reconciliação contigo.
Ajuda-nos para que, nestes dias de festas, não nos desviem da mensagem principal que é Cristo. Concede reconhecermos o que Jesus significa para a humanidade, de ser ele o prometido Salvador. Tua paz é para todos e os que confiam em tua Palavra a recebem pela fé na graça de Cristo.
Tu cumpriste tuas promessas e preparaste para o mundo a salvação em Jesus Cristo. Ajuda-nos para que nos apeguemos com fé inabalável ao que tu nos ofereces e para que nos levantemos na força do nosso Salvador para uma nova vida.
Vença por teu Espírito Santo toda oposição do nosso coração, para que não nos escandalizemos na humildade figura do teu Filho, caindo da fé e perdendo-nos para sempre. Coloque nossos pés sobre o eterno fundamento que é Jesus Cristo, para que alcancemos o alvo que tu colocaste para te louvar eternamente.
Veio a nós, no triste val, / simples, em pobreza; / no seu reino celestial / nos dará grandeza.
Para nos enriquecer, / Ele se fez pobre. / Quão profundo deve ser / seu amor tão nobre. (HL 30.2,3)
30 DE DEZEMBRO
João 12.44-50.
Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. (v.46).
Amado Salvador e Senhor Jesus! Vieste a nós, malditos por causa de nossos pecados, como a luz do mundo. Agradecemos-te por nos teres iluminado para vermos tua santidade, teu amor e tua misericórdia.
Agradecemos-te por nos teres anunciado e revelado pelo anjo a paz que excede a todo o entendimento. Como nosso substituto tu cumpriste a lei, pagaste nossa dívida junto ao Pai e nos libertaste do pecado, da morte e do poder de Satanás. Ordenaste que o evangelho da paz fosse proclamado no mundo, para que todo o que crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Por esta paz somos guardados, enquanto aguardamos o dia de tua vinda em glória para julgar vivos e mortos.
Amado Salvador e Senhor Jesus! Confessamos que nem sempre temo-nos apegado com sinceridade à tua Palavra, não permitindo que nos guiasses por tua luz. Temos preferido procurar nossos próprios caminhos em trevas. Perdoa e sê nos gracioso.
Guarda-nos, para não perdermos, por nossa ingratidão, tua graciosa luz. Não permitas que sejamos ofuscados pelo brilho deste mundo passageiro e sermos condenados no dia do juízo final, o que por nossa ingratidão e incredulidade merecemos.
Preserva-nos a luz de tua salvação. Dá-nos o teu Espírito. Fortalece-nos na fé para que renunciemos a todo o pecado e te sirvamos com tua propriedade.
Assim como vivemos nestes dias entre o Natal e o Ano Novo, assim queremos viver entre tua vinda na carne em humilhação e tua vinda em glória no dia do juízo final; aqui estamos ainda sob a cruz, aguardando tua manifestação em glória.
Ó Jesus, meu Redentor, / sou aqui atribulado / pelo rude malfeitor. / Que viver atormentado! / É tão bom andar na luz / de Jesus. Amém. (HL 401.1)
31 DE DEZEMBRO
Lucas 12.35-40.
Cingidos estejam os vossos corpos e acessas as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor (v.35,36).
Onipotente e eterno Deus! Nós te agradecemos por todas as bênçãos com as quais nos acompanhaste durante este ano que finda. Estiveste conosco nos dias de alegria e de tristes. Com grande fidelidade nos dirigiste, amparaste e atraindo-nos sempre a ti em dias bons e maus.
Perdoa nossa ingratidão. Em Jesus Cristo nos colocaste o alvo eterno. Muitas vezes, no entanto, nas preocupações desta vida e pelo amor ao mundo, perdemos este alvo de vista.
Onipotente e eterno Pai! Cabe-nos confessar que ali onde deveríamos ter vigiado, dormimos; onde deveríamos ter lutado, esmorecemos. Perdoa onde fomos infiéis a ti, na família, na comunidade e na sociedade.
Não sabemos o que o futuro nos trará. Mas sabemos que tu estarás ao nosso lado para nos guardar e guiar. Se for de tua vontade, impeça a destruição da natureza e toda a brutalidade humana, bem como todo o poder de Satanás e de seus súditos. Em ti esperamos, às tuas mãos nós nos entregamos. Seja feita a tua vontade.
Fortalece a tua Igreja. Conserva-nos tua Palavra e dá-nos o teu Espírito. Permite que aguardemos com fé a volta do teu Filho, Jesus. Ajuda-nos a usarmos bem as tuas bênçãos, tempo, dons e bens no serviço a ti e ao próximo. Amém.
Oh! faze-nos em ti viver, / na fé em ti adormecer, / naquele dia despertar / e a celestial mansão herdar. (HL 56.6)
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Führe mich... Morgengebete
Herr lehre uns beten von Heinrich Riedel.
Neu bearbeitet von Christa und Hans-Lutz Poetsch.
Verlag der Luthe. Buchhandlung, Heinrich Harms. Gross Oesingen, 2003.
Tradução: Ursula R. Kuchenbecker. 2009.
1º DOMINGO NO ADVENTO.
Tema da Semana: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador. Zc 9.9.
Mateus 21.1-9.
Eis aí te vem o teu Rei, humilde (v.5).
Santo e gracioso Deus! Iniciamos, hoje, em teu nome, mais um novo ano da Igreja. Pedimos guia-nos através desse ano. Permita fazermos uso abundante dos bens espirituais que nos ofereces em tua Palavra e teus sacramentos. E que, pelo perdão dos pecados, sejamos fortalecidos na fé e possamos crescer na vida santificada.
Carecemos de tua ajuda, pois somos fracos e facilmente influenciados por aqueles que nos querem afastar de ti. Ilumina-nos pelo teu Espírito para não sermos dominados pelo espírito do mundo. Ampara e mantém-nos em tua comunhão.
Santo e gracioso Deus! O tempo de advento nos lembra que teu filho Jesus Cristo veio ao mundo e nos trouxe salvação. Ele deixou-se crucificar e ser levado à morte, por nós, para reconciliar-nos com Deus Pai, para que todo que nele confia, não pereça, mas tenha a vida eterna.
Agradecemos-te por tua grande compaixão. Fortalece-nos para que nossa vida seja um fervoroso testemunho do teu amor. Abençoa tua Igreja, e chama pelo evangelho muitos das trevas para tua maravilhosa luz.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor, concede-nos a tua Paz.
Virá julgar o mundo: / ao ímpio condenar, / mas com amor profundo / ao crente resgatar. / Oh! vem, Jesus bondoso / , a todos nós buscar / e faze ao céu glorioso /
os teus fiéis entrar. (HL 13.5)
SEGUNDA-FEIRA, após o 1° Domingo de Advento.
2 Coríntios 1.18-22.
Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio (v.20).
Fiel Senhor e Deus! Tua Palavra é a verdade. Dela sabemos que tua fidelidade e compaixão não têm fim. Tuas promessas se cumprem. Agradecemos-te, de e descansocoração, pela salvação que nos trabalhaste.
Em fé queremos responder com um vigoroso Sim ao teu amor, que nos revelaste em Cristo. Não podemos confiar em nosso coração, mas a tua Palavra é a verdade, nela podemos confiar.
Ampara-nos quando estrememos em nosso íntimo e estamos tristes. Permita que encontremos sossego em ti.
Fiel Senhor e Deus! Ajuda-nos a permanecer fiéis ao teu Evangelho, cujas principais verdades temos resumidas, no Catecismo Menor de Lutero. Falsos mestres querem nos enganar com meias verdades e promessas vazias. Guarda-nos, para não sermos jogados de um lado para outro, por qualquer vento de doutrina. Seja tua Palavra luz para nosso caminho.
Concede-nos consolo por teu perdão, prazer em teus Mandamentos e força para vivermos conforme os mesmos, para podermos proclamar o teu santo nome. Amém
Se bem-vindo, ó Salvador! / Canto glórias com fervor. / Grava no meu coração /
teu caminho justo e bom! (HL 18.3)
TERÇA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Miquéias 2.1-2, 9,12-13.
Pô-los-ei todos juntos, como ovelhas no aprisco, como rebanho no meio do seu pastor, farão grande ruído por causa da multidão dos homens (v.12).
Santo e justo Deus! Viemos a tua presença para pedir: Tem compaixão de nós pobres pecadores e do mundo decaído. A maioria das pessoas vive sem ti e desprezam teus Mandamentos. Eles estão em busca de auto-afirmação, para isso subjugam seus irmãos, aumentam a violência e a brutalidade. Por não darem ouvidos a ti, o matrimônio e a família, que tu constituíste, são dissolvidos e trazem muitas desgraças sobre a humanidade.
Mas tu és Senhor e o permaneces para sempre. Tudo está subordinado a ti. Tu colocas limites aos tiranos, quando não reconhecem seus deveres e rejeitando a tua lei.
Santo e justo Deus! Não permitas sermos contagiados pelo espírito deste mundo. E onde nós fracassamos, dá-nos contrição e disposição para voltarmos a ti.
Quando caímos em falsa segurança, acorda-nos. Reúne os dispersos de tua Comunidade. Ampara os que se debatem com dúvidas e ansiedades. Reergue-os solitários e desesperados.
Guarda teus fiéis nesses tempos do fim. Conserva-nos tua Paz, par que se sejamos fiéis até ao fim.
Oh! preparai a vida / ao Príncipe da Paz! / Só ele é nosso guia: / Auxílio e graça traz. /
A estrada endireitai! / De corações aflitos / por causa dos delitos, / ao Rei vos entregai! (HL 8.2)
QUARTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
2 Samuel 7.8-16
O Altíssimo não mora em templos feitos por mãos humanas. E eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino (v.13).
Querido Pai celestial! Agradecemos e louvamos-te pela proteção da noite. Permanece conosco também neste dia em todos nossos caminhos.
Planejamos nosso dia, mas sabemos que nem sempre permitirás as realizações. Muitas vezes não compreendemos teus caminhos para conosco. Guarda-nos na firme convicção de que a tua vontade é melhor do que nosso planejar.
Tu não permitiste ao rei Davi construir o templo em Jerusalém. Reservaste esta tarefa para seu filho, Salomão. Muito além dessa tarefa, porém, cumpriste tua promessa enviando à humanidade teu Filho unigênito, Jesus Cristo, Salvador, o descendente segundo a carne do rei Davi, e edificaste o templo eterno, tua santa Igreja, que permanece além de todos os tempos, por toda a eternidade.
Querido Pai celestial! Pelo batismo nos enxertas como pedra viva neste teu Templo. Firma-nos na fé para que te sejamos fiéis até ao fim. Teu unigênito Filho, Jesus Cristo, por sua morte expiatória na cruz, nos trouxe perdão, vida e eterna salvação. Por este teu amor, queremos te servir.
Tu queres que confessemos teu nome. Sim, seja teu nome santificado e teu reino estendido por toda a terra. Dá-nos teu Espírito Santo para que o mesmo nos guie no confessar o teu nome.
Cristo acorda minha mente; / seja todo o meu falar / para o nome teu honrar. / Quero em gratidão ardente / dedicar-te, ó bom Senhor, / minha vida em teu louvor. (HL 4.4)
QUINTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Isaías 64.1-3.
Oh! Se fendesses os céus, e descesses! (v.1)
Senhor Jesus Cristo! Tu governas com poder céus e terra. Muitas vezes não compreendemos os caminhos pelos quais nos diriges. A ti seja toda a honra e glória.
Quando estamos em dificuldades e com medo, nós te invocamos. Perguntamos por que te ocultas diante de nós? Pensamos que não nos queres ajudar mais. Suplicamos para que venhas a nós, e sabemos que vens a nós por Palavra e sacramentos. Nós, na verdade, gostaríamos sentir tua presença, mas importa que nos apeguemos à tua Palavra, quer o sintamos ou não.
Senhor Jesus Cristo! Perdoa nossa pequenez de fé. Tu sempre estás conosco, mesmo quando não sentimos nada. Tu não nos abandonas, mas estás sempre ao nosso lado. Por tua Palavra e teu sacramento, queres nos fortalecer a confiança em ti. Permita que façamos abundante uso desses meios da graça.
No tempo do Advento nós nos preparamos para celebrar teu nascimento em Belém. Tu te humilhaste e te tornaste servo, para pagar nossas culpas e salvar a humanidade.
Nós nos humilhamos diante de ti confessando nossos pecados. Confiamos em tua misericórdia. Dá-nos força para tanto por teu Santo Espírito.
Sou hospede no mundo, / não tenho aqui lugar; / anseio o meu profundo, / e a pátria eterna achar. / Não tenho aqui descanso, / vou repousar no céu; / ali do Pai alcança /
os bens que prometeu. (HL 432.1 )
SEXTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento
Hebreus 10.19-25.
Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé (v.22).
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Nós te buscamos nesta manhã. Em tua Palavra nos mostras que já abriste e preparaste o caminho a nós. Derramaste o teu santo sangue na cruz, para nos purificar de todos os pecados. Tu és o caminho, a verdade e a vida. Por meio de ti temos acesso ao coração do Pai celestial e ao reino de Deus.
Tu nos trouxeste paz. Guarda-nos de descaminhos. Faze-nos reconhecer que só o que recebemos de ti tem valor.
Senhor e Salvador nosso! Pedimos-te dá-nos força para permanecermos fiéis a ti, em verdadeira fé, para que nada nos engane.
Guarda-nos das tentações do mundo, dá-nos forças para não silenciarmos onde devemos confessar corajosamente teu santo nome.
Dá-nos teu amor para não buscarmos a satisfação do nosso próprio egoísmo em falsa segurança. Tu queres que encontremos a realização de nossa vida em ti e no servir a nosso próximo. Fortalece-nos a fé.
Louvor e glória ao grande Deus! / de graça e por bondade. / Do mal liberta os crentes seus / por toda a eternidade. / Em nós o Pai dos céus se apraz, / agora reina santa paz; / cessou a adversidade. (HL 231.1)
SÁBADO, após o 1º Domingo de Advento
Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21.
Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus (v.20).
Amado Salvador e Senhor Jesus! Gostaríamos muito de conhecer o sentido e a razão de todos os acontecimentos no céu e na terra, mas estes mistérios nos permanecem ocultos.
Nossa própria vida tem muitos enigmas que não podemos desvendar. Mas tu tens todo o poder e governas de eternidade a eternidade. Permita que estejamos voltados inteiramente a ti. Tu és o Criador e o fim de todas as coisas. Em ti encontramos segurança e ajuda em todas as situações.
Perdoa, quando em nosso pensar começamos a duvidar de tua providência.
Amado Salvador e Senhor Jesus! Prometestes voltar em breve para buscar teus fiéis para junto de ti. Aguardamos teu último advento, que nos trará libertação de todos os males.
Mantém-nos na fé. Não permitas cairmos da mesma. Suplicamos em favor de todos os fiéis. Amém, sim, vem Senhor Jesus!
A porta da minha alma / aberta deve estar; / por graça sendo salva, / quer nela o Rei entrar. / As virgens mui prudentes, / o Noivo aguardarão / pois vem o Rei das gentes, / à filha de Sião (5.4).
2º DOMINGO DE ADVENTO
Lucas 21.25-33.
Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus (v.31).
Ó eterno Senhor! Nós te agradecemos pela pregação do teu Evangelho neste domingo. Abençoa tua Palavra onde quer que ela esteja sendo lida, ouvida e, especialmente em todos os cultos. Pedimos: Abre nossos corações ao teu Evangelho, que nos anuncia teu amor em Cristo, para que o aceitemos e nos apeguemos em fé ao mesmo. Fortalece em todos nós a certeza de seres tu o Senhor dos senhores e acima de todos os poderes.
Estende tua mensagem da salvação a todos os confins da terra e permita que muitos cheguem ao conhecimento da verdade salvadora. Tu disseste que o Evangelho será pregado em todo o mundo e isto será um dos sinais dos tempos do fim. Concede-nos força para cumprirmos esta incumbência com fervor.
Eterno Senhor! Notamos que em nossos dias tuas ordens recebem cada vez menos atenção. O respeito diante de tuas instituições: matrimônio, família e Estado são cada vez menor. Cada um quer mandar, ninguém quer se submeter. Mesmo na cristandade se procura agora adaptar teu Evangelho ao espírito do mundo. A confusão aumenta e muitos são desorientados em sua fé.
Tu anunciaste os sinais dos tempos do fim. Suplicamos: Protege e guarda-nos para não cairmos da fé por infidelidade. Conserva-nos, teus eleitos, para o teu reino eterno.
Cristo volta; não sabemos / em que dia possa ser, / mas total certeza temos / que seu rosto iremos ver. / Ele fez promessa certa / que não poderá falhar. / Nossa fé esteja alerta. / Cristo não irá tardar. (HL 537.2)
SEGNDA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
Lucas 12.35-40.
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor (v.36).
Eterno Deus! Nós te agradecemos pela proteção na noite que passou e podermos ver a luz deste novo dia. Abençoa nosso trabalho para que possamos fazê-lo com alegria e não gemendo.
Esteja com nosso Governo e com todos os que têm responsabilidade em nossa pátria. Permita que reconheçam que no fim dos dias precisam prestar contas de sua administração. Abençoa nossa pátria. Impede a incredulidade e liberta, pela pregação do Evangelho, aqueles que estão nas trevas da incredulidade, de idolatrias e superstições.
Eterno Deus! Enche nossos corações com saudade pelo grande dia no qual revelarás tua glória. Nós te aguardamos.
Tu disseste que um dia teremos que comparecer diante do teu trono para juízo. Somos pecadores e culpadas, não podemos agradar-te com nossas obras. Nossa esperança está em teu unigênito Filho, Jesus Cristo, que nos remiu.
Guarda todos membros de tua Igreja de hipocrisia e de falsa segurança. Concede-nos pessoas que sejam modelos de fé. Acorda-nos, para aguardarmos esperançoso o dia, no qual teu unigênito Filho, Jesus Cristo, virá para recolher-nos ao teu reino.
Apressa o dia alegre, / congrega os teus fiéis, / e então nas nuvens desce, / ó santo Rei dos reis. / Por ti nos esperamos, / bendito Salvador, / sim, vem, com majestade, / Jesus, ó bom Senhor! (HL 528.3)
TERÇA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
2 Tessalonicenses 3.1-5.
Todavia o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do maligno (v.3).
Fiel Senhor e Deus! Agradecemos-te pela proteção que nos deste por teus santos anjos e pela paz que desfrutamos na noite que passou. Com todos os que te invocam nesta manhã te suplicamos: Abençoa o dia de hoje. Guia-nos em nossos afazeres, esteja conosco nos momentos de descanso. Guarda-nos de perigos e desastres.
Ao nos impores dificuldades, não permitas que sejamos impacientes e desanimados. Ajuda-nos a carregar e suportar as provações.
Fiel Senhor e Deus! Tua Comunidade é constantemente afrontada pelo Diabo. Ele quer nos separar de ti e impedir que te sigamos, fazendo a obra da qual nos incumbiste.
Guarda-nos para não cairmos da fé. Firma-nos na fé. Dá-nos sabedoria para utilizarmos as armas que nos deste para a luta contra Satanás. Fortalece-nos nas tentações para permanecermos fiéis e herdarmos a vida eterna.
Tem compaixão daqueles que caíram em depressão e desespero por causa de seus fracassos. Tu podes ampará-los mesmo quando a medicina não sabe mais o que fazer. Confiamos em ti. Guia-nos, por Jesus Cristo, ao lar celestial.
Teu Verbo permaneça; / o mundo há de passar! / Ninguém, jamais perece / que em ti, ó Deus confiar! / A tua poderosa mão / me guie em segurança / por trevas e aflição. (HL 314.4)
QUARTA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento.
Apocalipse 2.1-5.
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor (v. 4).
Amado Salvador Jesus! Por amor vieste ao mundo e te entregaste à morte para nos salvar e dar-nos a vida eterna. Tu nos enviaste o Espírito Santo para operar em nós fé e os frutos da fé, o amor. Agradecemos-te por isso.
Tu procuras, agora, em nós os frutos do primeiro amor. Pois teu amor nos move a servir-te conforme o teu querer. Infelizmente, nosso cristianismo é muitas vezes simples hábito. De forma que pouco pode se visto da grande alegria e do júbilo pela salvação. Em vez disso seguimos nossos interesses e estruturas da Comunidade, à qual amarramos nossa piedade. E não suportamos quando alguém, movido pelo primeiro amor, questiona nossas concepções. Sentimo-nos ameaçados e procuramos afastá-lo.
Quantas vezes houve divisões na tua Igreja, porque pessoas não suportaram os que, guiados por teu amor, levantaram a voz. Pedimos-te guarda-nos de tal hipocrisia e de doutrina falsa. Firma-nos na verdadeira fé, mesmo quando precisamos romper com tradições e costumes que amamos. Não queremos permanecer na cegueira espiritual, mas ser guiados por ti.
Amado Salvador, Jesus! Ajuda-nos a reconhecer que nossa fé é alimentada por Palavra e teus sacramentos. Fortalece-nos. Guarda-nos de leviandade e de frieza espiritual.
Protege-nos da impiedade de nosso mundo. Como mensageiros da paz ensina-nos a semear a paz ali onde imperam brigas e ódios. Conserva-nos em tua graça.
Extingue em mim cobiça vil, / me expurga de pecados mil. / De forças vem me aparelhar, / a fim de a carne eu subjugar. (HL 396.2)
QUINTA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
Marcos 13.5-13.
Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo (v.13).
Amado Pai celestial! Em teu nome iniciamos este dia. Agradecemos-te pelo mesmo. Pedimos tua bênção.
Concede que realizemos nosso trabalho com fidelidade. Concede-nos força e sabedoria para enfrentar e suportar as adversidades, alicerçados em tua palavra, para não sucumbirmos com o mundo.
Tu nos buscaste por teu Filho Jesus e nos enxertaste na comunhão de tua Igreja. Concede que nos sinta bem em tua casa. Ela nos é uma proteção contra as tentações do mundo. Pois ali vens a nós por Palavra e sacramentos.
Amado Pai celestial! Os tempos finais, como anunciaste, serão difíceis. Haverá catástrofes e as pessoas não se entenderão. Também os fiéis serão postos arduamente à prova. Não nos deixes cair em descrença, desespero, grande vergonha ou vícios. Concede-nos, conforme tua promessa, sobriedade e paciência, força e alegria para resistirmos na fé até ao fim, e herdarmos a vida eterna.
Pedimos em favor de todos os que sofrem e estão sobrecarregados. Ampara, especialmente, mulheres e crianças de lares desfeitos, os acidentados e os que foram vítimas de assaltantes. Compadece-te dos desterrados e dos que buscam refúgio, dos que estão nas garras das drogas e de outros laços de Satanás, como de doutrinas falsas.
Somente tu podes ajudar e dar-nos forças para sermos fiéis até ao fim. Tem compaixão de nós por amor a Jesus.
Oh! vigiai! O príncipe do mal, / o espírito infernal, / leão que ruge, / andando em derredor, / cruel perseguidor, / a devorar alguém procura, / privando-o eternal ventura. / Oh! vigiai! Sim, vigiai! (HL 533.3)
SEXTA-FEIRA, após o 2º Domingo no Advento
Lucas 17.20-25.
Porque o reino de Deus está dentro em vós (v.21).
Amado Salvador Jesus! Agradecemos-te, por teres nos despertado para mais este dia. Em tuas graciosas mãos depositamos tudo o que o dia trará e requer de nós.
Por tua santa Palavra e teus sacramentos, teu Reino de veio a nós. Freqüentemente, buscamos ostentação, poder e glória, como as pessoas do mundo. Tu, porém, vieste em humilhação e pobreza para servir, e estendes o teu reino pelos insignificantes meios da pregação de tua Palavra e dos sacramentos.
Não permitas que por causa do medo ou de nossa cegueira natural, demos ouvidos às tentações de teus inimigos. Abre nossos olhos para os sinais do teu poder e de tua graça. Toca nossos corações e faze habitação nos mesmos. Só assim poderemos permanecer fiéis a ti. Fortalece-nos para que te louvemos, testemunhando do teu amor.
Amado Salvador Jesus! Tem paciência conosco, como tiveste com os teus discípulos. Tua glória e teu poder são invisíveis. Jamais compreenderemos o mistério do teu governo. Infelizmente, queremos sempre ver sinais e sentir tuas manifestações, mas teu Reino da graça se encontra somente ali onde tua Palavra é anunciada e naqueles que confiam na graça de Cristo. Nós buscamos igrejas imponentes e estamos em perigos de olhar mais o exterior do que ouvir e meditar em tua Palavra.
Tu olhas os corações. Por tua graça, enche nossos corações com teu Espírito e teu amor.
Eia! Hosana! Grande Deus, / Filho de Davi, clemente! / Que a coroa e o cetro teus /
manem bênção ricamente! / Cantaremos teu louvor: / Eia! Hosana, ó Salvador! (HL 7.4)
SÁBADO, após o 2º Domingo no Advento
Apocalipse 3.14-22.
Eis que estou à porta e bato (v.20).
Jesus Cristo, Filho de Deus! Nesta manhã viemos novamente a ti para agradecer pela proteção e paz na noite que passou. Neste último dia da semana guarda-nos e protege-nos com tua graça.
Tu és nosso Sol e escudo. Não queremos esquecer que somos forasteiros e peregrinos nesta terra e de que a vida tem um objetivo. Temos medo da morte e do juízo final. Como poderemos subsistir, quando tudo o que pensamos, desejamos, falamos e fazemos será revelado?
Jesus Cristo, Filho de Deus! Fortalece-nos a fé por tua Palavra. Guarda-nos de falsa segurança e hipocrisia. Alerta nossa consciência por tua Palavra.
Tu estás diante da porta de nossos corações e bates. Permita que não a fechemos a porta, mas te recebamos sempre com alegria. Pois onde estás, ali está o perdão e o amor de Deus. Agradeço-te de todo o coração por nos teres chamado, iluminado, congregado, santificado e integrado em teu rebanho. Conserva-nos fiéis em tua graça, por teu Espírito.
Livra-nos de todos os laços do maligno que sempre quer nos dominar e permita que encontremos refúgio em ti. Fortalece-nos para que vivamos conforme tua vontade e executemos nossos bons propósitos para te honrar.
Permaneça ao nosso lado na vida e na morte e recebe-nós na glória eterna.
Desta graça, ó Cristo amado, / sou contínuo devedor. / Fui de todo penhorado /
pelo teu divino amor. / Sei que ingrato tenho sido, / mas suplico o teu perdão. / Por teu sangue fui remido – / enche-me de gratidão (HL 379.3).
3º DOMINGO NO ADVENTO
Tema: Preparai o caminho do Senhor! Eis que o Senhor Deus virá com poder. (Isaías 40.3,10)
Mateus 11.2-10.
E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço (v.6).
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Quando em tua humilhação peregrinaste pelas terras da Galiléia, muitos se escandalizaram em ti. Eles haviam-se imaginado a vinda do enviado de Deus de forma diferente. Mesmo teu antecessor, João Batista, enviou seus discípulos com a pergunta: És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro? (v.3) Na hora da provação no Getsêmani, teus discípulos te abandonaram.
Nós não somos melhores. Confessamos que somos fracos na fé. Muitas vezes, quando deveríamos estar firmes, temos fraquejado. E nos revoltamos quando nos guias por caminhos que não nos agradam.
Confessamos que temos pecado gravemente contra ti. Perdoa! Não temos nada a trazer, confiamos única e inteiramente em tua misericórdia.
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Concede-nos viver diariamente do teu Evangelho. Queremos permanecer em íntima comunhão contigo, apegando-nos com zelo à tua Palavra, vindo com freqüência à tua mesa. Só assim seremos guardados na fé, para não cairmos. Teu Santo Espírito nos fortaleça.
Prepara em tua graça / meu coração, Senhor, / que eu nada queira e faça /
contrário ao teu amor! / Oh! vem em nós morar, / pois tu baixaste ao mundo, / em teu amor profundo, / a fim de nos salvar!”(HL 8.3)
SEGUNDA-FEIRA, no 3º Domingo no Avento
Mateus 11.11-15.
Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista. Mas o menor no Reino de Céus e maior do que ele (v.11).
Senhor Jesus! Tu vieste ao nosso mundo, para nos trazer livramento e salvação. Somos pecadores e ninguém de nós está em condições de, por sua própria força, alcançar a glória. Mesmo João Batista, que te preparou o caminho, dependeu, exclusivamente, de tua graça.
Agradecemos-te por nos teres salvado. Olhamos envergonhados para os caminhos que trilhaste por nós até à cruz. Perdoa nossa culpa e concede-nos crescimento na fé em tua graça.
Senhor Jesus! Ilumina nossa vida por teu amor, para que possa transluzir através de nosso pensar, falar e agir. Abre a porta das nações à tua Palavra, para que muitos dêem atenção ao teu Evangelho e possam ser consolados e erguidos pelo mesmo.
Tu vieste à humanidade para que possamos ser filhos de Deus. Conserva-nos nesta esperança.
Vem, ó Rei da glória, / vem, eu sou teu, de mais ninguém. / Aniquila em mim o mal / por tua força divinal. (HL 18.4)
TERÇA-FEIRA, no 3º Domingo no Advento
Mateus 3.1-11.
Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? (v.7)
Amado Senhor e Deus! Nós gostaríamos de estar inteiramente voltado para a vinda em glória do teu Filho, Jesus Cristo, mas sentimos como nosso querer e bons propósitos encalham e não conseguem realizá-lo. Gostaríamos de servir-te de todo o coração, infelizmente, realizamos tão pouco.
Não entres em juízo com teus servos, perdoa os nossos pecados! Combate e destrua em nós tudo que não seja correto. Concede que nos preparemos sinceramente para o Advento do Senhor Jesus. Não permitas que façamos parte daqueles aos quais João Batista chamou de raça de víboras quem vos induziu a fugir da ira vindoura (v.7).
Senhor Jesus! Teu Espírito Santo nos fez renascer e quer-nos renovar diariamente. Renova-nos por tua força. Concede sermos testemunhas fiéis do teu amor.
Tu prometeste que a cada semeadura, seguirá a ceifa. Pedimos que tua Palavra produza em nós muitos frutos, conforme a tua vontade. Derrota todo o inço de nossos corações.
Tem compaixão de todas as pessoas que nos são próximas. Concede que todos alcancem o alvo que nos propuseste, a vida eterna.
Mesmo cheios de pecado, / em sua graça confiai; / revestidos de humildade,/ em seu reino assim entrai. / Pois a glória do Senhor / revelada é por amor, / e há de vê-la o mundo inteiro
– eis a voz do mensageiro. (HL 11.3)
QUARTA-FEIRA, no 3º Domingo no Advento
Lucas 3.10-20.
Mas Herodes o tetrarca, sendo repreendido por ele... por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito, acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere (v.19,20).
Amado Senhor Deus! Através de João Batista, orientaste teu povo Israel de outrora, sobre como agir em todas as situações da vida: odiar o pecado, abandonar a injustiça e servir um ao outro em amor e justiça. Também a nós tens concedido conhecer tua santa vontade, revelada nos teus Mandamentos. Nós te agradecemos por isso, amado Pai celestial. Infelizmente, cabe-nos confessar que apesar de tua instrução e orientação, não temos dado muita atenção à tua santa vontade, mas seguido nossos próprios caminhos. Precisamos confessar que temos desprezado teus testemunhos e conselhos. Faze-nos amar tua Palavra e teus mensageiros, pois através deles tu mesmo nos falas. Tu és reto Juiz e julgarás a todos os que desprezam tua Palavra, mas és o ajudador de todos os que se deixam disciplinar por tua Palavra e se orientam por ela. Não retires de nós a tua ajuda, amado Pai Celestial. Ampara poderosamente a todos os que sofrem por amor a tua Palavra, a qual eles proclamam.
Alerta, atormentados, / o Rei Jesus chegou. / De nós, seus bem amados, / há muito se lembrou. / A morte e seu horror / jamais nos ameaça, / pois somos já, por graça, / o povo do Senhor. (HL 9.4)
QUINTA-FEIRA, após o 3º Domingo no Advento
João 1.6-9, 15-16.
Porque todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça (v.16).
Senhor Jesus! Tu és a Luz que veio ao mundo. Trouxeste riqueza à nossa pobreza, e a presença de tua graça ao nosso abandono. Tu nos tornes filhos do Pai celestial e nos concedes vida nova.
O evangelista João tomou da riqueza de tuas bênçãos e nos guia a ela para termos parte desta salvação. Agradecemos-te por teu amor, que nos traz salvação e livramento.
Senhor Jesus! Faze com que tua obra avance no mundo por tua Palavra divina, pelo milagre do Batismo que instituíste, pelo divino mistério do teu corpo e sangue que nos ofereces como alimento. Ensina-nos e a muitos por teu Santo Espírito a usufruir diariamente deste tesouro.
Queremos agradecer-te pela salvação, testemunhando e guiando muitos outros a tua graça salvadora. Prepara-nos para sermos portadores de tua luz, pela qual outros possam encontrar-te.
Compadece-te dos doentes e solitários. Tem compaixão de todos que esperam por tua salvação.
Do céu a Luz apareceu, / novo brilho ao mundo deu; / fulgura em nós e nos conduz / das trevas para a eterna luz. Kyrieleis! (HL 35.3)
SEXTA-FEIRA, após o 3º Domingo no Advento
João 1.29-34.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (v.29).
Eterno Deus e Pai! Enviaste João Batista para preparar o caminho para Jesus. Ele mostrou aos homens, do seu tempo, os seus pecados, advertindo-os a respeito do juízo que pairava sobre eles. Suas palavras também valem a nós.
João Batista apontou para Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, que por seu sacrifício pagou completamente pelos pecados da humanidade e a reconciliou contigo, ó Pai. Permitiste que esta consoladora mensagem nos erguesse também. Somente pela fé em Cristo temos perdão dos pecados e nos tornamos cidadãos do reino celestial.
Faça com que demos sempre atenção a esta mensagem. Guarda-nos de darmos atenção a outros programas e propostas que querem nos desviar da única coisa necessária, tua graça.
Eterno Deus e Pai! Teu Filho nos trouxe a paz que excede a todo o entendimento. Por causa dele estás conosco com teu amor. Queremos agradecer-te diariamente por isso.
Permita que, através de tua Palavra, possamos reconhecer sempre tua graciosa vontade e seguir a Cristo na força do Espírito Santo. Apesar de nossa fraqueza, queremos agradecer e louvar-te.
Pedimos em favor de todos os que são levianos ou inimigos teus, que odeiam tua Igreja. Traze-os pelo poder da graça de Cristo ao conhecimento da verdade para que te adorem com todos os santos.
Ao sofrer na cruz maldita, / Cristo as culpas apagou; / a minha alma triste e aflita / com sua morte consolou. / Resgatou-me, gracioso, / do poder de Satanás / para eu sempre, venturoso,
ao Senhor servir em paz. (HL 29. 2)
SÁBADO, 3º Domingo no Advento
Lucas 7.29-35.
Todo o povo que o ouviu, e até os publicanos, justificaram a Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; mas os fariseus e os intérpretes da lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele (v. 29,30).
Senhor Jesus! Deste-nos mais um dia. Por tua graça divina acordamos. Louvado sejas.
Acorda também nossos corações e nossa consciência, para que compreenda a seriedade de tua Palavra. Muitas vezes achamos que já conheço e compreende tua Palavra e não nos importo com o teu sério chamado.
Em tua Palavra nos dizes que os que parecem estar longe de tua Palavra, estão perto e muitos que julgam estar perto de ti, estão longe.
Senhor Jesus! Ilumina nosso pensar e fazer por tua Palavra. Se encontrares ali justiça própria e falta de confiança em ti, perdoa.
Faze com que confiemos inteiramente em tua graça. Concede-nos ânimo para confessar-te nossos pecados, mesmo que isso venha a prejudicar nosso nome junto a amigos e vizinhos.
Cria em mim, ó Deus um coração novo,... Restitui-me a alegria da tua salvação (Sl 51.10-12).
O tempo se cumpriu. / Por Deus eis-nos aceitos! / Pois Cristo satisfez / a Lei e seus preceitos, / e em todo o seu viver / humilde nos serviu; / Deus já proclama a paz: / O tempo se cumpriu. (HL 34. 4)
4º DOMINGO NO ADVENTO
Tema: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, eu Salvador. Lc 1.46,47
João 1.19-28.
Então ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías (v. 23).
Misericordioso Deus e Pai! Através de todos os acontecimentos neste mundo, preparas o caminho para teu Filho, Jesus Cristo. Vemos isto, diariamente, em tua santa Palavra. Agradecemos-te por isso!
Anunciaste a vinda do Salvador ao mundo através do teu servo João Batista. Ele chamou ao arrependimento e à conversão. Dá com que seu testemunho seja preservado em tua Igreja, preparando o caminho para o teu Filho em nossos corações.
Vemos que a pregação de teus servos, da mensagem salvadora de Jesus Cristo, encontra pouca atenção. Nosso povo está espiritualmente endurecido e não se interessada pela salvação. Mas tu podes, por teu Espírito, gerar vida nova em terra seca. Pedimos-te por isso neste tempo de Advento.
Misericordioso Deus e Pai! Prepara o caminho para teu Filho, Jesus Cristo, em nossos corações, a fim de sermos governados por ele, por sua vontade e sua misericórdia.
Tu queres que renunciemos ao pecado e nos afastemos de tudo o que te desagrada. Afasta de nós tudo o que possa impedir a vinda do teu reino a nós. Quebra tu mesmo as trancas em nós que estão impedindo tua entrada. Venha, ó Senhor, com todo o teu poder e vence nossas trevas com a tua eterna luz.
Vem, ó Rei da glória, vem, / eu sou teu, de mais ninguém. / Aniquila em mim o mal / por tua força divinal. (18.4)
SEGUNDA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Isaías 45.1-8.
Destilai, ó céus, dessas alturas e as nuvens chovam justiça; abra-se a terra e produza a salvação, e juntamente com ela brote a justiça; eu, o Senhor, as criei (v. 8).
Senhor e Salvador! Tu governas o mundo de forma maravilhosa e com poder. Tudo está ao dispor de tua glória. Serviste-te de um rei ímpio para destruir o reino babilônico e libertar Jerusalém.
Onde atuas, ali as portas se abrem e as trancas de ferro são quebradas. Os tesouros secretos e tuas jóias ocultas, tu as distribuis a quem queres. Todos os poderes, bons e maus, estão em tuas mãos. Tu os usas para os teus objetivos, e todos precisam te obedecer.
Senhor e Salvador! Tu dás a paz e concedes ao mundo a salvação. Tu edificas tua comunidade e aplainas o caminho para o teu reino. Tu és a luz que brilhas em meio a nossas trevas.
Clamamos com o profeta Isaías: Faze os céus destilar das alturas e as nuvens chover justiça. Abra-se a terra e produza a salvação. Traze-nos a tua salvação. Teu amor nos desperte para uma nova vida espiritual.
Vem a nós e ergue em nosso meio teu reino de justiça que nos salva.
Tal como o orvalho sobre a flor, / vem hoje a nós, o Salvador. / Vós, nuvens, com frescor trazei / para Israel seu grande Rei. (HL 3.2)
TERÇA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
1 Coríntios 2.6-10.
Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outra oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória (v.7).
Senhor Jesus! Agradecemos-te por nos teres levado à fé, que não está firmada em sabedoria humana, mas em tua misericórdia. Já antes da fundação do mundo, planejaste dar e conceder-nos participação em tua glória. Louvado sejas eternamente.
Tua intenção estava oculta na humilde manjedoura e sob o escândalo da cruz. Nenhuma mente humana pode desvendar este mistério, caso contrário, não te teriam perseguido e crucificado.
Senhor Jesus! Concede nos teu Santo Espírito para reconhecermos, teu maravilhoso desígnio de nossa salvação, aceitando a em fé e amando tua graciosa e oculta sabedoria. Tu és o todo poderoso Criador e mantenedor de todas as coisas, mesmo assim te humilhaste profundamente, ocultando tua majestade, vindo a nós em forma de servo, como nenê, deitado na manjedoura, a fim de nos salvar. Aquilo que nenhum olho viu e nenhum ouvido ouviu e jamais alguém pensou, tu preparaste para aqueles que te amam.
Permite pertencermos ao grupo dos teus eleitos.
Vê, minha alma, a maravilha! / Vem a ti, teu Salvador; / tão profundo é seu amor: / pelo pecador se humilha. / Eis na gruta a repousar / quem o mundo vai salvar. / Que alegria, oh! que alegria, / Cristo o mal de nós desvia. / Que ventura, oh! que ventura:
Cristo é o Sol da graça pura. (HL 27.2)
QUARTA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Marcos 3.31-35.
Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão e mãe (v.35).
Senhor Jesus Cristo! Tu vieste para fazer de nós teus irmãos e tuas irmãs. Abriste-nos a porta para a casa do teu Pai celestial. Todos os que confiam em tua graça e te querem seguir são bem-vindos.
Agradecemos-te, por nos teres chamado a tua igreja, a comunhão dos santos. Sabemos que não foi o nosso querer e fazer, mas tua graça nos achou.
Senhor Jesus Cristo! Ensina-nos reta obediência. Não permitas que nós nos escandalizarmos em ti quando nos dirigires por caminhos que não entendemos. Mesmo tua mãe teve que aprender a reconhecer-te melhor, como Filho do Pai celestial. Por isso pedimos-te, firma nos na fé e mantém nos até ao fim.
Neste santo tempo de Advento no qual nós nos preparamos para tua vinda, abre-nos os olhos para teu grande amor.
Ampara-nos, teus irmãos. Pois por amor a ti, teu onipotente Pai nos recebe como queridos filhos.
Mas eu, teu servo bem menor, / suplico sempre com fervor: / Jesus, te quero muito bem,
sou fraco, em meu socorro vem. Aleluia! (HL 23.5)
QUINTA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Romanos 1.1-7.
Paulo, servo de Jesus Cristo chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi, e foi
designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de Santidade (v.1,3-4).
Senhor, nosso Salvador, nós te agradecemos por teres enviado teus apóstolo ao mundo.
Eles proclamaram teu evangelho, cheios do Espírito Santo. O que os profetas anunciaram, se cumpriu ao pé da letra. Tu és o verdadeiro Deus, vieste na força do Espírito como verdadeiro homem, da descendência de Davi. Tu morreste por nós e ressuscitaste dos mortos. Tu nos salvaste e nos tornaste propriedade tua, pela fé na graça de Cristo.
Senhor, nosso Salvador, nós te agradecemos, por pertencermos à comunhão dos santos, que te louvam das diversas nações. Nós te agradecemos pela vida, que tu nos trouxeste. Nós nos alegramos pelos dons da graça, que concedeste à tua igreja na terra.
Suplicamos te firma-nos como pedras vivas na construção de tua igreja. Concede que muitos ainda sejam convertidos a ti, Salvador de nossas almas.
Vem e completa tua obra que iniciaste em nós.
Oh! dá teu Verbo por milhares / de evangelistas sob o teu poder. / É necessário os ajudares; / faze-os império de Satã vencer / e em todo o mundo / o Verbo propagar
para o teu santo nome / assim honrar. (HL 333.3)
SEXTA-FEIRA, após o 4º Domingo no Advento
Jo 19.25-27.
Vendo Jesus sua mãe, e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis ao o teu Filho. Depois disse aos discípulos: Eis aí, tua mãe (v. 26,27).
Misericordioso Senhor Jesus! Lembramos o momento em que tua mãe estava ao pé da cruz. Ela foi a serva escolhida e agraciada pela qual vieste ao mundo, nascendo em Belém, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ela é a mãe das dores, cuja alma foi traspassada pela espada.
Nela tu ergueste uma imagem para tua santa Igreja. Ela se regozijou na graciosa visitação que lhe foi conferida. Ela sofreu contigo e te seguiu.
Misericordioso Senhor Jesus! Confiaste tua mãe aos cuidados do discípulo João. Concede-nos amor e fidelidade à tua Igreja. Dá-nos força para que te sirvamos com alegria e obediência, e que tua santa e derradeira vontade esteja sempre diante de nossos olhos, para andarmos unânimes na fé e no amor diante do mundo, como uma nova e santa geração e sejamos encontrados como teus discípulos. Dá, ó Senhor, que tua santa igreja, adornada e preparada com os dons da tua graça, te receba como tua noiva. A ti invocamos em fé esperançosa e clamamos a ti com todos fiéis na terra: Venha logo, Senhor e ouça-nos.
Cantemos glória ao Salvador, / ao Pai e ao Santo Ensinador. / Rendamos ao triúno Deus / louvor eterno lá nos céus. (HL 375.7)
24 DE DEZEMBRO
Romanos 5.12,15,17-21.
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens, para justificação que dá vida (v. 18).
Onipotente e misericordioso Pai celestial! Sobre nós, pobres pecadores, paira, desde a queda de Adão e Eva, a maldição do pecado e a morte. Estamos, por sermos pecadores, com toda a humanidade, diante da porta fechada do paraíso, desejosos de paz.
Tu enviaste teu Filho unigênito, e revelaste nele tua profunda compaixão para com a humanidade. Por sua paixão e morte, Jesus extinguiu a velha maldição e nos abriu a porta do céu.
Onipotente e misericordioso Pai celestial! Fizeste Cristo nascer da virgem Maria, que foi obediente a ti até a morte de cruz. Pelo Filho podemos chegar novamente a ti. Tu convidas a todos, que andam na sombra da morte, a vir a teu Filho, que se tornou nosso irmão, para, por arrependimento e fé em sua graça, receberem a adoção de filhos. Governa-nos com tua graça pela qual temos perdão dos pecados e a vida eterna.
O paraíso aberto está, / e o querubim dos céus / a entrada não mais vedará. / Bendito seja Deus, / bendito seja Deus! (HL 31.6)
25 DE DEZEMBRO – NATAL
Lc 2.1-14.
O anjo, porém, lhe disse: Não temais: Eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador (v.10-11).
Onipotente Deus, Pai celestial! Nós te bendizemos, porque mandaste teu Filho como Salvador da humanidade. Ele veio para nos salvar e reconciliar contigo, ó Pai.
Contemplamos este misterioso milagre que nossa razão não compreende. Cabe-nos somente agradecer e ajoelhar com os pastores em profunda adoração.
Ó onipotente, santo e majestoso Deus, nesta criança tu te aproximaste de nós pecadores. Estremecemos como os pastores dos campos de Belém. Tu, porém, nos tiras o medo e nos consolas com a mensagem do anjo: Não temais!
Onipotente Deus, Pai celestial! Teu Filho se humilhou tão profundamente, descendo para nossa miséria, para nos libertar de todas as necessidades e curar todas nossas enfermidades.
Ele veio para a noite deste mundo, para trazer a brilhante luz celestial. Ele se tornou pobre, para nos enriquecer.
Nossa razão é incapaz de captar este mistério do amor, que através de Jesus, o filho de Maria, nos tornas teus filhos. Por tua graça somos justificados e recebemos a vida eterna, que tua graça agora nos governe. Pela fé renascemos e temos parte na nova vida, por Cristo, nosso Senhor.
Mil aleluias cantarei / e alegremente exultarei; / nos céus melhor ressoarão e nunca mais silenciarão. Aleluia. (HL 23.8)
26 DE DEZEMBRO
Dia o mártir Estevão
Lucas 2.15-20.
Voltaram então os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado (v.20).
Senhor Deus, Pai das luzes! Fizeste nascer um novo um dia após a escuridão da noite. Nós te adoramos. Louvamos-te porque também fizeste resplandecer, por teu Filho Jesus Cristo, a tua eterna luz neste mundo em trevas.
Agradecidos nos ajoelhamos em fé diante da manjedoura em Belém, para meditar sobre o mistério da humanação do teu Filho, Jesus Cristo. Ele, o eterno Deus, veio ao mundo, tornando-se nosso irmão na carne, para que nós pudéssemos voltar a ti, ó Pai, ao celeste lar, pela fé na graça de Cristo.
Senhor Deus, Pai das luzes! Ajuda-nos a dar ouvidos ao evangelho de Natal e confiar plenamente nesta verdade. Mostra-nos como as profecias, que testemunham do teu amor a nós, se cumpriram em Jesus.
Concede que ouçamos com fé tua Palavra, meditando nela como Maria. Concede que, como os pastores, creiamos, adorando agradecidos a ti.
Move-nos, para proclamarmos o que ouvimos e vimos nestes dias festivos.
Triúno e santo Deus, / a ti pertencerei, / e com os atos meus / honrar-te deverei. / Por graça mui bendita, / em mim, ó Deus, habita; / e o teu amor clemente / refulge em minha mente. / Feliz eu sou / por seres meu, / sendo eu somente teu. (HL 160.4)
27 DE DEZEMBRO
dia do apóstolo João
João 21.19-24.
Vendo-o, pois, Pedro, perguntou a Jesus: E quando a este? Respondeu-lhe Jesus: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?quanto a ti, segue-me. (v.21,22)
Amado Pai celestial! Tu nos protegeste graciosamente na noite que passou. Cada dia tua fidelidade se renova sobre nós. Tu nos preservas e amparas diariamente. Agradecemos-te de coração por isso.
Esteja conosco também neste dia. Guia-nos graciosamente através dos tempos até o dia de nossa partida para o lar celestial. Mostra-nos que teus caminhos são graça, mesmo quando não os compreendemos. Quando a cruz nos pesa e começamos a nos queixar impacientes, sê nos gracioso. Sustenta-nos nas tribulações. Levanta nossos olhos para contemplarmos tua glória, que por Jesus nos preparaste.
Pai celestial preserva-nos em tua palavra. Nos sofrimentos tu nos amparas, nos momentos de tribulação, nos fortaleces e nas tentações nos aconselhas e preservas. Quando nos encontramos em caminhos escusos, conduze-nos de volta aos teus caminhos.
Pedimos-te em favor de todos os pais cujos filhos estão em perigos de se desviarem de ti. Ouve suas orações e concede graça para que voltem.
Guarda-nos da tentação de querermos tomar nosso destino em nossas próprias mãos, escolhendo nossos próprios caminhos, comparando nossa vida com a dos irmãos, incorrendo assim na inveja, no ciúme, na vaidade e na falta de amor. Ensina-nos a levantar nossos olhos diariamente a Jesus, que nos chamou para segui-lo, no cumprimento de nossos deveres, no lugar em que nos colocaste.
Dá-nos força e coragem para falarmos do teu amor às pessoas que nos cercam e que se afastaram de ti.
Neste final de ano agradecemos-te por todas as bênçãos materiais e espirituais.
Prepara em tua graça / meu coração, Senhor, / que eu nada queira e faça / contrário ao teu amor! / Oh! vem em nós morar; / pois tu baixaste ao mundo, / em teu amor profundo, / a fim de nos salvar. (HL 8.3)
28 DE DEZEMBRO
Dia das crianças inocentes
Mateus 2.13-18.
Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José em sonho e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar (v.13).
Eterno Pai celestial! Estamos radiantes de alegria e cheios de gratidão pela boa nova que ouvimos nestes dias natalinos. Revelaste nos teu imenso amor na criança nascida em Belém da Judéia. Por meio dele a luz eterna veio ao nosso mundo.
Como teu Filho correu risco de vida e Maria e José tiveram que fugir com ele para o Egito; ainda hoje muitos pais, com seus filhos, são ameaçados pelo terror, por guerras e pela fome.
Eterno Pai celestial! Compadece-te das pessoas que são fugitivos e sem pátria. Mostra-lhes que Jesus teve a mesma sorte. Dá-nos força para sermos misericordiosos para com os que sofrem e pronto a ajudar com aquilo que graciosamente nos confiaste.
Tu deste teu Filho a este mundo miserável, para que ele, como nosso irmão, participasse de tudo o que nos oprime e nos resgataste de tudo que nos causa dor. Fortalece a todos que sofrem perseguição por causa do nome de Jesus e mostra-lhes que fazem parte da comunhão de teu Filho, o qual desde sua meninice já teve que sofrer o ódio do mundo. A todos que precisam abandonar casa e lar, faze saber que teu Filho veio o mundo como estrangeiro por nossa causa. A todos os que sofrem injustiça, aos que perderam seus filhos neste mundo cheio de dor, abre-lhes os olhos para que vejam que tu enviaste o teu Filho para que o amor vença o ódio e injustiça e que um dia toda lágrima dos nossos olhos dos teus fiéis será enxugada no teu reino.
Ao sofrer na cruz maldita, / Cristo as culpas apagou; / a minha alma triste e aflita / com sua morte consolou. / Resgatou-me, gracioso, / do poder de Satanás / para eu sempre, venturoso, / ao Senhor servir em paz. (HL 29.2)
29 de Dezembro
(ou 1º DOMINGO APÓS NATAL)
Tema da semana: Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua Palavra, porque o meus olhos já viram a tua salvação Lucas 2.29-30.
Lucas 2.33-40.
Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição (v.34).
Amado Pai celestial! Após o nascimento do teu Filho, deste teu Espírito às pessoas como a Simeão, para que reconhecessem na criança de Belém, o Salvador do mundo. Permite que possamos ver e experimentar que tu iniciaste a bem-aventurada obra da salvação em nós.
Ajuda-nos a reconhecer maravilhados e com gratidão que cumpriste tuas profecias em Cristo. Faze-nos jubilar, cantar e orar cheios de alegria pelo fato de o Salvador ter vindo ao mundo e nos preparado a eterna reconciliação contigo.
Ajuda-nos para que, nestes dias de festas, não nos desviem da mensagem principal que é Cristo. Concede reconhecermos o que Jesus significa para a humanidade, de ser ele o prometido Salvador. Tua paz é para todos e os que confiam em tua Palavra a recebem pela fé na graça de Cristo.
Tu cumpriste tuas promessas e preparaste para o mundo a salvação em Jesus Cristo. Ajuda-nos para que nos apeguemos com fé inabalável ao que tu nos ofereces e para que nos levantemos na força do nosso Salvador para uma nova vida.
Vença por teu Espírito Santo toda oposição do nosso coração, para que não nos escandalizemos na humildade figura do teu Filho, caindo da fé e perdendo-nos para sempre. Coloque nossos pés sobre o eterno fundamento que é Jesus Cristo, para que alcancemos o alvo que tu colocaste para te louvar eternamente.
Veio a nós, no triste val, / simples, em pobreza; / no seu reino celestial / nos dará grandeza.
Para nos enriquecer, / Ele se fez pobre. / Quão profundo deve ser / seu amor tão nobre. (HL 30.2,3)
30 DE DEZEMBRO
João 12.44-50.
Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. (v.46).
Amado Salvador e Senhor Jesus! Vieste a nós, malditos por causa de nossos pecados, como a luz do mundo. Agradecemos-te por nos teres iluminado para vermos tua santidade, teu amor e tua misericórdia.
Agradecemos-te por nos teres anunciado e revelado pelo anjo a paz que excede a todo o entendimento. Como nosso substituto tu cumpriste a lei, pagaste nossa dívida junto ao Pai e nos libertaste do pecado, da morte e do poder de Satanás. Ordenaste que o evangelho da paz fosse proclamado no mundo, para que todo o que crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Por esta paz somos guardados, enquanto aguardamos o dia de tua vinda em glória para julgar vivos e mortos.
Amado Salvador e Senhor Jesus! Confessamos que nem sempre temo-nos apegado com sinceridade à tua Palavra, não permitindo que nos guiasses por tua luz. Temos preferido procurar nossos próprios caminhos em trevas. Perdoa e sê nos gracioso.
Guarda-nos, para não perdermos, por nossa ingratidão, tua graciosa luz. Não permitas que sejamos ofuscados pelo brilho deste mundo passageiro e sermos condenados no dia do juízo final, o que por nossa ingratidão e incredulidade merecemos.
Preserva-nos a luz de tua salvação. Dá-nos o teu Espírito. Fortalece-nos na fé para que renunciemos a todo o pecado e te sirvamos com tua propriedade.
Assim como vivemos nestes dias entre o Natal e o Ano Novo, assim queremos viver entre tua vinda na carne em humilhação e tua vinda em glória no dia do juízo final; aqui estamos ainda sob a cruz, aguardando tua manifestação em glória.
Ó Jesus, meu Redentor, / sou aqui atribulado / pelo rude malfeitor. / Que viver atormentado! / É tão bom andar na luz / de Jesus. Amém. (HL 401.1)
31 DE DEZEMBRO
Lucas 12.35-40.
Cingidos estejam os vossos corpos e acessas as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor (v.35,36).
Onipotente e eterno Deus! Nós te agradecemos por todas as bênçãos com as quais nos acompanhaste durante este ano que finda. Estiveste conosco nos dias de alegria e de tristes. Com grande fidelidade nos dirigiste, amparaste e atraindo-nos sempre a ti em dias bons e maus.
Perdoa nossa ingratidão. Em Jesus Cristo nos colocaste o alvo eterno. Muitas vezes, no entanto, nas preocupações desta vida e pelo amor ao mundo, perdemos este alvo de vista.
Onipotente e eterno Pai! Cabe-nos confessar que ali onde deveríamos ter vigiado, dormimos; onde deveríamos ter lutado, esmorecemos. Perdoa onde fomos infiéis a ti, na família, na comunidade e na sociedade.
Não sabemos o que o futuro nos trará. Mas sabemos que tu estarás ao nosso lado para nos guardar e guiar. Se for de tua vontade, impeça a destruição da natureza e toda a brutalidade humana, bem como todo o poder de Satanás e de seus súditos. Em ti esperamos, às tuas mãos nós nos entregamos. Seja feita a tua vontade.
Fortalece a tua Igreja. Conserva-nos tua Palavra e dá-nos o teu Espírito. Permite que aguardemos com fé a volta do teu Filho, Jesus. Ajuda-nos a usarmos bem as tuas bênçãos, tempo, dons e bens no serviço a ti e ao próximo. Amém.
Oh! faze-nos em ti viver, / na fé em ti adormecer, / naquele dia despertar / e a celestial mansão herdar. (HL 56.6)
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Devoções de Advento. Novo Testamento
1 Advento. Textos do Novo Testamento
Dizei à filha de Sião? Eis ai te vem o teu Rei humilde (Mt 25.5).
Advento é tempo de espera, no qual aguardamos a chegada de alguém. Um tempo de preparo para recebermos o esperado, o Salvador prometido, Jesus. O tempo de advento se divide em dois períodos distintos de espera. O primeiro advento iniciou quando Deus prometeu um Salvador a Adão e Eva, após a queda em pecado. Desde lá, muitos aguardavam a vinda do Salvador. Ao nascer o primeiro filho, Eva pensou que já fosse o Salvador. Ela exclamou: Adquiri um varão, o Senhor! (Gn 4.4) (ou: adquiri um varão com o auxílio do Senhor). Ela expressou sua fé, mesmo tendo-se enganado quando ao tempo e a pessoa. Profetas anunciaram detalhes sobre a vinda do Salvador. Infelizmente, durante o longo tempo de espera, muitas pessoas cansadas de esperar, tentadas por Satanás, atraídas pelo mundo, e devido sua fraqueza carnal, não perseveraram, caíram da fé, voltando à incredulidade.
A promessa se cumpriu quatro mil anos após, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias e depois a Maria, a respeito do nascimento de João Batista e de Jesus. O apóstolo Paulo o descreveu assim: Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou o seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei (Gl 4.4).
Todas as profecias com respeito ao nascimento do Salvador se cumpriram nos mínimos detalhes. O Salvador veio conforme prometido. Padeceu, sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos no terceiro dia. Assim reconciliou a humanidade com Deus. E quem confia nesta graça de Cristo, tem perdão dos pecados, comunhão com Deus e a vida eterna.
Após a ascensão de Jesus, quando os discípulos ainda estavam com os olhos fitos no céu, eis que um anjo se colocou ao lado deles e lhes disse: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Este Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá de modo como o vistes subir (At 1.11). Aqui começa o segundo advento. Os cristãos esperam a segunda vinda de Cristo ao mundo. Quando Jesus virá, não mais em humilhação, mas em glória para julgar vivos e mortos. A Bíblia tem muito a dizer sobre esta segunda vinda. Virá como ladrão de noite (1 Ts 5.2). Todos os mortos ressuscitarão (2 Co 4.14). Céus e terra se desfarão em fogo (2 Pe 3.12). Todos serão julgados conforme o bem ou o mal que fizeram (Mt 24.31; At 17.31). Os que confiaram em Jesus como seu Salvador, estarão à direita de Jesus e serão convidados por ele para entrarem no novo céu e na nova terra, onde habitará justiça eternamente; os que o rejeitaram, estarão à sua esquerda, e serão condenados ao fogo eterna. Após o julgamento, Jesus criará o novo céu e a nova terra, onde habitará justiça (2 Pe 3.13).
2 Advento
Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou o se Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgata os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos (Gl 4.4,5).
Quando veio o tempo determinado, preparado por Deus, Deus enviou seu filho unigênito ao mundo. Este tempo certo foi cuidadosamente preparado por Deus. Passaram-se quatro mil anos desde a primeira promessa feita a Adão e Eva. Durante esse tempo, Deus enviou muitos profetas para anunciarem o nascimento do Salvador.
Aproximadamente dois mil anos após a criação, ou hum mil e setecentos e cinco anos antes de Cristo (a.C.), Deus escolheu Abraão para, de sua descendência, formar o povo de Israel. Este povo, chamado povo de Deus, do qual viria o Salvador da humanidade, deveria proclamar ao mundo continuamente a palavra de Deus, chamando ao arrependimento e à fé no Salvador prometido.
Os judeus foram muitas vezes desobedientes a Deus e não cumpriram fielmente sua missão. Deus teve que castigar o povo muitas vezes, para acordá-lo do seu sono no pecado. Eles foram levados ao cativeiro e dispersos entre as nações. Na dispersão fundaram sinagogas e tornaram o único e verdadeiro Deus e sua promessa de salvação conhecida no mundo. Pelos impérios que Deus ergueu como o persa, o grego e o romano, Deus preparou o mundo para a vinda do Salvador. Os gregos uniram as civilizações da Ásia, Europa e África e estabeleceram uma língua universal. Roma fez do mundo um só império e abriu estradas, tornando todos os pontos do império facilmente acessível (Halley).
Naquele tempo, conforme a profecia, reinava grande escuridão espiritual em Israel. O último profeta enviado a Israel foi Malaquias, 440 anos antes de Cristo. Passaram quatrocentos anos sem que Deus se manifestasse a Israel por profetas. O povo só podia se apegar à palavra escrita. Assim surgiram as sinagogas. Os escribas eram encarregados de copiar o Antigo Testamento e explicá-lo ao povo. Os fariseus, uma classe que surgiu durante o tempo dos Macabeus. Eles se dedicavam à tarefa de zelar pela pureza do ensino e o cumprimento da lei. Eles eram bem intencionados, mas com o tempo eles deram demasiada ênfase à lei, obscurecendo o verdadeiro ponto da Escritura, a boa nova da salvação. Eles foram repreendidos por Jesus. Nesse tempo, em oposição aos fariseus, surgiram também os saduceus, uma seita bem liberal que não acreditavam na imortalidade da alma, nem em anjos, nem na ressurreição. Assim, apesar de todo o esplendor do culto cerimonial, reinava grande cegueira espiritual em Israel. A palavra de Deus era lida e memorizada, mas interpretada erradamente.
Nessa época, a Judéia era governada pelo rei Herodes, um edomita, descendentes de Esaú (39 a.C. – 4 AD). Ele conquistou o favor do imperador romano, que o nomeou rei da Judéia. Herodes era homem bruto e cruel. Mandara matar sua própria esposa Mariane, que era piedosa, e alguns de seus filhos. Para conquistar o favor dos judeus, mandou reformar, ampliar e embelezar o templo em Jerusalém.
Apesar de todas essas trevas espirituais que reinavam em Israel e mesmo entre os judeus dispersos no mundo, havia ainda um pequeno rebanho de fiéis que confiava nas promessas, esperava e orava pela vinda do Salvador.
Hoje vivemos tempos semelhantes. A palavra de Deus é proclamada no mundo inteiro. Todos têm acesso a ela pelos meios de comunicação. Infelizmente, as muitas interpretações errôneas da Escritura, geram confusão. Mas há um pequeno rebanho de fiéis que aguarda a gloriosa vinda de Cristo. Ele virá como ladrão de noite, inesperadamente para julgar vivos e mortos. Por isso é hora de despertarmos do sono. Vai alta à noite e vem chegando o dia (Rm 13.11-14).
3 Advento
Houve um sacerdote chamado Zacarias, do trono de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão, e se chamava Isabel (Lc 1.5).
Apesar da grande incredulidade que reinava em Judá, mesmo assim, havia em Israel os que confiavam na palavra de Deus e esperavam ansiosamente pela vinda do Salvador.
Houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Zacarias era sacerdote descendente de Arão. Ele pertencia à oitava turma das 24 turmas sacerdotais (2 Cr 24.10). Eles se revisavam semanalmente nos serviços do templo, servindo cada turno duas semanas por ano. Zacarias não pertencia à alta classe dos sacerdotes, que residiam em Jerusalém. Ele morava numa cidade de Judá. O evangelista não achou importante mencionar com exatidão o lugar. Ele fazia os diversos trabalhos no templo. Uma das tarefas mais nobres era a de queimar o incenso. Isto acontecia duas vezes ao dia, de manhã cedo e ao anoitecer (Ex 30.7,8; Sal 141,2).
Zacarias, o nome significa: Jeová se lembrou. Isabel era o nome de sua mulher, e significa: pacto, Deus é fiel. Eles eram justos diante de Deus, isto é, confiavam na esperança de Israel, a vinda do Salvador. Sua justiça não consistia em obras próprias, mas na confiança na graça do Salvador. Portanto, Zacarias e sua mulher eram pessoas de fé. Punham sua esperança no Salvador prometido. Dali brotava a vida piedosa, pois viviam irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor.
A fé deste casal foi arduamente provada por Deus, que lhes impôs uma pesada cruz. Não tinham filhos. Não ter filhos em Israel era considerado uma desgraça, por isso eles suplicavam a Deus dia e noite, pela bênção de terem filhos. Deus atendeu a oração de Zacarias e Isabel, mas à sua maneira. Eles já eram avançados em idade, então Deus lhes revelou o seu plano. Ele os escolhera para serem os pais do grande precursor de Jesus, João Batista.
Naquele tempo havia grande expectativa de que as profecias a respeito da vinda do Messias estavam por se cumprir.
Historiadores daquela época como Joséfus, Tácito e Suetônio relatam que havia uma expectativa geral pela vinda do Messias. Alguns se baseavam nas profecias de Daniel das “70 semanas”. (Dn 9.24-27) O povo interpretava as semanas como anos, isto é, 490 anos a partir da data da reconstrução do tempo, que se deu em 457 antes de Cristo.
O que será que passava na alma de Zacarias quando estava orando diante do altar de incenso? Sem dúvida, o ardente desejo: Oh! se viesse já de Sião o Salvador (Sl 14.7).
Provavelmente o anjo lhe apareceu de tarde, pois havia muito povo reunido no pátio do templo e as trombetas anunciavam a hora da oração.
4 Advento
Não temas, porque a tua oração foi ouvida (Lc 1.13).
Zacarias se encontrava no interior do templo, diante do altar para queimar o incenso. Ele colocou as folhas aromáticas sobre o incenso para encher o Santo do templo de bom aroma. Este incenso representava as orações. Assim diz o salmista: Suba à tua presença a minha oração, como incenso (Sl 141.2). Lá fora o povo orava e Zacarias, ao queimar o incenso orava também. O que o povo e Zacarias estavam pedindo a Deus? Sem dúvida, estavam pedindo pela vinda do Salvador. Era este o anseio e pedido de todos os fiéis. Zacarias o expressa em seu canto: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo (Lc 1.68,69). Em resposta a essas orações o anjo anuncia a Zacarias: Tua oração foi ouvida. E com isso também foi ouvida sua oração pedindo um filho. Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho a quem darás o nome de João. João significa “o Senhor é misericordioso”. E em que consistia esta misericórdia, o anjo passa a explicar.
Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento. Não simplesmente por Zacarias ter um filho, mas especialmente pelo ofício desse seu filho. Ele será o precursor do Messias, preparará o caminho para o Salvador. Esta alegria se estenderá a muitos, a tua esposa, teu vizinhos, todos os que com ansiedade esperavam pelo Salvador, a todos os convertidos.
Pois ele será grande diante do Senhor... será cheio do Espírito Santo, já no ventre materno. Esse filho, João Batista, foi considerado por Jesus o maior dos profetas (Mt 11.11). Ele será Nazireu, consagrado ao Senhor (Nm 6.1ss.). Deus em sua misericórdia o escolheu, o formou e o preparou para esta tarefa, concedendo-lhe seu Espírito já desde o ventre materno, dando-lhe os dons necessários para esta tarefa. Tudo em seu reino é milagre e graça. Mas cuidado, para não idolatrarmos os instrumentos de Deus. Antes queremos suplicar a Deus para que conceda à sua igreja homens cheios do Espírito Santo e estejamos prontos para ouvi-los e servir.
Ele irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado. João será um grande profeta. Sua vinda foi profetizada 450 anos antes do seu nascimento. Único profeta cujo nascimento e obra foi profetizada. Pela pregação de arrependimento converterá a muitos. O coração dos pais que se desviaram da verdade aos filhos, à fé dos filhos que aceitam a pregação de João. E muitos perversos se tornarão sábios para a salvação. Estás tu entre estes?
5 Advento
Como saberei isto? (Lc 1.18)
Zacarias estava atônito com a presença do anjo e ainda muito mais por sua promessa. Seria possível? O tempo do Messias chagara? E eles foram eleitos para serem os pais de João Batista, o precursor do Messias? Tudo isso veio tão repentinamente que Zacarias nem podia acreditá-lo. Ele pediu um sinal. Como saberei isto? pois eu sou homem velho e minha mulher avançada em idade.
Tudo isso parecia incrível. Mas, por que um sinal? Ele não estava diante de um grande sinal, a presença do anjo Gabriel. As coisas do reino de Deus sempre parecem incríveis. Nossa razão não pode captá-los, nossa carne resiste ao reino de Deus. Quanta fraqueza e incredulidade? Carne e sangue, mesmo nos cristãos, lutam contra as coisas do reino de Deus. Quantas vezes nos encontramos no mesmo caminho da incredulidade.
O anjo respondeu a Zacarias: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para trazer-te estas boas novas. - Eu sou Gabriel. Gabriel significa: O homem de Deus, ou o poderoso herói (Dn 8.16; 9.21). O nome Gabriel era conhecido a Zacarias. Foi ele quem anunciara a Daniel que depois de passarem os reinos, virá o “reino de Deus”.
Cada vez que Deus vem a nós, por sua Palavra e sacramentos, quando o reino de Deus vem a nós, para nos admoestar, guiar à fé, mostrar-nos trabalhos a serem feitos, ou convidar-nos à ofertar nosso tempo, dons, nossa carne imediatamente se levanta em protesto, dizendo: Não dá! Espera um pouco! Como poderia ser. Que garantias nós teremos, etc. Como somos semelhantes a Zacarias.
Eu sou Gabriel, assisto diante de Deus. Os anjos vêem incessantemente a face de Deus. Gabriel é um dos principais anjos, dos imediatos, dos mais graduados servos de Deus. Fui enviado para falar-te, e trazer-te esta boa nova. Fui enviado especialmente a ti. Veja que misericórdia da parte de Deus. Esta misericórdia deveria encher-te de grande alegria e júbilo, como o privilégio de trabalhar no reino de Deus deveria nos encher de alegria e júbilo. E tu o recebes com incredulidade? Incredulidade é o maior pecado. Único pecado que leva à condenação. Ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas venham a realizar-se. Castigo, sinal e misericórdia numa só frase. A incredulidade precisa ser castigada. A fé fraca fortalecida, pois Deus não despreza a cana trilhada, nem apaga o pavio que fumega. Assim, em meio ao castigo, a graça, a misericórdia. Zacarias saiu e fez sinal ao povo, pois não podia falar. O povo ficou admirado. O que aconteceu a Zacarias? Prece ter tido uma visão. Apesar de mudo, a fé começa a resplandecer na vida de Zacarias.
6 Advento
Ficarás mudo (Lc 1.20).
Ficarás mudo! Que tremendo castigo para um sacerdote, ficar mudo. O sacerdote tem a incumbência de anunciar a boa nova de Deus. Zacarias recebeu uma grande notícia: O tempo se cumpriu. (Gl 4.4) O Salvador está vindo. Ele, porém, não creu. Por isso foi castigado. Ficarás mudo! Por que um castigo tão severo. Não houve patriarcas e profetas que pediram um sinal e não foram castigados? Exemplos são: Abraão, Sara, Gideão, etc. Quem somos nós para inquirir a Deus? Parece que de Zacarias se exigiu mais, porque recebeu mais. Zacarias foi sacerdote de Deus. Conhecia a história do Antigo Testamento, os grandes feitos de Deus, as muitas promessas de Deus. Ele sabia da proximidade do tempo. O mesmo vale para todos nós. Recebemos muito mais do que Zacarias. Temos diante de nós todo o plano da salvação executado por Deus. A vida de Cristo, sua morte, ressurreição, ascensão, a vinda do Espírito Santo. A história da Igreja Cristã. E a promessa do retorno de Cristo em glória para julgar vivos e mortos. Temos a Bíblia em nossas mãos. Temos devocionários, revistas, bons livros que nos expõe a doutrina. De nós se exigirá muito. Infelizmente somos muitas vezes mudos. Muitas vezes, em diversas situações e lugares pensamos: que bom que ninguém sabe que sou cristão. Ou, desafiados por ateus ou pessoas de religiões errôneas, não sabemos o que responder. O exemplo está aqui: Os que se fazem de mudos, Deus os torna mudos. Deus lhes tira a bênção. Vejam o que é feito das grandes cidades que tiveram o evangelho: Éfeso, Corinto, Alexandria, a terra da Reforma luterana. Hoje, a verdade ali está sepultada e o número de cristãos é pequeníssimo. O apóstolo nos recomenda: É tempo de vos despertardes do sono (Rm 13.11).
Zacarias aceitou o castigo em profundo arrependimento. Sua fé cresceu. Sua vida deixou transparecer que creu na visão que recebeu.
Sua esposa Isabel recebeu a notícia com alegria (Cl 1.24-25). Alegrou-se em Deus que tirou dela o vexame. Pois, não ter filhos em Israel, era considerado um vexame e vergonha, ter filhos, motivo de honra para a família e uma grande bênção de Deus. Hoje, infelizmente, mesmo na igreja cristã, muitos pensam de modo diferente. Isabel se alegrou diante de Deus por este presente, de Deus lhe conceder um filho, mesmo na velhice. Mas, se houve tanta alegria por este fato, porque ela se ocultou? Não deveria ela contar isso jubilosa a todas às pessoas. Sem dúvida que ela o gostaria tê-lo feito. Como depois compartilhou esse fato com aqueles que eram tementes a Deus, mas diante de outros se ocultou, pois quem lhe daria crédito. Antes iriam rir dela e de sua esperança com esta idade. Por isso ocultou-se os cinco primeiros meses.
7 Advento
Salve! Agraciada; o Senhor é contigo (Lc 1.28).
Passaram-se seis meses, desde a visita do anjo Gabriel a Zacarias.
Nessa época, numa pequena cidade chamada Nazaré, vivia uma jovem, de nome Maria, noiva de um rapaz chamado José, ambos eram da linhagem de Davi.
Nazaré era uma pequena cidade na Galiléia. Seu nome não aparece no Antigo Testamento. Parece ser um lugarejo de pouca importância, que dista 25 km do lago da Galiléia. De dia o monte Tábor, com seu pico, freqüentemente coberto de neve, é bem visível. A pergunta de Natanael: De Nazaré pode sair algo de bom? (Jo 1.36) parece indicar que a fama de Nazaré não era boa. O pequeno vilarejo ainda existe hoje. Lá residia a jovem Maria, piedosa e temente a Deus. Uma jovem, que fora fiel no mínimo, foi escolhida por Deus para uma missão mui sublime e ao mesmo tempo dolorosa. Sim, a missão mais alta e sublime com a qual uma mulher pudesse ser agraciada, a de ser mãe do Filho de Deus, dar a luz ao ente divino (Lc 1.35).
Não sabemos a que hora do dia o anjo lhe apareceu. Nem sabemos o que ela estava fazendo. Para um filho de Deus todo o trabalho, por mais simples e humilde, é para a glória de Deus e o bem do próximo. Se um anjo te procurasse, ele te encontraria fazendo o quê?
Quando o anjo lhe apareceu, ela se espantou muito. Mas o anjo lhe disse: Salve! Agraciada; o Senhor é contigo. Que palavras confortadoras. Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus (v.31). Aqui estava a virgem, conforme falou Isaías, que conceberá e dará a luz um filho. (Is 7.14) Maria disse ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? (v.34) Ela era noiva. O início do noivado era considerado o início do casamento. Preparavam-se para o casamento. Quando tudo estava pronto, o noivo buscava a noiva para sua casa. O ente santo que há de nascer, o verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele será chamado Filho de Deus. Ele reinará para sempre, e o seu reino não terá fim (v.33). E bem-aventurados todos os que têm parte neste reino de Deus.
Maria aceitou estas palavras. E sem pedir, o anjo ainda lhe deu um sinal: Isabel tua parenta, na sua velhice concebeu um filho, porque para Deus não há impossíveis em todas as suas promessas (v.36).
Maria respondeu: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela (v.38). Que fé! Quanta humildade! Quanta disposição!
8 Advento
Naqueles dias dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá (Lc 1.39).
Como Maria se sentiu depois da boa nova do anjo? Ela estava radiante de alegria. Mas compartilhar sua alegria com quem? Será que seus pais ainda viviam? Teriam eles, ou suas amigas, compreensão para o que o anjo lhe havia dito? Teria seu noivo compreensão para isso? Sabemos que ela não falou com seu noivo sobre o que acontecera. Inicialmente, talvez ela devido seu pudor. E se ela falasse, eles compreenderiam e iriam crer? Maria, por enquanto, guardou silêncio. O anjo havia mencionado sua parenta Isabel. Ela fora escolhida para ser mãe do precursor do Salvador. Ela teria compreensão para esta notícia. Maria se dispôs e foi apressadamente visitá-la.
De Nazaré até Jerusalém eram três dias de caminho a pé. Será que ela foi sozinha ou juntou-se a algum grupo? É bem possível.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu ventre. A criança manifestou, desta maneira, seu culto ao Salvador. João Batista já estava cheio do Espírito Santo, desde o ventre materno. Se o Espírito Santo pode atuar tão maravilhosamente nas crianças, ainda não nascidas, então também pode trabalhar a fé naquelas crianças que são levadas à pia batismal.
Isabel ficou possuída do Espírito Santo, e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? (v.42) Que revelações o Espírito Santo faz aqui. Que alegria envolve estas duas senhoras. O Espírito Santo revelou a Isabel que Maria, sua parenta, fora escolhida por Deus, para ser mãe do Messias, do Salvador Jesus. Bendita és tu entre as mulheres! (v.42) Você é abençoada por Deus. Maria está bem consciente disso. Por isso, ao entoar seu Magnificat (Lc 1.46-55), ela dá todo o louvor a Deus, que contemplou na humildade da sua serva, isto é, que olhou para mim, uma pobre moça, desprezada e insignificante. Em seu louvor, ecoam os salmos que foram cantados ao Messias. Seu magnificat é o canto do Novo Testamento. Ela louva o poder e a misericórdia do gracioso Deus.
Então Isabel louva a Maria que creu. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor (v.45).
Maria permaneceu três meses com Isabel. Provavelmente até o nascimento de João Batista, prestando, assim, grande auxílio de amor cristão à sua parenta, já idosa, nos últimos meses da gravidez. Então voltou para Nazaré, grandemente fortalecida em sua fé, para sua difícil missão.
9 Advento
José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo (Mt 1.18-25).
Maria, pelo que parece, ainda não havia falado nada a seu noivo a respeito de sua gravidez, provavelmente, por medo de não ser compreendida. Agora volta de sua visita a Isabel. Com que saudade José aguardou sua volta? Ao ouvir de sua voltou, foi cumprimentá-la, com grande alegria. Mas que surpresa. Maria estava grávida. Sem dúvida, Maria tentou explicar-lhe. Falou da visão do anjo, de ter sido escolhida por Deus para ser a mãe do Messias. Contou-lhe o que acontecera a Isabel, sua parenta, que em sua idade avançada deu à luz a João Batista, o precursor de Jesus. Acho que José, de tão surpreendido, nem conseguiu dar atenção, muito menos compreender o que Maria estava dizendo. Ele se retirou triste. Maria colocou tudo nas mãos de seu Pai celestial. Quanta preocupação, dúvidas e angústias devem ter agitado estes dois corações que se amam. À noite, José fez planos para abandonar sua noiva.
Gravidez fora do casamento era um pecado grave em Israel que, conforme a lei (Lc 20.10; Dt 22.20,21), deveria ser punido com apedrejamento. José amava sua noiva, Maria, e não quis denunciá-la. Por isso, preferiu sair de Nazaré e entregar Maria a sua sorte. José era homem justo, isto é, temente a Deus. Ele esperava o Messias e por amor a Deus levava vida santificada. Deus o escolheu para ser o pai adotivo do Filho de Deus. Enquanto planejava, com profunda angústia sobre o que fazer, adormeceu. O anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel que quer dizer: Deus conosco. Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher (Mt 1.20-24). José despertou alegre. Dúvidas, que não devem ter sido poucas, e que o martirizaram se esvaneceram diante da palavra do anjo. De manhã, José se levantou e foi falar com sua noiva, Maria. Que dia alegre. As preocupações de Maria e de José se desfizeram como névoa sob forte sol. Agora estavam desembaraçados para falarem da grande e maravilhosa missão que Deus lhes concedera e revelara. O servir a Cristo, no entanto, traz consigo também a cruz.
Sem dúvida anunciaram seu casamento e casaram. Pais e parentes e o chefe da sinagoga ao ouvirem a história, talvez franzissem a testa. Não podiam acreditar. Enquanto isso, pessoas humildes ou ouvi-lo, ficaram maravilhados e louvavam a Deus.
Maria e José começaram a compreender, com cada dia que passava, como era difícil num mundo incrédulo e pecador, viver como filhos de Deus, na missão de Deus e confessar sua fé.
10 Advento
Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa que estava grávida (Lc 2.1-5).
Os nove meses passaram rápido. No final do nono mês é proclamado nas ruas de Nazaré, como em toda a Palestina, o recenseamento ordenado pelo imperador romano, César Augusto. Quanta preocupação isso deve ter trazido para Maria e José. Eles teriam que se deslocar 160 km e no final da caminhada, morro acima, pois Belém ficava numa planície de 777mt de altura do nível do mar. Assim eles enfrentaram uma caminha de quatro a cinco dias, talvez Maria montada num burrico. Podemos bem imaginar o que significa isso para uma mulher em sua última semana de gravidez.
A respeito desse texto surgiram muitas lendas e histórias fictícias. O que aqui é decisivo é sabermos que o decreto foi promulgado por César Augusto, quando Quirino era governador da Síria e Herodes o Grande, rei do território da Judéia, como vassalo do César romano. Há provavelmente um erro no cálculo que ocorreu ao se determinar o ano zero, ano do nascimento de Jesus. Jesus nasceu provavelmente no ano 6 ou 4 antes de Cristo, isto é, da data fixada em nosso calendário, para o nascimento de Jesus. Isto, no entanto, pouco importa.
Sendo Maria e José, respectivamente mãe e padrasto de Jesus, portanto queridos filhos de Deus, nos quais Deus depositou essa confiança, mesmo assim, eles passam por dias muito difíceis. Como nós, eles se perguntavam em meio às dificuldades, sofrimentos e aflições: Por que isso agora? Por que a vida é tão difícil? Se Deus nos confiou o seu Filho amado, o rei do Universo. Eles tiveram que lutar como nós ainda hoje contra os argumentos da razão humana. Sufocar tudo e apegar-se unicamente à palavra de Deus. Com eles, nós o queremos aprender. O seu exemplo nos ensina a carregar nossa cruz com paciência e resignação.
Assim chegaram a Belém, à noitinha. Procuraram um lugar para descansar. Mas nada. A cidade estava lotada de peregrinos dos mais diferentes lugares. Nem longínquos parentes, nem hospedarias. Era hora de fazer dinheiro, por isso não havia espaço para pobres ou uma ação social. Finalmente, um senhor os mandou para a estrebaria nos fundos do seu quintal. Já era inverno, porém não no seu rigor. Por isso os pastores poderiam permanecer mais uns dias nos campos com suas ovelhas.
11 Advento
Havia naquela mesma região pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante a vigília da noite. E um ano do Senhor desceu aonde eles estavam e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor Lc 2.8,9).
Era noite. Um vento frio varria os campos. O inverno chegara, porém ainda não muito rigoroso. Os pastores ainda podiam permanecer mais alguns dias nos campos. Em torno de uma fogueira, alguns pastores vigiavam seus rebanhos. Ao longo do horizonte, viajantes ainda estavam chegando à cidade de Belém, para o recenseamento.
O que será que significa toda essa movimentação de pessoas? perguntou um dos pastores. Tentando interpretar os tempos, um deles respondeu: Pelo visto, algo de importante deve estar acontecendo. Seria o nascimento do Messias? indagou o outro. Acho que sim, pois o profeta Daniel disse que seria no tempo da quarta monarquia (Dn 2.44-47). Está aí o rei Herodes, o idomita, e a grande decadência. O templo na verdade está cheio de pessoas, mas os verdadeiros israelitas, os que crêem nas promessas, são poucos. Ó se de Sião viesse já a salvação. (Sl 14), suspirou um deles.
De repente o céu se iluminou. Uma luz muito forte apareceu no céu. Os pastores levaram um grande susto. Sim, eles estremeceram de pavor. Quem não estremeceria diante da luz celestial, da manifestação de Deus, sendo pecadores. Em meio à luz, os pastores vislumbraram um anjo. Este lhes anunciou: Não temais; eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura (v.10-12).
Não temais! Por que não? Porque vos trago uma boa nova de grande alegria – isto é, uma boa notícia, que será motivo de grande alegria para vocês e para todo o povo. Uma notícia que Deus está dando. Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor. Um Salvador! Cristo, o prometido, o verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e verdadeiro homem, nascido da virgem Maria. Único e suficiente Salvador da humanidade. Salvador de quê? Haverá paz agora? Não haverá mais guerras, nem doenças, só felicidade? Não, não. Ele nos salvará de nossos pecados, da morte e da eterna condenação. Para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
Pasmados os pastores olharam para o anjo, que continuou: Encontrareis a criança envolta em faixas e deitado em manjedoura (v. 12). Como iriam compreender este mistério: Salvador, Filho de Deus, verdadeira pessoa humana, pobre, numa estrebaria?
12 Advento
E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo: Glórias a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens, a quem ele quer bem (v.13,14).
Uma multidão da milícia celestial louva a Deus e lhe cantam glórias. Os anjos não conseguem conter sua alegria. Descem à terra e louvam a Deus. Bem disse o apóstolo Pedro: Coisas essas que os anjos anelam perscrutar (1 Pe 1.12). Os anjos, que não precisam da salvação, participam atentamente. Observam o que Deus está fazendo e como o faz. E eles têm desejo de conhecer os mínimos detalhes do amor de Deus. Agora vêem como as profecias estão se cumprido, vendo o imenso e incompreensível amor de Deus. Eles o louvam: Glórias a Deus, nas maiores alturas. A glória de Deus, sua santidade, sua majestade, sua sabedoria, seu poder já eram conhecidos, mas o amor revelado à humanidade em Cristo supera a tudo. Agora a glória de Deus é ainda muito maior. Glórias a Deus. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome ....toda a honra, toda a glória, todo o louvor a Deus, por seu infindo amor. (Sl ) Ele vos deu um Salvador, seu próprio e unigênito Filho que se humanou numa pobre virgem. O próprio Criador assume a natureza humana numa jovem mulher, temente a Deus, mas de natureza pecaminosa como nós. Que humilhação. Que imenso amor de Deus à toda a humanidade. Ele tomou sobre si toda nossa indignidade. Por isso Glórias a Deus nas maiores alturas. Os anjos estão impressionados com tal manifestação do amor de Deus. Louvemo-lo, por isso, dia e noite, com infinitos cânticos. O cântico novo e o anunciemos a todas as criaturas.
Os anjos ainda acrescentaram: Paz na terra aos homens a quem ele quer bem. Deus enviou seu Filho unigênito para conquistar a paz entre Deus e os homens. O apóstolo Paulo diz: Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões (2 Co 5.19). Jesus veio para nos reconciliar com Deus Pai pelo seu sangue (Cl 1.20). Muitos infelizmente se distanciam desta paz, cavando para si cisternas rotas que não retém água (Jr 2.13), isto é, fontes que não oferecem paz. Somente Jesus é a fonte da água viva que oferece vida e paz. E quando falarem: paz, paz e mesmo assim não há paz, isto é um sinal dos tempos finais. Em breve Jesus virá em glória para julgar vivos e mortos.
13 Advento
Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. E foram apressadamente e acharam Maria e José, e a criança deitada na manjedoura (Lc 2.15,16).
Eles creram na mensagem dos anjos e foram apressadamente a Belém. Se não tivessem crido, não iriam. Hoje ouvimos pessoas dizer: Eu acreditaria se esta mensagem me fosse trazida por um anjo. Tais pessoas enganam-se a si mesmas. Quem não aceita a mensagem, não a aceitará, mesmo se um anjo lha trouxesse.
Quem crê na Palavra, dá atenção à Palavra, o pregador é secundário. Quem aceita a mensagem em vista do pregador, pela simpatia ao pregador, crê no pregador. Neste caso, sua fé tem como base o pregador e não resistirá por muito tempo. Não honramos a Palavra por causa do pregador, mas o inverso. Honramos o pregador por causa da palavra que anuncia fielmente. Não elevamos o pregador acima da Palavra. Mesmo se um anjo nos trouxesse uma mensagem que vai contra a palavra de Deus, pronunciaríamos um anátema contra ele, como o apóstolo Paulo o recomenda aos gálatas (Gl 1.8).
Esta é a diferença entre fé verdadeira e fé humana. Fé humana se apega à pessoa humana, ao pregador; fé verdadeira se apega à palavra de Deus e honra o pregador fiel, que lhe trouxe a Palavra.
Dizemos aos pregadores como os samaritanos: Já agora não é pelo que disseste que nos cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo (Jo 4.42). A Palavra santifica e dá a verdadeira paz. Esta fé persiste na vida e na morte e nada a poderá derrotá-la.
Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos. Os anjos foram esquecidos. O que o Senhor nos deu a conhecer, isto importava. Também Maria guardava a Palavra em seu coração.
Não sabemos ao certo em que lugar os anjos apareceram aos pastores. Nem conhecemos com exatidão o lugar preciso onde Jesus nasceu. No ano 330 a mãe do imperador romano Constantino, o primeiro imperador romano que abraçou o cristianismo, construiu em Belém, o primeiro templo cristão, chamado de a Igreja da Natividade. Provavelmente Maria e José, após o nascimento, tenham se hospedado numa casa, da qual se diz ter pertencida a Boaz, ancestral do rei Davi. E ali foi construído o templo. Mas certeza sobre este lugar não temos. Também não importa, o importante é termos a mensagem. Esta é certa e fiel. Por isso, bem-aventurado o que crê, pois terá o que o Evangelho lhe anuncia, dá e sela: perdão, vida e eterna salvação.
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Dizei à filha de Sião? Eis ai te vem o teu Rei humilde (Mt 25.5).
Advento é tempo de espera, no qual aguardamos a chegada de alguém. Um tempo de preparo para recebermos o esperado, o Salvador prometido, Jesus. O tempo de advento se divide em dois períodos distintos de espera. O primeiro advento iniciou quando Deus prometeu um Salvador a Adão e Eva, após a queda em pecado. Desde lá, muitos aguardavam a vinda do Salvador. Ao nascer o primeiro filho, Eva pensou que já fosse o Salvador. Ela exclamou: Adquiri um varão, o Senhor! (Gn 4.4) (ou: adquiri um varão com o auxílio do Senhor). Ela expressou sua fé, mesmo tendo-se enganado quando ao tempo e a pessoa. Profetas anunciaram detalhes sobre a vinda do Salvador. Infelizmente, durante o longo tempo de espera, muitas pessoas cansadas de esperar, tentadas por Satanás, atraídas pelo mundo, e devido sua fraqueza carnal, não perseveraram, caíram da fé, voltando à incredulidade.
A promessa se cumpriu quatro mil anos após, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias e depois a Maria, a respeito do nascimento de João Batista e de Jesus. O apóstolo Paulo o descreveu assim: Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou o seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei (Gl 4.4).
Todas as profecias com respeito ao nascimento do Salvador se cumpriram nos mínimos detalhes. O Salvador veio conforme prometido. Padeceu, sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos no terceiro dia. Assim reconciliou a humanidade com Deus. E quem confia nesta graça de Cristo, tem perdão dos pecados, comunhão com Deus e a vida eterna.
Após a ascensão de Jesus, quando os discípulos ainda estavam com os olhos fitos no céu, eis que um anjo se colocou ao lado deles e lhes disse: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Este Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá de modo como o vistes subir (At 1.11). Aqui começa o segundo advento. Os cristãos esperam a segunda vinda de Cristo ao mundo. Quando Jesus virá, não mais em humilhação, mas em glória para julgar vivos e mortos. A Bíblia tem muito a dizer sobre esta segunda vinda. Virá como ladrão de noite (1 Ts 5.2). Todos os mortos ressuscitarão (2 Co 4.14). Céus e terra se desfarão em fogo (2 Pe 3.12). Todos serão julgados conforme o bem ou o mal que fizeram (Mt 24.31; At 17.31). Os que confiaram em Jesus como seu Salvador, estarão à direita de Jesus e serão convidados por ele para entrarem no novo céu e na nova terra, onde habitará justiça eternamente; os que o rejeitaram, estarão à sua esquerda, e serão condenados ao fogo eterna. Após o julgamento, Jesus criará o novo céu e a nova terra, onde habitará justiça (2 Pe 3.13).
2 Advento
Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou o se Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgata os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos (Gl 4.4,5).
Quando veio o tempo determinado, preparado por Deus, Deus enviou seu filho unigênito ao mundo. Este tempo certo foi cuidadosamente preparado por Deus. Passaram-se quatro mil anos desde a primeira promessa feita a Adão e Eva. Durante esse tempo, Deus enviou muitos profetas para anunciarem o nascimento do Salvador.
Aproximadamente dois mil anos após a criação, ou hum mil e setecentos e cinco anos antes de Cristo (a.C.), Deus escolheu Abraão para, de sua descendência, formar o povo de Israel. Este povo, chamado povo de Deus, do qual viria o Salvador da humanidade, deveria proclamar ao mundo continuamente a palavra de Deus, chamando ao arrependimento e à fé no Salvador prometido.
Os judeus foram muitas vezes desobedientes a Deus e não cumpriram fielmente sua missão. Deus teve que castigar o povo muitas vezes, para acordá-lo do seu sono no pecado. Eles foram levados ao cativeiro e dispersos entre as nações. Na dispersão fundaram sinagogas e tornaram o único e verdadeiro Deus e sua promessa de salvação conhecida no mundo. Pelos impérios que Deus ergueu como o persa, o grego e o romano, Deus preparou o mundo para a vinda do Salvador. Os gregos uniram as civilizações da Ásia, Europa e África e estabeleceram uma língua universal. Roma fez do mundo um só império e abriu estradas, tornando todos os pontos do império facilmente acessível (Halley).
Naquele tempo, conforme a profecia, reinava grande escuridão espiritual em Israel. O último profeta enviado a Israel foi Malaquias, 440 anos antes de Cristo. Passaram quatrocentos anos sem que Deus se manifestasse a Israel por profetas. O povo só podia se apegar à palavra escrita. Assim surgiram as sinagogas. Os escribas eram encarregados de copiar o Antigo Testamento e explicá-lo ao povo. Os fariseus, uma classe que surgiu durante o tempo dos Macabeus. Eles se dedicavam à tarefa de zelar pela pureza do ensino e o cumprimento da lei. Eles eram bem intencionados, mas com o tempo eles deram demasiada ênfase à lei, obscurecendo o verdadeiro ponto da Escritura, a boa nova da salvação. Eles foram repreendidos por Jesus. Nesse tempo, em oposição aos fariseus, surgiram também os saduceus, uma seita bem liberal que não acreditavam na imortalidade da alma, nem em anjos, nem na ressurreição. Assim, apesar de todo o esplendor do culto cerimonial, reinava grande cegueira espiritual em Israel. A palavra de Deus era lida e memorizada, mas interpretada erradamente.
Nessa época, a Judéia era governada pelo rei Herodes, um edomita, descendentes de Esaú (39 a.C. – 4 AD). Ele conquistou o favor do imperador romano, que o nomeou rei da Judéia. Herodes era homem bruto e cruel. Mandara matar sua própria esposa Mariane, que era piedosa, e alguns de seus filhos. Para conquistar o favor dos judeus, mandou reformar, ampliar e embelezar o templo em Jerusalém.
Apesar de todas essas trevas espirituais que reinavam em Israel e mesmo entre os judeus dispersos no mundo, havia ainda um pequeno rebanho de fiéis que confiava nas promessas, esperava e orava pela vinda do Salvador.
Hoje vivemos tempos semelhantes. A palavra de Deus é proclamada no mundo inteiro. Todos têm acesso a ela pelos meios de comunicação. Infelizmente, as muitas interpretações errôneas da Escritura, geram confusão. Mas há um pequeno rebanho de fiéis que aguarda a gloriosa vinda de Cristo. Ele virá como ladrão de noite, inesperadamente para julgar vivos e mortos. Por isso é hora de despertarmos do sono. Vai alta à noite e vem chegando o dia (Rm 13.11-14).
3 Advento
Houve um sacerdote chamado Zacarias, do trono de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão, e se chamava Isabel (Lc 1.5).
Apesar da grande incredulidade que reinava em Judá, mesmo assim, havia em Israel os que confiavam na palavra de Deus e esperavam ansiosamente pela vinda do Salvador.
Houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Zacarias era sacerdote descendente de Arão. Ele pertencia à oitava turma das 24 turmas sacerdotais (2 Cr 24.10). Eles se revisavam semanalmente nos serviços do templo, servindo cada turno duas semanas por ano. Zacarias não pertencia à alta classe dos sacerdotes, que residiam em Jerusalém. Ele morava numa cidade de Judá. O evangelista não achou importante mencionar com exatidão o lugar. Ele fazia os diversos trabalhos no templo. Uma das tarefas mais nobres era a de queimar o incenso. Isto acontecia duas vezes ao dia, de manhã cedo e ao anoitecer (Ex 30.7,8; Sal 141,2).
Zacarias, o nome significa: Jeová se lembrou. Isabel era o nome de sua mulher, e significa: pacto, Deus é fiel. Eles eram justos diante de Deus, isto é, confiavam na esperança de Israel, a vinda do Salvador. Sua justiça não consistia em obras próprias, mas na confiança na graça do Salvador. Portanto, Zacarias e sua mulher eram pessoas de fé. Punham sua esperança no Salvador prometido. Dali brotava a vida piedosa, pois viviam irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor.
A fé deste casal foi arduamente provada por Deus, que lhes impôs uma pesada cruz. Não tinham filhos. Não ter filhos em Israel era considerado uma desgraça, por isso eles suplicavam a Deus dia e noite, pela bênção de terem filhos. Deus atendeu a oração de Zacarias e Isabel, mas à sua maneira. Eles já eram avançados em idade, então Deus lhes revelou o seu plano. Ele os escolhera para serem os pais do grande precursor de Jesus, João Batista.
Naquele tempo havia grande expectativa de que as profecias a respeito da vinda do Messias estavam por se cumprir.
Historiadores daquela época como Joséfus, Tácito e Suetônio relatam que havia uma expectativa geral pela vinda do Messias. Alguns se baseavam nas profecias de Daniel das “70 semanas”. (Dn 9.24-27) O povo interpretava as semanas como anos, isto é, 490 anos a partir da data da reconstrução do tempo, que se deu em 457 antes de Cristo.
O que será que passava na alma de Zacarias quando estava orando diante do altar de incenso? Sem dúvida, o ardente desejo: Oh! se viesse já de Sião o Salvador (Sl 14.7).
Provavelmente o anjo lhe apareceu de tarde, pois havia muito povo reunido no pátio do templo e as trombetas anunciavam a hora da oração.
4 Advento
Não temas, porque a tua oração foi ouvida (Lc 1.13).
Zacarias se encontrava no interior do templo, diante do altar para queimar o incenso. Ele colocou as folhas aromáticas sobre o incenso para encher o Santo do templo de bom aroma. Este incenso representava as orações. Assim diz o salmista: Suba à tua presença a minha oração, como incenso (Sl 141.2). Lá fora o povo orava e Zacarias, ao queimar o incenso orava também. O que o povo e Zacarias estavam pedindo a Deus? Sem dúvida, estavam pedindo pela vinda do Salvador. Era este o anseio e pedido de todos os fiéis. Zacarias o expressa em seu canto: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo (Lc 1.68,69). Em resposta a essas orações o anjo anuncia a Zacarias: Tua oração foi ouvida. E com isso também foi ouvida sua oração pedindo um filho. Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho a quem darás o nome de João. João significa “o Senhor é misericordioso”. E em que consistia esta misericórdia, o anjo passa a explicar.
Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento. Não simplesmente por Zacarias ter um filho, mas especialmente pelo ofício desse seu filho. Ele será o precursor do Messias, preparará o caminho para o Salvador. Esta alegria se estenderá a muitos, a tua esposa, teu vizinhos, todos os que com ansiedade esperavam pelo Salvador, a todos os convertidos.
Pois ele será grande diante do Senhor... será cheio do Espírito Santo, já no ventre materno. Esse filho, João Batista, foi considerado por Jesus o maior dos profetas (Mt 11.11). Ele será Nazireu, consagrado ao Senhor (Nm 6.1ss.). Deus em sua misericórdia o escolheu, o formou e o preparou para esta tarefa, concedendo-lhe seu Espírito já desde o ventre materno, dando-lhe os dons necessários para esta tarefa. Tudo em seu reino é milagre e graça. Mas cuidado, para não idolatrarmos os instrumentos de Deus. Antes queremos suplicar a Deus para que conceda à sua igreja homens cheios do Espírito Santo e estejamos prontos para ouvi-los e servir.
Ele irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado. João será um grande profeta. Sua vinda foi profetizada 450 anos antes do seu nascimento. Único profeta cujo nascimento e obra foi profetizada. Pela pregação de arrependimento converterá a muitos. O coração dos pais que se desviaram da verdade aos filhos, à fé dos filhos que aceitam a pregação de João. E muitos perversos se tornarão sábios para a salvação. Estás tu entre estes?
5 Advento
Como saberei isto? (Lc 1.18)
Zacarias estava atônito com a presença do anjo e ainda muito mais por sua promessa. Seria possível? O tempo do Messias chagara? E eles foram eleitos para serem os pais de João Batista, o precursor do Messias? Tudo isso veio tão repentinamente que Zacarias nem podia acreditá-lo. Ele pediu um sinal. Como saberei isto? pois eu sou homem velho e minha mulher avançada em idade.
Tudo isso parecia incrível. Mas, por que um sinal? Ele não estava diante de um grande sinal, a presença do anjo Gabriel. As coisas do reino de Deus sempre parecem incríveis. Nossa razão não pode captá-los, nossa carne resiste ao reino de Deus. Quanta fraqueza e incredulidade? Carne e sangue, mesmo nos cristãos, lutam contra as coisas do reino de Deus. Quantas vezes nos encontramos no mesmo caminho da incredulidade.
O anjo respondeu a Zacarias: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para trazer-te estas boas novas. - Eu sou Gabriel. Gabriel significa: O homem de Deus, ou o poderoso herói (Dn 8.16; 9.21). O nome Gabriel era conhecido a Zacarias. Foi ele quem anunciara a Daniel que depois de passarem os reinos, virá o “reino de Deus”.
Cada vez que Deus vem a nós, por sua Palavra e sacramentos, quando o reino de Deus vem a nós, para nos admoestar, guiar à fé, mostrar-nos trabalhos a serem feitos, ou convidar-nos à ofertar nosso tempo, dons, nossa carne imediatamente se levanta em protesto, dizendo: Não dá! Espera um pouco! Como poderia ser. Que garantias nós teremos, etc. Como somos semelhantes a Zacarias.
Eu sou Gabriel, assisto diante de Deus. Os anjos vêem incessantemente a face de Deus. Gabriel é um dos principais anjos, dos imediatos, dos mais graduados servos de Deus. Fui enviado para falar-te, e trazer-te esta boa nova. Fui enviado especialmente a ti. Veja que misericórdia da parte de Deus. Esta misericórdia deveria encher-te de grande alegria e júbilo, como o privilégio de trabalhar no reino de Deus deveria nos encher de alegria e júbilo. E tu o recebes com incredulidade? Incredulidade é o maior pecado. Único pecado que leva à condenação. Ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas venham a realizar-se. Castigo, sinal e misericórdia numa só frase. A incredulidade precisa ser castigada. A fé fraca fortalecida, pois Deus não despreza a cana trilhada, nem apaga o pavio que fumega. Assim, em meio ao castigo, a graça, a misericórdia. Zacarias saiu e fez sinal ao povo, pois não podia falar. O povo ficou admirado. O que aconteceu a Zacarias? Prece ter tido uma visão. Apesar de mudo, a fé começa a resplandecer na vida de Zacarias.
6 Advento
Ficarás mudo (Lc 1.20).
Ficarás mudo! Que tremendo castigo para um sacerdote, ficar mudo. O sacerdote tem a incumbência de anunciar a boa nova de Deus. Zacarias recebeu uma grande notícia: O tempo se cumpriu. (Gl 4.4) O Salvador está vindo. Ele, porém, não creu. Por isso foi castigado. Ficarás mudo! Por que um castigo tão severo. Não houve patriarcas e profetas que pediram um sinal e não foram castigados? Exemplos são: Abraão, Sara, Gideão, etc. Quem somos nós para inquirir a Deus? Parece que de Zacarias se exigiu mais, porque recebeu mais. Zacarias foi sacerdote de Deus. Conhecia a história do Antigo Testamento, os grandes feitos de Deus, as muitas promessas de Deus. Ele sabia da proximidade do tempo. O mesmo vale para todos nós. Recebemos muito mais do que Zacarias. Temos diante de nós todo o plano da salvação executado por Deus. A vida de Cristo, sua morte, ressurreição, ascensão, a vinda do Espírito Santo. A história da Igreja Cristã. E a promessa do retorno de Cristo em glória para julgar vivos e mortos. Temos a Bíblia em nossas mãos. Temos devocionários, revistas, bons livros que nos expõe a doutrina. De nós se exigirá muito. Infelizmente somos muitas vezes mudos. Muitas vezes, em diversas situações e lugares pensamos: que bom que ninguém sabe que sou cristão. Ou, desafiados por ateus ou pessoas de religiões errôneas, não sabemos o que responder. O exemplo está aqui: Os que se fazem de mudos, Deus os torna mudos. Deus lhes tira a bênção. Vejam o que é feito das grandes cidades que tiveram o evangelho: Éfeso, Corinto, Alexandria, a terra da Reforma luterana. Hoje, a verdade ali está sepultada e o número de cristãos é pequeníssimo. O apóstolo nos recomenda: É tempo de vos despertardes do sono (Rm 13.11).
Zacarias aceitou o castigo em profundo arrependimento. Sua fé cresceu. Sua vida deixou transparecer que creu na visão que recebeu.
Sua esposa Isabel recebeu a notícia com alegria (Cl 1.24-25). Alegrou-se em Deus que tirou dela o vexame. Pois, não ter filhos em Israel, era considerado um vexame e vergonha, ter filhos, motivo de honra para a família e uma grande bênção de Deus. Hoje, infelizmente, mesmo na igreja cristã, muitos pensam de modo diferente. Isabel se alegrou diante de Deus por este presente, de Deus lhe conceder um filho, mesmo na velhice. Mas, se houve tanta alegria por este fato, porque ela se ocultou? Não deveria ela contar isso jubilosa a todas às pessoas. Sem dúvida que ela o gostaria tê-lo feito. Como depois compartilhou esse fato com aqueles que eram tementes a Deus, mas diante de outros se ocultou, pois quem lhe daria crédito. Antes iriam rir dela e de sua esperança com esta idade. Por isso ocultou-se os cinco primeiros meses.
7 Advento
Salve! Agraciada; o Senhor é contigo (Lc 1.28).
Passaram-se seis meses, desde a visita do anjo Gabriel a Zacarias.
Nessa época, numa pequena cidade chamada Nazaré, vivia uma jovem, de nome Maria, noiva de um rapaz chamado José, ambos eram da linhagem de Davi.
Nazaré era uma pequena cidade na Galiléia. Seu nome não aparece no Antigo Testamento. Parece ser um lugarejo de pouca importância, que dista 25 km do lago da Galiléia. De dia o monte Tábor, com seu pico, freqüentemente coberto de neve, é bem visível. A pergunta de Natanael: De Nazaré pode sair algo de bom? (Jo 1.36) parece indicar que a fama de Nazaré não era boa. O pequeno vilarejo ainda existe hoje. Lá residia a jovem Maria, piedosa e temente a Deus. Uma jovem, que fora fiel no mínimo, foi escolhida por Deus para uma missão mui sublime e ao mesmo tempo dolorosa. Sim, a missão mais alta e sublime com a qual uma mulher pudesse ser agraciada, a de ser mãe do Filho de Deus, dar a luz ao ente divino (Lc 1.35).
Não sabemos a que hora do dia o anjo lhe apareceu. Nem sabemos o que ela estava fazendo. Para um filho de Deus todo o trabalho, por mais simples e humilde, é para a glória de Deus e o bem do próximo. Se um anjo te procurasse, ele te encontraria fazendo o quê?
Quando o anjo lhe apareceu, ela se espantou muito. Mas o anjo lhe disse: Salve! Agraciada; o Senhor é contigo. Que palavras confortadoras. Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus (v.31). Aqui estava a virgem, conforme falou Isaías, que conceberá e dará a luz um filho. (Is 7.14) Maria disse ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? (v.34) Ela era noiva. O início do noivado era considerado o início do casamento. Preparavam-se para o casamento. Quando tudo estava pronto, o noivo buscava a noiva para sua casa. O ente santo que há de nascer, o verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele será chamado Filho de Deus. Ele reinará para sempre, e o seu reino não terá fim (v.33). E bem-aventurados todos os que têm parte neste reino de Deus.
Maria aceitou estas palavras. E sem pedir, o anjo ainda lhe deu um sinal: Isabel tua parenta, na sua velhice concebeu um filho, porque para Deus não há impossíveis em todas as suas promessas (v.36).
Maria respondeu: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela (v.38). Que fé! Quanta humildade! Quanta disposição!
8 Advento
Naqueles dias dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá (Lc 1.39).
Como Maria se sentiu depois da boa nova do anjo? Ela estava radiante de alegria. Mas compartilhar sua alegria com quem? Será que seus pais ainda viviam? Teriam eles, ou suas amigas, compreensão para o que o anjo lhe havia dito? Teria seu noivo compreensão para isso? Sabemos que ela não falou com seu noivo sobre o que acontecera. Inicialmente, talvez ela devido seu pudor. E se ela falasse, eles compreenderiam e iriam crer? Maria, por enquanto, guardou silêncio. O anjo havia mencionado sua parenta Isabel. Ela fora escolhida para ser mãe do precursor do Salvador. Ela teria compreensão para esta notícia. Maria se dispôs e foi apressadamente visitá-la.
De Nazaré até Jerusalém eram três dias de caminho a pé. Será que ela foi sozinha ou juntou-se a algum grupo? É bem possível.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu ventre. A criança manifestou, desta maneira, seu culto ao Salvador. João Batista já estava cheio do Espírito Santo, desde o ventre materno. Se o Espírito Santo pode atuar tão maravilhosamente nas crianças, ainda não nascidas, então também pode trabalhar a fé naquelas crianças que são levadas à pia batismal.
Isabel ficou possuída do Espírito Santo, e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? (v.42) Que revelações o Espírito Santo faz aqui. Que alegria envolve estas duas senhoras. O Espírito Santo revelou a Isabel que Maria, sua parenta, fora escolhida por Deus, para ser mãe do Messias, do Salvador Jesus. Bendita és tu entre as mulheres! (v.42) Você é abençoada por Deus. Maria está bem consciente disso. Por isso, ao entoar seu Magnificat (Lc 1.46-55), ela dá todo o louvor a Deus, que contemplou na humildade da sua serva, isto é, que olhou para mim, uma pobre moça, desprezada e insignificante. Em seu louvor, ecoam os salmos que foram cantados ao Messias. Seu magnificat é o canto do Novo Testamento. Ela louva o poder e a misericórdia do gracioso Deus.
Então Isabel louva a Maria que creu. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor (v.45).
Maria permaneceu três meses com Isabel. Provavelmente até o nascimento de João Batista, prestando, assim, grande auxílio de amor cristão à sua parenta, já idosa, nos últimos meses da gravidez. Então voltou para Nazaré, grandemente fortalecida em sua fé, para sua difícil missão.
9 Advento
José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo (Mt 1.18-25).
Maria, pelo que parece, ainda não havia falado nada a seu noivo a respeito de sua gravidez, provavelmente, por medo de não ser compreendida. Agora volta de sua visita a Isabel. Com que saudade José aguardou sua volta? Ao ouvir de sua voltou, foi cumprimentá-la, com grande alegria. Mas que surpresa. Maria estava grávida. Sem dúvida, Maria tentou explicar-lhe. Falou da visão do anjo, de ter sido escolhida por Deus para ser a mãe do Messias. Contou-lhe o que acontecera a Isabel, sua parenta, que em sua idade avançada deu à luz a João Batista, o precursor de Jesus. Acho que José, de tão surpreendido, nem conseguiu dar atenção, muito menos compreender o que Maria estava dizendo. Ele se retirou triste. Maria colocou tudo nas mãos de seu Pai celestial. Quanta preocupação, dúvidas e angústias devem ter agitado estes dois corações que se amam. À noite, José fez planos para abandonar sua noiva.
Gravidez fora do casamento era um pecado grave em Israel que, conforme a lei (Lc 20.10; Dt 22.20,21), deveria ser punido com apedrejamento. José amava sua noiva, Maria, e não quis denunciá-la. Por isso, preferiu sair de Nazaré e entregar Maria a sua sorte. José era homem justo, isto é, temente a Deus. Ele esperava o Messias e por amor a Deus levava vida santificada. Deus o escolheu para ser o pai adotivo do Filho de Deus. Enquanto planejava, com profunda angústia sobre o que fazer, adormeceu. O anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel que quer dizer: Deus conosco. Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher (Mt 1.20-24). José despertou alegre. Dúvidas, que não devem ter sido poucas, e que o martirizaram se esvaneceram diante da palavra do anjo. De manhã, José se levantou e foi falar com sua noiva, Maria. Que dia alegre. As preocupações de Maria e de José se desfizeram como névoa sob forte sol. Agora estavam desembaraçados para falarem da grande e maravilhosa missão que Deus lhes concedera e revelara. O servir a Cristo, no entanto, traz consigo também a cruz.
Sem dúvida anunciaram seu casamento e casaram. Pais e parentes e o chefe da sinagoga ao ouvirem a história, talvez franzissem a testa. Não podiam acreditar. Enquanto isso, pessoas humildes ou ouvi-lo, ficaram maravilhados e louvavam a Deus.
Maria e José começaram a compreender, com cada dia que passava, como era difícil num mundo incrédulo e pecador, viver como filhos de Deus, na missão de Deus e confessar sua fé.
10 Advento
Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa que estava grávida (Lc 2.1-5).
Os nove meses passaram rápido. No final do nono mês é proclamado nas ruas de Nazaré, como em toda a Palestina, o recenseamento ordenado pelo imperador romano, César Augusto. Quanta preocupação isso deve ter trazido para Maria e José. Eles teriam que se deslocar 160 km e no final da caminhada, morro acima, pois Belém ficava numa planície de 777mt de altura do nível do mar. Assim eles enfrentaram uma caminha de quatro a cinco dias, talvez Maria montada num burrico. Podemos bem imaginar o que significa isso para uma mulher em sua última semana de gravidez.
A respeito desse texto surgiram muitas lendas e histórias fictícias. O que aqui é decisivo é sabermos que o decreto foi promulgado por César Augusto, quando Quirino era governador da Síria e Herodes o Grande, rei do território da Judéia, como vassalo do César romano. Há provavelmente um erro no cálculo que ocorreu ao se determinar o ano zero, ano do nascimento de Jesus. Jesus nasceu provavelmente no ano 6 ou 4 antes de Cristo, isto é, da data fixada em nosso calendário, para o nascimento de Jesus. Isto, no entanto, pouco importa.
Sendo Maria e José, respectivamente mãe e padrasto de Jesus, portanto queridos filhos de Deus, nos quais Deus depositou essa confiança, mesmo assim, eles passam por dias muito difíceis. Como nós, eles se perguntavam em meio às dificuldades, sofrimentos e aflições: Por que isso agora? Por que a vida é tão difícil? Se Deus nos confiou o seu Filho amado, o rei do Universo. Eles tiveram que lutar como nós ainda hoje contra os argumentos da razão humana. Sufocar tudo e apegar-se unicamente à palavra de Deus. Com eles, nós o queremos aprender. O seu exemplo nos ensina a carregar nossa cruz com paciência e resignação.
Assim chegaram a Belém, à noitinha. Procuraram um lugar para descansar. Mas nada. A cidade estava lotada de peregrinos dos mais diferentes lugares. Nem longínquos parentes, nem hospedarias. Era hora de fazer dinheiro, por isso não havia espaço para pobres ou uma ação social. Finalmente, um senhor os mandou para a estrebaria nos fundos do seu quintal. Já era inverno, porém não no seu rigor. Por isso os pastores poderiam permanecer mais uns dias nos campos com suas ovelhas.
11 Advento
Havia naquela mesma região pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante a vigília da noite. E um ano do Senhor desceu aonde eles estavam e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor Lc 2.8,9).
Era noite. Um vento frio varria os campos. O inverno chegara, porém ainda não muito rigoroso. Os pastores ainda podiam permanecer mais alguns dias nos campos. Em torno de uma fogueira, alguns pastores vigiavam seus rebanhos. Ao longo do horizonte, viajantes ainda estavam chegando à cidade de Belém, para o recenseamento.
O que será que significa toda essa movimentação de pessoas? perguntou um dos pastores. Tentando interpretar os tempos, um deles respondeu: Pelo visto, algo de importante deve estar acontecendo. Seria o nascimento do Messias? indagou o outro. Acho que sim, pois o profeta Daniel disse que seria no tempo da quarta monarquia (Dn 2.44-47). Está aí o rei Herodes, o idomita, e a grande decadência. O templo na verdade está cheio de pessoas, mas os verdadeiros israelitas, os que crêem nas promessas, são poucos. Ó se de Sião viesse já a salvação. (Sl 14), suspirou um deles.
De repente o céu se iluminou. Uma luz muito forte apareceu no céu. Os pastores levaram um grande susto. Sim, eles estremeceram de pavor. Quem não estremeceria diante da luz celestial, da manifestação de Deus, sendo pecadores. Em meio à luz, os pastores vislumbraram um anjo. Este lhes anunciou: Não temais; eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura (v.10-12).
Não temais! Por que não? Porque vos trago uma boa nova de grande alegria – isto é, uma boa notícia, que será motivo de grande alegria para vocês e para todo o povo. Uma notícia que Deus está dando. Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor. Um Salvador! Cristo, o prometido, o verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e verdadeiro homem, nascido da virgem Maria. Único e suficiente Salvador da humanidade. Salvador de quê? Haverá paz agora? Não haverá mais guerras, nem doenças, só felicidade? Não, não. Ele nos salvará de nossos pecados, da morte e da eterna condenação. Para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
Pasmados os pastores olharam para o anjo, que continuou: Encontrareis a criança envolta em faixas e deitado em manjedoura (v. 12). Como iriam compreender este mistério: Salvador, Filho de Deus, verdadeira pessoa humana, pobre, numa estrebaria?
12 Advento
E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo: Glórias a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens, a quem ele quer bem (v.13,14).
Uma multidão da milícia celestial louva a Deus e lhe cantam glórias. Os anjos não conseguem conter sua alegria. Descem à terra e louvam a Deus. Bem disse o apóstolo Pedro: Coisas essas que os anjos anelam perscrutar (1 Pe 1.12). Os anjos, que não precisam da salvação, participam atentamente. Observam o que Deus está fazendo e como o faz. E eles têm desejo de conhecer os mínimos detalhes do amor de Deus. Agora vêem como as profecias estão se cumprido, vendo o imenso e incompreensível amor de Deus. Eles o louvam: Glórias a Deus, nas maiores alturas. A glória de Deus, sua santidade, sua majestade, sua sabedoria, seu poder já eram conhecidos, mas o amor revelado à humanidade em Cristo supera a tudo. Agora a glória de Deus é ainda muito maior. Glórias a Deus. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome ....toda a honra, toda a glória, todo o louvor a Deus, por seu infindo amor. (Sl ) Ele vos deu um Salvador, seu próprio e unigênito Filho que se humanou numa pobre virgem. O próprio Criador assume a natureza humana numa jovem mulher, temente a Deus, mas de natureza pecaminosa como nós. Que humilhação. Que imenso amor de Deus à toda a humanidade. Ele tomou sobre si toda nossa indignidade. Por isso Glórias a Deus nas maiores alturas. Os anjos estão impressionados com tal manifestação do amor de Deus. Louvemo-lo, por isso, dia e noite, com infinitos cânticos. O cântico novo e o anunciemos a todas as criaturas.
Os anjos ainda acrescentaram: Paz na terra aos homens a quem ele quer bem. Deus enviou seu Filho unigênito para conquistar a paz entre Deus e os homens. O apóstolo Paulo diz: Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões (2 Co 5.19). Jesus veio para nos reconciliar com Deus Pai pelo seu sangue (Cl 1.20). Muitos infelizmente se distanciam desta paz, cavando para si cisternas rotas que não retém água (Jr 2.13), isto é, fontes que não oferecem paz. Somente Jesus é a fonte da água viva que oferece vida e paz. E quando falarem: paz, paz e mesmo assim não há paz, isto é um sinal dos tempos finais. Em breve Jesus virá em glória para julgar vivos e mortos.
13 Advento
Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. E foram apressadamente e acharam Maria e José, e a criança deitada na manjedoura (Lc 2.15,16).
Eles creram na mensagem dos anjos e foram apressadamente a Belém. Se não tivessem crido, não iriam. Hoje ouvimos pessoas dizer: Eu acreditaria se esta mensagem me fosse trazida por um anjo. Tais pessoas enganam-se a si mesmas. Quem não aceita a mensagem, não a aceitará, mesmo se um anjo lha trouxesse.
Quem crê na Palavra, dá atenção à Palavra, o pregador é secundário. Quem aceita a mensagem em vista do pregador, pela simpatia ao pregador, crê no pregador. Neste caso, sua fé tem como base o pregador e não resistirá por muito tempo. Não honramos a Palavra por causa do pregador, mas o inverso. Honramos o pregador por causa da palavra que anuncia fielmente. Não elevamos o pregador acima da Palavra. Mesmo se um anjo nos trouxesse uma mensagem que vai contra a palavra de Deus, pronunciaríamos um anátema contra ele, como o apóstolo Paulo o recomenda aos gálatas (Gl 1.8).
Esta é a diferença entre fé verdadeira e fé humana. Fé humana se apega à pessoa humana, ao pregador; fé verdadeira se apega à palavra de Deus e honra o pregador fiel, que lhe trouxe a Palavra.
Dizemos aos pregadores como os samaritanos: Já agora não é pelo que disseste que nos cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo (Jo 4.42). A Palavra santifica e dá a verdadeira paz. Esta fé persiste na vida e na morte e nada a poderá derrotá-la.
Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos. Os anjos foram esquecidos. O que o Senhor nos deu a conhecer, isto importava. Também Maria guardava a Palavra em seu coração.
Não sabemos ao certo em que lugar os anjos apareceram aos pastores. Nem conhecemos com exatidão o lugar preciso onde Jesus nasceu. No ano 330 a mãe do imperador romano Constantino, o primeiro imperador romano que abraçou o cristianismo, construiu em Belém, o primeiro templo cristão, chamado de a Igreja da Natividade. Provavelmente Maria e José, após o nascimento, tenham se hospedado numa casa, da qual se diz ter pertencida a Boaz, ancestral do rei Davi. E ali foi construído o templo. Mas certeza sobre este lugar não temos. Também não importa, o importante é termos a mensagem. Esta é certa e fiel. Por isso, bem-aventurado o que crê, pois terá o que o Evangelho lhe anuncia, dá e sela: perdão, vida e eterna salvação.
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