Pentecostes09
Atos 2.1-13. Pentecostes
Introdução
A cristandade celebra hoje o grandioso dia de Pentecostes, aniversário da Igreja Cristã. Hoje milhares de fiéis, em todas as partes do mundo, entram em suas igrejas com louvor e júbilo. Eles agradecem a Jesus Cristo por ter cumprido sua promessa e enviado o Espírito Santo, o qual atua poderosamente neste mundo. Ele, ainda hoje, conduz centenas de pessoas ao arrependimento, opera a fé, faz morada nos corações dos fiéis, concede dons, impulsiona ao testemunho, consola e enche corações com a esperança da vida eterna.
Vamos contemplar, para fortalecimento de nossa fé os acontecimentos desse dia e ver como o Espírito Santo ainda hoje vem a nossos corações.
1. O dia de Pentecoste
Antes de Jesus subir aos céus, ele disse a seus discípulos: João (Batista) batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois deste dia. (Atos 1.5) Esta promessa Jesus cumpriu no dia de Pentecostes.
Neste dia, os judeus celebravam a entrega da Lei de Deus, os Dez Mandamentos, que Deus entrego a Moisés no Monte Sinai. (Levíticos 20)
Esse foi um dia terrível. Deus havia avisado por Moisés que ele queria falar ao povo. Eles deveria preparar-se para isto durante três dias, lavar suas roupas, examinar seus corações, e com oração e jejum se preparar para o encontro com Deus. No terceiro dia, estando todos reunidos de manhã, Deus desceu numa nuvem sobre o cume do monte Sinai. A terra tremeu. Houve relâmpagos e trovões. Então, do meio da nuvem, Deus começou a falar: Eu sou o Senhor, teu Deus, não terás outras deuses diante de mim. O povo ficou apavorado e fugiram da presença de Deus, dizendo a Moisés: Fala-nos tu, e te ouviremos, porém não fala Deus conosco, para que não morramos. (Êxodo 20.19)
Neste dia de Pentecostes, a segunda maior festa judaica, judeus de todas as partes do mundo afluíam para Jerusalém. Deus escolheu este dia para enviar seu Espírito Santo.
Os discípulos estavam todos reunidos em oração, quando de manhã, às 9h, ouviu-se de repente, vindo do céu, um forte som, como de um vento impetuoso – nós diríamos de uma tempestade – que se concentrou na casa onde estavam os discípulos. Este vento era como o Sino pelo qual Deus estava chamando a atenção de toda a Jerusalém, chamando os para um culto especial nesse dia. O povo assustado e apavorado correu para a rua e se perguntava: O que é isso? Alguns diziam: O som vem dali, daquela casa e correram para lá.
2. As línguas como que de fogo e corações cheios do Espírito Santo
Algo mais estranho aconteceu aos discípulos. Sobre suas cabeças pairavam línguas como que de fogo. Um sinal visível da presença do Espírito Santo.
Mas quem é o Espírito Santo? Ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e do Filho. Ele atuou na criação do universo. Ele gerou a fé em Adão e Eva, bem como em todos os que no Antigo Testamento chegaram à fé. Ele concedeu dons aos profetas para proclamarem a mensagem, como sabedoria aos reis fiéis para governarem. E foi adorado pelos louvores ao Santo, Santo, Santo Deus. No Antigo Testamento ele trabalhou discretamente. Só agora ele se manifestou de forma visível. Isto, porque sua missão é glorificar a Cristo, o que ele pode fazer somente depois de Cristo ter completado sua missão e reconciliado a humanidade com o Pai. As línguas de fogo eram sinais de sua presença.
Mas, olhemos ainda para o que os discípulos experimentaram em seus corações. Eles, antes amedrontados e tímidos, agora, de repente, estão cheios de coragem, ânimo. Eles têm clareza quanto à palavra de Deus e sabem o que dizer a respeito da grandeza de Deus, do amor de Deus revelado em Cristo. Além disso, eles receberam do Espírito Santo um dom bem especial, o de falarem em outras línguas. Eles puderam falar em diversos idiomas conforme a necessidade do momento. Nosso texto registra o nome dos diversos países de onde as pessoas vieram para a festa. Eram judeus ou prosélitos, pessoas convertidas ao judaísmo, que falavam a língua hebraica. Mas eles deveriam levar esta mensagem do evangelho para seus países, para isso era importante que ouvissem a mensagem do evangelho em suas línguas maternas, para poderem transmiti-la corretamente.
3. O sermão do apóstolo Pedro
Inicialmente, todos os discípulos pregaram e falaram os mais diversos idiomas das grandezas de Deus, isto é, do amor de Deus revelando em Cristo Jesus que, como substituto de toda a humanidade, cumpriu a lei de Deus, pagou pelos pecados de toda a humanidade e a reconciliou com Deus. Ressuscitou dos mortos, subiu aos céus, e como prova de estar no céu, à direita do Pai, enviou o Espírito Santo.
Depois disso, o apóstolo Pedro tomou a palavra e falou a esta grande multidão na língua hebraica. O Espírito Santo atuou poderosamente nos corações. Vejamos.
Em primeiro lugar, o apóstolo foi muito claro e direto, ele disse à multidão: Vós matastes o autor da vida, por mãos iníquas, ao qual, porém, Deus ressuscitou... A este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor, e Cristo. (Atos 2.23,24, 36)
O apóstolo Pedro lhes pregou a lei. Mostrou-lhes o grande pecado que eles cometeram crucificando o Filho de Deus. Esta mensagem os fulminou como um raio. Por esta mensagem o Espírito Santo trabalhou nos corações, tirando a cegueira natural para mostrar-lhes seus pecados. Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram: Que faremos irmãos? (v. 37)
Mesmo assim, precisamos dizer que o aplicar da lei não é o trabalho principal do Espírito Santo. Seu trabalho próprio é pelo evangelho, a boa nova da salvação, chamar, iluminar, operar e conservar a fé. Isto ele fez no dia de Pentecostes. Quando o apóstolo Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo... Salvai-vos desta geração perversa. (v. 38,40) E qual foi o resultado?
Um grupo, o número não nos é revelado, ouvindo os apóstolos testemunhando em diversos idiomas das grandezas de Deus, começaram a zombar, dizendo: estão cheios de vinhos. (v. 13) Infelizmente, é possível, resistir ao Espírito Santo, como Estêvão o disse em outra oportunidade: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coação e de ouvidos, vos sempre resistir ao Espírito Santo. (Atos 7.51) Deus nos livre de tal.
Mas, por outro, três mil pessoas reconheceram seus pecados, se arrependeram, confiaram na graça de Cristo e se deixaram batizar. Louvado seja Deus.
4. Ainda hoje o Espírito Santo continua atuando
Vamos ao final. Pentecostes não é um fato de passado, uma festa na qual admiramos simplesmente os acontecimentos passados. Pentecostes é uma festa permanente. O Espírito Santo veio para ficar. Jesus disse: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. (João 14.16) O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João 14.26)Quando vier o Consolador, ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. (João 16.8) Portanto, Pentecostes é uma festa que continua, porque o Espírito Santo veio para ficar e edificar a Igreja Cristã, até o dia do juízo final.
Conclusão
Agora a importante pergunta final: Você recebeu o Espírito Santo? Você está cheio do Espírito Santo? Importa que cada um faça esta pergunta sinceramente a si mesmo. Para detalhar isso, pergunto: Você já sentiu uma vez o forte e impetuoso vento do Sinai? Você já se sentiu uma vez fortemente atingido pela lei de Deus, a ponto de estremecer diante de Deus e reconhecer: pequei. Sou réu da eterna condenação. Ai de mim! Eu sei que em mim isto é, na minha carne não habita bem nenhum. (Rm 7.18) Sou profundamente egoísta, não tenho amado a Deus sobre tudo, nem o meu próximo, a partir dos meus familiares, como a mim mesmo! Sou um miserável pecador!
Isto, na verdade, é somente um trabalho preparativo do Espírito Santo, sem o qual não reconhecermos a verdadeira necessidade de um salvador.
E outra pergunta: Você sentiu também a brisa amena do santo evangelho, que de repente, em meio ao seu desespero, a lembrança de um versículo bíblico, da estrofe de um hino do Hinário, ou de um trecho da liturgia, fez com que você se apegasse ao evangelho e saber: Deus me ama em Cristo, apesar dos protestos da minha razão, das acusações da minha consciência e dos sentimentos contrários no meu coração, eu sei que Deus me ama e me perdoa, desfrutando assim a paz de Deus. Você novamente levantou seu rosto e criou ânimo para louvar e enaltecer a Deus.
Você já foi uma vez bem triste ao culto e não conseguiu nem cantar os primeiros hinos. Mas ouvindo os hinos, ouvindo as leituras, orações e a mensagem, de repente você começou a cantar junto e se alegrar na graça de Cristo. Pois bem, isto é o trabalho do Espírito Santo ainda hoje. Consolar com a graça de Cristo, fazer as pessoas jubilar alegremente, contra tudo o que vê e sente ao seu derredor. Encher os corações com a paz de Cristo e a esperança da vida eterna.
E isto faz com que você também passa a testemunhar e falar da grandeza do amor de Deus em Cristo. Nisso você experimentará também que os incrédulos ao seu derredor começam a zombar de você e taxá-lo de fanático, não bem certo da cabeça, etc. Mas isso não o amedrontará, pelo contrário, fará você orar pelos outros e continuar a testemunhar.
Maravilhoso dia de Pentecostes. Ouvir a Palavra de Deus, seu evangelho e sentir Deus, por sua graça, encher nossos corações com seu Espírito para que possamos jubilar, orar e testemunhar. Amém.
São Leopoldo, 28/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
sexta-feira, 29 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Ascensão. Efésios 4.8
Ascensão.
Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro, e concedeu dons aos homens. (Ef 4.8)
Introdução
Celebramos hoje o glorioso dia da ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo. A ascensão é o clímax da encarnação de Jesus Cristo e de sua obra redentora.
A ascensão de Jesus Cristo é um fato histórico. Quarenta dias após sua ressurreição, Jesus convocou seus discípulos para Jerusalém. Dali ele foi com eles para o monte das Oliveiras, chamado também de Oliva. Ali, no outro lado do Getsêmani, de onde se avistava Betânia, Jesus se despediu dos seus discípulos e foi elevado às alturas, até que uma nuvem o encobriu dos olhos de seus discípulos. Uma despedida de sua presença visível e ao mesmo tempo uma promessa de sua presença real, como ele afirmou: Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt 28.20)
Diante disto perguntamos: O que aconteceu na ascensão de Jesus? Que importância tem ela para nossos dias?
1. O que aconteceu na ascensão de Jesus Cristo?
Quando Jesus veio ao mundo e se encarnou na virgem Maria, ele se humilhou profundamente. Nasceu pobre, numa estrebaria. Mas não deixou de ser Deus. Só que, durante sua humilhação, ele não usou sempre e inteiramente sua majestade divina. Só vez por outra, por ocasião de um e outro milagre as pessoas poderiam notar: ele é Deus. Seus discípulos o perceberam e o confessaram: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. (Mt 16.16) A mente humana não o pode compreender como um homem pobre, que não tinha onde reclinar a cabeça, poderia ser Deus. Muito menos quando eles o açoitaram e o pregar na cruz. As pessoas zombavam dele dizendo: Se és filho de Deus, desça da cruz, para que o creiamos. (Mt 27.40-44) Tão profunda foi sua humilhação.
Mas agora ressuscitou. Ao ressuscitar, ele não deixou de ser verdadeiro homem. Continuou pessoa humana. Disse a seus discípulos: Vede minhas mãos, apalpai-me e vede que sou eu. Um espírito não carne nem ossos. (Lc 24.39,40) E durante quarenta dias se mostrou e conversou com eles.
Então veio o glorioso dia da ascensão. Esta não foi simplesmente uma despedida, pois ele disse a seus discípulos: É me dado todo o poder, nos céus e na terra. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt 28.20) Ele foi elevado às alturas como verdadeira pessoa, agora exaltado, isto é, ele como homem compartilha e usa todas suas qualidades divinas. Ele agora como homem é onipresente, onisciente, onipotente. Assentou-se à direita do Pai, a saber, o Pai lhe entregou todo o poder. Ele agora, como homem governa céus e terra; com seu poder, a todos e ninguém pode resistir-lhe, com sua graça, a sua igreja, com glória, sobre os que partiram para a glória e estão com ele. Ele agora enche céus e terra como verdadeiro Deus e homem. Isto nossa razão não consegue compreender. Por isso, ao contemplarmos a ascensão de Jesus Cristo, devemos ater-nos restritamente ao que a Escritura diz. Isto é base firme para nossa fé.
2. Que importância tem isso para nós?
Que importância, que proveito temos nós da ascensão de Jesus? O apóstolo Paulo usando as palavras do salmista afirma: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. (Sl 68.18; Ef 4.8) Que cativeiro Jesus levou cativo? O nossos cativeiro, os inimigos que nos mantinham presos.
Quando Deus criou Adão e Eva, ele os criou perfeitos. Mas eles se deixaram enganar e caíram em pecado. Desde lá todas as pessoas nascem escravos do pecado, da morte e de Satanás, réus da eterna condenação. Jesus, pelo perfeito cumprimento da lei, por sua paixão e morte, e sua vitoriosa ressurreição, ele nos libertou desses inimigos. Ele os venceu. Ele foi nosso substituto e toda a pessoa que se arrepende de seus pecados e confia na graça de Cristo tem parte nessa vitória. A vitória lhe pertence. Portanto, pecado, morte e Satanás são agora nossos prisioneiros.
Alguém dirá, como? Não somos diariamente afrontados pelo pecado, não tememos a morte e Satanás não nos arma diariamente ciladas, procurando nos prostrar? Sim. Enquanto estivermos aqui na terra é assim. Mas, o apóstolo Paulo diz que todas as coisas cooperam para o bem dos que temem e amam a Deus. (Rm 8.28)
Em que sentido o pecado coopera para o nosso bem? Imaginam se não houvesse mais tentação ao pecado, nossa fé esmoreceria e iríamos tratar a palavra de Deus com indiferença. Agora o pecado serve para aumentar nosso zelo na luta contra o pecado e para que nos apeguemos tanto mais à graça de Cristo.
Assim o é também com a morte. Ela é uma inimiga terrível de toda a humanidade. Mas pela ascensão de Cristo, ela é nossa prisioneira. Ela não pode mais nos engolir. Pelo contrário por seu assustar ajuda para que os fiéis recorram e se apeguem ainda mais a Cristo, buscando sua ajuda e salvação, estando sempre preparados para deixar o mundo e estar com Cristo o que é muito melhor. Se não houvesse morte, não buscaríamos o consolo na palavra de Deus como deveríamos.
Assim também o é com a lei. Sua maldição não pode mais nos causar dano, mas nos impulsiona a buscarmos a bênção e a ajuda de Cristo. O trovejar da lei com sua maldição nos é uma abençoada tormenta, após a qual a semente do evangelho brota e cresce com mais força.
Assim o é também com o próprio Satanás. Por natureza, ele nos tem sob sua tirania. Mas depois que Cristo se assentou no trono, ele é nosso prisioneiro. Uma palavra o prostra ao chão. Sua astúcia, seu poder, bem como suas investidas, coopera agora para que busquemos e nos entreguemos mais à proteção de Deus, tornando-nos cuidadosos e corajosos para andar nos caminhos de Deus.
Assim contemplamos corretamente a ascensão de Cristo, quando reconhecemos que Cristo levou cativo o nosso cativeiro e nos conquistou a vitória.
Sejamos, por isso, muito agradecidos a Cristo por sua obra e sua ascensão, apegando-nos ao nosso Salvador. Em seu abrigo estamos protegidos de nossos inimigos. A ele queremos abrir nossos corações, para que os enche a com suas bênção e seus dons. A ele seja a honra, e o louvor, a adoração e glória por toda a eternidade. Amém
São Leopoldo, 20/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro, e concedeu dons aos homens. (Ef 4.8)
Introdução
Celebramos hoje o glorioso dia da ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo. A ascensão é o clímax da encarnação de Jesus Cristo e de sua obra redentora.
A ascensão de Jesus Cristo é um fato histórico. Quarenta dias após sua ressurreição, Jesus convocou seus discípulos para Jerusalém. Dali ele foi com eles para o monte das Oliveiras, chamado também de Oliva. Ali, no outro lado do Getsêmani, de onde se avistava Betânia, Jesus se despediu dos seus discípulos e foi elevado às alturas, até que uma nuvem o encobriu dos olhos de seus discípulos. Uma despedida de sua presença visível e ao mesmo tempo uma promessa de sua presença real, como ele afirmou: Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt 28.20)
Diante disto perguntamos: O que aconteceu na ascensão de Jesus? Que importância tem ela para nossos dias?
1. O que aconteceu na ascensão de Jesus Cristo?
Quando Jesus veio ao mundo e se encarnou na virgem Maria, ele se humilhou profundamente. Nasceu pobre, numa estrebaria. Mas não deixou de ser Deus. Só que, durante sua humilhação, ele não usou sempre e inteiramente sua majestade divina. Só vez por outra, por ocasião de um e outro milagre as pessoas poderiam notar: ele é Deus. Seus discípulos o perceberam e o confessaram: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. (Mt 16.16) A mente humana não o pode compreender como um homem pobre, que não tinha onde reclinar a cabeça, poderia ser Deus. Muito menos quando eles o açoitaram e o pregar na cruz. As pessoas zombavam dele dizendo: Se és filho de Deus, desça da cruz, para que o creiamos. (Mt 27.40-44) Tão profunda foi sua humilhação.
Mas agora ressuscitou. Ao ressuscitar, ele não deixou de ser verdadeiro homem. Continuou pessoa humana. Disse a seus discípulos: Vede minhas mãos, apalpai-me e vede que sou eu. Um espírito não carne nem ossos. (Lc 24.39,40) E durante quarenta dias se mostrou e conversou com eles.
Então veio o glorioso dia da ascensão. Esta não foi simplesmente uma despedida, pois ele disse a seus discípulos: É me dado todo o poder, nos céus e na terra. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt 28.20) Ele foi elevado às alturas como verdadeira pessoa, agora exaltado, isto é, ele como homem compartilha e usa todas suas qualidades divinas. Ele agora como homem é onipresente, onisciente, onipotente. Assentou-se à direita do Pai, a saber, o Pai lhe entregou todo o poder. Ele agora, como homem governa céus e terra; com seu poder, a todos e ninguém pode resistir-lhe, com sua graça, a sua igreja, com glória, sobre os que partiram para a glória e estão com ele. Ele agora enche céus e terra como verdadeiro Deus e homem. Isto nossa razão não consegue compreender. Por isso, ao contemplarmos a ascensão de Jesus Cristo, devemos ater-nos restritamente ao que a Escritura diz. Isto é base firme para nossa fé.
2. Que importância tem isso para nós?
Que importância, que proveito temos nós da ascensão de Jesus? O apóstolo Paulo usando as palavras do salmista afirma: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. (Sl 68.18; Ef 4.8) Que cativeiro Jesus levou cativo? O nossos cativeiro, os inimigos que nos mantinham presos.
Quando Deus criou Adão e Eva, ele os criou perfeitos. Mas eles se deixaram enganar e caíram em pecado. Desde lá todas as pessoas nascem escravos do pecado, da morte e de Satanás, réus da eterna condenação. Jesus, pelo perfeito cumprimento da lei, por sua paixão e morte, e sua vitoriosa ressurreição, ele nos libertou desses inimigos. Ele os venceu. Ele foi nosso substituto e toda a pessoa que se arrepende de seus pecados e confia na graça de Cristo tem parte nessa vitória. A vitória lhe pertence. Portanto, pecado, morte e Satanás são agora nossos prisioneiros.
Alguém dirá, como? Não somos diariamente afrontados pelo pecado, não tememos a morte e Satanás não nos arma diariamente ciladas, procurando nos prostrar? Sim. Enquanto estivermos aqui na terra é assim. Mas, o apóstolo Paulo diz que todas as coisas cooperam para o bem dos que temem e amam a Deus. (Rm 8.28)
Em que sentido o pecado coopera para o nosso bem? Imaginam se não houvesse mais tentação ao pecado, nossa fé esmoreceria e iríamos tratar a palavra de Deus com indiferença. Agora o pecado serve para aumentar nosso zelo na luta contra o pecado e para que nos apeguemos tanto mais à graça de Cristo.
Assim o é também com a morte. Ela é uma inimiga terrível de toda a humanidade. Mas pela ascensão de Cristo, ela é nossa prisioneira. Ela não pode mais nos engolir. Pelo contrário por seu assustar ajuda para que os fiéis recorram e se apeguem ainda mais a Cristo, buscando sua ajuda e salvação, estando sempre preparados para deixar o mundo e estar com Cristo o que é muito melhor. Se não houvesse morte, não buscaríamos o consolo na palavra de Deus como deveríamos.
Assim também o é com a lei. Sua maldição não pode mais nos causar dano, mas nos impulsiona a buscarmos a bênção e a ajuda de Cristo. O trovejar da lei com sua maldição nos é uma abençoada tormenta, após a qual a semente do evangelho brota e cresce com mais força.
Assim o é também com o próprio Satanás. Por natureza, ele nos tem sob sua tirania. Mas depois que Cristo se assentou no trono, ele é nosso prisioneiro. Uma palavra o prostra ao chão. Sua astúcia, seu poder, bem como suas investidas, coopera agora para que busquemos e nos entreguemos mais à proteção de Deus, tornando-nos cuidadosos e corajosos para andar nos caminhos de Deus.
Assim contemplamos corretamente a ascensão de Cristo, quando reconhecemos que Cristo levou cativo o nosso cativeiro e nos conquistou a vitória.
Sejamos, por isso, muito agradecidos a Cristo por sua obra e sua ascensão, apegando-nos ao nosso Salvador. Em seu abrigo estamos protegidos de nossos inimigos. A ele queremos abrir nossos corações, para que os enche a com suas bênção e seus dons. A ele seja a honra, e o louvor, a adoração e glória por toda a eternidade. Amém
São Leopoldo, 20/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Atos 1.2-11. Ascensão
Ascensão. Atos 1.2-11.
Introdução
Celebramos hoje o grande dia da Ascensão de Cristo. Uma festa do Novo Testamento, mas já os fiéis do Antigo Testamento se alegravam neste dia do futuro. Lemos o Salmo 47: Subiu Deus por entre aclamações, o SENHOR, ao som de trombeta. Salmodiai a Deus, cantai louvores; salmodiai ao nosso Rei, cantai louvores. Deus é o Rei de toda a terra; salmodiai com harmonioso cântico. (Salmos 47.5-7 RA) E nós cantamos na liturgia da Santa Ceia: Levantai os vossos corações, Levantemo-los ao Senhor! (Lm 3.41) Temos bons motivos para tanto, especialmente nesse dia, e também porque na Santa Ceia Cristo está presente. Ele nos dá com, em e sob o pão, seu verdadeiro corpo, e com, em e sob o vinho o seu verdadeiro sangue, dados e derramados por nós, para remissão dos pecados.
A ascensão de Jesus é o clímax de sua encarnação, de sua obra redentora. Ele, como nosso irmão na carne e nosso substituto, cumpriu perfeitamente a lei de Deus, pagou pelos pecados de toda a humanidade, lutou e venceu nossos inimigos: pecado, morte e Satanás. Assim Jesus reconciliou a humanidade com Deus lhe conquistou maravilhosa e completa salvação, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Após sua ressurreição, Jesus se manifestou durante 40 dias a seus discípulos. Então subiu ao céu, assentou-se à direita do Pai, que lhe entregou todo o poder sobre céu e terra. Ele agora governa sobre tudo e todos. Vejamos este maravilhoso acontecimento e seu significado para nós.
1 - O fato foi profetizado no Antigo Testamento e predito por Jesus.
Jesus não queria simplesmente subir ao céu após sua obra redentora. Sua ascensão foi determinada na eternidade e anunciada pelos profetas. O salmo 47, que lemos há pouco, deixa isso bem claro.
Por outro, Jesus o anunciou durante sua vida. Ele disse: Vim do Pai e entrei no mundo; todavia, deixo o mundo e vou para o Pai. (João 16.28 RA) E a Maria Madalena ele disse: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. (João 20.17 RA)
2 - O lugar de sua ascensão. O lugar de sua ascensão foi o monte das Oliveiras ou Olival, a cujos pés estão a cidade de Betânia e do outro lado do monte, a cidade de Jerusalém. No monte das Oliveiras havia muitas árvores: oliveiras, palmeiras, figueiras, etc. A oliveira tornou-se um símbolo da paz e da graça de Deus. Quando a pomba retornou à arca de Noé, ela trouxe no bico um ramo de oliveira, sinal que a ira de Deus passou e sinal do Espírito Santo. Na carta aos hebreus lemos: Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros. (Hebreus 1.9 RA)
Deste monte Jesus subiu ao céu, para do céu dar-nos tudo o que ele conquistou: perdão dos pecados, paz de consciência, o dom do Espírito Santo e encher nossas almas da esperança da vida eterna.
Deste monte, Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém, para ali padecer, sofrer, morrer e depois ressuscitar. Nesse monte lutou em oração a ponto de suar gostas de sangue. Desse monte subiu, agora, triunfalmente no céu. Os anjos que o confortaram em sua luta, agora o recebem no céu.
Neste mesmo monte, Salomão havia construído os templos para os ídolos de suas mulheres que lhe perverteram o coração (1 Rs 11.7) Daqui Jesus envia, agora, seus apóstolos para conquistarem o mundo pelo evangelho.
3 - Ele subiu de forma visível. Sua ascensão foi visível. Jesus não desapareceu simplesmente, como Enoque. (Gn 5.24) A ascensão de Cristo foi real. É um evento histórico. Os apóstolos o testemunharam e proclamaram. O fato foi incluído no Credo Apostólico, e todos os cristãos o confessam. A ascensão não foi um evento “espiritual”, existindo somente na imaginação mística dos apóstolos. Ele realmente subiu visível da terra ao céu, ignorando a lei da gravidade. Ao subir diretamente ao céu, abençoou seus discípulos, até que uma o encobriu e eles não o viram mais. O Salmo afirma: Tomas as nuvens por teu carro e voas nas asas do vento. (Salmos 104:3 RA) O profeta Daniel viu isto em suas visões, escreveu: Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído. (Daniel 7.13-14 RA)
Esta ascensão mostra que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ele subiu ao céu como homem, pois nele as duas naturezas a divina e a humana estão unidas de forma inseparável numa só pessoa.
4 - As testemunhas do evento. Após sua ressurreição, Jesus se manifestou vivo durante 40 dias a seus discípulos, com provas infalíveis. Ele apareceu a Maria Madalena na sepultura aberta e às mulheres que vieram embalsamar seu corpo. Elas encontraram a sepultura aberta e dois anjos que perguntaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? (Lucas 24.5 RA) Assustadas, saíram correndo. No caminho Jesus se manifestou a eles. (Mt 28.9) Jesus se revelou a Pedro (Lc 24.34), aos discípulos de Emaús (Lc 24.13), e à noite a todos eles (Lc 24.36), na outra semana mais uma vez a todos eles e também a Tomé. (Jo 20.24) No mar da Galiléia apareceu s sete dos discípulos e depois a mais de 500 pessoas num monte (Jo 21) que ele lhes havia determinou. Jesus aproveitou os últimos dias para ensinar e fortalecer a fé de seus discípulos.
Os apóstolos testemunharam o evento. Até este momento, eles ainda não haviam compreendido corretamente o que era o reino de Cristo. Por isso lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? (v. 6) Pensavam na maneira dos fariseus, que esperavam um reino material aqui na terra, como os milenaristas em nossos dias. Eles esperam que Jesus voltará visível para erguer em Jerusalém um reino material, e que reinará mil anos na terra, erguendo um reino de paz, no qual os judeus serão privilegiados. Estão completamente enganados. Jesus rejeitou tal impressão e respondeu: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; (Atos 1.7 RA) Então lhes explicou que receberiam o Espírito Santo para serem suas testemunhas... até aos confins da terra. (v.8) O Consolador os orientará, como Jesus havia dito: O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João 14.26 RA)
Dois anjos também são testemunhas. Duas testemunhas são requeridas para estabelecer a verdade. Aqui temos dois anjos. Assim como os dois querubins de ouro estavam sobre a arca do conserto, dois anjos testemunham da ascensão de Cristo. Anjos haviam sido colocados na entrada do paraíso, de onde os homens foram expulsos por causa do pecado, para que não comessem da árvore da vida. Agora os anjos falam cordialmente com os discípulos e lhes anunciam que o céu foi aberto. Jesus entrou no mesmo como precursor dos salvos e mostram como a Ascensão está conectada à segunda vinda de Cristo. Isto mostra que nos importa viver uma vida em verdadeira fé santificação até aquele dia.
Lucas relata: Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu. (Lucas 24.51 RA) Este abençoar não foi simplesmente um desejo piedoso, um simples: Adeus aos discípulos, mas um ato solene e sacerdotal. Levantar as mãos é, nas cortes, um sinal de juramento; é também um ato sacerdotal, como na bênção araónica. Aqui Jesus o faz como o verdadeiro sumo sacerdote, o Filho de Deus. De suas mãos, que estavam pregadas na cruz, fluem agora graça e poder.
Quando subiu ao céu, ele não deixou o mundo. Ele disse: E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mateus 28.20 RA) Ele está aqui, com seus fiéis, especialmente onde dois ou três estão reunidos em seu nome. Só que agora não podemos vê-lo. Ele ocultou sua presença visível na terra, mas no fim dos tempos, ele voltará visível e todos o verão. Lemos: E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. (Atos 1.10-11 RA)
5 - O que aconteceu realmente na ascensão de Jesus? O salmo 68 o explica: Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o SENHOR Deus habite no meio deles. Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação. (Salmos 68.18-19 RA) Assim Jesus tomou lugar no céu como nosso precursor e levou cativo o cativeiro, nosso cativeiro pecado, morte e o diabo. Ele os levou cativos e nos dá em resposta perdão, vida e a eterna salvação. Ele recebeu dons para nós: o Espírito Santo e o santo ministério.
Ele subiu para tomar seu lugar à direita de Deus e governar como Rei. Ele governa o mundo, com poder, sua igreja, com graça e aos que estão na glória, com glória. Ele foi para nos preparar lugar. Sua trajetória ao Gólgota, sua ressurreição, sua ascensão, o assentar-se à direita do Pai, o interceder por nós, tudo isso faz parte do seu ir ao Pai e nos preparar lugar. Ele é nosso Advogado junto ao Pai. Nele temos perdão. Ele nos protege e nos firma na fé, nos guia no caminho para alcancemos o fim que desejamos, de sermos recebidos pelo Pai.
Conclusão
Não devemos esperá-lo, agora, olhando simplesmente para o céu. Cumpre-nos, sim, levantar nossos olhos e corações ao alto, como o afirma o apóstolo Paulo: Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra. (Colossenses 3.1-2 RA)
Importa vigiar e orar, para não sermos envolvidos de tal maneira pelas coisas do mundo, a ponto de seguirmos as inclinações de nossa carne. Cumpre-nos mortificar diariamente nosso velho homem e fazer ressurgir o novo homem que vive diante de Deus em perfeita justiça e santidade. Ele virá em breve para julgar vivos e mortos. Levantai os vossos corações. Levantemo-los ao Senhor. Amém.
São Leopoldo, 08/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
Introdução
Celebramos hoje o grande dia da Ascensão de Cristo. Uma festa do Novo Testamento, mas já os fiéis do Antigo Testamento se alegravam neste dia do futuro. Lemos o Salmo 47: Subiu Deus por entre aclamações, o SENHOR, ao som de trombeta. Salmodiai a Deus, cantai louvores; salmodiai ao nosso Rei, cantai louvores. Deus é o Rei de toda a terra; salmodiai com harmonioso cântico. (Salmos 47.5-7 RA) E nós cantamos na liturgia da Santa Ceia: Levantai os vossos corações, Levantemo-los ao Senhor! (Lm 3.41) Temos bons motivos para tanto, especialmente nesse dia, e também porque na Santa Ceia Cristo está presente. Ele nos dá com, em e sob o pão, seu verdadeiro corpo, e com, em e sob o vinho o seu verdadeiro sangue, dados e derramados por nós, para remissão dos pecados.
A ascensão de Jesus é o clímax de sua encarnação, de sua obra redentora. Ele, como nosso irmão na carne e nosso substituto, cumpriu perfeitamente a lei de Deus, pagou pelos pecados de toda a humanidade, lutou e venceu nossos inimigos: pecado, morte e Satanás. Assim Jesus reconciliou a humanidade com Deus lhe conquistou maravilhosa e completa salvação, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Após sua ressurreição, Jesus se manifestou durante 40 dias a seus discípulos. Então subiu ao céu, assentou-se à direita do Pai, que lhe entregou todo o poder sobre céu e terra. Ele agora governa sobre tudo e todos. Vejamos este maravilhoso acontecimento e seu significado para nós.
1 - O fato foi profetizado no Antigo Testamento e predito por Jesus.
Jesus não queria simplesmente subir ao céu após sua obra redentora. Sua ascensão foi determinada na eternidade e anunciada pelos profetas. O salmo 47, que lemos há pouco, deixa isso bem claro.
Por outro, Jesus o anunciou durante sua vida. Ele disse: Vim do Pai e entrei no mundo; todavia, deixo o mundo e vou para o Pai. (João 16.28 RA) E a Maria Madalena ele disse: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. (João 20.17 RA)
2 - O lugar de sua ascensão. O lugar de sua ascensão foi o monte das Oliveiras ou Olival, a cujos pés estão a cidade de Betânia e do outro lado do monte, a cidade de Jerusalém. No monte das Oliveiras havia muitas árvores: oliveiras, palmeiras, figueiras, etc. A oliveira tornou-se um símbolo da paz e da graça de Deus. Quando a pomba retornou à arca de Noé, ela trouxe no bico um ramo de oliveira, sinal que a ira de Deus passou e sinal do Espírito Santo. Na carta aos hebreus lemos: Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros. (Hebreus 1.9 RA)
Deste monte Jesus subiu ao céu, para do céu dar-nos tudo o que ele conquistou: perdão dos pecados, paz de consciência, o dom do Espírito Santo e encher nossas almas da esperança da vida eterna.
Deste monte, Jesus iniciou sua entrada triunfal em Jerusalém, para ali padecer, sofrer, morrer e depois ressuscitar. Nesse monte lutou em oração a ponto de suar gostas de sangue. Desse monte subiu, agora, triunfalmente no céu. Os anjos que o confortaram em sua luta, agora o recebem no céu.
Neste mesmo monte, Salomão havia construído os templos para os ídolos de suas mulheres que lhe perverteram o coração (1 Rs 11.7) Daqui Jesus envia, agora, seus apóstolos para conquistarem o mundo pelo evangelho.
3 - Ele subiu de forma visível. Sua ascensão foi visível. Jesus não desapareceu simplesmente, como Enoque. (Gn 5.24) A ascensão de Cristo foi real. É um evento histórico. Os apóstolos o testemunharam e proclamaram. O fato foi incluído no Credo Apostólico, e todos os cristãos o confessam. A ascensão não foi um evento “espiritual”, existindo somente na imaginação mística dos apóstolos. Ele realmente subiu visível da terra ao céu, ignorando a lei da gravidade. Ao subir diretamente ao céu, abençoou seus discípulos, até que uma o encobriu e eles não o viram mais. O Salmo afirma: Tomas as nuvens por teu carro e voas nas asas do vento. (Salmos 104:3 RA) O profeta Daniel viu isto em suas visões, escreveu: Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído. (Daniel 7.13-14 RA)
Esta ascensão mostra que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ele subiu ao céu como homem, pois nele as duas naturezas a divina e a humana estão unidas de forma inseparável numa só pessoa.
4 - As testemunhas do evento. Após sua ressurreição, Jesus se manifestou vivo durante 40 dias a seus discípulos, com provas infalíveis. Ele apareceu a Maria Madalena na sepultura aberta e às mulheres que vieram embalsamar seu corpo. Elas encontraram a sepultura aberta e dois anjos que perguntaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? (Lucas 24.5 RA) Assustadas, saíram correndo. No caminho Jesus se manifestou a eles. (Mt 28.9) Jesus se revelou a Pedro (Lc 24.34), aos discípulos de Emaús (Lc 24.13), e à noite a todos eles (Lc 24.36), na outra semana mais uma vez a todos eles e também a Tomé. (Jo 20.24) No mar da Galiléia apareceu s sete dos discípulos e depois a mais de 500 pessoas num monte (Jo 21) que ele lhes havia determinou. Jesus aproveitou os últimos dias para ensinar e fortalecer a fé de seus discípulos.
Os apóstolos testemunharam o evento. Até este momento, eles ainda não haviam compreendido corretamente o que era o reino de Cristo. Por isso lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? (v. 6) Pensavam na maneira dos fariseus, que esperavam um reino material aqui na terra, como os milenaristas em nossos dias. Eles esperam que Jesus voltará visível para erguer em Jerusalém um reino material, e que reinará mil anos na terra, erguendo um reino de paz, no qual os judeus serão privilegiados. Estão completamente enganados. Jesus rejeitou tal impressão e respondeu: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; (Atos 1.7 RA) Então lhes explicou que receberiam o Espírito Santo para serem suas testemunhas... até aos confins da terra. (v.8) O Consolador os orientará, como Jesus havia dito: O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João 14.26 RA)
Dois anjos também são testemunhas. Duas testemunhas são requeridas para estabelecer a verdade. Aqui temos dois anjos. Assim como os dois querubins de ouro estavam sobre a arca do conserto, dois anjos testemunham da ascensão de Cristo. Anjos haviam sido colocados na entrada do paraíso, de onde os homens foram expulsos por causa do pecado, para que não comessem da árvore da vida. Agora os anjos falam cordialmente com os discípulos e lhes anunciam que o céu foi aberto. Jesus entrou no mesmo como precursor dos salvos e mostram como a Ascensão está conectada à segunda vinda de Cristo. Isto mostra que nos importa viver uma vida em verdadeira fé santificação até aquele dia.
Lucas relata: Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo elevado para o céu. (Lucas 24.51 RA) Este abençoar não foi simplesmente um desejo piedoso, um simples: Adeus aos discípulos, mas um ato solene e sacerdotal. Levantar as mãos é, nas cortes, um sinal de juramento; é também um ato sacerdotal, como na bênção araónica. Aqui Jesus o faz como o verdadeiro sumo sacerdote, o Filho de Deus. De suas mãos, que estavam pregadas na cruz, fluem agora graça e poder.
Quando subiu ao céu, ele não deixou o mundo. Ele disse: E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mateus 28.20 RA) Ele está aqui, com seus fiéis, especialmente onde dois ou três estão reunidos em seu nome. Só que agora não podemos vê-lo. Ele ocultou sua presença visível na terra, mas no fim dos tempos, ele voltará visível e todos o verão. Lemos: E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. (Atos 1.10-11 RA)
5 - O que aconteceu realmente na ascensão de Jesus? O salmo 68 o explica: Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o SENHOR Deus habite no meio deles. Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação. (Salmos 68.18-19 RA) Assim Jesus tomou lugar no céu como nosso precursor e levou cativo o cativeiro, nosso cativeiro pecado, morte e o diabo. Ele os levou cativos e nos dá em resposta perdão, vida e a eterna salvação. Ele recebeu dons para nós: o Espírito Santo e o santo ministério.
Ele subiu para tomar seu lugar à direita de Deus e governar como Rei. Ele governa o mundo, com poder, sua igreja, com graça e aos que estão na glória, com glória. Ele foi para nos preparar lugar. Sua trajetória ao Gólgota, sua ressurreição, sua ascensão, o assentar-se à direita do Pai, o interceder por nós, tudo isso faz parte do seu ir ao Pai e nos preparar lugar. Ele é nosso Advogado junto ao Pai. Nele temos perdão. Ele nos protege e nos firma na fé, nos guia no caminho para alcancemos o fim que desejamos, de sermos recebidos pelo Pai.
Conclusão
Não devemos esperá-lo, agora, olhando simplesmente para o céu. Cumpre-nos, sim, levantar nossos olhos e corações ao alto, como o afirma o apóstolo Paulo: Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra. (Colossenses 3.1-2 RA)
Importa vigiar e orar, para não sermos envolvidos de tal maneira pelas coisas do mundo, a ponto de seguirmos as inclinações de nossa carne. Cumpre-nos mortificar diariamente nosso velho homem e fazer ressurgir o novo homem que vive diante de Deus em perfeita justiça e santidade. Ele virá em breve para julgar vivos e mortos. Levantai os vossos corações. Levantemo-los ao Senhor. Amém.
São Leopoldo, 08/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
Atos 10.34-48. 6° Domingo da Páscoa
Atos 10.34-48. 6° Domingo da Páscoa. 15/05/2009
Mensagem: Este é o Senhor de todos... Ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados. (At 10.34-43).
Vivemos numa época na qual se enfatiza o amor e a união de todas as religiões, mas não de acordo com a palavra de Deus, mas com a razão humana. O apóstolo ordena: Esforçai-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. (Ef 4.3) Aqui temos a palavra: esforçai-vos. Esforçar-se para quê? Não para criar, mas preservar a unidade, a saber, a unidade que o Espírito criou. O ecumenismo moderno, no entanto, prega a unidade na diversidade. Partem do princípio que todas as religiões são boas, pois não existe verdade absoluta. Cada religião tem uma parte da verdade. Neste respeito, o editor do Los Angelos Times escreveu em 7/12/2001: “Creio que orar e prestar culto com pessoas de outras crenças implica no reconhecimento de que o Cristo atua em e através de uma variedade de instituições e manifestações religiosas. Nenhuma religião é dona absoluta da verdade e que nenhuma religião, inclusive a cristã, contém toda a verdade. Não posso me imaginar que Deus tenha se revelado somente a um grupo.” No Post-Dispatch de Sant`Louis, Missouri, Estados Unidos, do dia 3/12/01, lemos: “Não deveria cada um reconhecer que há muitas idéias diferentes sobre espiritualidade e de que todas devem ser respeitadas.” Essas são opiniões muito comuns em nossos dias. Afirma-se: Precisamos ser tolerantes e dar-nos as mãos. Será? O que Deus diz a respeito em sua Palavra. No primeiro Mandamento Deus diz: Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim. (Ex 20.3). Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos. (Sl 96.5) Fugi da idolatria. (1 Co 10.14). O único Deus verdadeiro, Criador e Mantenedor de céu e terra, revelou-se à humanidade desde Adão e Eva e por último nos falou por meio de seu Filho, Jesus Cristo. (Hb 1.1,2) E nosso texto afirma que dele todos os profetas dão testemunho. Esse Deus quer ser adorado como ele se revelou na Bíblia. E quem não o adora assim, não tem Deus. Por isso não podemos orar e prestar culto com pessoas que não adoram o único e verdadeiro Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Isso pode soar muito estranho em nossos dias, em que não se tem mais noção do que significa temer e amar a Deus.
Nosso texto, tirado da pregação do apóstolo Pedro na casa de Cornélio fala sobre a verdadeira adoração e culto a Deus.
1. Temer. Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. (v.34,35)
Que temor é este? O homem natural tem noção de Deus, isto é, ele sabe por sua consciência e pela natureza que Deus existe. Ele tem certo medo de Deus, mas não o conhece. Porque a natureza e a consciência não revelam quem é esse Deus. Pela ciência e pela filosofia nenhuma pessoa pode alcançar e conhecer a Deus. Ao mesmo tempo precisamos lembrar que desde a queda em pecado, somos todos inimigos do verdadeiro Deus, cegos em coisas espirituais. Logo, não temos verdadeiro temor e amor a Deus.
Verdadeiro temor a Deus (Ehrfurcht) só é gerado pelo Espírito Santo que atua por Palavra e sacramentos. Temor a Deus é um fruto da verdadeira fé na graça de Cristo.
Cornélio, um centurião romano, estava sediado em Cesaréia. Ele se interessou pela religião do povo judeu. Chegou ao conhecimento do verdadeiro Deus e da verdadeira fé e clamou a Deus. Sua fé brilhava por sua vida. Amava seus subalternos, fazia caridade, confessava sua fé, lia a Escritura e orava de contínuo. Deus ouviu suas orações e pediu que buscasse o apóstolo Pedro, a fim de ser informado sobre o cumprimento das promessas, a respeito de Jesus. Ao mesmo tempo, Deus mostrou ao apóstolo Pedro - ainda limitado por uma visão judaica errada, como se Deus privilegiasse o nascimento físico de alguém, a nacionalidade - que ele ama todos e quer que todos cheguem ao conhecimento da graça de Deus e sejam salvos. (1 Tm 2.4)
Desta fé brota o temor de Deus. Temor é conhecimento, profundo respeito ao Criador, Mantenedor, Salvador, Santificador, é amor, confiança, paz e alegria em Deus. Por isso Lutero explica o primeiro Mandamento assim: Devemos temer e amar a Deus e confiar nele de todo o coração. São três palavras com o mesmo sentido. Por isso, ao expor os mandamentos, Lutero começa a explicação dos Mandamentos assim: Devemos temer e amar a Deus. Isto só é possível ao renascido pelo poder do Espírito Santo, pela fé em Cristo, porque o temer e amar a Deus não é resultado de esforço da pessoa, de decisões e propósito, mas é fruto da fé. Fruto não resulta de esforços, mas da vida de fé que só o Espírito Santo cria.
2. E faz o que é justo. O que é isto? Justo em relação a quê? Justo em relação a Deus e seus Mandamentos. Este fazer o que é justo são as boas obras que procedem da fé. Este profundo amor a Deus. Não um amor imaginário, mas o apego e obediência aos mandamentos de Deus. Este sincero desejo: Eu só quero pensar, falar, fazer e agir conforme a vontade de Deus. Isto só é impossível, enquanto à pessoa permanece em contato diária com Deus pelo ler a palavra de Deus sob oração, dizendo: Fala Senhor o teu servo ouve. (1 Sm 19.3) Se a pessoa não vigia sobre seus olhos e seus pensamentos, especialmente em nossos dias de comunicação, como disse Jó: Fiz aliança com os meus olhos: como, pois, os fixaria eu numa donzela? (Jó 31.1) Se a pessoa não luta contra sua natureza carnal, crucificando-a diariamente (Gl 5.14,25), não permanecerá na fé, nem trará os frutos de justiça. (Fp 1.11) No centurião Cornélio nós vemos as obras, os frutos da fé.
3. Este é o Senhor de todos. Vós conheceis a palavra que se divulgou... e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados.
Vejamos alguns detalhes:
a) Ele é o Senhor de todos. Não há outros deuses nem outras formas de culto. Não posso participar de cultos que não invocam claramente o Deus Triúno em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, único e suficiente Mediar entre Deus e os homens.
b) Deus se manifestou à humanidade em sua Palavra, a Bíblia. Verdadeiro culto a Deus, guia-se pela palavra de Deus. Culto não firmado e orientado na palavra de Deus é idolatria. A palavra de Deus é a verdade única e absoluta a respeito de Deus.
c) Ele virá julgar vivos e mortos. Jesus virá em glória, no dia do juízo final, julgar vivos e mortos. Não sabemos quando será, mas é certo que virá. Só quem crê na graça de Cristo será recebido por Cristo e convidado a entrar no reino que Deus preparou desde a fundação do mundo. Fora de graça de Cristo não há salvação.
Conclusão. A pregação de Pedro na casa de Cornélio ensina que importa permanecermos fielmente apegados à palavra de Deus. Ela nos mostra quem é o verdadeiro Deus, qual o verdadeiro culto, qual a verdadeira fé e como esta fé atua em amor e qual é a verdadeira esperança cristã. A fé cristã não é um simples sentimento ou conjunto de bons propósitos, mas a nova vida operada pela palavra de Deus e pelo sacramento do santo Batismo e fortalecida por Palavra e a Santa Ceia. E como filhos de Deus não somos diplomatas de Deus, mas testemunhas e embaixadores que proclamam destemidamente a palavra de Deus quer seja oportuno ou não, certos que por esta Palavra o Espírito Santo atua quando e onde quer.
Queira Deus por sua graça nos conservar fiéis à herança que recebemos. Amém.
São Leopoldo, 08/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
Mensagem: Este é o Senhor de todos... Ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados. (At 10.34-43).
Vivemos numa época na qual se enfatiza o amor e a união de todas as religiões, mas não de acordo com a palavra de Deus, mas com a razão humana. O apóstolo ordena: Esforçai-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. (Ef 4.3) Aqui temos a palavra: esforçai-vos. Esforçar-se para quê? Não para criar, mas preservar a unidade, a saber, a unidade que o Espírito criou. O ecumenismo moderno, no entanto, prega a unidade na diversidade. Partem do princípio que todas as religiões são boas, pois não existe verdade absoluta. Cada religião tem uma parte da verdade. Neste respeito, o editor do Los Angelos Times escreveu em 7/12/2001: “Creio que orar e prestar culto com pessoas de outras crenças implica no reconhecimento de que o Cristo atua em e através de uma variedade de instituições e manifestações religiosas. Nenhuma religião é dona absoluta da verdade e que nenhuma religião, inclusive a cristã, contém toda a verdade. Não posso me imaginar que Deus tenha se revelado somente a um grupo.” No Post-Dispatch de Sant`Louis, Missouri, Estados Unidos, do dia 3/12/01, lemos: “Não deveria cada um reconhecer que há muitas idéias diferentes sobre espiritualidade e de que todas devem ser respeitadas.” Essas são opiniões muito comuns em nossos dias. Afirma-se: Precisamos ser tolerantes e dar-nos as mãos. Será? O que Deus diz a respeito em sua Palavra. No primeiro Mandamento Deus diz: Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim. (Ex 20.3). Porque todos os deuses dos povos não passam de ídolos. (Sl 96.5) Fugi da idolatria. (1 Co 10.14). O único Deus verdadeiro, Criador e Mantenedor de céu e terra, revelou-se à humanidade desde Adão e Eva e por último nos falou por meio de seu Filho, Jesus Cristo. (Hb 1.1,2) E nosso texto afirma que dele todos os profetas dão testemunho. Esse Deus quer ser adorado como ele se revelou na Bíblia. E quem não o adora assim, não tem Deus. Por isso não podemos orar e prestar culto com pessoas que não adoram o único e verdadeiro Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Isso pode soar muito estranho em nossos dias, em que não se tem mais noção do que significa temer e amar a Deus.
Nosso texto, tirado da pregação do apóstolo Pedro na casa de Cornélio fala sobre a verdadeira adoração e culto a Deus.
1. Temer. Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. (v.34,35)
Que temor é este? O homem natural tem noção de Deus, isto é, ele sabe por sua consciência e pela natureza que Deus existe. Ele tem certo medo de Deus, mas não o conhece. Porque a natureza e a consciência não revelam quem é esse Deus. Pela ciência e pela filosofia nenhuma pessoa pode alcançar e conhecer a Deus. Ao mesmo tempo precisamos lembrar que desde a queda em pecado, somos todos inimigos do verdadeiro Deus, cegos em coisas espirituais. Logo, não temos verdadeiro temor e amor a Deus.
Verdadeiro temor a Deus (Ehrfurcht) só é gerado pelo Espírito Santo que atua por Palavra e sacramentos. Temor a Deus é um fruto da verdadeira fé na graça de Cristo.
Cornélio, um centurião romano, estava sediado em Cesaréia. Ele se interessou pela religião do povo judeu. Chegou ao conhecimento do verdadeiro Deus e da verdadeira fé e clamou a Deus. Sua fé brilhava por sua vida. Amava seus subalternos, fazia caridade, confessava sua fé, lia a Escritura e orava de contínuo. Deus ouviu suas orações e pediu que buscasse o apóstolo Pedro, a fim de ser informado sobre o cumprimento das promessas, a respeito de Jesus. Ao mesmo tempo, Deus mostrou ao apóstolo Pedro - ainda limitado por uma visão judaica errada, como se Deus privilegiasse o nascimento físico de alguém, a nacionalidade - que ele ama todos e quer que todos cheguem ao conhecimento da graça de Deus e sejam salvos. (1 Tm 2.4)
Desta fé brota o temor de Deus. Temor é conhecimento, profundo respeito ao Criador, Mantenedor, Salvador, Santificador, é amor, confiança, paz e alegria em Deus. Por isso Lutero explica o primeiro Mandamento assim: Devemos temer e amar a Deus e confiar nele de todo o coração. São três palavras com o mesmo sentido. Por isso, ao expor os mandamentos, Lutero começa a explicação dos Mandamentos assim: Devemos temer e amar a Deus. Isto só é possível ao renascido pelo poder do Espírito Santo, pela fé em Cristo, porque o temer e amar a Deus não é resultado de esforço da pessoa, de decisões e propósito, mas é fruto da fé. Fruto não resulta de esforços, mas da vida de fé que só o Espírito Santo cria.
2. E faz o que é justo. O que é isto? Justo em relação a quê? Justo em relação a Deus e seus Mandamentos. Este fazer o que é justo são as boas obras que procedem da fé. Este profundo amor a Deus. Não um amor imaginário, mas o apego e obediência aos mandamentos de Deus. Este sincero desejo: Eu só quero pensar, falar, fazer e agir conforme a vontade de Deus. Isto só é impossível, enquanto à pessoa permanece em contato diária com Deus pelo ler a palavra de Deus sob oração, dizendo: Fala Senhor o teu servo ouve. (1 Sm 19.3) Se a pessoa não vigia sobre seus olhos e seus pensamentos, especialmente em nossos dias de comunicação, como disse Jó: Fiz aliança com os meus olhos: como, pois, os fixaria eu numa donzela? (Jó 31.1) Se a pessoa não luta contra sua natureza carnal, crucificando-a diariamente (Gl 5.14,25), não permanecerá na fé, nem trará os frutos de justiça. (Fp 1.11) No centurião Cornélio nós vemos as obras, os frutos da fé.
3. Este é o Senhor de todos. Vós conheceis a palavra que se divulgou... e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados.
Vejamos alguns detalhes:
a) Ele é o Senhor de todos. Não há outros deuses nem outras formas de culto. Não posso participar de cultos que não invocam claramente o Deus Triúno em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, único e suficiente Mediar entre Deus e os homens.
b) Deus se manifestou à humanidade em sua Palavra, a Bíblia. Verdadeiro culto a Deus, guia-se pela palavra de Deus. Culto não firmado e orientado na palavra de Deus é idolatria. A palavra de Deus é a verdade única e absoluta a respeito de Deus.
c) Ele virá julgar vivos e mortos. Jesus virá em glória, no dia do juízo final, julgar vivos e mortos. Não sabemos quando será, mas é certo que virá. Só quem crê na graça de Cristo será recebido por Cristo e convidado a entrar no reino que Deus preparou desde a fundação do mundo. Fora de graça de Cristo não há salvação.
Conclusão. A pregação de Pedro na casa de Cornélio ensina que importa permanecermos fielmente apegados à palavra de Deus. Ela nos mostra quem é o verdadeiro Deus, qual o verdadeiro culto, qual a verdadeira fé e como esta fé atua em amor e qual é a verdadeira esperança cristã. A fé cristã não é um simples sentimento ou conjunto de bons propósitos, mas a nova vida operada pela palavra de Deus e pelo sacramento do santo Batismo e fortalecida por Palavra e a Santa Ceia. E como filhos de Deus não somos diplomatas de Deus, mas testemunhas e embaixadores que proclamam destemidamente a palavra de Deus quer seja oportuno ou não, certos que por esta Palavra o Espírito Santo atua quando e onde quer.
Queira Deus por sua graça nos conservar fiéis à herança que recebemos. Amém.
São Leopoldo, 08/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
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