quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Gn 12.1-4. Fim de Ano

Gênesis 12.1-4. Abraão. Ano Novo.
Confiança num caminho desconhecido.

Introdução
Estamos no limiar de um novo Ano. O que ele nos trará? Mesmo os mais corajosos e otimistas admitem que nosso mundo globalizado se encontra diante de grandes dificuldades e questionamentos desafiadores.
Quem imaginava que o ano 2008, que prometia paz e prosperidade, fosse abalado por grandes catástrofes da natureza, pela crise na economia mundial, por novas ameaças de terroristas, por seqüestros, entre eles do maior navio petroleiro, etc.?
Não é de admirar que o mundo esteja em pânico. Há uma procura desesperada por segurança. As pessoas temem por seus empregos e olham para o futuro com medo. Apelam para cartomantes e o horóscopo em busca de alguma direção. Enquanto isso, falsas religiões prometem auxílio e bem-estar pelo poder de Deus, gerando desilusões.
Diante de tudo isso importa, como cristãos, lembrar que há somente um que pode nos guiar com segurança, ao lar celestial, através dos desafios na estrada desconhecida desse novo Ano e este é o nosso Deus triúno, no qual Abarão confiou quando saiu, por ordem de Deus, do meio de sua parentela para um caminho desconhecido.

Abraão
Abraão vivia tranqüilo na cidade de Ur da Caldéia. Ele era rico. Isto era há mais ou menos dois mil anos antes de Cristo. Certo dia, Deus lhe disse: Abarão sai de tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei... (Gn 12.1)
Quantas perguntas devem ter surgido na mente de Abraão. Abandoar tudo, o conforto, a tranqüilidade, os amigos e sair para uma vida nômade, para um destino desconhecido? Mas sua fé em Deus venceu. Ele fez os preparativos e partiu, com uma grande caravana, para um caminho que ele nunca trilhou, para um destino desconhecido, confiando unicamente na direção de Deus que o chamou.
Esses mesmo sentimentos de incerteza, de ansiedade e de medo do desconhecido se apossam de nós ao entrarmos no novo Ano. Fazemos os preparativos e nos cercamos de todos os cuidados: Seguro de nossos bens, planos de saúde, buscando as melhores opções para nossas finanças. Tudo isso é razoável em nosso mundo, mas não podem nos proteger de perigos maiores ou catástrofes. Não podemos colocar nossa confiança nestas coisas materiais. Precisamos de um fundamento mais sólido para nossa vida.


Por isso, não há palavra mais vital para nossa vida do que a palavra “fé”. Esta palavra, no entanto, é mal interpretada em nossos dias. Ouvimos expressões como: “Tenha fé em si mesmo. Cultive pensamentos positivos e a auto-estima, etc.” Nossa geração parece caracterizar se pela auto-ajuda. Tudo isso não passa de um grito de desespero num mundo que perdeu o rumo.
Deus nos deu a conhecer o verdadeiro sentido da palavra fé. Fé não em coisas materiais, em pensamentos positivos, em nós mesmos ou em nossa fé, mas em Cristo que se revelou e revela a nós em sua Palavra, pela qual o Espírito Santo nos ilumina, chama e opera a verdadeira fé na graça de Cristo.
Essa era também a fé do patriarca Abraão, plena confiança neste Deus, que é o nosso Criador, Salvador e Santificador.
É verdade que de Abraão até hoje o mundo mudou muito, mas Deus não muda. Mesmo que o ser humano cresceu no saber, mas quanto à sua índole, ele não mudou. Deus que guiou o patriarca Abraão é o mesmo Deus que ainda hoje tem o mundo em suas mãos, que edifica sua Igreja e guia seus filhos sabiamente. A ele queremos apegar-nos. Nele queremos confiar de coração também neste novo Ano.

A Bíblia
Graças a Deus podemos ter a mesma fé que Abrão tinha. Deus falou com ele e ele confiou na palavra de Deus. Hoje Deus nos fala por sua palavra, a Bíblia. Nela podemos confiar plenamente. Ela é o firme fundamento para a fé. Ela é lâmpada para nossos pés. Ouvimos nas leituras de Natal que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. A luz resplandeceu nas trevas. (Jo 1.1,5) Ele não só iluminou as trevas de fora, mas resplandeceu nas trevas. Ele veio e habitou corporalmente em nosso mundo. A esta Palavra queremos nos apegar de coração, ouvir, ler, meditar e orar. Firmados nesta Palavra queremos entrar no novo Ano.
Não nos deixemos enganar pela filosofia moderna deste mundo que diz: Não há verdade absoluta. Tudo é relativo. Cada um tem um pouco de verdade, por isso devemos cultivar a tolerância, como regra suprema de nossa vida. Esta tolerância, no entanto, é a intolerância com relação à palavra de Deus, a verdadeira doutrina cristã, a verdade absoluta.

A entrada no novo Ano
Abraão partiu de Ur da Caldeia na firma convicção de que o verdadeiro e único Deus, que o chamou e lhe ordenou partir, estaria com ele, o guiaria, ampararia e protegeria. Deus cumpriria sua palavra para com Abraão.
Nesta mesma convicção queremos entrar no novo Ano. Não queremos permitir que dúvidas a respeito do poder e do amor de Deus nos desviem dessa confiança. Temos muitas afirmações de Deus neste respeito. Ele diz aos seus: A minha presença irá contigo. (Êx 33.14) Temos sua presença em Palavra e sacramentos. Oh! Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. (Sl 34.9-9) Ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Por isso queremos afirmar confiadamente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem? (Hb 13.5,6)

A cruz
Mas a jornada de Abraão não foi fácil. Ele levou quase um ano até chegar a Harã, um pouco acima, onde hoje está Damasco. De dia, um calor acima dos 45 graus e à noite, até cinco abaixo de zero.
Na jornada não faltaram problemas nem perigos. Ao chegar à terra prometida, mal se havia fixado no lugar onde pretendia ficar, foi surpreendido por uma grande seca que o obrigou a ir ao Egito, em busca de pão. Sendo sua esposa muito bonita, Abraão temeu por sua vida, pensando que o poderoso rei do Egito poderia matá-lo para se apossar de sua esposa. Por isso disse ao rei que sua esposa era sua irmã. Deus protegeu a Abraão. Voltando à terra prometida e crescendo seus rebanhos, houve seguidos conflitos com os empregados de seu sobrinho Ló. Abraão propôs separação e deu a Ló a preferência na escolha da terra. Em sua ganância, Ló escolheu as terras boas da planície, deixando Abraão as montanhas rochosas. Abraão deve ter ouvido muitas reclamações por parte de seus empregados e ficou triste. Mas Deus o consolou. Poderíamos enumerar muitos outros problemas que Abraão teve que enfrentar. Não somente problemas de fora, mas também seus problemas internos, fraquezas, erros e pecados. Em tudo isso, no entanto, Abraão se apegou e consolou com a misericórdia de seu Deus.
Dele queremos aprender que a vida cristã não é um mar de rosas, pelo contrário, não faltam problemas e sofrimentos. O apóstolo Paulo, após ter sido apedrejado e jogado como morto num lixão, sendo rodeado pelos fiéis e recobrando os sentidos, confortou os irmãos na fé e lhes disse: Por muitas tribulações nos importa entrar no reino dos céus. (At 14.22) Toda a vez que dentro das adversidades e infortúnios nossa consciência nos acusar de pecados e nossa mente levantar dúvidas sobre o amor e a providência de Deus, olhemos para a cruz, lembrando: Ali Deus nos mostrou seu amor. Ele deu seu próprio Filho para nos resgatar da maldição da lei e nos oferecer o perdão dos pecados e a adoção de filhos. Nesta verdade queremos buscar, arrependidos, o consolo. Mesmo não compreendendo os caminhos de Deus, queremos lembrar que todas as coisas cooperam para o bem dos que temem e amam a Deus. E dizer com o apóstolo: Nada nos há de separar do amor de que, que está em Cristo Jesus nosso Senhor (Rm 8.37,38) Importa que tomemos a nossa cruz sobre nós e sigamos a Jesus (Mt 16.24), para a terra prometida, a pátria celestial. Nisto importa termos nossas lâmpadas acessas, isto é, fé na graça de Cristo. Jesus nos diz: Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. (Lucas 12.35-37 RA)

Conclusão
Confiantes no poder, no amor e na misericórdia de Deus, nós queremos entrar neste novo Ano, nesta estrada desconhecida, certos de que Deus nos guiará com sua bondosa mão. Pois ele nos disse pelo profeta Isaías: Não temas, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e sustento com a minha destra fiel (Is 41.10). E: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. (Is 43.1) Isto aconteceu em nosso batismo. Nesta confiança queremos entrar no novo Ano em nome de nosso Senhor Jesus, com o propósito de servi-lo ali onde ele nos colocou, até que ele nos chama ao lar celestial. Que Deus o conceda a todos nós. Amém.
São Leopoldo, 27/12/2008
Horst R. Kuchenbecker

31 DE DEZEMBRO

Cingidos estejam os vossos corpos e acessas as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor. (Lc 12.35,36)
Onipotente e eterno Deus! Nós te agradecemos por todas as bênçãos com as quais nos acompanhaste durante este ano que está findando. Estiveste conosco nos dias de alegria e de tristes. Com grande fidelidade nos dirigiste, atraindo-nos sempre a ti em dias bons e maus.
Perdoa nossa ingratidão. Em Jesus Cristo nos colocaste o alvo eterno. Muitas vezes, no entanto, nas preocupações desta vida e no amor ao mundo perdemos este alvo de vista.
Onipotente e eterno Pai! Cabe-nos confessar que ali onde deveríamos ter vigiado, dormimos; onde deveríamos ter lutado, fomos preguiçosos. Perdoa onde fomos infiéis a ti, na família, na comunidade e na sociedade. Sim, que o sangue de Cristo nos purifique de todos os pecados.
Não sabemos o que o futuro nos trará. Mas sabemos que tu estarás ao nosso lado para nos guardar e guiar. Se for de tua vontade, impeça a destruição da natureza e toda a brutalidade humana. Destrua todo o poder de Satanás e de seus súditos. Em ti esperamos, às tuas mãos nós nos entregamos. Seja feita a tua vontade.
Fortalece a tua Igreja. Conserva-nos tua Palavra e dá-nos o teu Espírito. Permite que aguardemos com fé a volta do teu Filho, Jesus. Ajuda-nos a usarmos bem as tuas bênçãos, tempo, dons e bens no serviço a ti e ao próximo. Amém.
Oh! faze-nos em ti viver,
na fé em ti adormecer,
naquele dia despertar
e a celestial mansão herdar. (HL 56.6)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal

.Mensagem de Natal

Mais uma vez nos é dado o privilégio de celebrar Natal, o nascimento de Jesus. Ouvir as maravilhosas profecias e o cumprimento das mesmas. O apóstolo Paulo escreveu: Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, (Gálatas 4.4 RA)
A história do nascimento de Jesus encontramos nos evangelhos: Mateus 1.18-25; Lucas 2.1-20; João 1.1-14. Muitos conhecem a história, mas será que a compreenderam e crêem o quê e para o quê tudo isso aconteceu?
Ouçamos a mensagem dos anjos. O anjo, porém, lhes disse: Não temais: eis aqui vos trago boas-nova de grande alegria, que o será par todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor... E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo: Glórias a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem. Lc 2.10-14.
A respeito disso, o profeta Isaías escreveu 740 anos antes do nascimento de Jesus, o seguinte: Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. (Isaías 7.14 RA); e: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9.6 RA) Por isso, o anjo Gabriel quando anunciou a Maria que ela fora escolhida por Deus para ser a mãe do Jesus, disse: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. (Lucas 1.35 RA) E Isabel confessou: De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? (Lucas 1.43 RA) Por isso cremos que Maria não deu à luz a um simples homem, mas ao verdadeiro Filho de Deus. Por essa razão ela é, corretamente, chamada de Mãe de Deus, e verdadeiramente o é. Claro que Maria não poderia ser a mãe de Deus no sentido de dar princípio e existência a Deus, que é eterno. Mas não é correto se dizer que quem nasceu de Maria foi somente Jesus homem. Ela deu à luz ao Menino Deus. Deus se fez carne no ventre de Maria. E quem nasceu foi o Deus-Homem. Assim Maria teve nos seus braços e acalentou ao seu peito o eterno Filho de Deus, o Senhor, que governa céu e terra. Confessamos com Lutero na explicação do 2° Artigo do Credo Apostólico: Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, é meu Senhor.”
A segunda parte importante da mensagem do anjo é: Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor. (Lc 2.11) Jesus não nasceu somente para nos trazer algum ensino, combater injustiças, ou nasceu para alguns santos ou pessoas virtuosas. Ele nasceu para nos salvar de nossos principais inimigos: pecado, morte e Satanás. Ele não é um salvador parcial. Ele é nosso único e suficiente salvador. Fora dele não há reconciliação com Deus Pai e salvação. O apóstolo Paulo escreveu: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2.8-10 RA) E: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. (2 Coríntios 5.19-20 RA)
Mas nossa razão levanta objeções. Quanto à pessoa de Jesus, nossa razão se choca com sua humildade. Nasceu pobre, numa estrebaria, morreu miserável numa cruz. Como pode ele ser Deus? Quanto à sua obra, se choca com o fato de o justo morrer pelos injustos e perdoar os pecados aos pecadores penitentes. Realmente, por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. É preciso que o Espírito Santo me chame, pelo evangelho, ilumine com seus dons, santifique e conserve na verdadeira fé. Por isso Jesus disse: Bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (Mateus 11.6 RA) E: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus. (Lucas 8.10 RA) Este conhecimento é dado por Deus.
Vejamos isto nos pastores que ouviram a mensagem do anjo.

Nem podemos imaginar o temor, o medo, o pavor que se apossou da alma desses pastores de ovelhas nos campos de Belém da Judéia, quando subitamente apareceu na escuridão da noite o clarão celestial, e um anjo com a sublime mensagem: Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o Senhor, e com ele milhares de anjos voando e cantando: Glórias a Deus nas maiores alturas, e paz na terra aos homens a quem ele quer bem. (Lc 2.10-14)
Que pavor foi este? Não simples pavor diante do extraordinário, mas o pavor diante da santidade de Deus, que estremece a alma dos pecadores e os faz sentir a condenação eterna, exclamando: Ai de mim, estou perdido. Misericórdia Senhor! (Is 6.5; Sl 123.3) Feliz quem estremece assim diante de Deus, a este vale a mensagem do anjo: Não temais! Eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
Ele nasceu para salvar os que estavam perdidos. Pecadores contritos que confiam na graça de Cristo experimentam esta alegria suprema, quer em dias felizes ou na dor, na riqueza ou na pobreza, no auge da vida ou diante da morte. Pois nele temos perdão dos pecados, vida, eterna salvação. Assim queremos juntar-nos ao coro dos anjos e cantar também neste Natal: Glórias a Deus nas maiores alturas...
Feliz Natal e abençoado Ano Novo 2009, são os votos de Ursula e Horst.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Orações para a 1ª Semana no Advento

1º DOMINGO NO ADVENTO.
Tema da Semana: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador. Zc 9.9.
Mateus 21.1-9.
Eis aí te vem o teu Rei, humilde (v.5)
Santo e gracioso Deus! Iniciamos, hoje, em teu nome, mais um novo ano da Igreja. Pedimos guia-nos através desse tempo. Permita fazermos uso abundante dos bens espirituais, que nos ofereces em tua Palavra e teus sacramentos. Que pelo perdão dos pecados sejamos fortalecidos na fé e possamos crescer na vida santificada.
Dependemos de tua ajuda. Somos fracos e facilmente, influenciados por aqueles que nos querem afastar de ti. Ilumina-nos pelo teu Espírito para não sermos dominados pelo espírito do mundo. Ampara nos e mantém-nos em tua comunhão.
Santo e gracioso Deus! O tempo de advento nos lembra que teu filho Jesus Cristo veio ao mundo. Ele nos trouxe a salvação. Ele nos tornou cidadãos do teu reino. Ele deixou-se crucificar e ser levado à morte, por nós. Sua compaixão é nossa eterna salvação.
Agradecemos-te por tua grande compaixão. Fortalece-nos para que nossa vida seja um fervoroso testemunho do teu amor. Abençoa tua Comunidade e chama, pelo Evangelho, muitos das trevas para tua luz.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor, concede-nos a tua Paz.

Virá julgar o mundo: / ao ímpio condenar, / mas com amor profundo / ao crente resgatar. / Oh! vem, Jesus bondoso / , a todos nós buscar / e faze ao céu glorioso /
os teus fiéis entrar. (HL 13.5)

SEGUNDA-FEIRA, após o 1° Domingo de Advento.
2 Coríntios 1.18-22.
Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio. (v.20)

Fiel Senhor e Deus! Tua Palavra é a verdade. Dela sabemos que tua graça e fidelidade não mudam. Tuas promessas se cumprem. Agradecemos-te por isso de tudo o coração.
Em fé queremos responder com um vigoroso Sim ao teu amor, que nos revelaste em Cristo. Não podemos confiar em nosso próprio coração, mas na tua Palavra, que é a verdade, podemos confiar.
Ampara-nos quando estrememos em nosso íntimo e estamos tristes. Permita que encontremos sossego em ti.
Fiel Senhor e Deus! Ajuda-nos para permanecermos fiéis ao teu Evangelho e as Confissões luteranas, pois são a expressão da verdade bíblica. Pessoas querem nos enganar com meias verdades e promessas vazias. Guarda-nos, para não sermos jogados de um lado para o outro, por qualquer vento de doutrina. Seja tua Palavra a luz para o nosso caminho.
Concede-nos prazer em teus Mandamentos e força para vivermos conforme os mesmos. Queremos louvar-te e proclamar o teu santo nome. Amém

Se bem-vindo, ó Salvador! / Canto glórias com fervor. / Grava no meu coração /
teu caminho justo e bom! (HL 18.3)


TERÇA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Miquéias 2.1-2, 9,12-13.
Pô-los-ei todos juntos, como ovelhas no aprisco, como rebanho no meio do seu pastor, farão grande ruído por causa da multidão dos homens. (v.12)

Sento e justo Deus! Viemos a tua presença para pedir: Tem compaixão com o mundo decaído. A maioria das pessoas vive sem ti e desprezam teus Mandamentos. Estão em busca de auto afirmação, para isso subjugam seus irmãos, aumentam a violência e a brutalidade. Por não darem ouvidos a ti, o matrimônio e a família, que tu constituíste, se dissolvem e desgraçam.
Mas tu és e permaneces Senhor. Todos os poderes terrenos estão subordinados a ti. Colocas limites aos tiranos, quando não reconhecem seus deveres diante de ti, rejeitando a tua lei.
Santo e justo Deus! Não permitas sermos contagiados pelo espírito deste mundo. Onde fracassamos, dá-nos contrição e disposição para voltarmos a ti.
Quando caímos em falsa segurança, acorda-nos. Reúne os dispersos de tua Comunidade. Ampara os que se debatem com dúvidas e ansiedades. Reergue-os solitários e desesperados.
Guarda teus fiéis nestes tempos do fim. Voltamo-nos a ti, dá e conserva-nos a tua Paz.
Oh! preparai a vida / ao Príncipe da Paz! / Só ele é nosso guia: / Auxílio e graça traz. /
A estada endireitai! / De corações aflitos / por causa dos delitos, / ao Rei vos entregai! (HL 8.2)


QUARTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
2 Samuel 7.8-16
O Altíssimo não mora em templos feitos por mãos humanas. E eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. ( v.13)

Querido Pai celestial! Agradeço e louvo-te pela proteção da noite. Permanece comigo também neste dia em todos meus caminhos.
Tenho-me proposto fazer várias coisas, sei que nem sempre permites as realizações. Muitas vezes não compreendo os teus caminhos para comigo. Guarda-me na firme convicção de que a tua vontade é melhor do que meu planejar.
Tu não permitiste que o rei Davi construísse o Templo em Jerusalém. Reservaste esta tarefa para seu filho, Salomão. Mas muito além dessa tarefa, cumpriste tua promessa dando à humanidade o Salvador Jesus Cristo, o descendente corporal do rei Davi que edificou a Igreja, que permanece além de todos os tempos, por toda a eternidade.
Querido Pai celestial! Pelo batismo me enxerta como pedra viva neste teu Templo. Firma-me na fé para que pertença ao teu reino. Teu unigênito Filho, Jesus Cristo, por sua morte expiatória na cruz, me trouxe perdão, vida e eterna salvação. Por este teu amor, quero agora viver em gratidão a ti.
Tu queres que eu confesse o teu nome. Sim, seja teu nome santificado e teu reino estendido pela terra. Dá-me teu Espírito Santo para que esteja pronto para te servir.

Cristo acorda minha mente; / seja todo o meu falar / para o nome teu honrar. / Quero em gratidão ardente / dedicar-te, ó bom Senhor, / minha vida em teu louvor. (HL 4.4 )


QUINTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Isaías 64.1-3.
Oh! Se fendesses os céus, e descesses! (v.1)

Senhor Jesus Cristo! Louvamos e adoramos-te. Tu governas com poder sobre céus e terra. Muitas vezes não compreendemos como governas sobre as pessoas. Reconhecemos que não podemos comparar-nos contigo.
Quando estamos em dificuldades e com medo, te invocamos. Perguntamos por que te ocultas diante de nós? Pensamos que não queres nos ajudar mais. Suplicamos para que venhas a nós, e sabemos que vens a nós por Palavra e sacramentos. Nós, na verdade, gostaríamos sentir a tua presença, mas importa que nos apeguemos à tua Palavra, quer o sintamos ou não.
Senhor Jesus Cristo! Perdoa nossa pequenez de fé. Tu sempre estás conosco, mesmo quando não sentimos nada. Tu não nos abandonas, mas estás sempre ao nosso lado. Por tua Palavra e teu sacramento queres nos fortalecer a confiança em ti. Permita que façamos uso abundante desses meios da graça.
Tu vieste a nós. No tempo do Advento nós nos preparamos para celebrar teu nascimento em Belém. Para nos salvar, tu te humilhaste e te tornaste um servo, para pagar a nossas culpa.
Pela confissão de nossos pecados nós nos humilhamos diante de ti. Confiamos em tua misericórdia. Dá nos força para tanto por teu Santo Espírito.
Sou hospede no mundo, / não tenho aqui lugar; / anseio o meu profundo, / e a pátria eterna achar. / Não tenho aqui descanso, / vou repousar no céu; / ali do Pai alcança /
os bens que prometeu. (HL 432.1 )


SEXTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento
Hebreus 10.19-25.
Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé. (v.22)

Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Nós te buscamos nesta manhã. Por tua Palavra mostras que já abriste e preparaste o caminho de ti para nós. Derramaste o teu santo sangue na cruz por nós, para nos purificar de todos os pecados. Tu és o caminho, a verdade e a vida. Por meio de ti temos acesso ao reino de Deus.
Tu nos trazes a paz. Junto a ti a queremos buscar. Guarda-nos de descaminhos. Faze-nos reconhecer que só o que recebemos de ti tem valor.
Senhor e Salvador nosso! Pedimos-te dá-nos força para permanecermos fiéis na confissão de nossa fé em ti, para que nada nos engane.
Guarda-nos de tentarmos agradar o mundo, silenciando covardemente onde devemos confessar corajosamente o teu santo nome.
Dá-nos o teu amor para não buscarmos a satisfação do nosso próprio egoísmo em falsa segurança. Tu queres que encontremos a realização de nossa vida em ti e no servir a nosso próximo. Fortalece-nos nisto.
Louvor e glória ao grande Deus! / de graça e por bondade. / Do mal liberta os crentes seus / por toda a eternidade. / Em nós o Pai dos céus se apraz, / agora reina santa paz; / cessou a adversidade. (HL 231.1)

SÁBADO, após o 1º Domingo de Advento

Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21.
Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus. (v.20)

Amado Salvador e Senhor Jesus! Gostaríamos muito de conhecer o sentido e a razão de todos os acontecimentos no céu e na terra, mas estes mistérios nos permanecem ocultos.
Nossa própria vida tem muitos enigmas que não podemos desvendar. Mas tu tens todo o poder e governas de eternidade a eternidade. Permita que estejamos voltados inteiramente a ti. Tu és o Criador e o fim de todas as coisas. Em ti encontramos segurança e ajuda em todas as situações.
Perdoa, quando em nosso pensar começamos a duvidar de tua providência.
Amado Salvador e Senhor Jesus! Prometestes voltar em breve para buscar teus fiéis para junto de ti. Aguardamos o teu último advento, que nos trará a libertação de todos os males.
Mantém-nos na fé. Não permitas cairmos da mesma. Suplicamos em favor de todos os fiéis. Amém, sim, vem Senhor Jesus!

A porta da minha alma / aberta deve estar; / por graça sendo salva, / quer nela o Rei entrar. / As virgens mui prudentes, / o Noivo aguardarão / pois vem o Rei das gentes, / à filha de Sião. (5.4)

Lema da IELB para 2009. Fp 4.13

IELB.2009
Lema da IELB – 2009

Acompanhados por Deus
Com a forma que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação. Fp 4.13 NTLH
Tudo (isso, v.12) posso (não eu, mas por sua força, Mc 9.22-24) naquele (em conexão com Cristo, de quem sou servo, 2 Co 12.9) que me fortalece. (me dá esta suficiência, este contentamento, Ef 6.10) Fp 4.13 RA

Introdução ao lema

A criança, com medo do escuro, grita: - Mãe! Tenho medo. Vem comigo. A mãe pega a criança pela mão e canta: Que segurança, sou de Jesus...
As crianças pequenas, ao brincar, sentem-se seguras quando a mãe ou vovó está perto. Elas sabem-se cuidadas, vigiadas, protegidas na companhia de seus pais.
E nós cristãos adultos, filhos de Deus pela fé na graça de Cristo Jesus, temos nós esta mesma segurança no turbilhão da vida, em meio aos fracassos, angústias, incertezas e aflições? Temos certeza de sermos acompanhados por Deus também nos momentos difíceis da vida?
Quando posso realmente ter certeza de que sou acompanhado e guiado por Deus? Levanto de manhã, faço minha oração, preferencialmente a oração da manhã de Lutero. Leio uma devoção, oro o Pai Nosso e vou ao trabalho. Quando tudo bem, ótimo. Parece que me sinto acompanhado por Deus. Mas, de repente, no meio do trabalho, um erro, as conseqüências são um prejuízo significativo. Debruço-me sobre a mesa desesperado. Perguntas me martirizam. Como pude fazer isso? Por que Deus permitiu isso? Orei e apesar de tudo, o fracasso. Minha consciência começa a acusar-me, lembrando-me pecados do passado ao me dizer: - Estás vendo, Deus te abandonou. Se ele estivesse ao teu lado, isto não poderia ter acontecido.
Clamo a Deus por perdão, mas parece que Deus não me dá ouvidos. Lembro de alguns Salmos onde o salmista clama a Deus: Volta-te, Senhor, até quando (Sl 80.14) Ouve, ó Deus, a minha súplica; atende a minha oração (Sl 61.1) Mas não sinto nada. Volto amargurado para casa. Minha esposa percebe minha tristeza e pergunta: O que houve? – É, hoje deu tudo errado. Jantamos. Após a janta ela me alcança o devocionário. Leio a devoção do dia, mas meus pensamentos estão longe. O texto do dia não me diz nada. A esposa percebe que só li por ler. – Querido, ela disse. Sei que não é fácil orar quando a gente não consegue se concentrar. Vamos orar a Bênção da noite e o Pai Nosso, e com isso colocar tudo nas mãos de nosso gracioso Deus e Pai. – Meus olhos vagueiam pela sala. A esposa me diz: Vês o versículo na parede: Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará. (Sl 37.5) Você lembra ainda o versículo 7: Descansa no Senhor e espera nele. Obrigado, querida. Eu sei que este é o caminho, mas como é difícil entregar tudo a Deus e confiar cegamente nele, quando as coisas não vão como a gente gostaria. Eu tenho olhado para o versículo do lema da IELB, veja, ele está estampado no Mensageiro ali na mesa. E francamente, para ti posso dizê-lo, não entendo. Quero pedir uma vez ao pastor que me explique o lema.
Passaram-se algumas semanas e o assunto foi levantado na liga de leigos. Após a troca de idéias e perguntas, o pastor pediu que abríssemos a Bíblia. Lemos o versículo. Então o pastor passou a explicar o versículo.

Exegese do versículo do Lema

O pastor disse: Se tirarmos este versículo do seu contexto e não tivermos uma boa tradução, ou colocarmos a ênfase no “eu” em vez de em “Cristo”, abrimos as portas para todas as aberrações dos entusiastas que temos em nosso derredor. Os entusiastas julgam que com sua piedade e fervorosas orações de fé são capazes de curarem doentes e solucionar todos os problemas, julgando que, se tudo vai bem na vida, isto é um sinal que Deus os quer bem. São tentações do diabo que os faz crer que podem saltar da torre de uma igreja sem se machucarem. Mas quando vêem que suas fervorosas orações não se cumprem e que as coisas vão mal na vida, eles duvidam de Cristo e desesperam em sua fé.
Vamos, por tanto, contemplar o contexto. No versículo 10 o apóstolo Paulo agradece aos filipenses pelo auxílio que lhe enviaram. Eram, provavelmente, roupas, alimentos e dinheiro, para seu sustento na prisão em Roma. Mas, mais do que pela doação, o apóstolo se alegra em ter notícias de sua comunidade de Filipos. Eles estavam passando por momentos difíceis e o apóstolo estava preocupado com eles. Será que vão resistir e permanecer firmes na fé? Ao receber agora as doações, isto lhe trouxe consolo à alma. Quanto a ele, afirma que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Ele não se orgulha disso, nem é um estóico[1]. Ele o diz com humildade. Que situações eram essas? Em toda e qualquer situação que agrada a Deus, caminhos pelos quais Deus o estava guiando, não conforme nossos desejos egoístas. Isto não é um ideal ou uma virtude a ser alcançada. Esta é a nova mentalidade de alguém que renasceu pela graça de Cristo, que morreu para o mundo. O apóstolo não está dizendo nada de extraordinário, mas de alguém que sabe: O meu viver é Cristo (Fp 1.21), isto é, eu morri para o mundo. Dependo em todas as coisas da bondade e graça do meu Senhor Jesus Cristo e não dos bens do mundo. Isto é, na verdade, o nosso voto batismal: Renuncio o diabo e todas as suas obras e todo o seu procedimento. Entrego-me a ti ó Deus triúno Pai, Filho e Espírito Santo. Quero ser fiel a ti em fé, palavras e obras até a morte. Amém. Este é nosso voto diário que inclui: o afogar diariamente o velho homem por contrição e arrependimento e fazer ressurgir diariamente novo homem, que viva em justiça e pureza diante de Deus eternamente.
Vejamos os detalhes disso.
O apóstolo encontra-se preso, provavelmente em Roma, pelo ano 61 AD. Dali ele faz uma confissão para fortalecer os irmãos e irmãs na fé em Filipos. Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado, de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência (sou iniciado neste mistério da vida em Cristo, Fp 1.21), tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele, (isto é, em conexão com aquele) que me fortalece.
Qual é a nossa concepção de felicidade e do bem estar? Possuir saúde e bens? Sim, essa é a concepção do mundo, daí a corrida para as casas lotéricas, com o sonho de tirar a sorte grande e ser feliz. Sabemos, no entanto, que riqueza e felicidade nem sempre são idênticas. Já diz o provérbio popular: “Nada é mais prejudicial do que uma porção de dias bons.” Por isso o sábio Salomão orou: Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus. (Provérbios 30.7-9 RA)
O apóstolo Paulo diz ainda algo mais sublime: Tudo posso, ele está dizendo: Eu não posso nada. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. (Romanos 7.18 RA) Ele diz isto como cristão, como apóstolo. Mesmo assim, ele afirma: Tudo posso em conexão com aquele que me fortalece (de quem vem toda a força para a vida), pois o meu viver é Cristo (Fp 1.21). E, ao dizer isto, ele não diz, na força de Cristo eu posso tudo, posso sair da prisão e ser imediatamente livre. Não. Cristo dirige a minha vida. Se ele quiser, sairei da prisão. Se ele quer, eu fico na prisão. Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8.26 RA) Sem dúvida, todos nós conhecemos esses momentos em que nem sabemos o que orar e pedir. Por exemplo, Deus permitiu que Estevão fosse apedrejado e Tiago, decapitado. Imaginem que suplício para Estevão, Tiago e seus familiares, mas Deus lhes deu forças para suportarem este suplício. Bem como a muitos outros mártires que enfrentarem tais momentos. Mas quanto ao apóstolo Pedro, Deus resolveu tirá-lo da prisão. Deus faz o que lhe apraz. O acento de sua afirmação, portanto, não está no “eu posso”, mas no “em conexão com Cristo”, a quem pertenço e sirvo, e quem dirige a minha vida. Sou simples instrumento na mão de Cristo. Se ele me dá pobreza ou riqueza, abundância ou fome, pela fé em Cristo procuro servi-lo na força que Cristo supre. O que acontece na minha vida não é um “por acaso”, nem um destino cego, é Jesus que me guia e todas as coisas cooperaram para o bem dos que temem e amam a Deus. (Rm 8.28) Também quando Deus me põe à prova, ou permite erros e fracassos para me humilhar e aprofundar no arrependimento e fortalecer na fé.
Por tanto, “tudo posso” (viver em qualquer circunstância que Cristo me dá), pois Cristo me chamou e enxertou, pela fé, em seu corpo. Sou dele. Ele me guia por sua Palavra e fortalece pelos sacramentos, pelos quais o Espírito Santo me consola, adverte, corrige, conforta e fortalece. E sei que ainda estou na carne, da qual procedem pensamentos e desejos maus, aos quais importa crucificar diariamente (Gl 5.24), para fazer ressurgir novo homem. Enquanto aqui na terra, ainda estamos sob a cruz. Aqui há lutas, tropeços, fracassos. Constantemente precisamos suplicar por perdão e misericórdia. Diário importa levantar, ouvir a Cristo e entregar-se a ele. Jubilar e alegrar-se nas bênçãos, louvar e servir, suportar e ser paciente nas tribulações onde Deus nos colocou até sermos recolhidos ao lar celestial.
Nesta vida há momentos também de fazer proezas em nome do Senhor. (Sl 108.13) Por exemplo, quando, após o naufrágio, o apóstolo Paulo foi mordido por uma serpente venenosa, atirou a serpente ao fogo e nada lhe aconteceu. (At 18.5,6). Deus o guardou do veneno da víbora.Ou quando Lutero, por ser proscrito, não pôde comparecer na Dieta de Augsburgo, tendo que ficar em Coburg, sabendo da importância desta reunião, apegou-se ao Salmo 118, seu salmo predileto, e orou fervorosamente: Não morrerei, antes viverei e conterei as obras do Senhor (v.17). Mesmo já estando na bem-aventurança, como esperamos, suas obras ainda hoje são grande bênção para muitos. Assim ainda hoje, dentro da responsabilidade que Deus nos confere (cf.: Tábua dos Deveres, Cat. Menor) lutamos e oramos confiantes na graça de Cristo.

Oração
Senhor Jesus agradeço-te por tua Palavra, que é lâmpada para meus pés e luz para o meu caminho. Ao ler e meditar em tua santa Palavra guia-me por teu Espírito e guarda-me de falsas interpretações e conclusões, para não tomar entusiasticamente um versículo do seu contexto, sem observar tudo o que dizes sobre determinado assunto.
Tu prometeste me guiar, proteger, amparar e ao mesmo tempo nos disseste que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. Que como tu, amado Salvador, foste rejeitado e perseguido, os teus discípulos também seriam odiados. E nos consolas dizendo: Não temais, ó pequeno rebanho (Lc 12.32), eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20).
Na alegria e abundância, guarda-me para que não me ensoberbeça e feche meu coração ao necessitado. Na carência, aflição e sofrimento para que não desespere. Firma-me na tua Palavra para que quando eu sentir as acusações da lei e os horrores do pecado, quando o medo da morte me aterrorizar e eu sentir tua ira a derramar-se sobre a humanidade - no meio da qual me encontro não sendo melhor do que ninguém – para que me apegue tão somente à tua Palavra, à graça de Cristo para meu consolo. Que me lebre o que disse o profeta Isaías: Num ímpeto de indignação escondi de ti a minha face por um momento. Mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor. (53.8) Guarda-me fiel na fé e ampara-me na morte. Por Cristo meu Salvador. Amém.

PS. Confira meu estudo sobre o Lema geral da IELB: Abençoados por Deus.
Lutero escreve na exposição do Salmo 118: Pois, querendo honrar a palavra de Deus e servir a Deus, eles têm que sofrer e suportar zombaria, opróbrio, danos, ódio, inveja, difamação, fogueira, espada, morte e toda sorte de desgraça ... (2Tm 3.12; Lc 9.23; At 14.22; Ec 2.1)... Por isso se precisa de sabedoria e graça para ver e reconhecer esse benefício secreto e oculto, especialmente porque ele a gaba de durar para sempre e de ser eterna. (Martinho Lutero. Obras Selecionadas. Vo. V, pág., 34,35)
São Leopoldo, 24/11/2008
Horst R. Kuchenbecker






[1] Escola filosófica grega que ensinava serenidade perfeita em toda a situação.

sábado, 15 de novembro de 2008

Ezequiel.22.28-31. Dia de Oração e Arrependimento

Dia de
Oração e Arrependimento (19/11/2008)

Introdução ao Dia.
O dia de Oração e Arrependimento é celebrado na quarta-feira antes do último domingo do Ano Eclesiástico.
Já no Antigo Testamento temos convocações feitas por reis e/ou profetas, chamando a nação à oração e ao arrependimento, quando estavam diante de grandes calamidades ou guerras. Lembramos o rei de Níneve que após ouvir a pregação do profeta Jonas, conclamou o povo para um dia de jejum, arrependimento e oração (Jn 3). Na idade média, esporadicamente, alguns príncipes e reis o fizeram. Finalmente o dia foi fixado para a última quarta-feira antes do último domingo do ano da igreja.
Em nosso meio esse dia não é observado, mas na IECLB que seguem a Agenda Litúrgica alemã, isto é costume até hoje. Comunidades que tem dificuldade de se reunirem durante a semana, lembram esse dia no último domingo do Ano Eclesiástico.
Aqui segue um sermão de C.F.W.Walther proferido em 1861[1] quando, durante a sangrenta guerra civil americana, o presidente dos Estados Unidos da América conclamou a nação à oração e ao arrependimento. Abreviamos e adaptamos alguns aspectos desse sermão para nossos dias.

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Ezequiel 22.28-31 RA, consulte também a NTLH

Arrependimento e oração são duas coisas que pertencem à vida diária de cada cristão. Lutero: Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos etc., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja continua e ininterrupto arrependimento. Mesmo assim, quando catástrofes e guerras assolam uma nação, príncipes cristãos e?ou bispos e pastores têm convocado seus fiéis para arrependimento e oração, para clamarem a Deus por misericórdia.
No texto do profeta Ezequiel encontramos um detalhe muito importante. Diante da grande catástrofe do cativeiro babilônico, Deus procura por homens em Israel, isto é, por fiéis, que se colocariam como um escudo diante de Deus, suplicando por misericórdia, e não os encontrou. Isto nos leva ao tema:

Quando Deus assola nossa nação, cumpre-nos reconhecer nossa culpa coletiva
a) por não termo-nos feito como um murro para clamar a Deus por misericórdia;
b) por estarmos participando dos pecados gerais de nossa nação;
c) e ser tempo de oração e arrependimento?

I
Diariamente nos chegam notícias pelos meios de comunicação sobre assaltos, assassinatos, estupros, roubos, acidentes, além das catástrofes na natureza, como o incêndio na Chapada Diamantina, Baia, secas e enchentes. Além das notícias das grandes corrupções e desvios de dinheiro; sendo as notícias internacionais ainda mais assustadoras. A catástrofe econômica. Mais de cem paises em guerra, a expansão do islamismo massacrando muitos cristãos, etc. O que fazemos diante dessas notícias? Meneamos a cabeça e dizemos: Que horror! Como pode. E nos queixamos de que o governo não faz o bastante para nosso bem estar?
Será que temos culpa em tudo isso? Talvez você exclame: Como? Eu culpado pela corrupção, pelo tráfico de drogas e drogados, pelos assassinatos e desastres, catástrofes, como? Vejam, sofremos as conseqüências de tudo isso. São castigos de Deus. A cada passo sentimos as ameaças: a insegurança no trânsito, os perigos de assalto que rondam nossas casas, o perigo na rua de sermos assaltado em plena luz do dia.
Quando o rei Nabucodonosor veio com seu exército e sitiou Jerusalém, Deus disse pelo profeta Ezequiel: Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. (Ezequiel 22.30 RA)
Aqui Deus acusa diretamente sua igreja, seus fiéis. Sim, Deus os torna responsáveis pela vinda do seu juízo sobre Jerusalém. Eles não se tornaram como um murro, que por arrependimento e incessante oração, clamassem a Deus, para que embainhasse a espada de sua ira. Ele não encontrou estas pessoas. Que triste!
Não pensemos agora: Isso foi naquele tempo. Hoje temos outra realidade. Não! Toda vez que um país, no qual residem cristãos, surgirem catástrofes, grandes epidemias, desastres, inflação, fome, secas, enchentes ou vendavais, terremotos, corrupção no governo, injustiças, etc., tudo isso é juízo de Deus sobre a nação por causada de seus muitos pecados. E que estes juízos não foram desviados, disso Deus responsabiliza os cristãos. Pois eles receberam muito, deles muito se requer. Somente eles são capazes, por suas súplicas, de se colocarem como um murro diante de Deus, para impedir que os juízos de Deus desabem sobre a nação.
Antes de Deus derramar sua ira sobre uma nação, ele procura por homens que intercedem junto a ele em favor do povo. Pois nosso Deus não tem prazer na tribulação e tristeza. Ele é santo e justo, um Deus a quem não se agrada da vida ímpia e pecaminosa. E mesmo assim, em meio à ira, ele pensa em misericórdia. Por isso, antes de castigar, ele procura por pessoas que em nome de Jesus, por amor ao sangue de Jesus, sua morte e ressurreição, por amor à reconciliação de Cristo, se coloquem como escudo diante de Deus, clamando por misericórdia. Ele quer deixar mover-se por esses clamores à paciência e compaixão. Como no exemplo de Sodoma e Gomorra, se estivessem ali dez que em verdadeira fé como Abraão se colocassem diante de Deus, ele teria poupado as cidades. Assim Deus guardou a Alemanha de uma guerra civil, enquanto Lutero viveu, pois ele clamava com lágrimas e jejuns, pedindo misericórdia em favor da tão ingrata nação alemã.
Jesus ensina isto ao chamar os fiéis de: Sal e luz da terra. (Mt 5.13) Assim como o sal preserva a carne da putrefação; assim cristãos, quando fazem o que lhes compete, agem como sal, para que a nação não se corrompa de todo. E como sol ilumina o mundo para que não pereça nas trevas; assim cristãos ao deixarem sua luz brilhar pelo testemunho, impedem que a ira de Deus desabe sobre a nação. Os cristãos são como um dique que impede que as águas da ira de Deus destruam a nação.
É verdade, que há situações em que a ira de Deus é determinada de forma irrevogável. Deus diz pelo mesmo profeta Ezequiel: Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, salvariam apenas a sua própria vida, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 14.14 RA) Assim, por exemplo, a destruição de Jerusalém, nos anos 70 após Cristo, estava determinada. E Deus ordenou aos fiéis que saíssem de Jerusalém e se refugiaram na cidade de Pella, quando o exército romano viesse sobre Jerusalém.
Em que consiste então a nossa culpa por, em nosso país crescerem os assassinatos, roubos, mortes, a proliferação das drogas que ceifam nossos jovens, das muitas injustiças, etc.? Importa reconhecer que tudo isso já o prenúncio do juízo de Deus que está em andamento? O profeta Amós diz com razão: Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? (Amós 3.6 RA) Vamos querer nos desculpar como o fariseus no templo e dizer a Deus: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. (Lucas 18.11 RA) Longe de nós tal atitude. Antes queremos como o rei Davi, após o seu pecado, confessar. Eu é que pequei, eu é que procedi perversamente; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai. (2 Samuel 24.17 RA; ou Jó 9.30,31))
A quem valem, portanto, esta palavra de Deus proclamada pelo profeta Ezequiel: Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Por isso, eu derramei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 22.30-31 RA) Estas palavras valem para nós. Nós não nos colocamos como um muro na brecha em sincero arrependimento, orações e súplicas. Que Deus nos seja gracioso e nos conceda arrependimento para a vida.

II

Nosso pecado, no entanto, não consiste simplesmente num pecado de omissão, mas também de comissão, isto é, de participação. Participamos dos pecados do povo. O profeta Ezequiel diz a seu povo: Os seus profetas lhes encobrem isto com cal por visões falsas, predizendo mentiras e dizendo: Assim diz o SENHOR Deus, sem que o SENHOR tenha falado. Contra o povo da terra praticam extorsão, andam roubando, fazem violência ao aflito e ao necessitado e ao estrangeiro oprimem sem razão. (Ezequiel 22.28-29 RA) Ou conforma a NTLH: Os profetas escondem esses pecados como quem pinta de branco uma parede. Eles têm visões falsas, fazem falsas profecias. Afirmam que falam a palavra do Senhor Deus, mas eu, o Senhor, não falei com eles. Os ricos enganam e roubam. Eles maltratam os pobres e exploram estrangeiros.
O profeta menciona dois pecados, razão pela qual a catástrofe veio sobre Israel: a) O pecado contra a doutrina e a fé; b) os pecados no dia a dia (falta de vida santificada).
Estes dois pecados são a causa do juízo e da aflição que veio sobre Israel.
Qual é o pecado contra a doutrina e a fé? Os falsos profetas, que pregavam um evangelho falsificado, isto é, para agradarem ao povo, não denunciavam os pecados. Falavam só do amor de Deus, como se tudo estivessem bem. Uma pregação, nós diríamos, positiva: Tudo amor e paz. Eles esquecem que sem a lei o evangelho não será compreendido, mas usada por pretexto da malícia. (1 Pe 2.16)
Qual o nosso problema? Somos uma igreja que fomos ricamente abençoados: Temos boas traduções da Bíblia, a doutrina clara exposta em nossos livros confessionais. Mas quem os conhece? Nossos jovens crescem praticamente sem um ensino religioso sistematizados. E nossas Escolas Dominicais, ensinam elas as Históricas Bíblicas ou são somente um momento de recreação, com historinhas sentimentais com um pouco de moral. E nossos jovens, conhecem eles as partes principais do Catecismo Menor? As definições sobre pecado, justificação, pessoa de Cristo, as diferenças entre nós e Católicos, Reformados, Pentecostais, para poderem testemunhar estas verdades? Nossos jovens, digamos, após quatro anos na juventude, podem dizer: Estudamos a Confissão de Augsburgo e os artigos da Fórmula Concórdia? Ou são somente encontres para música e recreação?
E como vão os Estudos Bíblicos em nossas congregações? Somos nós realmente sal e luz para a nação brasileira?
Como vai a vida santificada? O profeta Ezequiel denunciou a vida errada. O resultado de pregações sem clara distinção de lei e evangelho, resultaram numa vida egoísta e pecaminosa.
Jesus disse à Congregação em Sardes: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. (Apocalipse 3.1 RA)
Qual é a nossa preocupação com os pecados de nossa época? Temos nação clara do que significa: Santo sereis, porque eu o Senhor vosso Deus sou santo? Lutamos na congregação, por aconselhamento mútuo, por vida santificada, admoestando-nos mutuamente?[2] A luta por vida santificada é um assunto entre pastores e diretorias, entre membros e nos departamentos? Há luta neste sentido e admoestação mútua? Falamos disso a nossos filhos?
Sem dúvida temos que confessar com Daniel: A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê; aos homens de Judá, os moradores de Jerusalém, todo o Israel, quer os de perto, quer os de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas transgressões que cometeram contra ti. (Daniel 9.7 RA) E com o profeta Isaías: Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. (Isaías 1.5 RA)
Que faremos? Queremos enganar-nos a nós mesmos e a outros, orgulhando-nos da doutrina, que no fundo já não conhecemos mais bem, levando uma vida que a contradiz? Ou será que as palavras que Jesus disse aos escribas, valem também para nós: Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando. (Lucas 11.52 RA) ou na NTLH: Ai de vocês, mestres da Lei! Pois guardam a chave que abre a porta da casa da Sabedoria. E assim nem vocês mesmos entram, nem deixam ou outros entrarem.
Cabe-nos suplicar a Deus por misericórdia. Pedir que nos conduza a sincero e verdadeiro reconhecimento de nossos muitos pecados em nossa vida oracional. Nosso desleixo para com a palavra de Deus e nossa doutrina, nossa lassidão na vida santificada, e que vendo o pecado se multiplicar em nossa nação e o juízo de Deus se aproximar qual nuvem de tormenta, não temos suplicado a Deus por misericórdia.
Isto queremos fazer hoje. Que Deus, por sua misericórdia, abençoe sua palavra em nossos corações, para arrependimento e fé. Que sua graça nos console e reerga para vida santificada, para uma intensa vida oracional em favor de nossa pátria e Igreja. Amém.
São Leopoldo, 15/11/2008
Horst R. Kuchenbecker
























[1] Evangelium Postille, 1877.
[2] Aqui cabe a nós pastores um exame sincero de nossa vida ministerial. Como vai nossa vida oracional? Lutamos em oração diária por nossas congregações? Estamos dedicados ao ministério ou p usamos para nossos interesses pessoais, como os fariseus? Nossas pregações são frutos do estudo da Palavra sob oração, canais para o Espírito Santo, ou procuramos como no tempo de Ezequiel somente agradar as pessoas, passando cal?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Rm 3.28.Reforma

João 8.31,32 – Rm 3.28. Reforma

A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) afirma em seus Estatutos, Artigo 3, que “aceita todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas, do Antigo e do Novo Testamento, como palavra infalível, revelada por Deus. Como única exposição correta da Escritura Sagrada, aceita os livros simbólicos da Igreja Evangélica Luterana, reunidos no Livro de Concórdia, de 1580, e não admitirá alteração alguma desta norma.”
Com isto nós nos consideramos verdadeiros herdeiros da Reforma. Somos gratos a Deus e o louvamos por ter dado e preservado esta verdade em nosso meio.
Para que esta verdade não seja somente uma confissão no papel e de nossos lábios, mas do coração, vamos rever os três pilares da Reforma e qual o nosso compromisso com estas verdades.

I

Os três pilares da Reforma são: Somente a Escritura, somente por graça, somente pela fé.
A doutrina luterana e sua confissão não contêm, em si, novidades ou coisas bem especiais inventadas por Lutero. Novidades podemos encontraremos em outras religiões ou seitas.
A doutrina luterana tem sua base na Escritura Sagrada. Dai o primeiro pilar: Somente a Escritura. Só e unicamente a Escritura, a palavra escrita de Deus é a única norma para a fé e a vida. Isto precisou ser reafirmado, pois a Igreja Católica na época e ainda hoje, mesmo afirmando ser a Bíblia a palavra de Deus, afirmam que somente o Papa de Roma e os Concílios têm a autoridade para interpretá-la corretamente. Assim acrescentam suas tradições à Bíblia. Lutero mostrou que Papas e Concílios têm errado. Por isso Lutero afirmou em Worms diante do Imperador, príncipes e Cardeais: “A não ser que eu seja convencido pela Escritura, não posso revogar.”
Poucos anos depois surgiu outra luta. O pregador suíço, Zwinglio, que no início concordou com Lutero, mas depois se desviou da verdade. Lutero notou com espanto e tristeza que Zwinglio colocou a razão humana como juiz supremo sobre a Bíblia. No ano de 1629, os dois se encontraram em Marburgo para um debate. O mesmo girou em torno da pergunta: Podemos confiar nas palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue, dado e derramado por vós para remissão dos pecados.” ou devemos interpretá-las simbolicamente? Porque a razão humana não pode compreender como o verdadeiro corpo de Cristo pode estar presente em todo o mundo na celebração da Santa Ceia. Lutero defendeu que a razão humana não é juiz da Palavra é soberana e confiável, quer eu a compreenda ou não.
Após diversas lutas o pilar da Reforma foi firmado e estabelecido: Só e unicamente a Palavra é norma na igreja para a fé e vida.
O segundo pilar é: Somente por graça, isto é, somos salvos somente pela graça de Cristo sem as obras da lei. Isto porque a igreja Católica na época e ainda hoje, ensina que Cristo fez a sua parte e nós temos que fazer a nossa parte, completar a salvação por nossas obras. Somos salvos pelos méritos de Cristo e nossos. Lutero mostrou que nossas obras, por mais nobres que sejam, são todas imperfeitas e não subsistem diante do tribunal de Deus, se não forem purificadas pelo sangue de Cristo.
Cristo, como substituto de toda a humanidade, cumpriu a lei perfeitamente, por seu sofrer e morrer na cruz, pagou pelos pecados de toda a humanidade, e ao ressuscitar dos mortos, o Pai demonstrou que aceitou o sacrifício de Cristo, e que Cristo triunfou sobre nossos inimigos: pecado, morte e Satanás. Com isto estava firmado o segundo Pilar: Somente pela graça de Cristo, baseados nas seguintes afirmações da Escritura:
- Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16 RA)

- Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. (Efésios 2.8-9 RA)
- Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. (2 Coríntios 5.19 RA)
O terceiro pilar trata da fé. Somente pela fé. Os entusiastas da época e ainda hoje, ensinam que a Escritura é a palavra de Deus e que somos salvos pela graça de Cristo por fé. Mas quanto à fé, eles ensinam que ela é uma decisão da pessoa, um decidir-se por Cristo, uma ação humana e com isto uma boa obra. Eles fazem a salvação depender desta obra da decisão. E por a salvação depender da ação humana, negam o batismo de crianças.
Firmado na Bíblia, Lutero ensinou claramente que somos espiritualmente cegos, mortos e inimigos de Deus. Ninguém pode crer por própria força. Por isso confessamos com Lutero na explicação do terceiro artigo do Credo: Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo meu, senhor nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou, iluminou com seus dons e me conserva na única fé verdadeira. (1Co 2.14; Ef 21.5; Rm 8.7; 1Co 12.3)
Assim foi firmado o terceiro pilar: Somente por fé que o Espírito Santo opera, gera, cria e mantém pelos meios da graça, Palavra e sacramentos: batismo e santa ceia.
Sobre estes três pilares repousa a doutrina da Reforma Luterana, firmados unicamente na Escritura.
Nesta doutrina remos verdadeiro consolo na aflição. Ela enche nosso coração de paz e esperança da vida eterna.
II
E agora? Qual é o nosso compromisso com esta verdade?
O apóstolo Judas Tadeu escreve em sua carta: Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (Judas 1.3 RA)
Judas nos exorta a “batalharmos diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.”
Por que esta admoestação? Isto porque a palavra de Deus, como no tempo de Jesus e dos apóstolo, já foi considerada loucura e escândalo, assim o é ainda hoje. Hoje a mensagem da cruz está sendo atacada e criticada fortamente por pessoas que se chama cristãos. Eles a questionam, distorcem com armentos dos mais variados. Um dos principais é: Vivemos em outro tempo. Hoje não podemos mais aceitar esta palavra como ela. Não nos deixaos enganar Importa vigiar e orar.
Como se faz isto? Em primeiro lugar importa conhecendo bem esta verdade. Isto requer a leitura da Bíblia, a leitura de nosso Catecismo e se possível da Confissão de Augsburgo e da Fórmula de Concórdia, para nosso próprio consolo e para podermos testemunhar a outros, neste mundo em trevas e confusão.
Em segundo, importa lutarmos tanto interna como externamente por esta verdade doutrinária. Vocês vão ouvir muitas vozes, até em nosso meio, que querem nos desencorajar nesta luta. Eles dizem: No tempo de Lutero isto foi necessário, mas hoje vivemos em outros tempos. Tempo de paz e amor. Temos que deixar esta luta que só traz mais e mais divisões. Basta alguém conhecer o amor de Cristo, as outras doutrinas são de pouca importância, e assim por diante. Não. O apóstolo Judas nos mostra que a fé (a doutrina) nos foi entregue. A nós cabe administrá-la como bons mordomos de Cristo. Não temos o direito de abrir mão desta ou daquela doutrina. Não nos deixemos enganar.
Por isso o próprio Jesus nos diz: Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. (Apocalipse 3.11 RA) Queremos batalhar com fidelidade pela doutrina que Deus nos deu e conservou em nosso meio através de nossos pais.
Apegar-nos a ela para nosso consolo. Ensiná-la em nossa família e zelar para que em nossa congregação ela seja claramente ensinada para bênção de nossos filhos, netos e bisnetos, sim até a vinda de Cristo.
Neste espírito queremos festejar a Reforma luterana, com júbilo, gratidão e renovado apega à verdade e fiel testemunho. Amém
São Leopoldo, 27/10/2008
Horst R. Kuchenbecker

Jd 3. Reforma

Dia da Reforma (1876)
Sermão de C.F.W. Walther (Haus-Postile. St. Louis, CPH, 1882. pag. 464)
Tradução: Horst R. Kuchenbecker

Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (Judas 1.3 RA)

Oração: Senhor Jesus, a luta que nossos pais travaram no passado foi árdua, mas gloriosa a vitória que presenteaste a eles. Por isso nós te louvamos, hoje, jubilosos e alegres. Pois o que nossos pais sofreram em prol de tua santa e pura Palavra é hoje nossa preciosa herança e de nossos filhos.
Mas, esta santa luta ainda não terminou, pois nosso inimigo procura roubar-nos continuamente o que nós deste. Daí a necessidade da contínua admoestação: Batalhai diligentemente pela fé, que uma vez por todas foi entregue aos santos.
Por isso clamamos a ti, ó Senhor: Ajuda-nos para, como nossos pais, a lutar para que retenhamos a vitória, sejamos coroados por ti para podermos jubilar com nossos pais por toda a eternidade. Amém.

Introdução
Estimados irmãos na fé luterana, confissão e luta.
A história da Reforma, que relembramos e celebramos hoje, é a história de uma luta de 30 anos, iniciada em 1517, quando Lutero publicou suas 95 teses contra as abomináveis indulgências, até ao faleceu em 1546. Esta luta não foi tanto uma batalha física, mas espiritual. De um lato estava Lutero, o monge indefeso, sem nenhuma arma em suas mãos, somente a Bíblia, apoiado por poucos temerosos amigos; do outro lado estava o bem apoiado Papa de Roma com sua espada de dois gumes, do poder temporal e do poder espiritual. O Papa de Roma retinha em suas mãos o poder sobre a Igreja e o poder sobre o Estado, suportado por um incontável número de prelados, cardeais, bispos e arcebispos, sacerdotes, monges e freiras, bem como da mais alta e poderosa autoridade do império naquele tempo do cristianismo, o Imperador. De um lado, o erro, do outro lado, a verdade. De um lado, a palavra humana, do outro lado, a palavra de Deus. E o principal, de um lado, de forma invisível, Jesus Cristo, o rei da verdade, o Senhor da salvação com todos os seus anjos, do outro lado Satanás, o príncipe das trevas e da ruína, com todo seu exercito infernal.
Hoje, 359[1] anos após o dia 31 de outubro de 1517, no qual Lutero declarou guerra ao Papa de Roma, pregando as 95 teses contra o tráfico das Indulgências, cingido da espada do Espírito. Como Davi, no passado, com sua funda contra Golias; assim Lutero saiu de sua escura cela do mosteiro em nome do Senhor, do Deus vivo, e deu o sinal a todos os fiéis que estavam do lado de Deus e da verdadeira igreja, para o ataque e a guerra mais santa já travada nesta terra.
Daí por diante seguiu-se uma luta após a outra, tanto oral como por escrito. Em 1518, Lutero venceu em na cidade de Augsburgo um duelo secreto com o cardeal Caetano. A discussão girou em torno da palavra “revoco”, isto é, revogo. Toda a retórica do astuto italiano foi em vão. Ele não conseguiu levar Lutero a revogar. Lutero deixou a arena como vitorioso.
No ano seguinte, em 1519, seguiu um debate público entre Lutero e o astuto monge dominical, Dr. Eck. Neste debate em Leipzig, o tema foi a autoridade do Santo Papa e dos Concílios. Após o debate todos os que são da verdade, mesmo alguns papistas, atribuíram a vitória a Lutero.
Dois anos depois, em 1521, Lutero foi convocado para comparecer, pessoalmente, à Dieta de Worms, diante do Imperador, para se defender e ser julgado. Todos seus amigos estremeceram, mas Lutero não. Ele afirmou: “E se houver tantos demônios como telhas nos telhados em Worms eu irei. E ainda que meus inimigos fizessem, entre Wittenberg e Worms, uma fogueira que se erguesse até aos céus, eu haveria de comparecer em nome do Senhor e me enfiaria na boca do diabo, entre os seus enormes dentes, para confessar Cristo, entregando tudo nas sábias mãos de Deus.” Assim começou a árdua luta. E vejam! Como Daniel na cova dos Leões e os três homens no forno ardente, saíram ilesos, assim Lutero deixou Worms sem ser vencido. Sua declaração final foi e permanece: “Aqui estou. Não posso de outra forma. Que Deus me ajude. Amém.”
Uma segunda batalha árdua se desenrolou na entrega da Confissão na Dieta de Augsburgo, no ao de 1530. Por Lutero ter sido excomungado pele Papa e ser proscrito pelo Imperador, ele não pôde comparecer pessoalmente junto com os demais confessores nesta grande e decisiva Dieta. Porém, como comandante em chefe eleito por Deus para esta luta, não foi somente ele que pelas teses de Torgau, por assim dizer, ditou o plano dos artigos de paz, mas foi ele também que durante a Dieta, por suas cartas diárias de Coburg dava orientação e ânimo ao pequeno grupo em Augsbrugo. E o que aconteceu? O que Lutero compôs e cantava durante a árdua batalha: Castelo forte, é nosso Deus, defesa e boa espada; da angústia livra desde os céus, nossa alma atribulada. – Isto se cumpriu maravilhosamente. Também esta decisiva luta foi vencida. Apesar das ameaças do Imperador. No encerramento da Dieta, cantava-se nas tenda dos justos, em toda a cristandade a vitória.
A história da Reforma, estimados em Cristo, não é somente a história de uma luta para fora, mas também de uma luta espiritual doméstica.
Após Zwínglio, o pregador suíço, ter concordado com Lutero e lutado corajosamente com ele pela palavra de Deus contra as doutrinas humanas do papado, Zwinglio desviou-se da verdade e declarou: É contra a razão humana crer que o corpo e o sangue de Cristo estejam na Santa ceia. Com espanto Lutero notou que Zwínglio colocou a razão humana em lugar do Papa. Após troca de várias correspondências, marcaram, no ano de 1529 um debate na cidade de Marburgo. Seria uma luta decisiva. A disputa girou em torno da frase: Será que as palavras do onipotente Filho de Deus: “Isto é o meu corpo, isto é, o meu sangue”, estão firmes ou esta palavra de Deus deve dar lugar à razão e ser interpretada figurativamente? Esta foi a segunda guerra. Esta pergunta foi decidida em Marburgo. E graças a Deus! Também aqui, como em Worms, Lutero não cedeu. Assim Lutero livrou a igreja tanto da autoridade do Papa como da autoridade da razão humana.
Lutero lutou constantemente até ser chamado à pátria celestial, à paz celestial onde foi, como esperamos, coroado como todos os fiéis lutadores, para celebrar o triunfo de Cristo eternamente.
O que segue agora, irmãos e irmãs? Será que a vitória da Reforma trouxe paz à igreja? Não! A igreja só triunfará no céu, aqui na terra ela é uma igreja militante, isto é, ela precisa lutar até soar a última trombeta. Isto é mostrado em todos as páginas da Bíblia, e entre outras escreve o apóstolo Judas Tadeu: Exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
À base destas palavras quero responder a pergunta:

Porque não podemos nem devemos parar de lutar pela verdadeira doutrina de nossa igreja?
Porque a doutrina pura de nossa igreja não é nossa propriedade, mas um bem que nos foi confiado para fiel administração;
Porque a perda desse tesouro é algo mais terrível do que a luta e discórdia entre as pessoas.
Porque esta luta é nos ordenada por Deus, por isso ela é uma luta abençoada aqui e na eternidade.

I

A primeira razão pela qual se supõe ser hora de parar de lutar pela doutrina pura de nossa igreja é, como muitos pensam, ser esta luta contra o amor.
Dizem que Cristo o afirmou com as seguintes palavras: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. (João 13.35 RA) O apóstolo João também afirma: Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. (1 João 3.14 RA) E o apóstolo Paulo atesta: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor. (1 Coríntios 13.1,13 RA) Quando os gálatas brigaram entre si, o apóstolo Paulo lhes recomendou: Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. (Gálatas 5.15 RA)
Por mais certo que sejam estas afirmações de que o amor aos irmãos é o indispensável sinal dos verdadeiros cristãos, que sem amor todas as outras virtudes são somente aparências, e todos os dons, por mais altos que sejam, são inúteis, e que lutas e brigas só trazem ruína; mas à base disto não se pode afirmar que tenha chegada a hora de abrirmos mão da luta pela doutrina pura em nossa igreja. Pois o apóstolo também escreve: Exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Da verdadeira fé o apóstolo afirma que esta luta lhe é ordenada. A verdadeira fé ou o que é o mesmo, a verdadeira doutrina não foi simplesmente entregue aos santos para que pudessem fazer com ela o que bem quisessem. Ela não foi entregue para ser sua propriedade sobre a qual eles têm plena liberdade para fazer com ela o que bem quiserem. Não. Ela lhes foi entregue como um bem alheio, como um bem e propriedade de Deus, confiada a eles, para que como servos fiéis a administrem e a conservem bem.
Julguem, portanto, vocês mesmos: Será que o amor requer de um administrador que ele dê algo do que lhe foi confiado a outrem? Isente os devedores do seu senhor? Permita que outros tirem dele os tesouros que seu senhor lhe confiou? Por exemplo, será que foi amor que moveu o administrador infiel a perdoar ao que devia cem latas de azeite, dizendo ao credor, senta-te e escreve cinqüenta? (Lc 16.1-13). Não, isto é infidelidade, sim roubo e furto?
É por esta razão que Jesus o chama de “administrador infiel” (Lc 16.8). Seria amor se um general no campo de batalha, para evitar a luta e o combate, entregasse ao inimigo uma porta do muro que lhe foi confiado para defendê-la? Não seria tal general chamado a prestar contas de sua ação e condenado como traidor da pátria? Seria amor tirar bens de outrem para fazer o auxiliar os pobres? E finalmente, seria amor se Lutero, ao notar que a verdade que ele reconheceu na Bíblia, por suscita tantas discussões e brigas, resolvesse silenciar imediatamente? Julguem vocês mesmos. Seria amor se nós luteranos, na luta pela doutrina pura que nos foi concedida para administrá-la fielmente, abríssemos mão dela? Ou, a fim de fazer amigos e a passar por pessoas de amor e paz, deixasse a verdade de lado? Não! Isto não seria amor cristão, nem amor para com o próximo, muito menos amor a Deus, mas amor próprio. Seríamos nós administradores fiéis do grande tesouro que Deus nos confiou? Não, pelo contrário, seríamos administradores infiéis de bens alheiros, o que é roubo diante de Deus. E ladrões não herdam a vida eterna.
Na verdade, nosso amor deve estar pronto a, por amor à paz, nas coisas sobre as quais temos poder, ceder, mas não sobre coisas sobre as quais não temos o poder de decisão. Nosso amor deve estar pronto a sacrificar tudo o que temos, mesmo nossa vida se necessário. É por isso que no ano 1522, Lutero disse a seus oponentes: “Meu amor está pronto a morrer por vocês...; mas a fé ou a Palavra vocês devem adorar. De nosso amor vocês podem requerer o que quiserem; nossa fé, porém, vocês devem temer.” (Walch, XIX, 660).
Queridos amigos, colaboradores, confessores e lutadores luteranos, não nos deixemos enganar nem amedrontar, se hoje nos acusam de sermos pessoas sem amor, por lutarmos pela pureza de doutrina em nossa igreja.
Mantenham em mente: a doutrina é, como diz o nosso texto, a fé, que uma vez por todas foi entregue aos santos. Ela não é nossa propriedade, não temos o poder nem a liberdade de fazer o que bem nos parecer, de abrir mão dela. Ela é propriedade de Deus, que nos foi confiada para administrá-la e não somente nós, mas toda a cristandade, sim, o mundo inteiro deve preservá-la e transmiti-la de forma inalterada à posteridade. No dia do juízo final, Deus pedirá contas, especialmente a nós luteranos, também com respeito à conservação da doutrina pura, quando nos dirá: Presta contas de tua administração.
Sabemos que é algo muito doloroso alguém ser taxada como uma pessoa sem amor. Tais acusações quebram o coração. Este ultraje, no entanto, todos os fiéis lutadores tiveram que carregar. Por isso nossos bem-aventurados pais afirmam em nossas Confissões: Dissentir do consenso de tantas gentes e ser chamado de cismático é grave. Mas a autoridade divina manda a todos que não sejam aliados e propugnadores de impiedade e injusta crueldade.” Do poder e Primado do Papa, 42; LC, pág. 353) Assim, para que o mundo veja que em nós luteranos habita o amor, queremos mostrá-lo de forma abundante nas coisas materiais; mas em questões de doutrina e de sua Palavra, que nos foi dada na Escritura Sagrada, a palavra de Cristo, queremos guiar-nos pela palavra de Jesus: Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. (Mt 10.37)
II

Estimados irmãos e irmãs, em segundo lugar, nós não podemos abrir mão da luta pela doutrina pura em nossa igreja porque a perda desse tesouro, é muito pior do que todas as brigas, e discórdias entre as pessoas.
Na verdade, a luta e as discussões que se travam em toda a cristandade, não somente entre diversas comunidade cristãs, mas também entre membros da mesma igreja é uma tristeza muito grande. Não há palavras, nem lágrimas de sangue suficientes para lamentar este triste fato. É lamentável ver que aqueles que querem ser filhos de um e mesmo Pai celestial, servos do mesmo Salvador, templos do mesmo Espírito Santo, que estes brigam entre si. É lamentável que aqueles que deveriam estar unidos como um só homem, para lutarem contra os inúmeros inimigos do cristianismo, que estes puxam suas espadas um contra o outro. Como o diabo deve estar se alegrando e pulando ao ver esta desunião entre os cristãos? Muitos incrédulos se chocam nisso e não querem saber mais nada do cristianismo, pois dizem: Como o cristianismo quer ser ela a única religião que salva, se os membros brigam tanto entre si? E quantos cristãos fracos já se escandalizam nisso e abandonaram a fé, voltando ao mundo? – Como, indagam muitos, não é tempo de nos luteranos pararmos com esta luta pela doutrina? Que nós, como Isaías profetizou, transformemos nossas espadas em arados e nossas lanças em foices? (Is 2.4) É tempo de estendermos as mãos a todos os cristãos para reconciliação, para formar uma grande comunidade de paz e união?
Sem dúvida, estimados irmãos. Se nos luteranos pudéssemos comprar com o nosso sangue um belo e geral tratado de paz, nenhum luterano, nem pregador, deveria considerar seu sangue demasiadamente valioso, antes com mil alegrias derramá-lo. E mesmo assim, não devemos abrir mão de nossa luta pela doutrina pura em nossa igreja. É isto que a Sagrada Escritura nos ensina. É isto que também o nosso texto no-lo mostra: Exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. (v.3) Vejam, por o apóstolo escrever aos cristãos a cerca de nossa comum salvação. Por isso ele considera necessário, exortá-los em primeiro lugar para que lutem pela fé. Conforme esta explicação apostólica, não se trata aqui de algo insignificante, mas de nossa comum salvação.
Como? Será que podemos ou devemos parar a luta pela doutrina bíblica pura? Não! Nunca! – Sim, quando se trata de dinheiro e bens, honra pessoal, dias aprazíveis, em fim da luta por coisas terrenas: ai de nós, se não perguntarmos se isto promoverá a paz no mundo e na igreja, se através disso os incrédulos e fracos na fé não serão escandalizados, ou se através disso o reino de Deus será impedido. Uma outra coisa, no entanto, é, se nós lutamos pela fé, que foi dada aos santos.
Por isso todos os profetas e apóstolos e o próprio Cristo lutaram ininterruptamente pela verdadeira fé. Jesus afirma: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. (Mateus 10.34-36 RA) A luta que surge por causa da doutrina pura é, por isso, não uma luta desastrosa, mas abençoada. Jesus ordenou lutar.
Se ninguém falsificasse a palavra de Deus, não haveria necessidade de lutar, então isto seria grave pecado. Mas por a natureza carnal, o mundo e Satanás tratarem continuamente de falsificar a palavra de Deus ou a doutrina pura - e ela nunca foi tanto falsificada quanto em nossos dias - vindo milhares de pessoas a perecerem eternamente devido a doutrina falsa. Será que diante disso podemos ou devemos permanecer calados só para não perturbar a paz terrena? E o que é pior, perder a paz terrena ou perder a paz da alma; ser roubado da paz terrena ou ser roubado do tesouro que nos traz a paz eterna? Não disse Jesus: Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? (Mateus 16.26 RA)
Vejam, o que seria de nós se no quarto século, quando Arias atacou a divindade de Cristo, se Atanásio e outros não tivessem combatido esta falsa doutrina? Se no quinto século, quando Pelágio atacou a doutrina da salvação somente pela graça de Cristo, se Agostinha ou outros não tivessem combatido esse erro? Quando no décimo século, o Papado falsificou a maioria das doutrinas de Cristo, se Lutero e outros não tivessem combatido os erros? Ou quando no final do século 17, ao o racionalismo penetrar na igreja, se ninguém o tivesse combatido, simplesmente para evitar lutas e inimizades e manter a paz? O que seria da palavra de Deus? Onde estaria a igreja hoje? Onde estaria a doutrina correta que conduz ao céu? Tudo isso já teria desaparecido e milhares de pessoas rumariam para a eterna condenação.
Por isso, irmãos e irmãs, lamentamos de coração que continuamente se levantam falsos profetas que atacam a doutrina pura de nossa igreja, causando lutas e discussões na igreja; mas não lamentamos o fato por Deus, despertar continuamente pessoas que combatem os erros, por isso, louvamos e sejamos agradecidos a Deus, lembrando que: nossa salvação está em jogo.
III

E agora, irmãos e irmãs, o mais importante e a razão mais irrefutável pela qual não podemos abrir mão da luta pela doutrina pura é esta: O conflito nos é ordenado por Deus. Por isso ela, certamente, será abençoado por Deus no tempo e na eternidade. Permitam-me falar um pouco sobre isto e concedam-me mais um pouco de vossa atenção.
Temos hoje muitas cristãos bem intencionados que afirmam: Não rejeitamos todas as lutas pela doutrina pura no passado, pois nossos pais lutaram com toda a seriedade pela mesma. Assim, por exemplo, foi correto que Lutero, há quase 500 anos atrás, lutou corajosamente até à morte pelo evangelho contra as falsificações do papado. Esta luta teve um resultado como nunca houve na igreja.
Mas agora é tempo de por um fim a esta luta pela doutrina verdadeira, na qual cristãos lutam um contra o outro. Agora é tempo de juntos edificarmos a igreja em paz. Pois qual é o resultado de todas essas lutas? Nenhum outro do que novas divisões e confusões na cristandade. Será?
Por bem intencionados que esses pregadores da paz sejam, eles estão labutando num grande erro.
Primeiro, não é verdade que em nossos dias, nos quais a luta pela verdadeira doutrina já dura 30 anos, tendo como resultado maiores divisões e confusões. Pelo contrário – e isso seja dito unicamente para a glória de Deus – o resultado da luta é que a igreja da reforma com suas doutrinas claras e puras está novamente entre nós, ressuscitada da morte. Mais de mil congregações se reuniram novamente em torno das Confissões de nossa igreja e da América ecoa novamente o puro evangelho para muitos países, conquistando novos confessores da verdade, que se reúnem sob esta bandeira de nossos pais.
Outros milhares de milhares que já estavam prontos a abrirem mão da verdade, foram por essa luta, pelo menos parados no caminho do erro, e motivados a passo por passo retornarem ao caminho da verdade. A luta atual pela verdade está sendo ricamente abençoada, além do esperado e nossas orações, suplicas ouvidas além de nossa compreensão.
E mesmo se não fosse assim; e parecesse que a luta pela verdade em nossos dias e em nossa igreja fosse infrutífera e vã, mesmo assim não poderíamos parar de lutar. E por que não? – Por Deus o ter ordenado com palavras claras. Pois quem, entre outros textos, está fala a nós pelo apóstolo Judas, exortando todos os santos, isto é, todos os fiéis, a batalharem diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos? Isto é o próprio e onipotente Deus. Pois os homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo. (2 Pe 1.21) O que precisamos mais? Que pessoa ou anjo poderia, se Deus o ordenou, dizer: Não lutem mais?
E ao lutarmos firmados na ordem de Deus, poderíamos temer que nossa luta seja vã? Não! Nunca! O que Deus faz e ordena é abençoado no tempo e na eternidade. Como o próprio Siraque afirma: Luta até a morte pela verdade e o Senhor Deus combaterá por ti (Eclesiástico 4.28 - ou Siraque, livro apócrifo)
Portanto, não demos ouvidos àqueles que louvam a luta do passado pelo evangelho, mas não querem saber hoje de uma luta igual. Deus ordenou: Batalhar pela fé. Isto vale para todos, também para os nossos dias. Que o zelo, com o qual Lutero e seus fiéis colaboradores lutaram, inflame também hoje nossos corações. Não queremos entregar, covardemente, o que nossos pais por árduas lutas, com a Palavra, Escritura, sangue e lágrimas nos conquistaram; mas lutar corajosamente contra os ataques e defendê-lo até a morte. Não queremos considerar nenhuma verdade que nos foi revelada de somenos importância, permitindo falsificações. Lembrem: Um pouco de fermento levada toda a massa. (1Co 5.6) Não temam que por causa de nossa luta sejamos taxados de pessoas impiedosas e malvadas. Também Lutero e seus colaboradores experimentaram isso, e mesmo assim ainda hoje milhares de milhares desfrutam da bênção dessas lutas, enquanto eles já descansam nas sepulturas. Mostremo-nos não como degenerados, mas como verdadeiros filhos da Reforma, assim também quando nós, tendo virado pó e cinzas, nossos filhos, netos e bisnetos possam ainda desfrutarão as bênçãos destas lutas pela verdade.
Ainda que nosso nome, devido as lutas pela doutrina pura em nossa igreja, seja difamado entre as pessoas até o juízo final, mas, se perseverarmos fiéis na luta, sendo Deus verdadeiro e justo, por amor a Cristo, no dia do juízo final seremos coroados e entraremos na paz por toda a eternidade. Que alegria, que júbilo será quando nós pobres pecadores, desprezados aqui, repreendidos e odiados, seremos aceitos na incontável multidão dos santos, de Adão aos últimos lutadores que triunfam, diante do trono de Deus. Nestes termos ainda vos conclamo: Sigamos, pois o bom Senhor / com tudo o que nos temos; / e toda angústia, sem temor, / alegres suportemos. / Quem foge à luta aqui, perdeu / o prêmio eteno lá no céu. ( HL 319.7)
São Leopoldo, 28/10/2008
Horst R. Kuchenbecker
[1] No tempo de Walther ano 1876. Hoje, para nós anos 2008, são 491 anos após 1517.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mateus 22.34-46. Lei e Evangelho

Evangelium Postile – C. F. W. Walther
Mateus 22.34-46
Tradução e adaptação – HK
Introdução
Toda a Escritura do Antigo e do Novo Testamento, sim cada um dos livros que compõe a Bíblia, contém duas doutrinas principais, a saber: lei e evangelho.
Essas duas doutrinas precisam estar sempre juntas. Onde uma falta, a outra também faltará. Onde uma desaparece, a outra também desaparecerá. Onde uma não é reconhecida, a outra também não será reconhecida. Onde uma não é ensinada com clareza, a outra também não terá clareza. Sem a lei, o evangelho não alcança seu propósito, assim também sem o evangelho, a lei não alcança seu propósito.
Como estas duas doutrinas estão intimamente unidas como montes e vales, luz e sombra, com a mesma precisão elas precisam ser claramente distinguidas uma da outra, pois são diferentes como noite e dia, terra e céu. Sim, elas se distinguem como as obras humanas das obras de Deus; como o dar e o receber, como vida e morte, ira e graça, condenação e salvação.
Sobre o reconhecimento dessas diferenças descansa tudo o que um cristão crê e espera. Quem ainda não reconheceu esta diferença entre lei e evangelho, ainda não é um cristão. Pois, sua fé, sua esperança e todo o seu agir repousa sobre um fundamento incerto e vacilante. Uma fé incerta, uma esperança duvidosa, uma obra dúbia não é fé cristã, nem esperança cristã, nem obra cristã. Sem a clara distinção entre lei e evangelho ninguém pode ser um verdadeiro pregador e professor. Por isso o apóstolo Paulo requer de todo o bispo que maneja bem a palavra da verdade. (2 Timóteo 2.15 RA)
O que falta a todas ás seitas cristãs consiste principalmente nisto de não distinguirem claramente entre lei e evangelho. Deste problema fluem todos os erros. Uns como os católicos, fazem do evangelho uma lei, outros, como os racionalistas, os pregadores de virtudes cristãs fazem o contrário, da lei um evangelho. E todos os entusiastas, unionistas, misturam constantemente de forma perigosa essas duas doutrinas.
Não podemos agradecer a Deus o suficiente por ter restaurado a verdade pela Reforma de Lutero e trazido à luz a clara distinção entre lei e evangelho. Através desta reforma nossa Igreja Luterana tem a verdadeira chave a todos os livros da Escritura Sagrada, o correto guia para as doutrinas da revelação, a verdadeira luz para os mistérios de Deus, e a verdadeira pedra de toque para distinguir a verdade do erro. E, visto que em nossa igreja se ensina claramente sobre lei e evangelho, cada um pode chegar ao conhecimento do caminho da salvação e trilhar o mesmo com segurança. A correta compreensão da diferença entre lei e evangelho que nos foi presenteado é, portanto, um tesouro mais valioso do que outro e prata deste mundo. Por este tesouro, todo o congregado luterano deveria amar sua igreja, como os fiéis do Antigo Testamento amavam sua cidade Jerusalém, e diziam uns aos outros: Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria. (Salmos 137.5-6 RA)
Mas ao dizer que nossa Igreja Luterana possui esse tesouro, quero dizer que este tesouro está nas preciosas Confissões de nossa Igreja, pois, nem todos os que se dizem luteranos reconhecem este tesouro. Infelizmente há muitos que são luteranos e anos a fio ouviram e ouvem pregações corretas, mas ainda não conhecem a diferença entre lei e evangelho. Tudo isso ainda lhes é nebuloso. E entre eles estão ainda aqueles que procura sua salvação na lei. Por isso, ao estarmos aqui reunidos para ouvir o evangelho, quero expô-lo sob o seguinte tema:
Quão tolo é procurar a salvação de sua alma na lei e não no evangelho, isto porque: 1) quem procura sua salvação na lei a procura em vão; 2) pois a salvação de nossa alma encontramos somente no evangelho de Cristo.
Oração: Misericordioso Deus e Pai, tu o disseste muitíssimas vezes e o comprovaste por tua ação, que não desejas que alguém se perca, mas que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade e sejam salvos. Mesmo assim, a maioria segue seguro para a condenação, não se importando com a salvação de sua alma imortal, só aspiram riquezas e prazeres deste mundo. E mesmo muitos dos que se preocupam com a salvação de sua alma, a procuram ali onde não a encontram. Tu o lamentas, dizendo pelo profeta: Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jeremias 2.13 RA) Senhor guarda-nos destes dois erros. Toma-nos, desperta-nos para que perguntemos com toda a sinceridade: Senhor, que devo fazer para ser salvo? E então ajuda-nos, ilumina-nos e dirige-nos por teu Espírito para sermos guiados e fortalecidos na correta compreensão de lei e evangelho, e sermos fortalecidos na verdadeira fé, para que ninguém a tome de nos. Abençoa tua Palavra nesta hora em todos nós, por amor de Jesus Cristo, teu Filho unigênito, nosso Salvador. Amém.
I
Lemos em nosso texto: Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? (Mateus 22:34-36 RA)
Pouco antes, os saduceus, que não criam na ressurreição da carne, interrogaram a Jesus a respeito dessa ressurreição, pois julgavam que poderiam colocar Jesus em dificuldade. Mas, Jesus lhes expôs a doutrina da ressurreição da carne pela Escritura, e isto de tal forma que foram envergonhados diante do povo. Os fariseus, inimigos dos saduceus, se alegraram. E querendo mostrar que são mais sábios, eles resolveram enredar Jesus com suas perguntas.
O que fizeram? Eles se reuniram e deliberaram sobre como proceder. Chegaram entre si a um acordo de apresentar a Jesus a pergunta sobre qual seria o mais mandamentos da lei? Eles já discutiam sobre isso anos a fim sem chegarem a uma conclusão. Seria o mandamento do sábado? dos sacrifícios? da circuncisão? Eles consideravam essa pergunta insolúvel. Pois seja qual fosse a resposta, poderiam questioná-la. Escolheram, então, um escriba para apresentá-la a Jesus. O cenário estava bem preparado, e o escriba perguntou a Jesus: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? (Mateus 22. 6 RA) Com isto estavam dizendo: Jesus, tu permites que te chamem de Mestre, então mostra-nos teu saber a respeito da pergunta que te fizemos, que até hoje ninguém conseguiu responder. E todos ali estavam curiosos pela resposta de Jesus.1
Sem titubear, Jesus respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mateus 22.37-40 RA)2 Surpresos os fariseus e o povo ouviram a resposta e ninguém ousou questionar. Em vão olharam para o escriba, versado na lei, esperando dele uma reação. Todos ali sentiram que a questão, que parecia insolúvel, estava respondida. Pois o amor a Deus e ao próximo é o resumo de toda a lei, tanto da primeira como da segunda tábua da lei. A lei do amor é o maior e mais importante entre todos os mandamentos, o cumprimento da lei.
Mas a resposta de Jesus não visava somente dar uma resposta satisfatória aos fariseus. Jesus veio buscar e salvar o que estava perdido. Assim sua resposta tinha a graciosa intenção de mostrar aos fariseus e ao povo, que era loucura buscarem a salvação na lei, pois pela lei ninguém se salvará.
Esta é a verdade. Se o cumprimento da lei, como os fariseus pensavam e hoje muitos ainda pensam, só consistisse em cumprir este ou aquele mandamento, praticar esta ou aquela virtude, fazer esta ou aquela boa obra, evitar este ou aquele pecado, renunciar a este ou aquele prazer, então, na verdade, seria possível alguém, pelo cumprimento da lei alcançar a salvação. Mas, não é assim. O mais precioso e grande mandamento da lei de Deus, o resumo de toda a lei, o verdadeiro sentido é: Amar o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a alma, e de todo o entendimento e o teu próximo como a ti mesmo. Onde falta este amor, ali uma pessoa pode fazer o deixar de fazer o que quiser, e mesmo assim não cumpre a lei, pelo contrário em tudo o que ela faz, mesmo que seja a prática das maiores virtudes, a pessoa está transgredindo toda a lei.
De quem se pode dizer, então, que ama, sinceramente, de todo o coração, de toda a alma e de todo o seu entendimento a Deus? De todo o coração significa aqui a vontade. De toda a alma são os desejos. De todo o entendimento, o raciocínio. Somente aquele ama a Deus de todo o coração, que faz da vontade de Deus a sua vontade; de toda a alma, cujos desejos estão só voltados para Deus; e de todo o entendimento, cujos pensamentos estão continuamente voltados para Deus. Quem julga amar a Deus de todo o coração, sem a participação de sua vontade é um hipócrita. Quem julga amar a Deus, mas não de todo o coração, com seu coração dividido é um que vacila e na verdade, não ama a Deus. Pois Deus quer o coração integral da pessoa. Quem julga estar amando a Deus, mas não de toda a alma, isto é, sem a participação de seus desejos íntimos, tal amor é frio e não é amor, é morno e Deus o vomitará de sua boca (Ap 3.16), pois Deus quer ser amado de toda a alma. Quem julga amar a Deus, mas não de todo o entendimento, com a participação de sua razão, ainda não reconheceu Deus como seu bem supremo. Esta pessoa ainda não reconheceu Deus como o seu Deus, pois ainda ama criaturas e dons mais do que a Deus. Pois Deus só ama aquele que ama a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Uma pessoa que quer agradar a Deus, a ela desagrada tudo que desagrada a Deus, que ama todo o bem que Deus ama, e odeia todo o mal, porque Deus o odeia; que ama um dom ou uma criatura, somente por amor e vontade Deus, que tem somente em Deus o seu prazer e por isso sempre deseja a comunhão com Deus. Sem Deus, a pessoa não encontra alegria em nada, mas com Deus ela está alegre também no maior infortúnio. E se conforme a vontade de Deus ele perde algo, isto não lhe é perda, mas lucro, não sofrimento, mas alegria.
Em resumo, somente esta pessoa cumpre a lei, que ama a Deus de todo o coração, de toda a alma, e de todo o entendimento. Somente esta pessoa cumpre a lei, em cujo coração não há outra coisa do que amor a Deus, que não ama nada mais, nem igual, tão somente a Deus, e cujo amor não termina, nem é interrompido ou diminuiu, e que em tudo o que pensa, fala e faz está cheio do amor a Deus e dirigido por este amor.
A lei, porém, não requer de nós somente amor a Deus, mas ela requer também que amemos o nosso próximo como a nós mesmo3. De quem, no entanto, podemos dizer que ama o seu próximo como a si mesmo? Isto poderemos ver bem, ao examinar o quanto cada um de nós ama a si mesmo. Por natureza, cada pessoa ama a si mesmo, não somente por aparência, mas realmente; não só de forma fria, mas intensamente; não só nos momentos em que é piedoso, mas também, quando é ímpio. A pessoa nunca busca seu prejuízo, mas sempre sua vantagem, mesmo com o maior esforço e pelo expondo-se a grandes perigos. Somente este ama o se próximo como a si mesmo que em relação a cada pessoa, seja amigo ou inimigo, ímpio ou cristão, trata cada pessoa como se fosse ele próprio. Portanto, somente aquele que ama cada pessoa sincera, intensa e constantemente, como a si mesmo, não fazendo distinção entre pessoas. Somente aquele que procura desviar o mal do seu próximo com tanto zelo e empenho como o desviaria de si próprio, procurando com todo o empenho o bem estar do próximo. Sim, somente aquele ama seu próximo como a si mesmo que, como diz o apóstolo, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal, (1 Coríntios 13:5 RA) mas busca o bem estar do próximo. Somente aquele cuja ação e cujo agir tem a finalidade de servir ao próximo, e não aos seus interesses. (1Co 13.5) Que não está somente pronto a se empenhar pelo bem estar do próximo, mas também a sofrer pelo próximo, e se necessário dar sua vida por ele.
Digam-me agora, estimados irmãos e irmãs, onde encontramos tais pessoas que amam a Deus e seu próximo assim? É verdade que vivemos em dias nos quais se proclamam “paz e amor”, nos quais se fala constantemente em amor como a coisa principal na vida. Onde a sociedade e suas organizações afirmam terem o propósito de promover o amor. Mas se compararmos este amor com o amor que a lei de Deus requer, com o amor do qual muitos se orgulham, veremos que aquilo que muitos chamam de amor, não é outra coisa do que amor próprio, escolhido conforme seus interesses específicos. E, por o verdadeiro amor ter morrido neste mundo, por ninguém amar mais o seu próximo, nem se compadecer das necessidades do próximo, a sociedade precisa criar organizações e instituições em benefício das necessidades do próximo, que tem a aparência de obras beneméritas e caritativas, mas no fundo as pessoas se servem a si mesmas por estas obras. Pois, para manter estas obras chamadas caritativas precisam organizar rifas, bingos, bailes, etc., que na verdade comprovam que não existem mais doações livres em prol das necessidades do próximo. Tudo se resume em egoísmo e proveito próprio.
Mas, será que pelo menos dos verdadeiros cristãos podemos dizer que eles amam de fato a Deus de todo o coração, alma e entendimento e ao próximo como a si mesmos?
Alguns entusiastas de seitas afirmam terem alcançado o verdadeiro amor, isto é pura cegueira e loucura.
Na verdade há verdadeiro amor a Deus e ao próximo, bem como aos inimigos no coração dos verdadeiros cristãos. Pois onde ainda não há a chama desse amor no coração, ali o cristianismo é hipocrisia e engano. Mas onde estão os cristãos que podem dizer que nos seus corações não habita outra coisa do que o puro amor a Deus e ao próximo? Onde estão os cristãos que podem dizer que o impulso de seus pensamentos e desejos, palavras e obras são inteiramente amor a Deus e ao próximo? Onde estão os cristãos que podem dizer que nunca foram levianos em relação a Deus e ao próximo, nem tiveram má vontade no cumprimento da lei? Se cada um, mesmo a pessoa mais santa, se examinar a si mesma conforme a lei do amor verá quão imperfeito é o seu amor. Cabe a casa cristão dobrar seus joelhos e confessar com o rei Davi: Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente, (Salmos 143.2 RA) e com Jó: Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder. (Jó 9:3 RA)
Mas, estimados, Deus julgará as pessoas conforme a lei, conforme o amor, visto que somente o amor é o cumprimento da lei. Por isso, se não houvesse uma outra doutrina na Bíblia além da lei, estaríamos todos perdidos e condenados, pois o salmista suplica: Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente. (Salmos 143.2 RA) Por isso é loucura, sim, tolice alguém tentar salvar-se pela lei.
II
Mas, louvado seja Deus, há ainda uma outra doutrina na Escritura, uma doutrina na qual a salvação que o homem procura em vão na lei, lhe é oferecida por Deus; a saber, a doutrina do evangelho. Permitam-me, ainda, expor esta doutrina baseado em nosso evangelho.
Lemos em nosso texto: Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas. (Mateus 22:41-46 RA)
Jesus, após ter respondido a pergunta dos fariseus sobre a lei, fez uma outra pergunta aos fariseus? Que pensais vós de Cristo? de quem é filho?Qual o propósito dessa pergunta?
Com esta pergunta, Jesus queria mostrar aos fariseus, cegos em coisas espirituais, que eles estão procurando sua salvação em vão na lei, pois somente no evangelho da graça de Cristo, há salvação.
Os fariseus tinham uma concepção bem errada de Cristo, porque interpretavam mal os profetas. Eles julgavam que o Messias seria simples pessoa humana que levantaria aqui na terra um maravilhoso reino terreno, e conduziria a nação judaica a um domínio mundial sobre todas as outras nações. Por isso Jesus perguntou a eles sobre Cristo, de quem é filho? Eles responderam: De Davi! E Jesus perguntou: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. (v.44; Sl l10.1) Como, pois, Davi, o chama de Senhor, mesmo antes de ter nascido? Portanto ele não era simples pessoa humana, mas o eterno Filho de Deus. Disso os fariseus deveriam concluir que também o Reino de Cristo não seria um reino terreno e temporal, mas um reino divino, celestial e eterno, e que somente nele encontramos a salvação e a vida eterna.
Como o amor a Deus e ao próximo é o resumo da lei, assim o amor de Cristo a nós é o conteúdo central do evangelho. Por isso, quando a pergunta: Cumpriste a lei? nos envergonha e nos faz tremer diante da ira de Deus, então importa que nós nos voltemos para a pergunta: Quem pensais vós de Cristo? de quem é filho? Feliz quem pode então responder alegremente e com firmeza: “Cristo é meu Senhor, que me remiu a mim homem perdido e condenado, me resgatou e salvou de todos os pecados, da morte e do poder do diabo; não com ouro ou prata, mas com seu santo e precioso sangue sua inocente paixão e morte, para que eu lhe pertença e viva submisso a ele, em seu reino, e o sirva em eterna justiça, inocência e bem-aventurança, assim como ele ressuscitou dos mortos, vive e reina eternamente. Isto é certamente verdade.” Bem-aventurado quem pode confessar assim a respeito de Cristo e chamá-lo de Senhor, mesmo não tendo cumprido a lei, nem o conseguido. Assim como um pobre servo endividado não precisa temer, nem andar preocupado, nem temer seus inimigos, se ele tiver um Senhor amável, gracioso, rico que pode pagar a dívida dele e protegê-lo. Assim nenhuma pessoa que confia na graça de Cristo precisa temer, pois em Cristo encontra completo perdão dos pecados e paz com Deus, visto que Jesus não somente pagou por todos os nossos pecados, mas também venceu nossos inimigos.
Assim estimados irmãos e irmão em Cristo, não sejam todos tentando buscar vossa salvação nas obras da lei. Aprendam a reconhecer que a lei nos condena indistintamente, pois não temos amado a Deus e ao próximo de todo o coração, alma e entendimento. Por isso, recorra em espírito de humilhação e arrependimento à graça de Cristo na qual encontrarás perdão, vida e eterna salvação. Vejam com que amor Jesus chamou os endurecidos e cegos fariseus a si, assim ele chama ainda hoje todas as pessoas a si. Ali, junto a Jesus, encontramos o que nossa alma, carregada de pecados, almeja, perdão, justiça, paz, alegria no Espírito Santo. Ali receberemos o que a lei não nos pode dar.
E o que é mais sublime, quem busca a salvação na graça do evangelho, este recebe um coração novo que começa a amar a Deus e ao próximo. Pois a quem muito se perdoa, muito ama. (Lc 7.47) Este recebe já aqui as primícias da colheita da vida eterna. E quando nossa hora derradeira chegar, nosso velho homem, nossa natureza carnal serão definitivamente sepultados, para então, cobertos com o manto branco de Cristo poderemos entrar na glória eterna, enquanto nosso corpo aguardará o dia da ressurreição, para ressuscitar glorioso e sem pecado, para vermos e vivermos diante de Deus eternamente justiça e bem-aventurança. Deus no-lo conceda a todos nós. Amém
São Leopoldo, 17/10/20
Horst R. Kuchenbecker

1 Conforme os judeus no cinco livros de Moisés encontram-se 613 leis. Para a correta interpretação destas leis, eles criaram mais de mil leis complementares. Julgavam que pelo cumprimentos dos principais mandamentos teriam um crédito junto a Deus. Algo parecido os católicos praticam ainda hoje, julgando que seus santos cumpriram a lei até além da cota e tem obras sobrando que a igreja pode vender a outros. Seistas julgam poderem cumprir a lei, daí seus muitos livros com regras, como por exemplo: As dez regras para viver conforme o amor ao próximo. 15 regras para ser feliz, etc.
2 Observem que há somente dois mandamentos, não três. Amar a Deus e amar o próximo. O como a ti mesmo, não é em sai uma lei, pois todos nós nascemos profundamente egoístas, amando-nos a nós mesmo em primeiro lugar e sobre tudo. Este egoísmo é pecado. Só quem renasceu pela fé na graça de Cristo o compreenderá como pecado, lutará contra o egoísmo, procurando afogar sua natureza carnal, para viver segundo a fé, cujos frutos são amor a Deus e ao próximo como a si mesmo, a exemplo do bom samaritano.
3 Como a nós mesmos, após a queda em pecado, nascemos todos com o coração corrompido pelo pecado, isto é, profundamento e totalmente egoístas. Só pensamos em nós, Eu, eu, e eu. O que Deus requer é não sermos egoístas, mas colocar o próximo em primeiro lugar, a exemplo do bom samaritano. (Lc 10.33) Ele se colocou no lugar do homem que tora assaltado e estava ali ferido. Se eu estivesse no lugar dele, o que eu gostaria que me fizessem. E foi e o fez. Socorreu, pondo em risco a sua vida. Sacrificou de seus bens. Foi constante no socorrer. Assim só jesus nos amou.