domingo, 16 de dezembro de 2007

Advento (Mateus 11.2-11)

Introdução
Advento é tempo de preparo e espera. Mas preparar-se como e para que? O que se espera? Dias melhores? Paz material. Uma nova ordem mundial? Ou o arrebatamento e o Milênio, como os “profetas celestiais” o anunciam. Um tempo em que Jesus há de voltar para estabelecer seu trono em Jerusalém e dali governar o mundo, como muitos sonham?
Qual é nossa grande expectativa? Aguardamos a vinda de Cristo em glória, não para o milênio, mas para julgar vivos e mortos e, então, criar o novo céu e a nova terra, na qual, sim, habitará justiça, paz e felicidade eterna. Mas enquanto peregrinarmos neste vale de lágrimas importa estarmos preparado em arrependimento e fé, e lutar por vida santificada. Mas nesta caminhada surgem muitas vezes dúvidas. O Evangelho nos mostra uma dúvida dos discípulos de João Batista. Vejamos.

1 – A Dúvida
Por ordem do rei Herodes, João Batista foi lançado na prisão em Maquero, do outro lado do rio Jordão, ao norte do mar Morto. Não tanto por vontade do rei, mas para atender o capricho de sua mulher. Muitos de seus discípulos seguiram a Jesus, alguns permanecerem com João Batista, o visitavam e lhe prestavam assistência na prisão. Traziam a ele as notícias a respeito da evolução do reino de Deus. Diz nosso texto: João, quando ouviu no cárcere falar das obras de Cristo... João acompanhava atentamente os passos de Jesus. Ele ouviu a respeito das obras de Cristo, de suas pregações e de seus milagres. Mas seus discípulos lutavam com dúvidas. Será Jesus de fato o Messias? Se ele é o Messias, por que não ajuda a João, seu antecessor? Por que o deixa em estado tão deplorável na prisão? Podemos imaginar. João Batista tinha a idade de 30 ou 31 anos e pela prisão foi interrompido bruscamente no seu ministério. Ele, na verdade, havia dito: Importa que ele cresça e eu diminua.
Então João Batista manda seus discípulos a Jesus com a pergunta: És tu aquele que estava por vir, ou havemos de esperar outro? Uma pergunta interessante. Será que João Batista estava com dúvidas a respeito de Jesus? De primeira vista parece que sim, e muitos o interpretam dessa forma. De fato, um profeta, como qualquer cristão, não é um super-homem. Ele com tem sua natureza carnal como todo o cristão, que constantemente levanta dúvidas e tenta para a incredulidade. Mas se lermos o texto atentamente, vamos notar que João não perguntou por ele estar com dúvidas a respeito de Jesus. Foi antes uma pergunta didática, para conduzir seus discípulos, que duvidavam, a Jesus, para nele encontrarem a resposta. O contexto nos mostra isso. Pois Jesus testemunhou a respeito de João Batista e afirmou: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?... um profeta? Sim, eu vos digo, e muitos mais que um profeta... Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista. (v.7-11) Isto nos faz concluir que a dúvida não estava com João Batista, mas com os discípulos de João que não compreenderam o procedimento de Deus, que se sentiram frustrado em suas expectativas.
Não sentimos isto muitas vezes também? Não compreendemos os caminhos de Deus. Se Deus nos ama, por que nos dirige por caminhos tão difíceis? Por que tanto sofrimento? Quando tais perguntas nos martirizam, o melhor caminho é irmos diretamente a Jesus que encontramos em sua Palavra. Importa ler os Salmos, os evangelhos e suplicar a Jesus pelo fortalecimento da fé.

II - És tu o que havias de vir? És tu o Messias? Jesus aponta para seus milagres que comprovam sua divindade, apesar de estar ali humilde e pobre. Sim, ele é o Messias.
Aos pobres está sendo pregado o Evangelho. Que pobres são estes? Os pobres de espírito, isto é, os que reconheceram sua pobreza, sua pecaminosidade, sua necessidade de salvação. Estes podem ser tanto ricos como os Magos do Oriente ou Zaqueu ou pobres como os pastores dos campos de Belém, a mulher adúltera, etc. Esses estão sedentos pelo Evangelho e ouvem atentamente a pregação de Jesus, a mensagem do perdão dos pecados. Ainda hoje é assim.
Os milagres comprovam ser Jesus o Filho de Deus. Mas logo Jesus acrescenta para o que ele, o Filho de Deus veio. Não curar todos, mas pregar o evangelho ao pobres, aos que reconhecem seus pecados e anseiam pela paz com Deus e a vida eterna. A estes está sendo pregado o Evangelho.
Como será que os discípulos de João receberam esta mensagem de Jesus? Será que ela foi satisfatória para eles? Parece que não. Eles estavam tão presos às coisas materiais e a seu querido mestre João, que ao ouvirem a resposta de Jesus, foram assaltados por outras tantas indagações e dúvidas, a ponto de Jesus adverti-los com toda a sinceridade ao dizer: E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (v.6) Tendo ouvido isto, partiram. Também nós precisamos sempre de novo esta mesma admoestação.
Sem dúvida, ao relatarem tudo isso a seu mestre João Batista, este teve oportunidade para reforçar as palavras de Jesus, para que também esses seus discípulos encontrassem o caminho da fé.

III - Tendo eles partido, Jesus aproveitou a oportunidade para falar a respeito de João Batista. Nós já o mencionamos. Que imenso tempo da graça estes do tempo de João Batista e Jesus. O maior profeta de todos os tempos e o próprio Filho de Deus atuam num tempo ímpar entre o povo de Israel, mesmo assim, a grande maioria do povo os rejeitaram.
Se olharmos para o tempo da Reforma, vemos outro tempo em que Deus concedeu pastores e leigos muito fiéis à sua igreja. E também não podemo-nos queixar. Temos ainda hoje sua palavra, a pregação do Evangelho. Temos pastores e leigos dedicados, mesmo que muitas vezes nos parece um pequeno rebanho. Sejamos agradecidos pelo Evangelho e apeguemo-nos a ele. Pois por meio dele o Espírito Santo atua, operando fé, dando certeza do perdão em Cristo, dando coragem para testemunhar.
E Jesus disse: Desde os dias de João Batista até agora, sim até hoje, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. O que significam estas palavras? É a fé que se apega à graça (fides actualis). Desde João, quando as portas foram bem abertas a todos os gentios e ordenado que se pregasse o evangelho a todas as nações, as pessoas afluem e se apegam à graça de Cristo, ao Evangelho até os dias de hoje. Bem-aventurado quem assim proceder, este tem a vida eterna. João foi fiel a Cristo e sofreu a morte de mártir. Ele cumpriu fielmente sua tarefa como precursor de Cristo, como aquele que preparou o caminho para Jesus. Terminada a tarefa, Deus o recolheu ao lar celestial. Sejamos nós também fiéis como cooperadores de Cristo, para proclamar o Evangelho para salvação de muitos, até que Jesus nos chama ao lar celestial. Amém.
Rev. Horst R. Kuchenbecker
Natal 2007

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

TREVAS E LUZ (Is 60.1-2)

Histórico:
Aqui o resumo do sermão de Natal do pastor luterano Joseph Gingerich, de Könisgsberg, Prússia (hoje Rússia), que ele proferiu no Natal de 1947, dois anos após a II Guerra Mundial, aos sobreviventes em sua cidade. Cem mil alemães não conseguiram fugir da invasão russa e sobreviveram aos assassinatos, estupros e outras humilhações, vivendo entre as ruínas de sua cidade. Oitenta mil deles morreram, durante os dois anos, de fome e febre tifóide. O pastor Joseph e sua esposa tinha tido a oportunidade de fugir, mas ele preferiu ficar com sua Comunidade para assisti-la. Em meio a esta tragédia da guerra e miséria humana, a Comunidade se reuniu para festejar Natal. Seu sermão tem muito a dizer a nós que vivemos dias esplêndidos, mas talvez em trevas e miséria maior.
Sermão.
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e sua glória resplandece sobre ti. (Is 60.1-2)
Este é o chamado ao arrependimento e à fé, que nos vem de tempos antigos para o nosso tempo de Advento e Natal. Eis a mensagem do profeta Isaías como ela soou aos ouvidos dos prisioneiros no rio Eufrates e hoje soa aos nossos ouvidos, prisioneiros de uma pátria perdida.
Trevas cobrem a terra. Trevas cobrem não somente a natureza (destruída e queimada pela guerra) e nossa pátria (completamente arruinada), mas nossos corações, sendo quase impossível, em meio a essa angústia, manter um pouco de esperança nos corações amargurados, desiludidos e cheios de dúvidas, para ainda verem a mensagem da grande luz, que iluminou o mundo em trevas e trouxe nova vida. Mesmo assim, a natureza nos ensina que à noite escura segue um novo dia, e ao gélido inverno, uma nova primavera. Também nossas necessidades e sofrimentos serão substituídos um dia.
Quando o Senhor restaurar a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo; então entre as nações se dizia: Grandes coisas o Senhor tem feito por eles. (Sl 126.1-2) Assim o salmista cantou naqueles dias em alegre esperança. Também nossa esperança, apesar das muitas desilusões, não apagou e recebe sempre novas forças da palavra de Deus, sendo reerguida também nestes dias difíceis. Mas este não é o único sentido da mensagem de Natal.
Se lembramos este chamado do profeta a respeito da luz que brilhou na escuridão a qual sentimos hoje na carne tão cruelmente, compreenderemos melhor o que o evangelista João diz no início do seu evangelho: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela... Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filho de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome. (Jo 1.1,4,11-12) Nestas palavras espelha-se toda a tragédia da raça humana e especialmente a do nosso povo. No passado, nós nos afastamos gradativamente desta luz que por meio de Jesus veio ao mundo, e seguimos luzes fictícias. Nossas festas de Natal giravam em torno do amor em família, do cultivo de amizades e festas mil. (E hoje?) Somente nos programas das crianças na Noite de Natal e nos antigos hinos natalinos - que sabíamos de cor, por isso Satanás não conseguiu roubá-los, (e hoje) - se ouvia ainda a respeito do verdadeiro significado e sentido do Natal, mas isto mais por idolatrarmos nossas crianças e nossas tradições. Agora lembramos novamente - ou deveríamos lembrar – o verdadeiro sentido do Natal, para tornamo-nos mais uma vez participantes da verdadeira luz que ilumina a todo o homem, sim, a todos quantos o recebem. (Jo 1.9,12)
Esta luz quer nos iluminar e fortalecer na fé, mesmo que a fome e a miséria nos sufoquem e levem à sepultura. Mesmo assim, enquanto aqui, fortalecidos na fé, queremos deixar nossa luz (fé) brilhar em fervoroso testemunho para ajudar a iluminar a humanidade em trevas, para não perecerem espiritualmente. Contemplando o menino Jesus não queremos permitir que as trevas, que nos rodeiam, sufoquem nossa fé. Sabemos que Jesus nos purifica a fé pelo sofrer, mas não permitirá que sejamos sufocados, a fim de entrarmos na pátria celestial, na nova vida.
Assim, ao lembrarmos as lindas festas natalinas do passado, as luzes nos pinheiros, o verde da esperança da árvore de Natal, não queremos permitir que tais lembranças nos entristeçam, antes sejamos agradecidos por termos tido tais dias. Também ao lembrarmos nossos muitos queridos familiares e amigos, com os quais no passado estivemos reunidos no Natal, dos quais o destino ignorado nos separou (os que fugiram, se conseguiram ou morreram), se estiverem vivos e nesta fé, sabemo-nos unidos com eles hoje, não importa onde estejam; e dos que partiram para o lar celestial, sabemos que os reencontraremos na eternidade, pela graça de Cristo. E se a tristeza quer nos vencer, que sejam lágrimas de arrependimento e de fé pelo grande milagre do amor de Cristo que se humilhou tão profundamente e veio ao nosso triste val´ para nos trazer perdão, vida e eterna salvação. Que a luz do menino Jesus nos ilumine neste Natal e nos faça jubilar em meio à toda dor. Que a paz anunciada pelo anjo encha nossos corações. Amém.

Rev. Horst Kuchenbecker
São Leopoldo - RS
Natal 2005

Cristo: Salvador e Rei (Mt 2.1-12)

Introdução
Na sexta-feira passada, dia 6, a cristandade celebrou o dia de Epifania. Epifania significa manifestação. Jesus, nascido em Belém da Judéia, manifestou-se, como salvador também dos gentios e de toda a humanidade.
Epifania é, para nós, uma festa de júbilo e gratidão a Deus por ele ter-se manifestado também a nós. Por Jesus ter feito sua palavra chegar a nós e ter nos aberto os olhos para crermos. A alegria da salvação nos leva a adorá-lo e a empenhar nos pela salvação de outros, conforme a ordem e promessa de Jesus. Neste dia somos lembrados de nossa responsabilidade missionária.
Que a contemplação deste evangelho no faça crescer no conhecimento de Cristo como nosso Salvador e Rei, nos estimule na adoração e nos impulsione nos trabalhos missionários.
Onde está o recém-nascido rei dos judeus?
A leitura da história dos magos, desperta em nós uma série de perguntas. Algumas por simples curiosidade, de pouca importância para a fé, outras importantes, que requerem uma resposta correta. Vejamos.
v.1:Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém. E perguntaram: Onde está o recém-nascido Reis dos judeus? Porque vimos a sua estrela no oriente e viemos para adorá-lo.
Quem são estes magos? De onde vieram? Com souberam a respeito do menino Jesus? Magos eram pessoas estudadas, sábios, astrólogos, filósofos, sacerdotes. Na maioria das vezes, eram conselheiros de reis, a exemplo do profeta Daniel, que foi conselheiro de vários reis na Babilônia. Esses magos, eram provavelmente da Babilônia. Foi ali que o povo de Israel passou 70 anos em cativeiro. Eles tornaram a religião judaica bem conhecida naquelas terras. O Antigo Testamento com suas profecias era conhecido. É preciso lembrar também que, quando os judeus voltaram do cativeiro, nem todos voltaram. Muitos judeus ficaram na Babilônia e continuaram ali adorando e falando do salvador prometido. Assim esses magos eram provavelmente pessoas muito tementes a Deus, que conheciam as profecias a respeito da vinda do Rei, como descendentes do rei Davi e que ergueria um reino eterno de paz. Eles esperavam pelo cumprimento das profecias.
Em determinado momento da história, como diz o apóstolo Paulo: Vindo a plenitude do tempo (Gl 4.4), Deus lhes revelou por uma estrela especial, que o Salvador Jesus nascera. Não temos maiores detalhes sobre esta revelação e não especularmos a respeito.
Eles afirmam: Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para adorá-lo. (v.2)
A estrela lhes anunciou o nascimento. Pelas profecias sabiam que ele nasceria em Israel, na Judéia. Não sabemos quanto tempo viajaram. Se foram pelo deserto, uma jornada muito perigosa, devem ter levado cerca de três meses. Se foram pelo norte, por Damasco, levaram no mínimo um ano de viagem. Tudo isso, com o intuito de ver e adorar o menino Rei. Bem disse Jesus aos judeus: Eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vezes, e não viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram. (Lc 10.24) Eles vieram para adorar o menino e não pouparam sacrifícios para isso.
E hoje, Jesus vem a nós por sua Palavra e sacramentos. Nós o temos em nosso meio. Ele quer nos falar ao coração, conceder paz e esperança, que tanto falta. Ele quer consolar e orientar nos na vida. Quantos lhe dão atenção e vem adorá-lo?
Vindo a Israel a procura do rei nascido, é obvio que se dirigissem à capital, onde estava o grande templo. O povo de Israel era o povo de Deus, e sendo eles conselheiros de reis, vieram sem dúvida com uma comitiva diplomática, protegidos por uma escolha militar expressiva. Não sabemos quantos magos eram. A tradição aponta pra três, devido aos três presentes. Tradições mais antigas apontam para mais. Em todo o caso, a comitiva não era pequena. Talvez, com a escolta, cerca de cem a duzentos homens. A entrada em Jerusalém chamou atenção. Eles foram recebidos pelo rei Herodes com toda a dignidade diplomática. E indagaram pelo nascimento do Rei.
tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes e, com ele, toda Jerusalém. (v.3) Houve um alvoroço na casa real e em toda a Jerusalém. Interessante! A notícia do nascimento do rei Jesus, que deveria causar grande alegria, como a causou aos magos, causa agitação, nervosismo nos corações dos incrédulos. Isto é assim até hoje.
Herodes chamou os sacerdotes e escribas e indagou sobre o nascimento do rei. Eles, após pesquisarem as Escrituras, disseram que o rei deveria nascer em Belém da Judéia. Herodes informou isso aos magos. E pediu que se informassem bem a respeito e viessem informá-lo, para que pudesse ir e adorar também.
Será que pessoas que vem de outros paises não cristão, chegando a nosso pais cristão recebem informações corretas sobre Jesus e a fé cristã?
Vendo eles a estrela, alegraram-se, com grande e intenso júbilo. (v.10) Os magos devem ter saído no outro dia à tardezinha, ao declinar do dia. Eles não se sentiram bem em Jerusalém.
Interessante que saíram sozinhos. Ninguém os acompanhou. Nem os fariseus, nem pessoas de Jerusalém muito menos pessoas do palácio. Impressionante. Isto revela a grande incredulidade e hipocrisia que reinava ali.A cidade, onde estava o grande templo, onde se adorava a Deus dia e noite. Sua liturgia, a leitura dos salmos e das profecias que falavam do Salvador que viria. Mas nos corações havia incredulidade. Os fariseus, conheciam as profecias, tinham um conhecimento intelectual e não criam. O povo em Jerusalém, alvoroçou-se. A notícia de um rei indicava turbulência e não queriam ser perturbados em sua paz terrena, mesmo que submissos aos romanos. Herodes, que embelezou o templo, considerado uma das maiores obras do seu tempo, apesar de sua cortesia, que era vaidade pessoal, temeu por seu trono e logo pensou em eliminar o menino, futuro rei, o dono deste templo. Quanta hipocrisia. Os magos, não se deixaram confundir em sua fé.
Seja isso uma lição para nós. Quando vemos tantos e tantos problemas na igreja cristã, doutrinas falsas, divisões, fraquezas, incompreensões, argumentações da ciência contra Deus e sua Palavra a ponto de pensarmos, não adiante. Vou me retirar. Lembremos os Magos.
Em meios as suas dúvidas, decepções e angústias, Deus concedeu lhes um consolo bem especial. Vindo a noite, eis que viram a estrela e se alegraram muito. Podemos compreender.
A estrela que nos guia a nós seguros através de toda a confusão de nosso tempo, é a firma palavra de Deus. A ela devemos e queremos apegar nos e deixar que ela nos guie, nos fortaleça na fé e nos guie seguros ao lar celestial, nos dias alegres e tristes desta vida.
Eles foram a Belém e acharam conforme se lhes havia dito. Entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. (v.11) Maria e José, passado o censo, permaneceram em Belém. Talvez na casa de um parente, ou José tenha alugado uma casa e procurado alguém serviço como carpinteiro.
Que surpresa, de repente a visita dos magos. Essa visita deve ter causado um alvoroço também nesta pequena cidade de Belém.
Ali encontraram o tão procurado menino. Confessaram o que sabiam a respeito dele, de que ele era o verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade e também verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, como aqui se via. Senhor do universo e salvador da humanidade. Adoraram o menino. Que culto. Que adoração. Ainda hoje, a verdadeira Igreja Cristã adora. Esta igreja que é invisível, escondida sob a humilhação da cruz. Mas os sinais de sua existência são a Palavra de Deus e os sacramentos. Tão simples, tão sem aparência. Tão contrários à nossa razão. Mas quem os toma pela mão e se apega a elas verá que são o poder de Deus para salvar a todos o que crê. É dever de todos adorá-lo. E adorá-lo também com os irmãos em culto público.
Então abriram seus presentes. Ouro, mirra e incenso. Presentes para reis. Expressam a fé que necessariamente produz boas obras. Assim eles promovem a causa do rei. Aquele que é dono de todo universo, recebe os presente de seus adoradores. Ao mesmo tempo, estes presentes são simbólicos. Ouro é para os reis. Jesus é rei. Incenso é para Deus. Jesus é Deus. Mirra é usado para embalsamar os mortos, e indica a morte de Jesus na cruz. Ali ele foi embalsamado com mirra. (Jo 19.39-40) Ao mesmo tempo estes presentes são um amparo a José e Maria para a fuga ao Egito que em breve teriam que enfrentar.
Conclusão.
Ainda hoje jubilamos agradecidos por Jesus ter-se revelado e continuar a se revelar a nós em sua Palavra e por vir a nós por seus sacramentos. Em breve ele virá em toda sua glória para julgar vivos e mortos. Fervorosamente suplicamos: Venha o teu reino. Concede-nos teu Santos Espírito para crescermos no conhecimento de tua Palavra nestes dias tão perturbados. Faze-nos crescer na fé. Move nossos corações na adoração e doação. Concede-nos sabedoria para o testemunho pessoal e todo o trabalho missionário. Sim, venha o teu reino. Amém.
Rev. Horst Kuchenbecker
São Leopoldo, RS