Darwin
O ano 2009 foi rotulado como o ano de Darwin. Charles Robert Darwin, naturalista inglês, nasceu no ano de 1809. Comemoram-se também, neste ano, os 150 anos de lançamento do seu livro: A Origem das Espécies, no qual Darwin expôs sua teoria da evolução. Apesar das muitas tentativas de comprová-la, esta teoria permanece uma hipótese, sem comprovação científica. Mesmo assim, muitos cientistas a julgam comprovada, outros tantos, cientistas eruditos, a rejeitam.
Como as igrejas cristãs têm se posicionado diante da teoria da evolução? Muitas igrejas aceitam a teoria em parte ou totalmente. Houve e há a tentativa de harmonizar a teoria da evolução com o relato bíblico. Alguns teólogos afirmam: Deus criou a matéria, conforme os versículos 1 e 2 do primeiro capítulo de Gênesis. Então criam um vácuo entre os versículos dois e três, ensinando que aqui se passaram milhares de anos nos quais se deu a evolução, até que Deus começou a fazer certa ordem na matéria disforme. Outros teólogos afirmam simplesmente: O objetivo da Bíblia não é ensinar ciência, mas somente a ética. À base disso e de outras afirmações semelhantes, afirmam: Creio que Deus criou o universo, mas não aceito o relato histórico da Bíblia em Gênesis sobre a criação e a história de Adão e Eva.
Infelizmente, na grande maioria das escolas, ou mesmo em todas, se ensina a teoria da evolução como um fato cientificamente comprovado. Que consequências tem isso em relação à fé cristã? A teoria da evolução age como um fator de descristianização. Vejamos.
Em tempos passados, ouviam-se somente jovens universitários externarem suas dúvidas quando ao relato histórico de Gênesis. Hoje, já os confirmandos expressam suas dúvidas e sua rejeição ao relato de Gênesis. Eles dizem: Não creio, não aceito isso. Um confirmando me disse em certa altura: Puxa pastor! Você é um homem estudado e lido, como é possível você crer na história da criação e de Adão e Eva? Que noção Moisés poderia ter tido naquela época do universo? Hoje conhecemos o universo. O homem foi até a lua e explora o planeta Marte. Não dá para aceitar o relato de Moisés sobre a origem do universo e do ser humano.
Isto nos leva a uma pergunta mais ampla: Quantos de nossos membros aceitam os primeiros capítulos de Gênesis como palavra de Deus, e o relato histórico da criação e de Adão e Eva, como verídicos? E quais são as conseqüências para a fé cristã se alguém nega ou não crê nesse relato de Gênesis?
Se alguém não aceita o relato da criação do primeiro capítulo de Gênesis, ele também negará o capítulo 2 e 3 de Gênesis, onde temos o relato sobre a criação de Adão e Eva, sua queda em pecado, sua expulsão do paraíso. Negando isso, cai por terra a responsabilidade do homem diante de Deus e a doutrina do pecado original. Ora, então a história de Cristo que, por sua paixão, morte e ressurreição, salvou a humanidade e triunfou sobre pecado, morte e Satanás, também não faz mais sentido. A partir disso, a religião cristã será como qualquer outra religião ou idolatria, um conjunto de alguns princípios éticos.
Portanto, se nós quisermos edificar nossas congregações e fortalecer nossas missões precisamos rejeitar a teoria hipotética da evolução e ensinar com toda a clareza o primeiro Artigo da fé cristã: Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra (Gênesis 1-3). Que significa isso? Creio que Deus me criou a mim e a todas as criaturas... Por tudo isso devo dar-lhe graças e louvor, servi-lo e obedecer-lhe. Isto é certamente verdade.
São Leopoldo, 29/05/2009
Horst R. Kuchenbecker
quarta-feira, 17 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
1Co 13.13. SS. Trindade
STrindade03
A cristandade celebra hoje a festa da Santíssima Trindade. Após as três grandes festas, nas quais lembramos a graciosa e amorosa ação de Deus para com a humanidade: Natal, o amor de Deus Pai ao nos enviar seu Filho Jesus Cristo, para salvar a humanidade; a semana Santa, na qual lembramos o amor de Cristo; Pentecostes a vinda do Espírito Santo que feio para ficar e atuar, por Palavra e Sacramento até o fim do mundo. Hoje, cantamos louvores ao nosso único Deus. O Deus triúno Pai, Filho e Espírito Santo. A este Deus queremos contemplar hoje. Quero fazê-lo não em forma de sermão, mas de um estudo bíblico.
O assunto Deus é hoje muito debatido. Perguntas e perguntas são levantadas, tais como: Quem é Deus? Como posso conhecê-lo? É possível ter-se absoluta certeza sobre isso?
Os meios de comunicação trazem para dentro de nossos lares as mais diferentes opiniões sobre Deus, religiões, doutrinas e cultos. Não é de admirar que as idéias da globalização despertem cada mais o espírito ecumênico e pensamentos como: Há um só Deus. A forma de imaginar e adorar este Deus difere. Todas as religiões são boas e levam a Deus. O amor deve unir todos. Ninguém é dono da verdade absoluta, portanto, ninguém pode arrogar-se o direito de dizer: Nós somos a religião verdadeira e condenar outros. No fundo é tudo a mesma coisa, só com nomes diferentes.
Por exemplo. Se tomarmos o versículo tão conhecido: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Se formos ler este versículo em árabe, teríamos: Alá amou o mundo de tal maneira... E numa análise lingüística veríamos o em hebraico: Elohim (plural) o singular Eloha, que tem a raiz: Alá. Mas a questão não é simplesmente em nomes, mas na compreensão da divindade. E o islamismo que adora Alá como Deus, nega que Jesus Cristo é Filho de Deus. Há sim, eles interpretam de modo diferente e dizem: Todos somos filhos de Deus. A um Deus deu mais a outro menos dons ou poderes. Mas nós cremos que Jesus é verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade. Isto os islamismo nega e diz que dar honras divinas a Jesus é Shirk, idolatria. E quem comete idolatria é réu de morte.
Assim os Judeus adoram a Jeová ou Elohim e negam a Trindade. No Hinduismo todos somos deuses, isto é, parte de Deus. No Budismo, Deus é uma força impessoal. O Espiritismo ensina que há Espíritos bons e maus. Temos que nos purificar até alcançarmos uma perfeição e passar para o mundo dos espíritos. Todos ensinam que a pessoa se purifica e salva por suas obras.
Mas voltemos à pergunta sobre Deus. Quem é ele? Como posso conhecê-lo?
A natureza dá testemunho da excelência de Deus. Os céus proclamam a glória de Deus (Sl 19.1)
Nossa consciência dá testemunho de que há um Deus. O apóstolo Paulo escreveu: Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem desde o princípio do mundo. (Rm 1.10)
Mas a natureza e a consciência não nos revelam quem é este Deus. Para conhecê-lo é preciso que Deus se revele a nós. Lemos na carta aos hebreus: Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas. (Hb 1.1,2) Deus se revela a nós na Bíblia e unicamente na Bíblia. A Bíblia foi inspirada por Deus. Não só o seu sentido, mas palavra por palavra. Daí a importância do zelo por uma boa tradução literal.
Deus é abscondito. Nenhum pecador poderá ver sua face. Ele revelou o que precisamos conhecer para nossa salvação. A nós cabe apegar-nos à revelação. O grande mistério da Trindade ninguém compreende, nem o podemos explicar com palavras humanas. Mas, tanto no AT como no NT falam dele.
Vejamos o Credo Atanasiano.
1. Quem é Deus? Nosso Catecismo afirma: “Deus é espírito; é eterno, onipresente, onipotente, onisciente, santo, justo e verdadeiro, bondoso, misericordioso e gracioso.
Jo 4.24; Sl 90.1,2; Sl 102.27; Jr 23.23,24; Lc 1.37; Sl 139.1-4; Is 6.3; Dn 9.7; Sl 33.4; Sl 145.9; Êx 34.6,7; 1 Jo 4.8; Rm 1.19,20.
2. Quem é o Deus Verdadeiro? Nosso Catecismo afirma: “O Deus verdadeiro é o Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas distintas num único ente divino. Dt 6.4; Mt 28.19; 2 Co 13.13; Nm 6.24-26; Mt 3.16,17.
História. O Credo Apostólico cristalizou as principais verdades bíblicas no segundo século. Foi chamado assim, porque as frases que o compõe foram tomadas das cartas dos apóstolos. Mas no segundo séculos surgiram perguntas e debates sobre a pessoas de Deus e a Trindade.
Em Roma o rei Constantino, o Grande, assumiu o império (312-337). O império estava dividido. Ele tentou unificá-lo. Cessaram as perseguições, mas a igreja também estava dividida em diversas correntes doutrinárias. Ele tentou unir a igreja, para assim conseguir melhor a união do império. Para tanto convoco no ano 325 o primeiro Concílio Ecumênico, para a cidade de Nicéia, na Turquia, onde o imperador tinha um palácio, no qual abrigou os 300 bispos. Ali foi debatida a doutrina da Trindade. O pastor Ário (a.D. 256-336), bispo de Alexandria, África, defendeu que o Verbo (Jo 1.1), é chamado filho de Deus, mas só figurativamente, pois é criatura. Entre outros, o pastor Atanásio (a.D. 296-373) se opôs a isso. Os debates foram longos. A discussão girou também em torno dos termos: semelhante ao Pai (homoi-ousios) e da mesma essência do Pai (homo-ousios), sugerido pelo próprio rei Constantino. No dia 19/06/325, a redação do Credo Niceno foi aceito. Destacamos: “E um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luiz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, porque todas as coisas foram feitas... ”
Ário foi disciplinado. Mas as discussões não cessaram. Surgiram novas perguntas, como: O Espírito Santo é uma força de Deus ou uma pessoa? Como estas pessoas se relacionam na Trindade? Após vários Synodos (a.D. 381, em Constantinopola I, Doutrina da Divindade do Espírito Santo; a.D. 431, em Éfeso, maternidade divina de Maria; a.D. 451, Calcedônia, duas naturezas na única pessoa de Cristo; a.D. 553, Constantinópola (hoje Istambul), aceitação do Credo Atanasiano (chamado também de Constantinopolitano).
Antes de analisar o Credo precisamos chamar atenção sobre as obras internas na Trindade e as obras externas.
- As obras internas são: O Filho foi grado pelo Pai. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho.
- As obras externa são a criação e manutenção, a salvação, o gerar e conservar a fé, o governar a igreja. Nestas obras da criação, redenção e santificação, a Bíblia ora atribui a obra a uma pessoa, ora a duas pessoas ou a toda a Trindade. Quando atribui a uma pessoa não significa que exclui as outras pessoas. Pois Deus é só uma essência divina. Por exemplo: Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele (Jo 1.10). Afirma que o mundo foi feito por Jesus, mas isto não exclui o Pai e o Espírito Santo. Pois o Salmo afirma: Os céus por sua palavra se fizeram, e pelo Espírito de Sua boca o exército deles (Sl 33.6).
E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (Jo 17.3). O único não nega a divindade de Jesus, mas é uma afirmação contra a idolatria, pois a Bíblia afirma em outras lugares que Jesus é Deus.
Também não podemos aceitar a afirmação de que doutrina da Trindade é uma evolução neotestamentária, ou uma invenção dos Concílios Ecumênicos. Os concílios se ativeram à Escritura. O Antigo Testamento afirma claramente a Trindade. Vejamos só algumas afirmações: “Façamos o homem” (Gn 1.26). Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio desde o tempo em que isso vem acontecendo tenho estado lá. Agora o Senhor Deus me enviou a mim e o seu Espírito. (Is 48.16). Aqui se distinguem três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amas a justiças e odeias a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros. (Sl 45.6,7). Deus é ungido por Deus, com o óleo da alegria que é o Espírito Santo.
Portanto, na essência individua e indivisível de Deus, há três pessoas distintas. E com a palavra persona se entende não uma parte, não uma propriedade em outra, mas aquilo que subsiste por si mesmo, conforme os pais usaram esse termo nessa questão (CA I,4). Também não é assim que cada uma seja apenas uma diferente manifestação ou fase da essência divina, como gelo ou vapor são formas diferentes da água. Cada uma é pessoa distinta e é o Deus pleno e completo. Assim o Pai é único Deus (Jo 17.3), o Filho é o único Deus (1 Jo 5.20), o Espírito Santo é o único Deus (AT 5.3,4). Não há subordinação de uma pessoa à outra. As três pessoas são de idêntica ordem e majestade, não devendo uma ser preferida à outra (Jo 5.23). São pessoas definidamente distintas, mas de uma só essência. Cristo diz: Quem me vê a mim, vê o Pai! (Jo 14.9). E: Eu e o Pai somos um (Jo 10.30).
Nosso Deus é incompreensível em sua essência. Não sabemos o que é sua essência, em que consiste. Também é incompreensível em seus atributos. Deus é incompreensível em sua Trindade na unidade. Não há analogia, símile ou ilustração no pensamento humano que possa clarificar esse mistério profundo. A doutrina da Santíssima Trindade é artigo fundamental da fé cristã.
Vamos a uma leitura do Credo Atanasiano.
São Leopoldo, 06/06/2009
Horst R. Kuchenbecker
A cristandade celebra hoje a festa da Santíssima Trindade. Após as três grandes festas, nas quais lembramos a graciosa e amorosa ação de Deus para com a humanidade: Natal, o amor de Deus Pai ao nos enviar seu Filho Jesus Cristo, para salvar a humanidade; a semana Santa, na qual lembramos o amor de Cristo; Pentecostes a vinda do Espírito Santo que feio para ficar e atuar, por Palavra e Sacramento até o fim do mundo. Hoje, cantamos louvores ao nosso único Deus. O Deus triúno Pai, Filho e Espírito Santo. A este Deus queremos contemplar hoje. Quero fazê-lo não em forma de sermão, mas de um estudo bíblico.
O assunto Deus é hoje muito debatido. Perguntas e perguntas são levantadas, tais como: Quem é Deus? Como posso conhecê-lo? É possível ter-se absoluta certeza sobre isso?
Os meios de comunicação trazem para dentro de nossos lares as mais diferentes opiniões sobre Deus, religiões, doutrinas e cultos. Não é de admirar que as idéias da globalização despertem cada mais o espírito ecumênico e pensamentos como: Há um só Deus. A forma de imaginar e adorar este Deus difere. Todas as religiões são boas e levam a Deus. O amor deve unir todos. Ninguém é dono da verdade absoluta, portanto, ninguém pode arrogar-se o direito de dizer: Nós somos a religião verdadeira e condenar outros. No fundo é tudo a mesma coisa, só com nomes diferentes.
Por exemplo. Se tomarmos o versículo tão conhecido: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Se formos ler este versículo em árabe, teríamos: Alá amou o mundo de tal maneira... E numa análise lingüística veríamos o em hebraico: Elohim (plural) o singular Eloha, que tem a raiz: Alá. Mas a questão não é simplesmente em nomes, mas na compreensão da divindade. E o islamismo que adora Alá como Deus, nega que Jesus Cristo é Filho de Deus. Há sim, eles interpretam de modo diferente e dizem: Todos somos filhos de Deus. A um Deus deu mais a outro menos dons ou poderes. Mas nós cremos que Jesus é verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a eternidade. Isto os islamismo nega e diz que dar honras divinas a Jesus é Shirk, idolatria. E quem comete idolatria é réu de morte.
Assim os Judeus adoram a Jeová ou Elohim e negam a Trindade. No Hinduismo todos somos deuses, isto é, parte de Deus. No Budismo, Deus é uma força impessoal. O Espiritismo ensina que há Espíritos bons e maus. Temos que nos purificar até alcançarmos uma perfeição e passar para o mundo dos espíritos. Todos ensinam que a pessoa se purifica e salva por suas obras.
Mas voltemos à pergunta sobre Deus. Quem é ele? Como posso conhecê-lo?
A natureza dá testemunho da excelência de Deus. Os céus proclamam a glória de Deus (Sl 19.1)
Nossa consciência dá testemunho de que há um Deus. O apóstolo Paulo escreveu: Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem desde o princípio do mundo. (Rm 1.10)
Mas a natureza e a consciência não nos revelam quem é este Deus. Para conhecê-lo é preciso que Deus se revele a nós. Lemos na carta aos hebreus: Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas. (Hb 1.1,2) Deus se revela a nós na Bíblia e unicamente na Bíblia. A Bíblia foi inspirada por Deus. Não só o seu sentido, mas palavra por palavra. Daí a importância do zelo por uma boa tradução literal.
Deus é abscondito. Nenhum pecador poderá ver sua face. Ele revelou o que precisamos conhecer para nossa salvação. A nós cabe apegar-nos à revelação. O grande mistério da Trindade ninguém compreende, nem o podemos explicar com palavras humanas. Mas, tanto no AT como no NT falam dele.
Vejamos o Credo Atanasiano.
1. Quem é Deus? Nosso Catecismo afirma: “Deus é espírito; é eterno, onipresente, onipotente, onisciente, santo, justo e verdadeiro, bondoso, misericordioso e gracioso.
Jo 4.24; Sl 90.1,2; Sl 102.27; Jr 23.23,24; Lc 1.37; Sl 139.1-4; Is 6.3; Dn 9.7; Sl 33.4; Sl 145.9; Êx 34.6,7; 1 Jo 4.8; Rm 1.19,20.
2. Quem é o Deus Verdadeiro? Nosso Catecismo afirma: “O Deus verdadeiro é o Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas distintas num único ente divino. Dt 6.4; Mt 28.19; 2 Co 13.13; Nm 6.24-26; Mt 3.16,17.
História. O Credo Apostólico cristalizou as principais verdades bíblicas no segundo século. Foi chamado assim, porque as frases que o compõe foram tomadas das cartas dos apóstolos. Mas no segundo séculos surgiram perguntas e debates sobre a pessoas de Deus e a Trindade.
Em Roma o rei Constantino, o Grande, assumiu o império (312-337). O império estava dividido. Ele tentou unificá-lo. Cessaram as perseguições, mas a igreja também estava dividida em diversas correntes doutrinárias. Ele tentou unir a igreja, para assim conseguir melhor a união do império. Para tanto convoco no ano 325 o primeiro Concílio Ecumênico, para a cidade de Nicéia, na Turquia, onde o imperador tinha um palácio, no qual abrigou os 300 bispos. Ali foi debatida a doutrina da Trindade. O pastor Ário (a.D. 256-336), bispo de Alexandria, África, defendeu que o Verbo (Jo 1.1), é chamado filho de Deus, mas só figurativamente, pois é criatura. Entre outros, o pastor Atanásio (a.D. 296-373) se opôs a isso. Os debates foram longos. A discussão girou também em torno dos termos: semelhante ao Pai (homoi-ousios) e da mesma essência do Pai (homo-ousios), sugerido pelo próprio rei Constantino. No dia 19/06/325, a redação do Credo Niceno foi aceito. Destacamos: “E um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luiz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, porque todas as coisas foram feitas... ”
Ário foi disciplinado. Mas as discussões não cessaram. Surgiram novas perguntas, como: O Espírito Santo é uma força de Deus ou uma pessoa? Como estas pessoas se relacionam na Trindade? Após vários Synodos (a.D. 381, em Constantinopola I, Doutrina da Divindade do Espírito Santo; a.D. 431, em Éfeso, maternidade divina de Maria; a.D. 451, Calcedônia, duas naturezas na única pessoa de Cristo; a.D. 553, Constantinópola (hoje Istambul), aceitação do Credo Atanasiano (chamado também de Constantinopolitano).
Antes de analisar o Credo precisamos chamar atenção sobre as obras internas na Trindade e as obras externas.
- As obras internas são: O Filho foi grado pelo Pai. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho.
- As obras externa são a criação e manutenção, a salvação, o gerar e conservar a fé, o governar a igreja. Nestas obras da criação, redenção e santificação, a Bíblia ora atribui a obra a uma pessoa, ora a duas pessoas ou a toda a Trindade. Quando atribui a uma pessoa não significa que exclui as outras pessoas. Pois Deus é só uma essência divina. Por exemplo: Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele (Jo 1.10). Afirma que o mundo foi feito por Jesus, mas isto não exclui o Pai e o Espírito Santo. Pois o Salmo afirma: Os céus por sua palavra se fizeram, e pelo Espírito de Sua boca o exército deles (Sl 33.6).
E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (Jo 17.3). O único não nega a divindade de Jesus, mas é uma afirmação contra a idolatria, pois a Bíblia afirma em outras lugares que Jesus é Deus.
Também não podemos aceitar a afirmação de que doutrina da Trindade é uma evolução neotestamentária, ou uma invenção dos Concílios Ecumênicos. Os concílios se ativeram à Escritura. O Antigo Testamento afirma claramente a Trindade. Vejamos só algumas afirmações: “Façamos o homem” (Gn 1.26). Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio desde o tempo em que isso vem acontecendo tenho estado lá. Agora o Senhor Deus me enviou a mim e o seu Espírito. (Is 48.16). Aqui se distinguem três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amas a justiças e odeias a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros. (Sl 45.6,7). Deus é ungido por Deus, com o óleo da alegria que é o Espírito Santo.
Portanto, na essência individua e indivisível de Deus, há três pessoas distintas. E com a palavra persona se entende não uma parte, não uma propriedade em outra, mas aquilo que subsiste por si mesmo, conforme os pais usaram esse termo nessa questão (CA I,4). Também não é assim que cada uma seja apenas uma diferente manifestação ou fase da essência divina, como gelo ou vapor são formas diferentes da água. Cada uma é pessoa distinta e é o Deus pleno e completo. Assim o Pai é único Deus (Jo 17.3), o Filho é o único Deus (1 Jo 5.20), o Espírito Santo é o único Deus (AT 5.3,4). Não há subordinação de uma pessoa à outra. As três pessoas são de idêntica ordem e majestade, não devendo uma ser preferida à outra (Jo 5.23). São pessoas definidamente distintas, mas de uma só essência. Cristo diz: Quem me vê a mim, vê o Pai! (Jo 14.9). E: Eu e o Pai somos um (Jo 10.30).
Nosso Deus é incompreensível em sua essência. Não sabemos o que é sua essência, em que consiste. Também é incompreensível em seus atributos. Deus é incompreensível em sua Trindade na unidade. Não há analogia, símile ou ilustração no pensamento humano que possa clarificar esse mistério profundo. A doutrina da Santíssima Trindade é artigo fundamental da fé cristã.
Vamos a uma leitura do Credo Atanasiano.
São Leopoldo, 06/06/2009
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