1º DOMINGO NO ADVENTO.
Tema da Semana: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador. Zc 9.9.
Mateus 21.1-9.
Eis aí te vem o teu Rei, humilde (v.5)
Santo e gracioso Deus! Iniciamos, hoje, em teu nome, mais um novo ano da Igreja. Pedimos guia-nos através desse tempo. Permita fazermos uso abundante dos bens espirituais, que nos ofereces em tua Palavra e teus sacramentos. Que pelo perdão dos pecados sejamos fortalecidos na fé e possamos crescer na vida santificada.
Dependemos de tua ajuda. Somos fracos e facilmente, influenciados por aqueles que nos querem afastar de ti. Ilumina-nos pelo teu Espírito para não sermos dominados pelo espírito do mundo. Ampara nos e mantém-nos em tua comunhão.
Santo e gracioso Deus! O tempo de advento nos lembra que teu filho Jesus Cristo veio ao mundo. Ele nos trouxe a salvação. Ele nos tornou cidadãos do teu reino. Ele deixou-se crucificar e ser levado à morte, por nós. Sua compaixão é nossa eterna salvação.
Agradecemos-te por tua grande compaixão. Fortalece-nos para que nossa vida seja um fervoroso testemunho do teu amor. Abençoa tua Comunidade e chama, pelo Evangelho, muitos das trevas para tua luz.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor, concede-nos a tua Paz.
Virá julgar o mundo: / ao ímpio condenar, / mas com amor profundo / ao crente resgatar. / Oh! vem, Jesus bondoso / , a todos nós buscar / e faze ao céu glorioso /
os teus fiéis entrar. (HL 13.5)
SEGUNDA-FEIRA, após o 1° Domingo de Advento.
2 Coríntios 1.18-22.
Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio. (v.20)
Fiel Senhor e Deus! Tua Palavra é a verdade. Dela sabemos que tua graça e fidelidade não mudam. Tuas promessas se cumprem. Agradecemos-te por isso de tudo o coração.
Em fé queremos responder com um vigoroso Sim ao teu amor, que nos revelaste em Cristo. Não podemos confiar em nosso próprio coração, mas na tua Palavra, que é a verdade, podemos confiar.
Ampara-nos quando estrememos em nosso íntimo e estamos tristes. Permita que encontremos sossego em ti.
Fiel Senhor e Deus! Ajuda-nos para permanecermos fiéis ao teu Evangelho e as Confissões luteranas, pois são a expressão da verdade bíblica. Pessoas querem nos enganar com meias verdades e promessas vazias. Guarda-nos, para não sermos jogados de um lado para o outro, por qualquer vento de doutrina. Seja tua Palavra a luz para o nosso caminho.
Concede-nos prazer em teus Mandamentos e força para vivermos conforme os mesmos. Queremos louvar-te e proclamar o teu santo nome. Amém
Se bem-vindo, ó Salvador! / Canto glórias com fervor. / Grava no meu coração /
teu caminho justo e bom! (HL 18.3)
TERÇA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Miquéias 2.1-2, 9,12-13.
Pô-los-ei todos juntos, como ovelhas no aprisco, como rebanho no meio do seu pastor, farão grande ruído por causa da multidão dos homens. (v.12)
Sento e justo Deus! Viemos a tua presença para pedir: Tem compaixão com o mundo decaído. A maioria das pessoas vive sem ti e desprezam teus Mandamentos. Estão em busca de auto afirmação, para isso subjugam seus irmãos, aumentam a violência e a brutalidade. Por não darem ouvidos a ti, o matrimônio e a família, que tu constituíste, se dissolvem e desgraçam.
Mas tu és e permaneces Senhor. Todos os poderes terrenos estão subordinados a ti. Colocas limites aos tiranos, quando não reconhecem seus deveres diante de ti, rejeitando a tua lei.
Santo e justo Deus! Não permitas sermos contagiados pelo espírito deste mundo. Onde fracassamos, dá-nos contrição e disposição para voltarmos a ti.
Quando caímos em falsa segurança, acorda-nos. Reúne os dispersos de tua Comunidade. Ampara os que se debatem com dúvidas e ansiedades. Reergue-os solitários e desesperados.
Guarda teus fiéis nestes tempos do fim. Voltamo-nos a ti, dá e conserva-nos a tua Paz.
Oh! preparai a vida / ao Príncipe da Paz! / Só ele é nosso guia: / Auxílio e graça traz. /
A estada endireitai! / De corações aflitos / por causa dos delitos, / ao Rei vos entregai! (HL 8.2)
QUARTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
2 Samuel 7.8-16
O Altíssimo não mora em templos feitos por mãos humanas. E eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. ( v.13)
Querido Pai celestial! Agradeço e louvo-te pela proteção da noite. Permanece comigo também neste dia em todos meus caminhos.
Tenho-me proposto fazer várias coisas, sei que nem sempre permites as realizações. Muitas vezes não compreendo os teus caminhos para comigo. Guarda-me na firme convicção de que a tua vontade é melhor do que meu planejar.
Tu não permitiste que o rei Davi construísse o Templo em Jerusalém. Reservaste esta tarefa para seu filho, Salomão. Mas muito além dessa tarefa, cumpriste tua promessa dando à humanidade o Salvador Jesus Cristo, o descendente corporal do rei Davi que edificou a Igreja, que permanece além de todos os tempos, por toda a eternidade.
Querido Pai celestial! Pelo batismo me enxerta como pedra viva neste teu Templo. Firma-me na fé para que pertença ao teu reino. Teu unigênito Filho, Jesus Cristo, por sua morte expiatória na cruz, me trouxe perdão, vida e eterna salvação. Por este teu amor, quero agora viver em gratidão a ti.
Tu queres que eu confesse o teu nome. Sim, seja teu nome santificado e teu reino estendido pela terra. Dá-me teu Espírito Santo para que esteja pronto para te servir.
Cristo acorda minha mente; / seja todo o meu falar / para o nome teu honrar. / Quero em gratidão ardente / dedicar-te, ó bom Senhor, / minha vida em teu louvor. (HL 4.4 )
QUINTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento.
Isaías 64.1-3.
Oh! Se fendesses os céus, e descesses! (v.1)
Senhor Jesus Cristo! Louvamos e adoramos-te. Tu governas com poder sobre céus e terra. Muitas vezes não compreendemos como governas sobre as pessoas. Reconhecemos que não podemos comparar-nos contigo.
Quando estamos em dificuldades e com medo, te invocamos. Perguntamos por que te ocultas diante de nós? Pensamos que não queres nos ajudar mais. Suplicamos para que venhas a nós, e sabemos que vens a nós por Palavra e sacramentos. Nós, na verdade, gostaríamos sentir a tua presença, mas importa que nos apeguemos à tua Palavra, quer o sintamos ou não.
Senhor Jesus Cristo! Perdoa nossa pequenez de fé. Tu sempre estás conosco, mesmo quando não sentimos nada. Tu não nos abandonas, mas estás sempre ao nosso lado. Por tua Palavra e teu sacramento queres nos fortalecer a confiança em ti. Permita que façamos uso abundante desses meios da graça.
Tu vieste a nós. No tempo do Advento nós nos preparamos para celebrar teu nascimento em Belém. Para nos salvar, tu te humilhaste e te tornaste um servo, para pagar a nossas culpa.
Pela confissão de nossos pecados nós nos humilhamos diante de ti. Confiamos em tua misericórdia. Dá nos força para tanto por teu Santo Espírito.
Sou hospede no mundo, / não tenho aqui lugar; / anseio o meu profundo, / e a pátria eterna achar. / Não tenho aqui descanso, / vou repousar no céu; / ali do Pai alcança /
os bens que prometeu. (HL 432.1 )
SEXTA-FEIRA, após o 1º Domingo de Advento
Hebreus 10.19-25.
Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé. (v.22)
Senhor e Salvador, Jesus Cristo! Nós te buscamos nesta manhã. Por tua Palavra mostras que já abriste e preparaste o caminho de ti para nós. Derramaste o teu santo sangue na cruz por nós, para nos purificar de todos os pecados. Tu és o caminho, a verdade e a vida. Por meio de ti temos acesso ao reino de Deus.
Tu nos trazes a paz. Junto a ti a queremos buscar. Guarda-nos de descaminhos. Faze-nos reconhecer que só o que recebemos de ti tem valor.
Senhor e Salvador nosso! Pedimos-te dá-nos força para permanecermos fiéis na confissão de nossa fé em ti, para que nada nos engane.
Guarda-nos de tentarmos agradar o mundo, silenciando covardemente onde devemos confessar corajosamente o teu santo nome.
Dá-nos o teu amor para não buscarmos a satisfação do nosso próprio egoísmo em falsa segurança. Tu queres que encontremos a realização de nossa vida em ti e no servir a nosso próximo. Fortalece-nos nisto.
Louvor e glória ao grande Deus! / de graça e por bondade. / Do mal liberta os crentes seus / por toda a eternidade. / Em nós o Pai dos céus se apraz, / agora reina santa paz; / cessou a adversidade. (HL 231.1)
SÁBADO, após o 1º Domingo de Advento
Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21.
Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Vem, Senhor Jesus. (v.20)
Amado Salvador e Senhor Jesus! Gostaríamos muito de conhecer o sentido e a razão de todos os acontecimentos no céu e na terra, mas estes mistérios nos permanecem ocultos.
Nossa própria vida tem muitos enigmas que não podemos desvendar. Mas tu tens todo o poder e governas de eternidade a eternidade. Permita que estejamos voltados inteiramente a ti. Tu és o Criador e o fim de todas as coisas. Em ti encontramos segurança e ajuda em todas as situações.
Perdoa, quando em nosso pensar começamos a duvidar de tua providência.
Amado Salvador e Senhor Jesus! Prometestes voltar em breve para buscar teus fiéis para junto de ti. Aguardamos o teu último advento, que nos trará a libertação de todos os males.
Mantém-nos na fé. Não permitas cairmos da mesma. Suplicamos em favor de todos os fiéis. Amém, sim, vem Senhor Jesus!
A porta da minha alma / aberta deve estar; / por graça sendo salva, / quer nela o Rei entrar. / As virgens mui prudentes, / o Noivo aguardarão / pois vem o Rei das gentes, / à filha de Sião. (5.4)
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Lema da IELB para 2009. Fp 4.13
IELB.2009
Lema da IELB – 2009
Acompanhados por Deus
Com a forma que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação. Fp 4.13 NTLH
Tudo (isso, v.12) posso (não eu, mas por sua força, Mc 9.22-24) naquele (em conexão com Cristo, de quem sou servo, 2 Co 12.9) que me fortalece. (me dá esta suficiência, este contentamento, Ef 6.10) Fp 4.13 RA
Introdução ao lema
A criança, com medo do escuro, grita: - Mãe! Tenho medo. Vem comigo. A mãe pega a criança pela mão e canta: Que segurança, sou de Jesus...
As crianças pequenas, ao brincar, sentem-se seguras quando a mãe ou vovó está perto. Elas sabem-se cuidadas, vigiadas, protegidas na companhia de seus pais.
E nós cristãos adultos, filhos de Deus pela fé na graça de Cristo Jesus, temos nós esta mesma segurança no turbilhão da vida, em meio aos fracassos, angústias, incertezas e aflições? Temos certeza de sermos acompanhados por Deus também nos momentos difíceis da vida?
Quando posso realmente ter certeza de que sou acompanhado e guiado por Deus? Levanto de manhã, faço minha oração, preferencialmente a oração da manhã de Lutero. Leio uma devoção, oro o Pai Nosso e vou ao trabalho. Quando tudo bem, ótimo. Parece que me sinto acompanhado por Deus. Mas, de repente, no meio do trabalho, um erro, as conseqüências são um prejuízo significativo. Debruço-me sobre a mesa desesperado. Perguntas me martirizam. Como pude fazer isso? Por que Deus permitiu isso? Orei e apesar de tudo, o fracasso. Minha consciência começa a acusar-me, lembrando-me pecados do passado ao me dizer: - Estás vendo, Deus te abandonou. Se ele estivesse ao teu lado, isto não poderia ter acontecido.
Clamo a Deus por perdão, mas parece que Deus não me dá ouvidos. Lembro de alguns Salmos onde o salmista clama a Deus: Volta-te, Senhor, até quando (Sl 80.14) Ouve, ó Deus, a minha súplica; atende a minha oração (Sl 61.1) Mas não sinto nada. Volto amargurado para casa. Minha esposa percebe minha tristeza e pergunta: O que houve? – É, hoje deu tudo errado. Jantamos. Após a janta ela me alcança o devocionário. Leio a devoção do dia, mas meus pensamentos estão longe. O texto do dia não me diz nada. A esposa percebe que só li por ler. – Querido, ela disse. Sei que não é fácil orar quando a gente não consegue se concentrar. Vamos orar a Bênção da noite e o Pai Nosso, e com isso colocar tudo nas mãos de nosso gracioso Deus e Pai. – Meus olhos vagueiam pela sala. A esposa me diz: Vês o versículo na parede: Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará. (Sl 37.5) Você lembra ainda o versículo 7: Descansa no Senhor e espera nele. Obrigado, querida. Eu sei que este é o caminho, mas como é difícil entregar tudo a Deus e confiar cegamente nele, quando as coisas não vão como a gente gostaria. Eu tenho olhado para o versículo do lema da IELB, veja, ele está estampado no Mensageiro ali na mesa. E francamente, para ti posso dizê-lo, não entendo. Quero pedir uma vez ao pastor que me explique o lema.
Passaram-se algumas semanas e o assunto foi levantado na liga de leigos. Após a troca de idéias e perguntas, o pastor pediu que abríssemos a Bíblia. Lemos o versículo. Então o pastor passou a explicar o versículo.
Exegese do versículo do Lema
O pastor disse: Se tirarmos este versículo do seu contexto e não tivermos uma boa tradução, ou colocarmos a ênfase no “eu” em vez de em “Cristo”, abrimos as portas para todas as aberrações dos entusiastas que temos em nosso derredor. Os entusiastas julgam que com sua piedade e fervorosas orações de fé são capazes de curarem doentes e solucionar todos os problemas, julgando que, se tudo vai bem na vida, isto é um sinal que Deus os quer bem. São tentações do diabo que os faz crer que podem saltar da torre de uma igreja sem se machucarem. Mas quando vêem que suas fervorosas orações não se cumprem e que as coisas vão mal na vida, eles duvidam de Cristo e desesperam em sua fé.
Vamos, por tanto, contemplar o contexto. No versículo 10 o apóstolo Paulo agradece aos filipenses pelo auxílio que lhe enviaram. Eram, provavelmente, roupas, alimentos e dinheiro, para seu sustento na prisão em Roma. Mas, mais do que pela doação, o apóstolo se alegra em ter notícias de sua comunidade de Filipos. Eles estavam passando por momentos difíceis e o apóstolo estava preocupado com eles. Será que vão resistir e permanecer firmes na fé? Ao receber agora as doações, isto lhe trouxe consolo à alma. Quanto a ele, afirma que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Ele não se orgulha disso, nem é um estóico[1]. Ele o diz com humildade. Que situações eram essas? Em toda e qualquer situação que agrada a Deus, caminhos pelos quais Deus o estava guiando, não conforme nossos desejos egoístas. Isto não é um ideal ou uma virtude a ser alcançada. Esta é a nova mentalidade de alguém que renasceu pela graça de Cristo, que morreu para o mundo. O apóstolo não está dizendo nada de extraordinário, mas de alguém que sabe: O meu viver é Cristo (Fp 1.21), isto é, eu morri para o mundo. Dependo em todas as coisas da bondade e graça do meu Senhor Jesus Cristo e não dos bens do mundo. Isto é, na verdade, o nosso voto batismal: Renuncio o diabo e todas as suas obras e todo o seu procedimento. Entrego-me a ti ó Deus triúno Pai, Filho e Espírito Santo. Quero ser fiel a ti em fé, palavras e obras até a morte. Amém. Este é nosso voto diário que inclui: o afogar diariamente o velho homem por contrição e arrependimento e fazer ressurgir diariamente novo homem, que viva em justiça e pureza diante de Deus eternamente.
Vejamos os detalhes disso.
O apóstolo encontra-se preso, provavelmente em Roma, pelo ano 61 AD. Dali ele faz uma confissão para fortalecer os irmãos e irmãs na fé em Filipos. Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado, de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência (sou iniciado neste mistério da vida em Cristo, Fp 1.21), tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele, (isto é, em conexão com aquele) que me fortalece.
Qual é a nossa concepção de felicidade e do bem estar? Possuir saúde e bens? Sim, essa é a concepção do mundo, daí a corrida para as casas lotéricas, com o sonho de tirar a sorte grande e ser feliz. Sabemos, no entanto, que riqueza e felicidade nem sempre são idênticas. Já diz o provérbio popular: “Nada é mais prejudicial do que uma porção de dias bons.” Por isso o sábio Salomão orou: Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus. (Provérbios 30.7-9 RA)
O apóstolo Paulo diz ainda algo mais sublime: Tudo posso, ele está dizendo: Eu não posso nada. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. (Romanos 7.18 RA) Ele diz isto como cristão, como apóstolo. Mesmo assim, ele afirma: Tudo posso em conexão com aquele que me fortalece (de quem vem toda a força para a vida), pois o meu viver é Cristo (Fp 1.21). E, ao dizer isto, ele não diz, na força de Cristo eu posso tudo, posso sair da prisão e ser imediatamente livre. Não. Cristo dirige a minha vida. Se ele quiser, sairei da prisão. Se ele quer, eu fico na prisão. Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8.26 RA) Sem dúvida, todos nós conhecemos esses momentos em que nem sabemos o que orar e pedir. Por exemplo, Deus permitiu que Estevão fosse apedrejado e Tiago, decapitado. Imaginem que suplício para Estevão, Tiago e seus familiares, mas Deus lhes deu forças para suportarem este suplício. Bem como a muitos outros mártires que enfrentarem tais momentos. Mas quanto ao apóstolo Pedro, Deus resolveu tirá-lo da prisão. Deus faz o que lhe apraz. O acento de sua afirmação, portanto, não está no “eu posso”, mas no “em conexão com Cristo”, a quem pertenço e sirvo, e quem dirige a minha vida. Sou simples instrumento na mão de Cristo. Se ele me dá pobreza ou riqueza, abundância ou fome, pela fé em Cristo procuro servi-lo na força que Cristo supre. O que acontece na minha vida não é um “por acaso”, nem um destino cego, é Jesus que me guia e todas as coisas cooperaram para o bem dos que temem e amam a Deus. (Rm 8.28) Também quando Deus me põe à prova, ou permite erros e fracassos para me humilhar e aprofundar no arrependimento e fortalecer na fé.
Por tanto, “tudo posso” (viver em qualquer circunstância que Cristo me dá), pois Cristo me chamou e enxertou, pela fé, em seu corpo. Sou dele. Ele me guia por sua Palavra e fortalece pelos sacramentos, pelos quais o Espírito Santo me consola, adverte, corrige, conforta e fortalece. E sei que ainda estou na carne, da qual procedem pensamentos e desejos maus, aos quais importa crucificar diariamente (Gl 5.24), para fazer ressurgir novo homem. Enquanto aqui na terra, ainda estamos sob a cruz. Aqui há lutas, tropeços, fracassos. Constantemente precisamos suplicar por perdão e misericórdia. Diário importa levantar, ouvir a Cristo e entregar-se a ele. Jubilar e alegrar-se nas bênçãos, louvar e servir, suportar e ser paciente nas tribulações onde Deus nos colocou até sermos recolhidos ao lar celestial.
Nesta vida há momentos também de fazer proezas em nome do Senhor. (Sl 108.13) Por exemplo, quando, após o naufrágio, o apóstolo Paulo foi mordido por uma serpente venenosa, atirou a serpente ao fogo e nada lhe aconteceu. (At 18.5,6). Deus o guardou do veneno da víbora.Ou quando Lutero, por ser proscrito, não pôde comparecer na Dieta de Augsburgo, tendo que ficar em Coburg, sabendo da importância desta reunião, apegou-se ao Salmo 118, seu salmo predileto, e orou fervorosamente: Não morrerei, antes viverei e conterei as obras do Senhor (v.17). Mesmo já estando na bem-aventurança, como esperamos, suas obras ainda hoje são grande bênção para muitos. Assim ainda hoje, dentro da responsabilidade que Deus nos confere (cf.: Tábua dos Deveres, Cat. Menor) lutamos e oramos confiantes na graça de Cristo.
Oração
Senhor Jesus agradeço-te por tua Palavra, que é lâmpada para meus pés e luz para o meu caminho. Ao ler e meditar em tua santa Palavra guia-me por teu Espírito e guarda-me de falsas interpretações e conclusões, para não tomar entusiasticamente um versículo do seu contexto, sem observar tudo o que dizes sobre determinado assunto.
Tu prometeste me guiar, proteger, amparar e ao mesmo tempo nos disseste que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. Que como tu, amado Salvador, foste rejeitado e perseguido, os teus discípulos também seriam odiados. E nos consolas dizendo: Não temais, ó pequeno rebanho (Lc 12.32), eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20).
Na alegria e abundância, guarda-me para que não me ensoberbeça e feche meu coração ao necessitado. Na carência, aflição e sofrimento para que não desespere. Firma-me na tua Palavra para que quando eu sentir as acusações da lei e os horrores do pecado, quando o medo da morte me aterrorizar e eu sentir tua ira a derramar-se sobre a humanidade - no meio da qual me encontro não sendo melhor do que ninguém – para que me apegue tão somente à tua Palavra, à graça de Cristo para meu consolo. Que me lebre o que disse o profeta Isaías: Num ímpeto de indignação escondi de ti a minha face por um momento. Mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor. (53.8) Guarda-me fiel na fé e ampara-me na morte. Por Cristo meu Salvador. Amém.
PS. Confira meu estudo sobre o Lema geral da IELB: Abençoados por Deus.
Lutero escreve na exposição do Salmo 118: Pois, querendo honrar a palavra de Deus e servir a Deus, eles têm que sofrer e suportar zombaria, opróbrio, danos, ódio, inveja, difamação, fogueira, espada, morte e toda sorte de desgraça ... (2Tm 3.12; Lc 9.23; At 14.22; Ec 2.1)... Por isso se precisa de sabedoria e graça para ver e reconhecer esse benefício secreto e oculto, especialmente porque ele a gaba de durar para sempre e de ser eterna. (Martinho Lutero. Obras Selecionadas. Vo. V, pág., 34,35)
São Leopoldo, 24/11/2008
Horst R. Kuchenbecker
[1] Escola filosófica grega que ensinava serenidade perfeita em toda a situação.
Lema da IELB – 2009
Acompanhados por Deus
Com a forma que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação. Fp 4.13 NTLH
Tudo (isso, v.12) posso (não eu, mas por sua força, Mc 9.22-24) naquele (em conexão com Cristo, de quem sou servo, 2 Co 12.9) que me fortalece. (me dá esta suficiência, este contentamento, Ef 6.10) Fp 4.13 RA
Introdução ao lema
A criança, com medo do escuro, grita: - Mãe! Tenho medo. Vem comigo. A mãe pega a criança pela mão e canta: Que segurança, sou de Jesus...
As crianças pequenas, ao brincar, sentem-se seguras quando a mãe ou vovó está perto. Elas sabem-se cuidadas, vigiadas, protegidas na companhia de seus pais.
E nós cristãos adultos, filhos de Deus pela fé na graça de Cristo Jesus, temos nós esta mesma segurança no turbilhão da vida, em meio aos fracassos, angústias, incertezas e aflições? Temos certeza de sermos acompanhados por Deus também nos momentos difíceis da vida?
Quando posso realmente ter certeza de que sou acompanhado e guiado por Deus? Levanto de manhã, faço minha oração, preferencialmente a oração da manhã de Lutero. Leio uma devoção, oro o Pai Nosso e vou ao trabalho. Quando tudo bem, ótimo. Parece que me sinto acompanhado por Deus. Mas, de repente, no meio do trabalho, um erro, as conseqüências são um prejuízo significativo. Debruço-me sobre a mesa desesperado. Perguntas me martirizam. Como pude fazer isso? Por que Deus permitiu isso? Orei e apesar de tudo, o fracasso. Minha consciência começa a acusar-me, lembrando-me pecados do passado ao me dizer: - Estás vendo, Deus te abandonou. Se ele estivesse ao teu lado, isto não poderia ter acontecido.
Clamo a Deus por perdão, mas parece que Deus não me dá ouvidos. Lembro de alguns Salmos onde o salmista clama a Deus: Volta-te, Senhor, até quando (Sl 80.14) Ouve, ó Deus, a minha súplica; atende a minha oração (Sl 61.1) Mas não sinto nada. Volto amargurado para casa. Minha esposa percebe minha tristeza e pergunta: O que houve? – É, hoje deu tudo errado. Jantamos. Após a janta ela me alcança o devocionário. Leio a devoção do dia, mas meus pensamentos estão longe. O texto do dia não me diz nada. A esposa percebe que só li por ler. – Querido, ela disse. Sei que não é fácil orar quando a gente não consegue se concentrar. Vamos orar a Bênção da noite e o Pai Nosso, e com isso colocar tudo nas mãos de nosso gracioso Deus e Pai. – Meus olhos vagueiam pela sala. A esposa me diz: Vês o versículo na parede: Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará. (Sl 37.5) Você lembra ainda o versículo 7: Descansa no Senhor e espera nele. Obrigado, querida. Eu sei que este é o caminho, mas como é difícil entregar tudo a Deus e confiar cegamente nele, quando as coisas não vão como a gente gostaria. Eu tenho olhado para o versículo do lema da IELB, veja, ele está estampado no Mensageiro ali na mesa. E francamente, para ti posso dizê-lo, não entendo. Quero pedir uma vez ao pastor que me explique o lema.
Passaram-se algumas semanas e o assunto foi levantado na liga de leigos. Após a troca de idéias e perguntas, o pastor pediu que abríssemos a Bíblia. Lemos o versículo. Então o pastor passou a explicar o versículo.
Exegese do versículo do Lema
O pastor disse: Se tirarmos este versículo do seu contexto e não tivermos uma boa tradução, ou colocarmos a ênfase no “eu” em vez de em “Cristo”, abrimos as portas para todas as aberrações dos entusiastas que temos em nosso derredor. Os entusiastas julgam que com sua piedade e fervorosas orações de fé são capazes de curarem doentes e solucionar todos os problemas, julgando que, se tudo vai bem na vida, isto é um sinal que Deus os quer bem. São tentações do diabo que os faz crer que podem saltar da torre de uma igreja sem se machucarem. Mas quando vêem que suas fervorosas orações não se cumprem e que as coisas vão mal na vida, eles duvidam de Cristo e desesperam em sua fé.
Vamos, por tanto, contemplar o contexto. No versículo 10 o apóstolo Paulo agradece aos filipenses pelo auxílio que lhe enviaram. Eram, provavelmente, roupas, alimentos e dinheiro, para seu sustento na prisão em Roma. Mas, mais do que pela doação, o apóstolo se alegra em ter notícias de sua comunidade de Filipos. Eles estavam passando por momentos difíceis e o apóstolo estava preocupado com eles. Será que vão resistir e permanecer firmes na fé? Ao receber agora as doações, isto lhe trouxe consolo à alma. Quanto a ele, afirma que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Ele não se orgulha disso, nem é um estóico[1]. Ele o diz com humildade. Que situações eram essas? Em toda e qualquer situação que agrada a Deus, caminhos pelos quais Deus o estava guiando, não conforme nossos desejos egoístas. Isto não é um ideal ou uma virtude a ser alcançada. Esta é a nova mentalidade de alguém que renasceu pela graça de Cristo, que morreu para o mundo. O apóstolo não está dizendo nada de extraordinário, mas de alguém que sabe: O meu viver é Cristo (Fp 1.21), isto é, eu morri para o mundo. Dependo em todas as coisas da bondade e graça do meu Senhor Jesus Cristo e não dos bens do mundo. Isto é, na verdade, o nosso voto batismal: Renuncio o diabo e todas as suas obras e todo o seu procedimento. Entrego-me a ti ó Deus triúno Pai, Filho e Espírito Santo. Quero ser fiel a ti em fé, palavras e obras até a morte. Amém. Este é nosso voto diário que inclui: o afogar diariamente o velho homem por contrição e arrependimento e fazer ressurgir diariamente novo homem, que viva em justiça e pureza diante de Deus eternamente.
Vejamos os detalhes disso.
O apóstolo encontra-se preso, provavelmente em Roma, pelo ano 61 AD. Dali ele faz uma confissão para fortalecer os irmãos e irmãs na fé em Filipos. Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado, de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência (sou iniciado neste mistério da vida em Cristo, Fp 1.21), tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele, (isto é, em conexão com aquele) que me fortalece.
Qual é a nossa concepção de felicidade e do bem estar? Possuir saúde e bens? Sim, essa é a concepção do mundo, daí a corrida para as casas lotéricas, com o sonho de tirar a sorte grande e ser feliz. Sabemos, no entanto, que riqueza e felicidade nem sempre são idênticas. Já diz o provérbio popular: “Nada é mais prejudicial do que uma porção de dias bons.” Por isso o sábio Salomão orou: Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus. (Provérbios 30.7-9 RA)
O apóstolo Paulo diz ainda algo mais sublime: Tudo posso, ele está dizendo: Eu não posso nada. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. (Romanos 7.18 RA) Ele diz isto como cristão, como apóstolo. Mesmo assim, ele afirma: Tudo posso em conexão com aquele que me fortalece (de quem vem toda a força para a vida), pois o meu viver é Cristo (Fp 1.21). E, ao dizer isto, ele não diz, na força de Cristo eu posso tudo, posso sair da prisão e ser imediatamente livre. Não. Cristo dirige a minha vida. Se ele quiser, sairei da prisão. Se ele quer, eu fico na prisão. Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8.26 RA) Sem dúvida, todos nós conhecemos esses momentos em que nem sabemos o que orar e pedir. Por exemplo, Deus permitiu que Estevão fosse apedrejado e Tiago, decapitado. Imaginem que suplício para Estevão, Tiago e seus familiares, mas Deus lhes deu forças para suportarem este suplício. Bem como a muitos outros mártires que enfrentarem tais momentos. Mas quanto ao apóstolo Pedro, Deus resolveu tirá-lo da prisão. Deus faz o que lhe apraz. O acento de sua afirmação, portanto, não está no “eu posso”, mas no “em conexão com Cristo”, a quem pertenço e sirvo, e quem dirige a minha vida. Sou simples instrumento na mão de Cristo. Se ele me dá pobreza ou riqueza, abundância ou fome, pela fé em Cristo procuro servi-lo na força que Cristo supre. O que acontece na minha vida não é um “por acaso”, nem um destino cego, é Jesus que me guia e todas as coisas cooperaram para o bem dos que temem e amam a Deus. (Rm 8.28) Também quando Deus me põe à prova, ou permite erros e fracassos para me humilhar e aprofundar no arrependimento e fortalecer na fé.
Por tanto, “tudo posso” (viver em qualquer circunstância que Cristo me dá), pois Cristo me chamou e enxertou, pela fé, em seu corpo. Sou dele. Ele me guia por sua Palavra e fortalece pelos sacramentos, pelos quais o Espírito Santo me consola, adverte, corrige, conforta e fortalece. E sei que ainda estou na carne, da qual procedem pensamentos e desejos maus, aos quais importa crucificar diariamente (Gl 5.24), para fazer ressurgir novo homem. Enquanto aqui na terra, ainda estamos sob a cruz. Aqui há lutas, tropeços, fracassos. Constantemente precisamos suplicar por perdão e misericórdia. Diário importa levantar, ouvir a Cristo e entregar-se a ele. Jubilar e alegrar-se nas bênçãos, louvar e servir, suportar e ser paciente nas tribulações onde Deus nos colocou até sermos recolhidos ao lar celestial.
Nesta vida há momentos também de fazer proezas em nome do Senhor. (Sl 108.13) Por exemplo, quando, após o naufrágio, o apóstolo Paulo foi mordido por uma serpente venenosa, atirou a serpente ao fogo e nada lhe aconteceu. (At 18.5,6). Deus o guardou do veneno da víbora.Ou quando Lutero, por ser proscrito, não pôde comparecer na Dieta de Augsburgo, tendo que ficar em Coburg, sabendo da importância desta reunião, apegou-se ao Salmo 118, seu salmo predileto, e orou fervorosamente: Não morrerei, antes viverei e conterei as obras do Senhor (v.17). Mesmo já estando na bem-aventurança, como esperamos, suas obras ainda hoje são grande bênção para muitos. Assim ainda hoje, dentro da responsabilidade que Deus nos confere (cf.: Tábua dos Deveres, Cat. Menor) lutamos e oramos confiantes na graça de Cristo.
Oração
Senhor Jesus agradeço-te por tua Palavra, que é lâmpada para meus pés e luz para o meu caminho. Ao ler e meditar em tua santa Palavra guia-me por teu Espírito e guarda-me de falsas interpretações e conclusões, para não tomar entusiasticamente um versículo do seu contexto, sem observar tudo o que dizes sobre determinado assunto.
Tu prometeste me guiar, proteger, amparar e ao mesmo tempo nos disseste que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. Que como tu, amado Salvador, foste rejeitado e perseguido, os teus discípulos também seriam odiados. E nos consolas dizendo: Não temais, ó pequeno rebanho (Lc 12.32), eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28.20).
Na alegria e abundância, guarda-me para que não me ensoberbeça e feche meu coração ao necessitado. Na carência, aflição e sofrimento para que não desespere. Firma-me na tua Palavra para que quando eu sentir as acusações da lei e os horrores do pecado, quando o medo da morte me aterrorizar e eu sentir tua ira a derramar-se sobre a humanidade - no meio da qual me encontro não sendo melhor do que ninguém – para que me apegue tão somente à tua Palavra, à graça de Cristo para meu consolo. Que me lebre o que disse o profeta Isaías: Num ímpeto de indignação escondi de ti a minha face por um momento. Mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor. (53.8) Guarda-me fiel na fé e ampara-me na morte. Por Cristo meu Salvador. Amém.
PS. Confira meu estudo sobre o Lema geral da IELB: Abençoados por Deus.
Lutero escreve na exposição do Salmo 118: Pois, querendo honrar a palavra de Deus e servir a Deus, eles têm que sofrer e suportar zombaria, opróbrio, danos, ódio, inveja, difamação, fogueira, espada, morte e toda sorte de desgraça ... (2Tm 3.12; Lc 9.23; At 14.22; Ec 2.1)... Por isso se precisa de sabedoria e graça para ver e reconhecer esse benefício secreto e oculto, especialmente porque ele a gaba de durar para sempre e de ser eterna. (Martinho Lutero. Obras Selecionadas. Vo. V, pág., 34,35)
São Leopoldo, 24/11/2008
Horst R. Kuchenbecker
[1] Escola filosófica grega que ensinava serenidade perfeita em toda a situação.
sábado, 15 de novembro de 2008
Ezequiel.22.28-31. Dia de Oração e Arrependimento
Dia de
Oração e Arrependimento (19/11/2008)
Introdução ao Dia.
O dia de Oração e Arrependimento é celebrado na quarta-feira antes do último domingo do Ano Eclesiástico.
Já no Antigo Testamento temos convocações feitas por reis e/ou profetas, chamando a nação à oração e ao arrependimento, quando estavam diante de grandes calamidades ou guerras. Lembramos o rei de Níneve que após ouvir a pregação do profeta Jonas, conclamou o povo para um dia de jejum, arrependimento e oração (Jn 3). Na idade média, esporadicamente, alguns príncipes e reis o fizeram. Finalmente o dia foi fixado para a última quarta-feira antes do último domingo do ano da igreja.
Em nosso meio esse dia não é observado, mas na IECLB que seguem a Agenda Litúrgica alemã, isto é costume até hoje. Comunidades que tem dificuldade de se reunirem durante a semana, lembram esse dia no último domingo do Ano Eclesiástico.
Aqui segue um sermão de C.F.W.Walther proferido em 1861[1] quando, durante a sangrenta guerra civil americana, o presidente dos Estados Unidos da América conclamou a nação à oração e ao arrependimento. Abreviamos e adaptamos alguns aspectos desse sermão para nossos dias.
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Ezequiel 22.28-31 RA, consulte também a NTLH
Arrependimento e oração são duas coisas que pertencem à vida diária de cada cristão. Lutero: Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos etc., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja continua e ininterrupto arrependimento. Mesmo assim, quando catástrofes e guerras assolam uma nação, príncipes cristãos e?ou bispos e pastores têm convocado seus fiéis para arrependimento e oração, para clamarem a Deus por misericórdia.
No texto do profeta Ezequiel encontramos um detalhe muito importante. Diante da grande catástrofe do cativeiro babilônico, Deus procura por homens em Israel, isto é, por fiéis, que se colocariam como um escudo diante de Deus, suplicando por misericórdia, e não os encontrou. Isto nos leva ao tema:
Quando Deus assola nossa nação, cumpre-nos reconhecer nossa culpa coletiva
a) por não termo-nos feito como um murro para clamar a Deus por misericórdia;
b) por estarmos participando dos pecados gerais de nossa nação;
c) e ser tempo de oração e arrependimento?
I
Diariamente nos chegam notícias pelos meios de comunicação sobre assaltos, assassinatos, estupros, roubos, acidentes, além das catástrofes na natureza, como o incêndio na Chapada Diamantina, Baia, secas e enchentes. Além das notícias das grandes corrupções e desvios de dinheiro; sendo as notícias internacionais ainda mais assustadoras. A catástrofe econômica. Mais de cem paises em guerra, a expansão do islamismo massacrando muitos cristãos, etc. O que fazemos diante dessas notícias? Meneamos a cabeça e dizemos: Que horror! Como pode. E nos queixamos de que o governo não faz o bastante para nosso bem estar?
Será que temos culpa em tudo isso? Talvez você exclame: Como? Eu culpado pela corrupção, pelo tráfico de drogas e drogados, pelos assassinatos e desastres, catástrofes, como? Vejam, sofremos as conseqüências de tudo isso. São castigos de Deus. A cada passo sentimos as ameaças: a insegurança no trânsito, os perigos de assalto que rondam nossas casas, o perigo na rua de sermos assaltado em plena luz do dia.
Quando o rei Nabucodonosor veio com seu exército e sitiou Jerusalém, Deus disse pelo profeta Ezequiel: Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. (Ezequiel 22.30 RA)
Aqui Deus acusa diretamente sua igreja, seus fiéis. Sim, Deus os torna responsáveis pela vinda do seu juízo sobre Jerusalém. Eles não se tornaram como um murro, que por arrependimento e incessante oração, clamassem a Deus, para que embainhasse a espada de sua ira. Ele não encontrou estas pessoas. Que triste!
Não pensemos agora: Isso foi naquele tempo. Hoje temos outra realidade. Não! Toda vez que um país, no qual residem cristãos, surgirem catástrofes, grandes epidemias, desastres, inflação, fome, secas, enchentes ou vendavais, terremotos, corrupção no governo, injustiças, etc., tudo isso é juízo de Deus sobre a nação por causada de seus muitos pecados. E que estes juízos não foram desviados, disso Deus responsabiliza os cristãos. Pois eles receberam muito, deles muito se requer. Somente eles são capazes, por suas súplicas, de se colocarem como um murro diante de Deus, para impedir que os juízos de Deus desabem sobre a nação.
Antes de Deus derramar sua ira sobre uma nação, ele procura por homens que intercedem junto a ele em favor do povo. Pois nosso Deus não tem prazer na tribulação e tristeza. Ele é santo e justo, um Deus a quem não se agrada da vida ímpia e pecaminosa. E mesmo assim, em meio à ira, ele pensa em misericórdia. Por isso, antes de castigar, ele procura por pessoas que em nome de Jesus, por amor ao sangue de Jesus, sua morte e ressurreição, por amor à reconciliação de Cristo, se coloquem como escudo diante de Deus, clamando por misericórdia. Ele quer deixar mover-se por esses clamores à paciência e compaixão. Como no exemplo de Sodoma e Gomorra, se estivessem ali dez que em verdadeira fé como Abraão se colocassem diante de Deus, ele teria poupado as cidades. Assim Deus guardou a Alemanha de uma guerra civil, enquanto Lutero viveu, pois ele clamava com lágrimas e jejuns, pedindo misericórdia em favor da tão ingrata nação alemã.
Jesus ensina isto ao chamar os fiéis de: Sal e luz da terra. (Mt 5.13) Assim como o sal preserva a carne da putrefação; assim cristãos, quando fazem o que lhes compete, agem como sal, para que a nação não se corrompa de todo. E como sol ilumina o mundo para que não pereça nas trevas; assim cristãos ao deixarem sua luz brilhar pelo testemunho, impedem que a ira de Deus desabe sobre a nação. Os cristãos são como um dique que impede que as águas da ira de Deus destruam a nação.
É verdade, que há situações em que a ira de Deus é determinada de forma irrevogável. Deus diz pelo mesmo profeta Ezequiel: Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, salvariam apenas a sua própria vida, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 14.14 RA) Assim, por exemplo, a destruição de Jerusalém, nos anos 70 após Cristo, estava determinada. E Deus ordenou aos fiéis que saíssem de Jerusalém e se refugiaram na cidade de Pella, quando o exército romano viesse sobre Jerusalém.
Em que consiste então a nossa culpa por, em nosso país crescerem os assassinatos, roubos, mortes, a proliferação das drogas que ceifam nossos jovens, das muitas injustiças, etc.? Importa reconhecer que tudo isso já o prenúncio do juízo de Deus que está em andamento? O profeta Amós diz com razão: Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? (Amós 3.6 RA) Vamos querer nos desculpar como o fariseus no templo e dizer a Deus: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. (Lucas 18.11 RA) Longe de nós tal atitude. Antes queremos como o rei Davi, após o seu pecado, confessar. Eu é que pequei, eu é que procedi perversamente; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai. (2 Samuel 24.17 RA; ou Jó 9.30,31))
A quem valem, portanto, esta palavra de Deus proclamada pelo profeta Ezequiel: Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Por isso, eu derramei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 22.30-31 RA) Estas palavras valem para nós. Nós não nos colocamos como um muro na brecha em sincero arrependimento, orações e súplicas. Que Deus nos seja gracioso e nos conceda arrependimento para a vida.
II
Nosso pecado, no entanto, não consiste simplesmente num pecado de omissão, mas também de comissão, isto é, de participação. Participamos dos pecados do povo. O profeta Ezequiel diz a seu povo: Os seus profetas lhes encobrem isto com cal por visões falsas, predizendo mentiras e dizendo: Assim diz o SENHOR Deus, sem que o SENHOR tenha falado. Contra o povo da terra praticam extorsão, andam roubando, fazem violência ao aflito e ao necessitado e ao estrangeiro oprimem sem razão. (Ezequiel 22.28-29 RA) Ou conforma a NTLH: Os profetas escondem esses pecados como quem pinta de branco uma parede. Eles têm visões falsas, fazem falsas profecias. Afirmam que falam a palavra do Senhor Deus, mas eu, o Senhor, não falei com eles. Os ricos enganam e roubam. Eles maltratam os pobres e exploram estrangeiros.
O profeta menciona dois pecados, razão pela qual a catástrofe veio sobre Israel: a) O pecado contra a doutrina e a fé; b) os pecados no dia a dia (falta de vida santificada).
Estes dois pecados são a causa do juízo e da aflição que veio sobre Israel.
Qual é o pecado contra a doutrina e a fé? Os falsos profetas, que pregavam um evangelho falsificado, isto é, para agradarem ao povo, não denunciavam os pecados. Falavam só do amor de Deus, como se tudo estivessem bem. Uma pregação, nós diríamos, positiva: Tudo amor e paz. Eles esquecem que sem a lei o evangelho não será compreendido, mas usada por pretexto da malícia. (1 Pe 2.16)
Qual o nosso problema? Somos uma igreja que fomos ricamente abençoados: Temos boas traduções da Bíblia, a doutrina clara exposta em nossos livros confessionais. Mas quem os conhece? Nossos jovens crescem praticamente sem um ensino religioso sistematizados. E nossas Escolas Dominicais, ensinam elas as Históricas Bíblicas ou são somente um momento de recreação, com historinhas sentimentais com um pouco de moral. E nossos jovens, conhecem eles as partes principais do Catecismo Menor? As definições sobre pecado, justificação, pessoa de Cristo, as diferenças entre nós e Católicos, Reformados, Pentecostais, para poderem testemunhar estas verdades? Nossos jovens, digamos, após quatro anos na juventude, podem dizer: Estudamos a Confissão de Augsburgo e os artigos da Fórmula Concórdia? Ou são somente encontres para música e recreação?
E como vão os Estudos Bíblicos em nossas congregações? Somos nós realmente sal e luz para a nação brasileira?
Como vai a vida santificada? O profeta Ezequiel denunciou a vida errada. O resultado de pregações sem clara distinção de lei e evangelho, resultaram numa vida egoísta e pecaminosa.
Jesus disse à Congregação em Sardes: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. (Apocalipse 3.1 RA)
Qual é a nossa preocupação com os pecados de nossa época? Temos nação clara do que significa: Santo sereis, porque eu o Senhor vosso Deus sou santo? Lutamos na congregação, por aconselhamento mútuo, por vida santificada, admoestando-nos mutuamente?[2] A luta por vida santificada é um assunto entre pastores e diretorias, entre membros e nos departamentos? Há luta neste sentido e admoestação mútua? Falamos disso a nossos filhos?
Sem dúvida temos que confessar com Daniel: A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê; aos homens de Judá, os moradores de Jerusalém, todo o Israel, quer os de perto, quer os de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas transgressões que cometeram contra ti. (Daniel 9.7 RA) E com o profeta Isaías: Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. (Isaías 1.5 RA)
Que faremos? Queremos enganar-nos a nós mesmos e a outros, orgulhando-nos da doutrina, que no fundo já não conhecemos mais bem, levando uma vida que a contradiz? Ou será que as palavras que Jesus disse aos escribas, valem também para nós: Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando. (Lucas 11.52 RA) ou na NTLH: Ai de vocês, mestres da Lei! Pois guardam a chave que abre a porta da casa da Sabedoria. E assim nem vocês mesmos entram, nem deixam ou outros entrarem.
Cabe-nos suplicar a Deus por misericórdia. Pedir que nos conduza a sincero e verdadeiro reconhecimento de nossos muitos pecados em nossa vida oracional. Nosso desleixo para com a palavra de Deus e nossa doutrina, nossa lassidão na vida santificada, e que vendo o pecado se multiplicar em nossa nação e o juízo de Deus se aproximar qual nuvem de tormenta, não temos suplicado a Deus por misericórdia.
Isto queremos fazer hoje. Que Deus, por sua misericórdia, abençoe sua palavra em nossos corações, para arrependimento e fé. Que sua graça nos console e reerga para vida santificada, para uma intensa vida oracional em favor de nossa pátria e Igreja. Amém.
São Leopoldo, 15/11/2008
Horst R. Kuchenbecker
[1] Evangelium Postille, 1877.
[2] Aqui cabe a nós pastores um exame sincero de nossa vida ministerial. Como vai nossa vida oracional? Lutamos em oração diária por nossas congregações? Estamos dedicados ao ministério ou p usamos para nossos interesses pessoais, como os fariseus? Nossas pregações são frutos do estudo da Palavra sob oração, canais para o Espírito Santo, ou procuramos como no tempo de Ezequiel somente agradar as pessoas, passando cal?
Oração e Arrependimento (19/11/2008)
Introdução ao Dia.
O dia de Oração e Arrependimento é celebrado na quarta-feira antes do último domingo do Ano Eclesiástico.
Já no Antigo Testamento temos convocações feitas por reis e/ou profetas, chamando a nação à oração e ao arrependimento, quando estavam diante de grandes calamidades ou guerras. Lembramos o rei de Níneve que após ouvir a pregação do profeta Jonas, conclamou o povo para um dia de jejum, arrependimento e oração (Jn 3). Na idade média, esporadicamente, alguns príncipes e reis o fizeram. Finalmente o dia foi fixado para a última quarta-feira antes do último domingo do ano da igreja.
Em nosso meio esse dia não é observado, mas na IECLB que seguem a Agenda Litúrgica alemã, isto é costume até hoje. Comunidades que tem dificuldade de se reunirem durante a semana, lembram esse dia no último domingo do Ano Eclesiástico.
Aqui segue um sermão de C.F.W.Walther proferido em 1861[1] quando, durante a sangrenta guerra civil americana, o presidente dos Estados Unidos da América conclamou a nação à oração e ao arrependimento. Abreviamos e adaptamos alguns aspectos desse sermão para nossos dias.
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Ezequiel 22.28-31 RA, consulte também a NTLH
Arrependimento e oração são duas coisas que pertencem à vida diária de cada cristão. Lutero: Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos etc., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja continua e ininterrupto arrependimento. Mesmo assim, quando catástrofes e guerras assolam uma nação, príncipes cristãos e?ou bispos e pastores têm convocado seus fiéis para arrependimento e oração, para clamarem a Deus por misericórdia.
No texto do profeta Ezequiel encontramos um detalhe muito importante. Diante da grande catástrofe do cativeiro babilônico, Deus procura por homens em Israel, isto é, por fiéis, que se colocariam como um escudo diante de Deus, suplicando por misericórdia, e não os encontrou. Isto nos leva ao tema:
Quando Deus assola nossa nação, cumpre-nos reconhecer nossa culpa coletiva
a) por não termo-nos feito como um murro para clamar a Deus por misericórdia;
b) por estarmos participando dos pecados gerais de nossa nação;
c) e ser tempo de oração e arrependimento?
I
Diariamente nos chegam notícias pelos meios de comunicação sobre assaltos, assassinatos, estupros, roubos, acidentes, além das catástrofes na natureza, como o incêndio na Chapada Diamantina, Baia, secas e enchentes. Além das notícias das grandes corrupções e desvios de dinheiro; sendo as notícias internacionais ainda mais assustadoras. A catástrofe econômica. Mais de cem paises em guerra, a expansão do islamismo massacrando muitos cristãos, etc. O que fazemos diante dessas notícias? Meneamos a cabeça e dizemos: Que horror! Como pode. E nos queixamos de que o governo não faz o bastante para nosso bem estar?
Será que temos culpa em tudo isso? Talvez você exclame: Como? Eu culpado pela corrupção, pelo tráfico de drogas e drogados, pelos assassinatos e desastres, catástrofes, como? Vejam, sofremos as conseqüências de tudo isso. São castigos de Deus. A cada passo sentimos as ameaças: a insegurança no trânsito, os perigos de assalto que rondam nossas casas, o perigo na rua de sermos assaltado em plena luz do dia.
Quando o rei Nabucodonosor veio com seu exército e sitiou Jerusalém, Deus disse pelo profeta Ezequiel: Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. (Ezequiel 22.30 RA)
Aqui Deus acusa diretamente sua igreja, seus fiéis. Sim, Deus os torna responsáveis pela vinda do seu juízo sobre Jerusalém. Eles não se tornaram como um murro, que por arrependimento e incessante oração, clamassem a Deus, para que embainhasse a espada de sua ira. Ele não encontrou estas pessoas. Que triste!
Não pensemos agora: Isso foi naquele tempo. Hoje temos outra realidade. Não! Toda vez que um país, no qual residem cristãos, surgirem catástrofes, grandes epidemias, desastres, inflação, fome, secas, enchentes ou vendavais, terremotos, corrupção no governo, injustiças, etc., tudo isso é juízo de Deus sobre a nação por causada de seus muitos pecados. E que estes juízos não foram desviados, disso Deus responsabiliza os cristãos. Pois eles receberam muito, deles muito se requer. Somente eles são capazes, por suas súplicas, de se colocarem como um murro diante de Deus, para impedir que os juízos de Deus desabem sobre a nação.
Antes de Deus derramar sua ira sobre uma nação, ele procura por homens que intercedem junto a ele em favor do povo. Pois nosso Deus não tem prazer na tribulação e tristeza. Ele é santo e justo, um Deus a quem não se agrada da vida ímpia e pecaminosa. E mesmo assim, em meio à ira, ele pensa em misericórdia. Por isso, antes de castigar, ele procura por pessoas que em nome de Jesus, por amor ao sangue de Jesus, sua morte e ressurreição, por amor à reconciliação de Cristo, se coloquem como escudo diante de Deus, clamando por misericórdia. Ele quer deixar mover-se por esses clamores à paciência e compaixão. Como no exemplo de Sodoma e Gomorra, se estivessem ali dez que em verdadeira fé como Abraão se colocassem diante de Deus, ele teria poupado as cidades. Assim Deus guardou a Alemanha de uma guerra civil, enquanto Lutero viveu, pois ele clamava com lágrimas e jejuns, pedindo misericórdia em favor da tão ingrata nação alemã.
Jesus ensina isto ao chamar os fiéis de: Sal e luz da terra. (Mt 5.13) Assim como o sal preserva a carne da putrefação; assim cristãos, quando fazem o que lhes compete, agem como sal, para que a nação não se corrompa de todo. E como sol ilumina o mundo para que não pereça nas trevas; assim cristãos ao deixarem sua luz brilhar pelo testemunho, impedem que a ira de Deus desabe sobre a nação. Os cristãos são como um dique que impede que as águas da ira de Deus destruam a nação.
É verdade, que há situações em que a ira de Deus é determinada de forma irrevogável. Deus diz pelo mesmo profeta Ezequiel: Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, salvariam apenas a sua própria vida, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 14.14 RA) Assim, por exemplo, a destruição de Jerusalém, nos anos 70 após Cristo, estava determinada. E Deus ordenou aos fiéis que saíssem de Jerusalém e se refugiaram na cidade de Pella, quando o exército romano viesse sobre Jerusalém.
Em que consiste então a nossa culpa por, em nosso país crescerem os assassinatos, roubos, mortes, a proliferação das drogas que ceifam nossos jovens, das muitas injustiças, etc.? Importa reconhecer que tudo isso já o prenúncio do juízo de Deus que está em andamento? O profeta Amós diz com razão: Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? (Amós 3.6 RA) Vamos querer nos desculpar como o fariseus no templo e dizer a Deus: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. (Lucas 18.11 RA) Longe de nós tal atitude. Antes queremos como o rei Davi, após o seu pecado, confessar. Eu é que pequei, eu é que procedi perversamente; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai. (2 Samuel 24.17 RA; ou Jó 9.30,31))
A quem valem, portanto, esta palavra de Deus proclamada pelo profeta Ezequiel: Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Por isso, eu derramei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 22.30-31 RA) Estas palavras valem para nós. Nós não nos colocamos como um muro na brecha em sincero arrependimento, orações e súplicas. Que Deus nos seja gracioso e nos conceda arrependimento para a vida.
II
Nosso pecado, no entanto, não consiste simplesmente num pecado de omissão, mas também de comissão, isto é, de participação. Participamos dos pecados do povo. O profeta Ezequiel diz a seu povo: Os seus profetas lhes encobrem isto com cal por visões falsas, predizendo mentiras e dizendo: Assim diz o SENHOR Deus, sem que o SENHOR tenha falado. Contra o povo da terra praticam extorsão, andam roubando, fazem violência ao aflito e ao necessitado e ao estrangeiro oprimem sem razão. (Ezequiel 22.28-29 RA) Ou conforma a NTLH: Os profetas escondem esses pecados como quem pinta de branco uma parede. Eles têm visões falsas, fazem falsas profecias. Afirmam que falam a palavra do Senhor Deus, mas eu, o Senhor, não falei com eles. Os ricos enganam e roubam. Eles maltratam os pobres e exploram estrangeiros.
O profeta menciona dois pecados, razão pela qual a catástrofe veio sobre Israel: a) O pecado contra a doutrina e a fé; b) os pecados no dia a dia (falta de vida santificada).
Estes dois pecados são a causa do juízo e da aflição que veio sobre Israel.
Qual é o pecado contra a doutrina e a fé? Os falsos profetas, que pregavam um evangelho falsificado, isto é, para agradarem ao povo, não denunciavam os pecados. Falavam só do amor de Deus, como se tudo estivessem bem. Uma pregação, nós diríamos, positiva: Tudo amor e paz. Eles esquecem que sem a lei o evangelho não será compreendido, mas usada por pretexto da malícia. (1 Pe 2.16)
Qual o nosso problema? Somos uma igreja que fomos ricamente abençoados: Temos boas traduções da Bíblia, a doutrina clara exposta em nossos livros confessionais. Mas quem os conhece? Nossos jovens crescem praticamente sem um ensino religioso sistematizados. E nossas Escolas Dominicais, ensinam elas as Históricas Bíblicas ou são somente um momento de recreação, com historinhas sentimentais com um pouco de moral. E nossos jovens, conhecem eles as partes principais do Catecismo Menor? As definições sobre pecado, justificação, pessoa de Cristo, as diferenças entre nós e Católicos, Reformados, Pentecostais, para poderem testemunhar estas verdades? Nossos jovens, digamos, após quatro anos na juventude, podem dizer: Estudamos a Confissão de Augsburgo e os artigos da Fórmula Concórdia? Ou são somente encontres para música e recreação?
E como vão os Estudos Bíblicos em nossas congregações? Somos nós realmente sal e luz para a nação brasileira?
Como vai a vida santificada? O profeta Ezequiel denunciou a vida errada. O resultado de pregações sem clara distinção de lei e evangelho, resultaram numa vida egoísta e pecaminosa.
Jesus disse à Congregação em Sardes: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. (Apocalipse 3.1 RA)
Qual é a nossa preocupação com os pecados de nossa época? Temos nação clara do que significa: Santo sereis, porque eu o Senhor vosso Deus sou santo? Lutamos na congregação, por aconselhamento mútuo, por vida santificada, admoestando-nos mutuamente?[2] A luta por vida santificada é um assunto entre pastores e diretorias, entre membros e nos departamentos? Há luta neste sentido e admoestação mútua? Falamos disso a nossos filhos?
Sem dúvida temos que confessar com Daniel: A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê; aos homens de Judá, os moradores de Jerusalém, todo o Israel, quer os de perto, quer os de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas transgressões que cometeram contra ti. (Daniel 9.7 RA) E com o profeta Isaías: Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. (Isaías 1.5 RA)
Que faremos? Queremos enganar-nos a nós mesmos e a outros, orgulhando-nos da doutrina, que no fundo já não conhecemos mais bem, levando uma vida que a contradiz? Ou será que as palavras que Jesus disse aos escribas, valem também para nós: Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando. (Lucas 11.52 RA) ou na NTLH: Ai de vocês, mestres da Lei! Pois guardam a chave que abre a porta da casa da Sabedoria. E assim nem vocês mesmos entram, nem deixam ou outros entrarem.
Cabe-nos suplicar a Deus por misericórdia. Pedir que nos conduza a sincero e verdadeiro reconhecimento de nossos muitos pecados em nossa vida oracional. Nosso desleixo para com a palavra de Deus e nossa doutrina, nossa lassidão na vida santificada, e que vendo o pecado se multiplicar em nossa nação e o juízo de Deus se aproximar qual nuvem de tormenta, não temos suplicado a Deus por misericórdia.
Isto queremos fazer hoje. Que Deus, por sua misericórdia, abençoe sua palavra em nossos corações, para arrependimento e fé. Que sua graça nos console e reerga para vida santificada, para uma intensa vida oracional em favor de nossa pátria e Igreja. Amém.
São Leopoldo, 15/11/2008
Horst R. Kuchenbecker
[1] Evangelium Postille, 1877.
[2] Aqui cabe a nós pastores um exame sincero de nossa vida ministerial. Como vai nossa vida oracional? Lutamos em oração diária por nossas congregações? Estamos dedicados ao ministério ou p usamos para nossos interesses pessoais, como os fariseus? Nossas pregações são frutos do estudo da Palavra sob oração, canais para o Espírito Santo, ou procuramos como no tempo de Ezequiel somente agradar as pessoas, passando cal?
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