sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mateus 18.15-20. Admoestação fraternal

Mateus 18.15-20. Admoestação fraternal

Na Igreja Cristã se fala muito de missão. Fazer missão. Testemunhar de Cristo. Ganhar outros para Cristo. Isto implica em dois trabalhos distintos: a) Convidar pessoas a conhecerem Cristo e se filiarem à Comunidade; b) instruir e admoestar irmãos na fé. Desta última ação trata nosso texto. E, diga-se de passagem, é uma tarefa difícil, que requer cuidado, paciência e amor.
Jesus veio ao mundo para salvar o que estava perdido. Ele se mostrou amigo dos pecadores, a fim de chamá-los ao arrependimento e anunciar-lhes o evangelho, a boa nova do perdão dos pecados. Ele anunciou o perdão dos pecados a pecadores arrependidos e se entristecia quando pessoas rejeitavam a palavra de Deus. As palavras que antecedem o nosso texto o expressam de forma muito clara: Assim, pois, não é da vontade de nosso Pai celestial que pereça um só destes pequeninos (v.14). E o apóstolo Paulo afirma: Deus deseja que todos cheguem ao conhecimento da verdade e vivam. (2 Tm 2.4) Para isso Jesus confiou à sua Igreja aqui na terra o Ofício das Chaves.
Ele instruiu seus discípulos de como deveriam agir diante de um irmão faltoso, de um irmão na fé que tentado caiu em pecado, vive em pecado e corre o risco de perder a fé ou que já a perdeu. Não se trata por tanto de qualquer pecado de fraquezas, mas de num pecado grave e público, uma transgressão dos mandamentos de Deus, quer seja da primeira ou da segunda tábua da lei de Deus. Como agir com um irmão faltoso, que enveredou pelo caminho do pecado? Ouçamos as instruções de Jesus.

1. Quando teu irmão na fé pecar. Quando ele transgredir aberta e publicamente um mandamento de Deus, quando ele comete um pecado e isto chegou a teus ouvidos; ou se ele pecou contra ti; ele te ofendeu, enganou, caluniou, você sentiu isso na própria carne. O que fazer? Melhor, o que fazemos? Normalmente, comentamos e fato com nossos amigos, dizendo: Já ouviste o que nosso irmão fez? Que horror! Como pode? E difamamos a pessoa. Ou se o assunto nos toca pessoalmente, enraivecemos e procuramos vingança. Nós o julgamos e o condenamos violentamente. Ou nos afastamos dele, dizendo: Não quero nada com esse tipo de gente, e assim por diante. Todos nós conhecemos isso e em grau maior ou menor já passamos por isso.

2. Vai argüi-lo entre ti e ele só. Alias, todos nós conhecemos essas palavras de Jesus, mas precisamos ouvi-las sempre de novo para que ela oriente a nossa vida.
Vai e fale com ele. Não no mercado em público ou na rua, abertamente. Fale com ele em particular, entre quatro olhos, só tu e ele, sem testemunhas. Fale com ele a respeito do pecado sobre o qual ouviste ou o qual tu sofreste.
Ouvida a explicação e confirmado o erro, mostra lhe pela palavra de Deus o seu pecado, o caminho errado pelo qual enveredou. Mas cuidado com a maneira que o farás. Não de uma maneira orgulhosa, de cima para baixo, mas com humildade, de alguém que não tem nada a se orgulhar ou se sobrepor, pois todos nós somos pecadores que dependemos diariamente da graça de Cristo. Por isso agiremos com paciência e amor, para ganhar o irmão.
Se tu sofreste a ação pecaminosa do irmão, cuidado. Não fales com ele de forma justiceira, raivosa e vingativa. Peça a orientação do Espírito Santo, para que possas lhe falar como Jesus o faria, com amor, para ganhar o irmão. Você o admoestará de forma cordial, com bondade e brandura, no espírito de Cristo.
Pode ser que na primeira admoestação o irmão não te ouça, mostrando até certa agressividade contra ti. Vá com calma. Na admoestação precisamos de paciência e oração. Escolha bem as palavras que irás usar e tentarás novamente. Por vezes são necessárias várias tentativas intercaladas com certos espaços.

3. Se teu irmão te ouvir, ganhaste o teu irmão. Livraste-o do mal que o queria desgraçar. Pode haver algo mais sublime do que isto?
Mas, se ele não te ouvir? As razões podem ser várias, até certa antipatia. Então está na hora de buscar ajuda e envolver mais pessoas. A admoestação, agora, não pode depender mais unicamente de ti.

4. Toma contigo uma ou duas pessoas. Por isso Jesus disse: Toma ainda contigo uma ou duas pessoas. Eles examinarão contigo a situação. Se eles concordarem com teu julgamento, então irão juntos contigo para falarem com ele.
Normalmente tomaremos uma ou duas pessoas, irmãos na fé. Marcamos uma visita e o assunto será exposto e examinado com o irmão. Se o assunto for atrito entre duas pessoas, cada uma poderá escolher ainda alguém de suas relações de amizade e confiança da comunidade para ajudarem a solucionar o caso. Não há pressa nisso. Talvez haja necessidade de várias reuniões para se compreender o problema e poder ajudar e admoestar. As testemunhas procurarão com calma e amor, mostrar ao irmão faltoso o seu pecado para que se arrependa, receba o perdão, consolo e corrija sua vida.

5. Se ele não os atender, dize-o à igreja. Que tristeza, quando alguém não quer dar ouvidos à palavra de Deus e segue seu caminho no pecado. Por amor a esta pessoa, Jesus disse: Dize-o à Igreja. Entrega-o ao mais alto tribunal, a Igreja? À que Igreja? À Comunidade a qual ele pertence. A Comunidade por sua diretoria ou comissões examinará mais uma vez o caso. Eles falarão com o culpado e se ele não der ouvidos à admoestação, o assunto será levado à Assembléia dos Membros Votantes da Comunidade que tentará convencer o irmão da retidão do processo. Ele será mais uma vez admoestado com amor e paciência. Isto poderá delongar-se por duas ou mais Assembléias, pois nada é feito às pressas, mas com amor. Se não der ouvidos à igreja, à Assembléia dos Membros Votantes de sua Comunidade, diz Jesus, considera-o como gentio e publicano, isto é, uma pessoa impenitente que caiu da fé. Ele será excluído da Comunidade por voto unânime. Nota: Poderá acontecer que membros na Assembléia, por simpatia, política interna ou por não tomarem o assunto a sério, votem contra a disciplina, não chegando a assembléia a uma unanimidade. Então a assembléia precisará examinar a razão do voto ou dos votos contrários dessas pessoas, e se notar falta de sinceridade, eles também deverão ser disciplinados.
Esta exclusão - pode parecer estranho - é um ato de amor. Isto é dito e ordenado por Jesus. Quando a Comunidade age conforme a palavra de Deus, de forma unânime, está dizendo ao irmão caído: Reconheça teu erro. Veja, unanimemente examinamos o caso. Não é voz de um e de outro, mas de todos nós. Reconheça, arrependa-se e volte. Saiba se não reconheceres teu erro e não te arrependeres, tu está rumando para a condenação e a porta do céu está fechada para ti. Pois ao te excluirmos, conforme a ordem de Jesus, a porta do céu se fecha para ti, pois Jesus, conforme sua palavra e ordem, dirá o Amém a isto.
Muitas vezes, no entanto, acontece que a pessoa impenitente e incrédula já antes do último passo diz, em sua incredulidade: Podem me riscar. Não quero saber mais nada dessa Comunidade e se exclui a si mesma.
Mas, se durante o processo, a pessoa der lugar à palavra de Deus, ou mesmo depois de excluída, - não importa se tenha passado um ou mais meses ou um ou mais anos, - no momento em que a pessoa cair em si e vier pedir perdão, a Comunidade, sem titubear, lhe estenderá novamente a destra da comunhão, lhe perdoará e a receberá como irmão. E haverá jubilo no céu por um pecador que se arrepende.
Tal poder, direito e dever de abrir e fechar o céu, o Salvador conferiu a sua igreja, aqui na terra. Chamamos isso de o Ofício das Chaves, o poder especial que Cristo deu a sua igreja na terra, para perdoar os pecados aos pecadores penitentes e retê-los aos impenitentes, enquanto não se arrependem.
Que Deus em sua graça nos conceda a habilidade, amor e paciência nesta luta em prol de irmãos que estão em erro, a fim de ganhá-los de volta e firmá-los na fé. Amém
São Leopoldo, 25/08/2008
Horst R. Kuchenbecker

sábado, 23 de agosto de 2008

Mateus 16.21-28. Tome sua cruz

Mateus 16.21-28. Tome sua cruz.

Introdução

Fala-se muito de fé. “Há, eu tenho muita fé.” Ouvimos também muito sobre a fé cristã. Quando afirmam: “Isto é o poder da fé em Cristo.” Mas o que vem a ser a fé cristã? Na leitura que antecede ao nosso texto, ouvimos Jesus dizer ao apóstolo Pedro: Não foi carne e sangue quem to revelou, mas eu Pai que está nos céus. (v. 17) A fé não é obra humana. Ela é um dom de Deus, isto é, um presente de Deus. É uma revelação, algo que alguém recebe.
Jesus havia instruído seus discípulos, e, pela primeira vez que ele os perguntado pela fé. Pedro respondeu em nome deles corretamente: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Assim o primeiro objetivo de Jesus com respeito a seus discípulos fora alcançado: Eles reconheceram que Cristo era o verdadeiro Filho de Deus. Disto, no entanto, não deveriam tirar falsas conclusões, tão próprias à nossa natureza carnal, tão fortemente presentes no povo de Israel que esperavam que o Messias levaria a nação judaica a uma esplendida potência mundial, e que esta verdade lhes traria uma vida material feliz aqui na terra. Sim, os discípulos precisavam aprender ainda muito sobre a obra redentora de Cristo. Jesus iniciou este trabalho. Lemos: Começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir par Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. (Mt 16.21) Vamos acompanhar suas instruções.

É necessário
Era necessário. Jesus não faz simplesmente uma revelação do que estava pela frente, mas mostrou a razão disso. Era necessário. Sem isto, não haveria salvação para a humanidade. O sofrer, padecer e morrer era necessário.
Estes fatos, na verdade, já foram anunciados amplamente por Moisés e os profetas, mas não compreendidos. Liam as Escrituras diariamente no templo, mas só viam, com seus olhos carnais, as mensagens sobre a glória do Messias. Deste veneno, os discípulos também estavam embevecidos. Por isso não entenderam as palavras de João Batista: Eis o Cordeiro de Deus que tira os peados do mundo, (Jo 1.29) nem as palavras de Jesus: Uma geração má e adúltera pede um sinal: e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas (Mt 16.4) Por isso Jesus lhes diz com palavras bem claras. É necessário... ser morto, e ressuscitar no terceiro dia. (v.31) Jesus conhecia o número preciso e o grau das atrocidades destes sofrimentos. Eles não entenderam.

Um choque
Esta notícia foi um choque violento para os discípulos. Vemos isto pela reação do apóstolo Pedro. Jesus, o Messias, o Filho do Deus vivo morrer. Impossível. Jamais. Isto causou um curto na mente dos discípulos, um black out. Como ainda hoje permanece loucura e escândalo para a razão carnal. (1 Co 1.23) Este choque foi tão forte que nem se aperceberam da palavra final: E ressuscitado no terceiro dia.
Pedro toma Jesus para o lado e lhe diz: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo alguém te acontecerá. Pedro amava Jesus. Queria o bem dele. O disse em profundo amor, mas segundo a mente humana. Quantas vezes nós temos agido assim nas coisas de Deus? Seguimos nossa razão e não damos devida atenção à palavra de Deus. Jesus reprova a Pedro com veemência, ao lhe dizer: Arreda! Satanás; tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e, sim das dos homens. Jesus via nisto a ação de Satanás, valendo-se da fraqueza de Pedro, para dificultar a caminhada de Jesus para cruz. Não podemos nem imaginar o impacto que isto deve ter causado sobre Pedro e os demais.
Há pouco fora considerado bem-aventurado por sua confissão. Jesus lhes entregada o Ofício das Chaves, o sublime encargo de pregar o Evangelho. E agora precisa ouvir as palavras: Arreda! Satanás. Mas assim somos nós cristãos. Estamos na fé, mas temos esta fé em vasos de barro, em nossa natureza carnal, que não cogita, nem as compreende as coisas de Deus. Por isso precisamos ouvir sempre lei e evangelho, repreensão e consolo.

Tome sua cruz
Para evitar ilusões, Jesus mostrou o que os discípulos poderiam esperar no seguir a Jesus. Não glória, mas a cruz. Então disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. (v.24)
Se alguém, Jesus se refere a todos os cristãos em todos os tempos, também a nós. Se alguém quer vir após mim. Ninguém é forçado. São convidados. Só pela graça, isso não exclui ninguém, mas a graça é resistível. Os que seguem, são voluntários. E os que seguem precisam negar-se a si mesmos. Só posso negar uma coisa que conheço. Neste caso, a mim mesmo. Em que sentido?
Permitam citar uma ilustração: Quando empreendemos uma viagem, três coisas são necessárias: a) dizer a Deus, b) tomar a bagagem, c) seguir firme para o alvo. É isto que Jesus mostra a seus discípulos.
Crês em Cristo? Queres segui-lo e ser salvo? Sem dúvida que sim. Pois bem, é preciso:
a) Negar-se a si mesmo. Tu precisas dizer um não, um adeus a ti mesmo, ao teu “eu” natural corrompido pelo pecado, que se opõe à Deus e à sua Palavra. Este “eu” chamamos de nosso velho homem ou velho Adão, nossa natureza carnal, nossa índole natural, o pecado original em nós, inclinado para todo o mal, cego em coisas espirituais, inimigo de Deus, de onde brotam todos os pecados: egoísmo, avareza, ciúmes, paixões mundanas, cobiça, etc. A isto temos que dizer diariamente um não, por contrição e arrependimento.
Mas, nem o conseguimos por nós mesmos. Para isso precisamos da luz da palavra de Deus, pela qual o Espírito Santo nos ilumina.
b) Tome a sua cruz. Quando surge a fé, e o Espírito Santo vem ao coração para nos guiar, então nossa vida será dirigida pelo Espírito Santo, que nos dirige pela palavra de Deus. Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Temos prazer na lei de Deus. Procuramos iluminar e orientar toda nossa vida pela palavra de Deus. Mas por vivermos ainda neste mundo em trevas, notaremos que precisamos lutar contra nossa própria natureza carnal, contra as tentações do mundo e as ciladas de Satanás. E, assim como os altos dirigentes da Igreja da época, nem o povo simples gostaram de ter Jesus em seu meio, mundo zomba, repudia, despreza os cristãos hoje. Não queremos nos retrair ou negar Jesus, antes confessá-lo por palavras e obras. Este é o ônus que temos que tomar sobre nós ao seguir a Cristo. Isto não é fácil. No palácio do Sumo sacerdote, o tão corajoso Pedro, foi tomado de medo e negou Jesus três vezes. Ele se arrependeu profundamente desse erro. Mas quem o nega persistentemente, Jesus o negará o no do juízo final. Não queremos nos envergonhar de Cristo e de sua palavra, antes confessá-la ousadamente. Que Deus Espírito Santo nos fortaleça nisto.
c) E siga-me. Fielmente queremos segui-lo ao lar celestial. Aqui somos peregrinos. Queremos segui-lo em nosso lar, no trabalho, na sociedade, apegados à palavra de Deus, confessando ousadamente seu nome, mesmo que isto nos traga o desprezo do mundo, prejuízos materiais, a perda de nossos bens, da família e da vida, como cantamos: Se vierem roubar os bens, vida e o lar – que tudo se vá! Proveito não lhes dá. O céu é nossa herança. (HL 165.4)
E Jesus disse uma palavra surpreendente: Em verdade vos digo que alguns aqui se encontram que de maneira nenhuma passarão pela morte até que veja vir o Filho do homem no seu reino. O julgamento final começou com o julgamento do povo de Israel: a destruição do tempo e a dispersão do povo. Isto testemunhou de que Jesus é Rei dos reis, Senhor dos senhores, que está à direita do Pai e em breve virá em glória para julgar vivos e mortos. Nesta época alguns ainda estavam vivos, como o apóstolo João, por exemplo. Assim a destruição de Jerusalém é tida como o início do juízo final, que se completará com a vida de Cristo em glória, quando todos os mortos ressuscitarão, e Jesus criará novo céu e nova terra, onde habitará justiça.
Os discípulos custaram em compreender a obra redentora de Cristo. Só a compreenderam no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo os iluminou para compreenderem os mistérios da salvação e proclamá-la ao mundo. De fato, ninguém pode dizer Senhor Jesus, com fé, na compreensão da pessoa e obra de Cristo, da justificação do pecador, se não pelo Espírito Santo.
Sejamos agradecidos a Deus por nos ter levado e conservado na fé. Sejamos fervorosos na proclamação do Evangelho, tomemos sobre nos a nossa cruz, que é por curto tempo. Eterna é a recompensa pela graça de Cristo. Amém.
São Leopoldo, 18/08/2008
Horst R. Kuchenbecker

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mateus 16.13-20. A Confissão de Pedro

Mateus 16.13-20 – A confissão de Pedro. 14° Dom. Após Pentecostes
Introdução
Este texto já desencadeou muitas discussões, e muitos livros foram escritos sobre ele. Ele nos fornece diversos temas para pregação. Mas, hoje, queremos acompanhar o apóstolo Pedro e refletir sobre o Messias, o Reino dos Céus e a Igreja.

Fundo histórico
Nos evangelhos anteriores ouvimos sobre a pregação de Jesus, a multiplicação dos pães, a tempestade no mar, como Pedro andou sobre o mar e, ao afundar, clamou por socorro. Agora, Jesus retirou-se com seus discípulos para o norte da Galiléia, para perto do monte Hermon, a fim de prepará-los para os últimos acontecimentos. Caminhando na planície do rio Jordão, eles tinham tempo para meditar e analisar os últimos acontecimentos e ensinamentos de Jesus. As palavras de Jesus e seus milagres eram claros e ao mesmo tempo tudo era mistério, impossível absorver com a razão. Ele caminhava, talvez em silêncio, tendo Jesus à frente deles. Homem pobre e simples como qualquer um, ao mesmo tempo uma pessoa bem diferente. Ele era Deus. Mas como compreender isso? De repente Jesus parou e perguntou: Quem diz o povo ser o Filho do homem? Filho do homem, assim Jesus se intitulava, para destacar sua natureza humana. Jesus não fez a pergunta por que ele queria saber o que o povo diz a seu respeito, mas para instruir seus discípulos. As respostas foram diversas: João Batista, Elias, um dos grandes profetas do passado. (v. 14) E Jesus tornou a perguntar: Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? (v. 15) É a primeira vez Jesus os indagou pela fé. Sem dúvida sentiram que chegara um momento muito especial, um momento decisivo.
Desde o primeiro momento, da pregação de João Batista, onde ouviram a voz de Deus: Este é meu Filho amado em quem me comprazo (alegro) (Mt 3.17), e quando André disse a Pedro: Achamos o Messias (que quer dizer Cristo). (Jo 1.41) E após a tempestade no mar e Pedro ser socorrido por Jesus, confessaram no barco: Verdadeiramente és Filho de Deus (Mt 14.33) Mesmo assim ainda tinha dificuldade de reconhecer e compreenderem a pessoa e obra de Cristo. Diante da pergunta, o apóstolo Pedro responde em nome dos doze: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

A Confissão de Pedro
Foi uma confissão importante, clara, concisa. Tu és! Uma confissão que na verdade ia contra a opinião da maioria do povo. Ainda hoje cabe à Igreja, diante das muitas perguntas que lhe são dirigidas, responder com a mesma clareza e simplicidade, seja na pregação, na liturgia, nas orações, no testemunho pessoal: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
A fé tem seu tempo de maturação e, então, ela leva a confessar o que cremos e em quem cremos e o que este Deus fez e faz por nós.( Jo 4.10)

O Pai o revelou
Jesus diz a Pedro: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus. Carne e sangue. Confessamos no Credo Apostólico, na explicação de Lutero: Creio que por minha própria força ou razão não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. O reconhecimento de Jesus como Filho de Deus e sua obra redentora, não temos por esforço próprio de nosso raciocínio, ou por nossa piedade e dignidade. Isto nos é dado, é revelado pelo Pai, e o Pai o revela pelo Espírito. Pedro não descobriu Jesus, não foi um experiência psicológica. O apóstolo Paulo afirma: Ninguém pode dizer: Senhor Jesus! senão pelo Espírito Santo. (1 Co 12.3) Este conhecimento nos é oferecido e dado pelo Evangelho, pelo qual o Espírito Santo opera a fé, este aceitar, ter por verdade e confiar no Evangelho. Sim, Deus nos dá o apego à esta graça que excede a todo o entendimento.( Ef 3.19; Fp 4.7)
E Jesus diz: Bem-aventurado és, Simão Barjonas. Este é um conhecimento que enche a alma de paz, na certeza do perdão e de ser aceito por Deus, e esperança de como filho de Deus ser herdeiro da vida eterna. Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, e todo aquele que ainda hoje crê e confessa como Pedro.

Tu és Pedro
Jesus continua: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (v.18)
Temos aqui duas palavras gregas petros e petra. Parece ser a mesma coisa, mas não é. “Petros”, significa pedra, parte de uma rocha. E “petra” significa a rocha. Com isto Jesus estava dizendo: Pedro, você deu um bom testemunho. Eu sou a rocha, por esta fé você se tornou uma pedra viva desta rocha. Quem quiser ser uma pedra viva na construção da igreja, deve ter e confessar esta fé. Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Pois sobre esta rocha, Cristo, construirei a minha Igreja. Pois ninguém pode lançar ouro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. (1 Co 3.11) A construção para eles ainda estava no futuro. Após a obra da redenção concluída, o dia de Pentecostes, então irão com o Evangelho pelo mundo e Deus construirá a Igreja do Novo Testamento.

Reino dos céus e Igreja
Temos aqui outras duas palavras chaves: Reino dos céus e minha Igreja. Parece ser a mesma coisa, mas não é. O Reino do céu são os eleitos de Deus, a face da Igreja no céu. A Igreja é a face da igreja aqui na terra. Nela há ainda muita fraqueza e também hipócritas. Jesus continua: Edificarei a minha igreja. (v. 18) Não é poder, nem influência política, nem dinheiro, mas Cristo, pela pregação do evangelho que a edifica. Lemos em Atos dos Apóstolos: Acrescentava-lhes, o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. (At 2.47)

Chaves do Reino dos Céus
Jesus continuou: Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus. (v.19) Com isto Jesus entregou a Pedro as chaves da casa celestial. Não para que Pedro pudesse fazer com elas o que bem quisesse, nem visar vantagem própria - como o papa de Roma – mas administrá-la conforme a vontade de seu Senhor Jesus.
A isto temos que somar ainda outras palavras de Jesus. Em outra ocasião Jesus entregou este direito a todos os discípulos (Jo 20) e depois também a toda a Igreja (Mt 18). Assim, toda a pessoa fundamentada pela fé sobre a rocha que é Cristo, pode chamar outros para o reino e abrir lhes o céu.
Se perguntares: Como posso abrir a porta do céu para uma pessoa? Jesus responde: Traga-o a mim, eu sou a porta.
Como vou fazer isto? - Pela pregação do Evangelho, pela qual o Espírito Santo opera a fé. E quem se arrepende e crê na graça de Cristo, a este podes dizer: Teus pecados estão perdoados. E o que crê dirá: Amém. Pois isto é válido no céu.
Mas aos pecadores e hipócritas manifestos, impenitentes deves dizer: Fora de Cristo não há salvação. Quem não tem Cristo, está rumando para o inferno. Para aquele que não se arrepende e enquanto impenitente, o céu está fechado. Amém.
Assim Jesus deu a Pedro, aos outros discípulos e à Igreja o Ofício das Chaves, o poder especial de perdoar pecados aos pecadores penitentes e retê-los aos impenitentes, enquanto não se arrependerem. Em outras palavras: O poder de anunciar Lei e evangelho. E a Igreja Cristã o faz até hoje.

As portas do Inferno.
Jesus ainda acrescentou: As portas do inferno não prevalecerão contra ela. (v.18) Esta Igreja tem fortes inimigos que a combatem. Mas Jesus derrotou estes inimigos e está com sua Igreja, com os seus e nada precisam temer. Podem clamar a Jesus como o fez Pedro no mar. Se faltam dons, peçam a Deus. Se falta liberdade, supliquem a Deus, como a Igreja por Pedro que estava na prisão.
Não digam ser ele o Cristo.
Após este ensino, deu-lhes ainda uma ordem: Não digam isto a ninguém. (v.20) Que ordem estranha. Isto porque o povo, em sua cegueira, queria fazer de Jesus um rei para este mundo material. Não teriam compreensão para a mensagem do Messias. Deveriam esperar até Jesus completar sua obra por sua morte e ressurreição, então iriam pelo mundo com o evangelho para fazerem discípulos (Mt 28.19-20)

Morte e Ressurreição
Seguindo caminho, Jesus começou a falar de sua morte e ressurreição. Eles não entenderam. Matar o Messias, de jeito nenhum. Pedro chamando Jesus para o lado começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor, isso de modo algum te acontecerá. (v. 22) Pedro queria bem a Jesus. Mas seus pensamentos humanos estavam em oposição aos planos de Deus. Por isso, Jesus, voltando-se disse a Pedro: Arreda! Satanás, tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e, si, das dos homens. (v. 21-13) Isto quase era demais ser elogiado e reprovado em pouco estaco de tempo.
Assim é na Igreja aqui na terra. Satanás sempre ataca. Usa de muita astúcia, aparência de direito. Há fracassos, há quedas. Mas Jesus adverte, alerta, repreende, reergue, consola, fortalece e guia sua Igreja. Satanás não vencerá.
Este foi, sem dúvida um grande dia na vida dos apóstolos, como ainda hoje o é para nós ao meditarmos sobre este texto. Que bom que tiveram Jesus consigo. Nós o temos hoje em sua Palavra. A esta nós nos queremos apegar. Especialmente neste Ano da Bíblia.
São Leopoldo, 09/08/2008
Horst R. Kuchenbecker

sábado, 9 de agosto de 2008

1 Co 11.3. Dia do Papai. 2008

Mas, agora, ó Senhor, tu és nosso Pai,... (Is 64.8) Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem o cabeça da mulher, e Deus o cabeça de Cristo” (1 Co 11.3).

Introdução
Dia do papai! Uma data muito badalada e festejada na mídia, mas somente para fins comerciais, neste mundo de plástico.
Se olharmos bem para a pessoa “homem” em nossos dias, vemos que o assunto homem vive uma grande crise em toda sua esfera de ação: na família, no trabalho e na sociedade, sem falar das grandes aberrações morais.
O que é feito daquele que deve ser o cabeça do lar (Ef 4.23), sacerdote do lar, o representante de Deus na família, conforme o quarto Mandamento?
O homem é valorizado somente por sua carreira, e carreira se avalia pelo dinheiro que consegue. O dinheiro dá prestígio. Assim o homem é lançado numa louca corrida, na qual a família, esposa e filhos, igreja e amigos, são relegados a um plano secundário. Nesta atmosfera o amor não encontra ambiente para crescer.
A isso soma se o nefasto fato da liberação sexual e do desvirtuamento da mulher.
Lado a lado no campo de trabalho, surgem amizades e relacionamentos, tentações e pecados. Para abafar a consciência, o homem se precipitam no trabalho, em distrações como esportes, passeios, no álcool, etc. O homem moderno tem medo de ficar a sós, pois teme o despertar de sua consciência.
Haverá uma saída para essa miséria humana? Sim! Por isso é importante refletirmos, neste dia, sobre a responsabilidade do pai na família, na igreja, no trabalho e na sociedade.
Permitam-me, em primeiro lugar, citar dois depoimentos: O poeta Matthias Cláudios (1740-1815) disse: “Quando oro o Pai Nosso, lembro do meu pai. Como ele foi bom, sacrificou-se pela família. Vejo nele o meu Pai celestial.” Outro depoimento de uma jovem: “Não gosto da palavra “pai”. Ela me faz lembra meu pai, que fui cruel para com minha mãe e com nós filhos.”

O Pai Celestial
Se nós quisermos refletir sobre a palavra “pai”, importa levantar nosso olhos para o “Pai Celestial. O apóstolo Paulo se refere a Deus assim: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda consolação” (2 Co 1.3). Por isso na exposição do Pai Nosso, Lutero acentua: “Por esta palavra, Deus quer nos atrair carinhosamente, para crermos que ele é o nosso verdadeiro Pai e nós, os seus verdadeiros filhos, para que lhe roguemos sem temor, com toda a confiança, como filhos amados ao querido pai.”

Deus Pai
Deus tem usado esta sublime palavra para revelar a suas criaturas sua essência e seu amor. Ele é nosso Criador, conforme o confessamos no 1º Artigo do Credo Apostólico: Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador de céu e terra. “Creio que Deus me criou a mim e a todas as criaturas; e me deu corpo e alma, olhos, ouvidos e todos os membros, razão e todos os sentidos, e ainda os conserva;... supre-me;... protege-me, me guarda, por sua paternal e divina bondade e misericórdia. Por tudo isto devo dar-lhe graças e louvor, servi-lo e obedecer-lhe. E muito mais do que isto. Ele nos amou em seu Filho, Jesus Cristo, que salvou a humanidade. Assim, em Cristo, nosso Criador tornou-se nosso Pai Celestial, o Pai de toda a misericórdia, para com todos os que crêem na graça de Cristo, que podem achegar-se agora a Deus, sem temor e com toda a confiança, como filhos amados a seu Pai amado. Que bênção.
Quando os movimentos feministas chamam isto de machismo e não querem mais pensar em Deus como Pai, mas falam num Deus impessoal, ou Deus pai e mãe, só revelam sua mente deturpada. Nós mantemos com muita gratidão o fato de Deus ter se revelar a nós carinhosamente como Deus Pai, revelando seu imenso amor à humanidade em seu Filho unigênito, Jesus Cristo. E todos os filhos de Deus, procuram, em sua responsabilidade de pai, seguir o modelo do Pai na força que o Pai supre.

O dom de ser pai
O dia do papai nos convida a refletir sobre este maravilhoso dom de sermos cooperador na procriação da raça humana. Que responsabilidade! Queremos relembrar também a fonte de onde nos provém a força e o consolo para o cumprimento de nossa missão. Pois ser pai é um título eterno e de alto significado. Importa olharmos para o nosso Pai celestial, de quem recebemos do dom da paternidade, para exercê-lo conforme sua vontade e na força que ele concede (1 Co 11.3; Ef 5.22-23; 1 Tm 2.11-15).

Qual é a responsabilidade de pai?
O apóstolo escreve: “Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem o cabeça da mulher, e Deus o cabeça de Cristo” (1 Co 11.3). Aqui começa a verdadeira paternidade, “ser Cristo o cabeça de todo o homem.” Ter Cristo no coração, ser sacerdote do lar.
Ao pai, como cabeça da família, cabe a responsabilidade de dirigir a família.

1. Ele é a cabeça do lar. “Porque o marido é o cabeça da mulher” (Ef 5.23). A expressão cabeça indica a responsabilidade de dirigir, de dar direção à família, liderar. Sua primeira responsabilidade é guiar a família na comunhão com Deus. Pois ele é o sacerdote do lar. Isto requer dele que ele próprio esteja em diária comunhão com Deus. Que seja uma pessoa disposta a ouvir a Deus, tanto pelo ler a Bíblia como ouvir a Deus nos cultos, que seja um homem de oração. A vida em comunhão com Deus requer que o véu, que nos separa de Deus, o pecado, seja diariamente removido por contrição e arrependimento, pelo apego à graça de Cristo, pela luta contra as tentações da carne, do mundo e as ciladas de Satanás. Pois os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. (Ef 5.24)
E aqui cabe que cada um se examine. Somos nós queridos filhos de Deus? Vivemos em comunhão com Deus, pela fé na graça de Cristo, ouvindo-o e fazendo sua vontade?

2. Ao pai cabe exerce disciplina no lar, isto é, a tarefa de educar. O salmo afirma: “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará” (Sl 101.3). Quão séria é está admoestando em nossos dias com a TV e a internet em casa. Guiar a família “a desejarem ardentemente o genuíno leite espiritual, para que por ela nos seja dado crescimento para salvação!” (1 Pe 2.2). Revestir à família com toda “a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef 6.11). Mas, em nosso contexto, educar os filhos na disciplina de Deus é difícil. As ciladas são muitas e a desorientação é grande. Precisamos da sabedoria do alto para esta tarefa. (Confira ainda: Ensinar: Dt 6.6-9; treinar: Pv 22.6; não provocar à ira, Ef 6.4; governar bem, 1 Tm 3.12; disciplinar, Pv 13.24; 19.18; 22.15; 23.13; não irritar os filhos, Cl 3.21).

3. Ele provê o sustento para a família. Cumpre ao pai a tarefa de sustentar sua família, no que sempre foi apoiado pela esposa, que fazia as lidas do lar e auxiliava nas atividades profissionais. Hoje, muitas vezes em profissões diferentes. Ele busca o melhor para sua família e não receia sacrifícios.

4. Tentações. Na luta pela manutenção da família surgem inúmeras tentações, tais como a ganância, a vaidade profissional e a busca por diversões. Vejamos: a) Trabalho. Precisamos sustentar a família. Mas cuidado, isto pode tornar-se em cilada. A verdadeira razão para o trabalho são a ordem de Deus e o bem estar da família e do próximo. Muitas vezes, no entanto, a ganância, o desejo de enriquecer, impulsiona o trabalho em detrimento dos verdadeiros valores do servir a família e ao próximo. b) Profissão. Hoje, mais do que nunca, há a necessidade do preparo profissional, o estudo, o aperfeiçoamento. Mas, a exagerada busca do sucesso profissional leva muitas vezes a negligenciar a família, a igreja e o próximo. c) Lazer. No trabalho temos também o direito ao descanso e ao lazer. Oportunidades para isto não faltam. Mas há o perigo de buscamos alegrias pecaminosas, deixando-nos seduzir pelas atrações de divertimentos pecaminosos, que degrada o sexo, a dignidade humana e a família, atmosfera na qual o verdadeiro amor não pode crescer. Em si nada de novo. Já no Antigo Testamento temos relatos a esse respeito, como o adultério do rei Davi que, num momento de lazer foi tentado e caiu. Mas a intensidade com que estes pecados se manifestam hoje são prenúncios do juízo final.
Ninguém de nós está isento de tais tentações que nos rodeiam e assediam neste mundo pervertido. Cumpre-nos lutar.

5. Importa vigiar e orar. Como faremos isto? Mantendo íntima comunhão com a cabeça, que é Cristo, pelo ler e ouvir de sua Palavra, para sermos fortalecidos na fé. E pela oração, para podermos desvendar as ciladas de Satanás, fugir das tentações e buscar ocupação sadia. Determinados a fazer com toda nossa família a vontade de Deus. A responsabilidade é grande. Teremos que prestar contas a Deus por nossa família.
Muitas vezes sentimo-nos fracos, desanimados, incapazes e diante dos problemas. Especialmente quando nossos filhos estão na adolescência. Nesta idade precisam de muito amor, paciência e ao mesmo tempo firmeza na admoestar, aconselhar e animar. Jesus prometeu estar ao nosso lado, para nos amparar e fortalecer na tarefa de sustentar, educar e guiar nossa família. Podemos recorrer a ele em oração. Deus prometeu atender e nos guiar por seu Espírito. Sim, o Espírito Santo, que conduz em toda a verdade, que consola, que ampara a fortalece. Ele nos orienta na condução do lar, na educação dos filhos. A ele podemos expor nossas ansiedades, nossos problemas, nossas dificuldades espirituais e materiais. Ele não nos abandonará. Ele há de nos amparar. Nada educa melhor do que criar em nossa família o hábito de ler a palavra de Deus e orar, em conjunto e cada um individualmente.
Assim queremos celebrar o dia do pai, com louvor e gratidão, suplicando perdão por nossos muitos erros, pedindo que nos conceda rica medida do seu Espírito para o cumprimento de nossos deveres como verdadeiros sacerdotes do lar, espelhando a face de nosso Pai celestial. Que ele nos assista, para que nossas famílias sejam firmadas na fé e ricas em obras do amor cristão, como sal e luz na sociedade. Amém.
São Leopoldo, 01/08/2008
Horst R. Kuchenbecker

domingo, 3 de agosto de 2008

Maeus 14.22-33. Jesus anda sobre o mar.

Mateus 14.22-33. 12° Domingo após Pentecostes

Introdução
Em nosso texto temos uma palavra de Jesus que chama atenção: Homens de pequena fé. O tema nos toca de perto, porque, mesmo dizendo por vezes: Eu tenho fé! Conhecemos nossa fraqueza de fé e dizemos: Quem me dera poder crer e ter mais fé! Mas, por que Jesus disse a seus discípulos: Homens de pequena fé? Por que? Porque quando os discípulos de Jesus se encontraram em meio à g5rande tribulação em alto mar, em angústias de morte, eles se julgaram abandonados por Jesus, que os mandara ao lato mar. Mesmo conhecendo-o como Salvador prometido, ainda não tinham clara convicção de ser Jesus o Filho de Deus, Eles, mesmo após a multiplicação dos pães, não tinham reconhecidos que Jesus é o Filho de Deus. Por isso duvidaram de que Jesus tivesse conhecimento de sua necessidade, que os estivesse guiando bem e seria capaz de socorrê-los. Só após este milagre, ouvimos sua confissão: Verdadeiramente és Filho de Deus.
Quantas vezes isto já aconteceu conosco? Por este evangelho, Jesus quer fortalecer nossa fé e animar-nos a confiar plenamente nele, pois ele é verdadeiramente o Filho de Deus, nos ama e tem todo o poder para nos socorrer. Isto nos leva ao tema:

Confiar em Cristo em todos os momentos, mesmo na maior angústia.
Jesus conduziu propositadamente seus discípulos para dentro da angústia, para despertá-los da incredulidade.
Na angústia ele está ao lado dos seus.
Ele os atrai a si.
Ele os conduz para fora da angústia.

1. Jesus conduz seus discípulos propositadamente para dentro da angústia.
Após a multiplicação dos pães, a multidão entusiasmada, cercou Jesus e queriam fazer dele seu rei. Seria maravilhoso ter um rei assim que curasse todos seus enfermos e lhes desse pão em abundância. Apesar de terem estado aos pés de Jesus um dia inteiro ouvindo seus ensinos, não entrou no coração deles a razão pela qual Jesus estava ali: Conduzir ao arrependimento e à fé. Eles tinham pouco interesse na salvação e vida eterna. O que os interessava era o aqui e agora, o bem estar terreno. É isto que as pessoas procuram ainda hoje na religião. Daí o sucesso das religiões milagreiras.
Cercado por esta multidão entusiasmada, Jesus empurrou seus discípulos para o barco, para que fossem mesmo ao cair da noite, para a outra margem. Este entusiasmo da multidão era perigoso para a fé dos próprios discípulos. Que tendo visto tão grande milagre, estava também como que cegados e não percebendo o que havia acontecido.
Eles embarcaram e seguiram felizes. Mas, quando estavam em alto mar, já passado da meia noite, levantou-se uma grande tempestade. O vento açoitava o barco. As ondas parecia querer engoli-los. Mesmo sendo eles marinheiros experimentados, temeram por suas vidas. Ficaram apavorados. Lutaram desesperadamente, mas em vão. O vento crescia a cada minuto que passava. Eles já viam a morte diante de seus olhos. Por que Jesus os mandou ao mar? Onde estava Jesus? Por quê?
Uma pergunta fatigante. Assim perguntou também José no Egito? Por que Deus permitiu que meus irmãos me vendessem como escravo? E depois na prisão: Será que Deus me abandou. Por quê? Quantas vezes nós nos encontramos em situação idêntica? Em grande angústia, perguntamos a Deus: Por quê? Clamamos a Deus. Mas nada. A situação piora a cada minuto. Desesperamos.
E no momento da dor, nossa consciência desperta e começa a nos acusa de pecados. Surgem outras perguntas mais angustiantes: Deus me abandonou. Deus não me ama mais. Pequei de mais. Fui ingrato, etc. Como é difícil nestes momentos apegar-se firmemente ao evangelho, à graça de Deus, lembrar seu amor e confiar.

2. Na angústia ele está ao lado.
Quando a necessidade chegou ao auge, com isto também o desespero dos discípulos, eis Jesus, caminhando de sobre as ondas do mar, vindo ao encontro deles. Quem não se lembra de quadros da escola dominical: Jesus caminhando sobre as ondas do mar, estendendo sua mão a Pedro, que afundava? Os discípulos não o reconheceram logo. Pelo contrário, ao verem Jesus se assustaram ainda mais, pensando ser um fantasma.
Que coisa terrível o medo! Você conhece tal situação? No medo a gente se assusta com o menor movimento ou barulho, mesmo com o ruído de uma folha ao vento e mesmo diante de coisas boas. Então Jesus lhes disse: Sou eu, não temais. Eles o reconheceram, porque Jesus deu-se a conhecer a eles. Então paz, alegria e confiança voltou a seus corações.
Em meio à grande aflição de seus discípulos Jesus esta lá, ao lado dos seus, com seu amor, com sua ajuda. Isto ainda hoje é assim. Você pode estar plenamente certo disto. Vamos lembrar algumas de suas promessas e é bom gravá-las fundo no coração:
- Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. (Jeremias 29.11 RA)
- E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mateus 28.20 RA)
- Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. (João 16.33 RA)
- Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás. (Salmos 50.15 RA)
- Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. (Isaías 59.1 RA)
- Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou das suas tribulações. (Salmos 107.13 RA)
- Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação. (Salmos 68.19 RA)
- Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé! (Marcos 9.24 RA)

3. Na aflição ele nos atrai a si.
Quando o apóstolo Pedro reconhecer ser Jesus que vinha sobre as ondas do mar, ele pediu para ir ao encontra dele. Esta é a razão das tribulações. Nas tribulações e/ou pelas tribulações Jesus nos atrai a si. Nos dias bons nós corremos grande risco de nos apegar às coisas terrenas e nos afastar de Jesus. Então é hora, como diziam nossos pais, de Jesus nos mandar para o alto mar. A fim de desviar nossos olhos das coisas materiais e nos dirigir para Jesus. Pedro saiu do barco e caminhou sobre as ondas do mar. Mas de repente vendo o furor das ondas, teve medo e, afundando, gritou: Salva-me, Senhor. Jesus estendeu sua mão a Pedro e o tirou do perigo. Assim é nossa fé. O profeta Jeremias escreve: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? (Jeremias 17.9 RA) Por vezes somos tão corajosos e logo passamos a confiar novamente em nossas forças. Então naufragamos. E ao naufragar desesperamos. Ai de nós se dependesse tudo de nós. É assim que Jesus nos afirma na fé, nos educa para a vida eterna, para lhe sermos fiéis até ao fim.

3. Ele nos tira da aflição
Jesus entrou no barco, assim ele quer estar em nosso coração, em nossa vida, em nosso lar. Então fez-se grande bonança, isto é, temos paz e alegria. Ele nos ajuda a carregar a cruz, o fardo e o peso.
E finalmente nos ajuda a passar pela última tribulação da vida, o momento da morte que nos assusta, mas também ali ele estará a nosso lado e diz: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. (Isaías 43:1 RA) E sentiremos novamente grande bonança e depois a bonança eterna.
Que estas palavras nos firmem na fé de ser Jesus o Filho de Deus, nosso único e suficiente Salvador que está ao lado dos seus para os conduzir com segurança através do revoltoso mar desta vida ao porto eterno, onde há bonança eterna para seus fiéis. Amém.
São Leopoldo, 25/07/2008
Horst R. Kuchenbecker