Mateus 11.25-30. Graça e Juízo.
Introdução
O evangelho de Mateus trata do discipulado. O capítulo 11 aborda, especialmente, o mistério do reino de Deus, o mistério da Igreja Cristã. O mistério da graça concedida aos que crêem e do juízo sobre os incrédulos.
Lemos em nosso texto, que Jesus exclamou em alta voz, para que todo povo o pudesse ouvir: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra. Jesus louva o Pai em alta voz, pelo mistério da salvação, que mostra os contrastes entre salvos e condenados. E num último esforço, para salvar mais alguns, ele estende um vigoroso convite: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei!
1. Vejamos em primeiro lugar os contrastes.
Graças te dou, Ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Temos aqui o primeiro contraste entre ocultar e revelar, sábios e pequeninos. Como vamos entendê-lo?
De primeira vista, parece que estamos diante de uma arbitrariedade de Deus. Como se Deus escolhesse arbitrariamente uns para o céu e outros para o inferno. Isto, porém, seria contra todas as outras afirmações do amor universal da Escritura. Não, não se trata de uma arbitrariedade, mas da revelação de graça de Cristo aos que crêem chamados aqui de pequeninos e seu juízo sobre aqueles que obstinadamente rejeita a graça de Cristo, julgando-se por sábios. Para compreendê-lo, precisamos olhar o contexto.
Jesus está falando a uma multidão na Galiléia. Nesta região Jesus já estava trabalhando há mais de um ano e meio, anunciando a palavra de Deus, confirmando suas palavras com muitos milagres.
Sabemos que por própria razão ou força, ninguém pode dizer com fé: Senhor Jesus, isto é, reconhecer Jesus como o Filho de Deus, único e suficiente Salvador, sem que o Espírito Santo o chame e ilumine pelo evangelho, gerando a fé na graça de Cristo. Pois ninguém pode dar fé a si mesmo. A fé é operada pelo Espírito Santo, que atua por meio da palavra de Deus e dos sacramentos.
Pois bem, para isto Jesus estava trabalhando na Galiléia, proclamando a palavra de Deus, chamando à fé, para dar vida. E apesar de todo seu esforço, a grande maioria do povo, especialmente das cidades nas quais Jesus trabalhou com todo o vigor, rejeitaram sua pregação e seu convite. Sobre estas cidades, Jesus profere seu juízo. Lemos nos versículos 20 a 24: Ai de ti, Corazim! Ao de ti, Betsaida! Ai de ti Cafarnaum! A estas cidades, que rejeitaram o convite, sobrevirá rigoroso juízo de Deus. Eles perderam a oportunidade de sua salvação. E Jesus agradece ao Pai também pelo juízo, dizendo: Porque ocultas estas coisas aos sábios e instruídos. Estes sábios e instruídos se julgaram mais sábios do que o amor de Deus e rejeitaram a pregação de Jesus. Este ocultar, portanto, não é um julgamento arbitrário, mas um justo juízo sobre a incredulidade. Isto está oculto a eles, porque eles próprios, cheios de sua própria sabedoria e justiça própria rejeitaram a sabedoria e o amor de Deus. A graça está oculta a eles por sua própria culpa.
O evangelho, a boa nova da salvação por Cristo, lhes é loucura. Não aceitaram. Estas pessoas foram, no tempo de Jesus, especialmente os sacerdotes, fariseus e muitas outras pessoas influentes, bem como também muitas pessoas simples do povo. Estas pessoas questionavam tudo pela razão. O que não lhes parecia razoável, rejeitavam. Assim colocaram sua razão como juiz de Deus e de sua Palavra. Estavam cheios da sabedoria deste mundo e rejeitaram a sabedoria de Deus. Estas pessoas não creram no que Deus disse e se perderam por culpa própria. São sábios aos próprios olhos e rejeitaram a palavra de Deus e o evangelho lhes permaneceu oculto.
O “ocultar” aqui é juízo de Deus sobre a prolongada e insistente incredulidade e rejeição da palavra de Deus. E o juízo do Pai, tem plena aprovação de Jesus. São palavras idênticas as que Jesus proferiu sobre a cidade de Jerusalém: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz. Mas isto está agora oculto aos teus olhos. (Lc 19.42) Por que oculto? Não por arbitrariedade de Deus, mas por culpa deles próprios, porque rejeitaram o tempo oportuno e fecharam seus olhos e ouvidos a Deus.
Mas revelaste aos pequeninos. Quem são os pequeninos? Sabemos que por minha própria razão e força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. O Espírito Santo vem a nós pela pregação da palavra de Deus e dos sacramentos. Por esta Palavra o Espírito Santo ilumina, conduz ao reconhecimento dos pecados, da culpa, do juízo e condenação de Deus. A lei nos torna “pequeninos”, pessoas que precisam de auxílio, isto é, ela nos mostra que estamos perdidos e precisamos de um Salvador. O evangelho nos mostra o Salvador Jesus, que nos salvou. O Espírito Santo infunde confiança em Cristo, gera a fé. O Espírito Santo nos torna pequeno, isto é, como crianças que ouvem a palavra de seus pais e confiam nesta palavra plenamente. Pelo evangelho o Espírito Santo faz com que nós nos apegamos de coração e com gratidão a Cristo nosso Salvador. Nela encontramos lenitivo para a alma.
Estes são os pequeninos, as pessoas que aceitam e confiam na palavra de Deus. Eles não têm isto de si. Eles confessam como todos os cristãos: O Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. A eles vale o que Jesus disse a Pedro: Não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus.
Jesus ainda hoje está em nosso meio. Temos sua voz na Bíblia. Temos a correta exposição desta palavra em nosso Hinário, em nosso Catecismo, na Confissão de Augsburgo e demais livros confessionais. Importa tomar a Bíblia, ler e meditar, conferir com as confissões para a reta compreensão da mesma.
Infelizmente, ainda hoje, muitos, quer ricos ou pobres, sábios ou analfabetos, se julgam sábios diante de Deus e zombam da Bíblia. Muitos dizem: A Bíblia é um livro escrito por homens do passado, por tanto um livro antigo, o que ele teria para nos ensinar a nós com alta tecnologia e avanços científicos?
Outros, mesmo tendo conhecimento da palavra de Deus, a interpretam com a razão e dizem: É muito difícil. Gerou tanta confusão. Verdade absoluta não existe. Se alguém afirma que tem a verdade, este é vaidoso. Por isso Jesus e seus seguidores são acusados de perturbadores da paz. Quando afirmamos ainda hoje, com nossos pais, que nossas Confissões são a única correta interpretação das Escrituras, muitos exclamam: Que vaidade! Quem são vocês?
Hoje se prefere fazer acertos diplomáticos em torno da Palavra. Só para citar um exemplo: Católicos e luteranos, firmaram, após longas conferências, acordos sobre a doutrina da justificação pela graça, por fé, afirmando: concordamos nestes doutrinas. Ora, se a Igreja Católica aceitar esta verdade, ela teria que abolir sua doutrina do purgatório, do sacrifício incruento na santa ceia, mudar a liturgia de sua missa, etc. O fato de não terem mudado nada disto, mostra que não houve uma aceitação da doutrina bíblica sobre a justificação e a fé. Houve somente um acerto diplomático.
Assim muitos dizem hoje: Não vamos discutir doutrinas. Isto é secundário. O que importa é pregar positivamente e ter amor às almas. Mas o verdadeiro amor começa com o primeiro mandamento. Amar a Deus sobre tudo. Dar ouvidos á sua Palavra e levar a razão cativa à Escritura. Aceitar a palavra de Deus na íntegra e condenar os erros, com nossas Confissões, contidas no Livro de Concórdia, o fazem. Pois nossas Confissões não são uma confissão particular, mas ecumênica, por serem a única correta exposição das Escrituras. Mas, por as pessoas que rejeitam a palavra de Deus, o evangelho, a graça de Cristo lhes permanece oculta e os escandaliza. Tais pessoas são julgadas por Deus. E Deus é glorificado também no seu julgamento. No dia do juízo Final, quando Deus pronunciar a sentença condenatória e seu juízo sobre os incrédulos, todos os fiéis louvarão a Deus e pronunciarão um vigoroso Amém.
Mas os “pequeninos” crêem. Eles sabem que Jesus é o verdadeiro Filho de Deus, seu Salvador. Fora dele não há verdadeiro conhecimento de Deus nem salvação. O Filho de Deus nos fala na Bíblia, que é a verdade que liberta. Só nele há salvação. Ao mesmo tempo ele é juiz de todas as coisas. Em breve virá julgar o mundo com justiça. A ele seja glória eternamente.
2. Vinde a mim.
Então, como um último esforço, Jesus se volta ao povo e exclama em alta voz: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
Que convite maravilhoso. Jesus convida todos que venham a ele.
Cansados. Quem são estes? São todas as pessoas que, tendo conhecimento da lei de Deus, se esforçam e procuram cumprir a lei, mas quanto mais lutam, tanto mais reconhecem sua pecaminosidade e incapacidade de se salvarem. Estão cansados e desesperados diante da lei que os condena. Jesus se refere em primeiro plano aos judeus, cansados com suas muitas leis do Talmude, sem esperança de salvação estavam desiludidos. Este foi, também, o caso de Lutero que se açoitava na sela em busca de paz, e só a encontrou no evangelho.
Quantos lutam ainda hoje de forma desesperada, procurando, pelo cumprimento da lei, alcançar o céu. Em vão. Jesus os convida. Vinde a mim, eu vos aliviarei. Pela mensagem do evangelho que lhes fala do perdão. Que bênção temos em nossos cultos, onde ouvimos o puro evangelho na mensagem na absolvição, nas leituras e na santa ceia.
Sobrecarregados. Quem são estes? São os que se sobrecarregaram com os pecados deste mundo. Eles arruinaram suas vidas, como o filho pródigo. Sobrecarregados com os pecados, arruinados na saúde, desesperados, sem esperança. Jesus os convida. Ainda há esperanças. Venham a mim.
Eu vos aliviarei. Que alívio é este. É a mensagem do amor de Deus em Cristo, do perdão dos pecados, de serem aceitos pelo Pai. Podem cantar: Tal como estou tão pecados, confiando em teu divino amor, a teu convite chego aqui. Cordeiro santo, venho a ti. E sendo aceitos pelo Pai, eles têm a paz e a esperança da vida eterna. Uma paz que o mundo não lhes pode dar. Só Cristo no-la dá: perdão, vida e eterna salvação. Este alívio eles têm por fé, a verão e a experimentarão na eternidade.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim. Que jugo é este? O evangelho, a doutrina do evangelho. O confiar em sua graça e segui-lo alegremente. Tomando sobre si as conseqüências, o desprezo do mundo e o martírio. Aprendam de mim que sou manso. Jesus não é um segundo Moisés, ele é nosso Salvador.
Mas não é duro confessar Cristo. Isto não atrai sobre nós o desprezo do mundo e muitas vezes a perda de bens materiais e a morte de mártir? Sim, mas o que é tudo isso em comparação à paz da alma, e a esperança da vida eterna. Isto é leve. Por isto o apóstolo Paulo escreveu. Quem nos separará do amor de Cristo. (Rm 8.35) E conclui: Nada nos separará. Em tudo somos mais que vencedores. Amém
São Leopoldo, 20/06/2008
Horst R. Kuchenbecker
quinta-feira, 26 de junho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
Mateus 10.34-42. O Principe da paz traz a espada
Mateus 10.34-42. O Príncipe da paz traz a espada.
Introdução
É um texto impressionante. É palavra do Senhor Jesus. É palavra para nós. Como vamos entender. O Príncipe da paz traz a espada.
O evangelho de Mateus é o evangelho do discipulado. Jesus escolhe e chama seus discípulos e os prepara para o trabalho missionário. Temos muito a aprender com todos esses capítulos.
Vivemos numa época em que as pessoas querem encher igrejas a qualquer custo. Por isso precisamos nos perguntar: Qual é a ordem missionária? Como se faz missão? Ouçamos, portanto, a respeito do verdadeiro objetivo da missão de Cristo e de como os discípulos devem executá-la.
Isto este evangelho sobre o: O Messias traz a espada e divide, nos quer ensinar.
1. O Evangelho que divino.
Onde Cristo é proclamado corretamente, ali surgem, imediatamente, divisões. O grupo que crêem em Cristo e o grupo que o rejeitam. A razão dessa divisão entre as pessoas é Cristo. Por isso Jesus afirma: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. (Mt 10.34 RA)
Isto me lembra um fato. Uma senhora fez profissão de fé em nossa comunidade. Ela estava alegre pela paz que encontrou na graça de Cristo. Imaginava que daqui para frente sua vida seria uma vida de paz e alegria. No seu primeiro a amor a Cristo, testemunhava corajosamente. Mas após alguns meses, ele nos disse: Encontrei a paz em Cristo, mas arranjei muitos problemas em meio à minha família, entre minhas amigas e até no prédio no qual resido. Lembramos a ela o presente texto.
Jesus, o Messias, o Príncipe da paz, traz a espada. (Mt 10.12,13) Ele não traz uma espada simples, material, mas a espada da Palavra. Jesus não nos trouxe uma paz material, elaborada por meio de consensos. Cede aqui e cede ali, para se chegar a um meio termo. Ele traz a paz que destrói do pecado, que vence a morte e confere a paz pela nova vida por sua ressurreição. Assim separa para si um povo que o escuta e o ama.
As pessoas, no entanto, amam o pecado e estão inclinadas para o mal. Isto os exclui da paz de Deus. Jesus veio para libertá-las desta escravidão de Satanás, do poder do pecado e da culpa, a fim de reconciliá-los com Deus. Lemos na carta aos Hebreus: Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mis cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. (Hb 4.12) Desta forma, a palavra de Deus, pela qual o Espírito Santo atua, quer conduzir ao arrependimento e consolar com a graça de Cristo. Esta palavra é poder de Deus para regenerar, dar vida e libertar.
Mesmo assim esta palavra é resistível. Estevão diz ao Sinédrio: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistir ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. (At 7.51) Assim a Palavra leva a uma decisão. Sua mensagem é paz para os que se arrependem e crêem, mas para os que resistem e não se arrependem, esta mesma mensagem é juízo e julgamento.
Vamos repetir para compreendê-lo bem. Nascemos em pecado. Somos, por natureza, inimigos de Deus. Nosso coração está inclinado para todo o mal, dele brotam, constantemente, toda a sorte de maus pensamentos e inclinações. A palavra de Deus que penetra divide, isto é, ilumina o coração, leva ao reconhecimento do pecado e conduz ao arrependimento, ao reconhecimento dos pecados. Quando a consciência é despertada pela lei, a pessoa não encontra consolo em nenhuma outra coisa do que somente na graça de Cristo, que o evangelho anuncia.
O evangelho é a boa notícia do perdão dos pecados, que liberta, que nos dá um novo coração. A notícia que gera a fé e restabelece a comunhão com Deus. Toda a pessoa que se arrepende de seus pecados e crê na graça de Cristo, recebe perdão dos pecados, vida em comunhão com Deus e a vida eterna. A pessoa que renasce pela fé em Cristo, é tirada da escravidão de Satanás, libertada do poder da morte e do poder do pecado. Esta pessoa desfruta da paz que Cristo lhe dá, jubilam e passam a amar a Deus e o próximo.
Assim a fé no perdão de Cristo cria uma linha divisória. Esta linha se revela pela renúncia ao pecado, não só de um e outro pecado, mas de todos os pecados. E tem o firme propósito de seguir a Cristo. Esta linha pessoal no coração se manifesta na vida. E visto ser uma divisão absoluta, decisão de renúncia, ela se manifesta em todas as relações humanas, na família, na vizinhança, no trabalho, na sociedade.
Sendo Cristo a única luz, a única vida, o único libertador, (Mt 1.21; 4.16) não há possibilidade de uma fidelidade dividida entre ele e qualquer outra pessoa ou coisa, tais como pai, mãe, filho, filha, honra e vida.
Por isso Jesus afirma: Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. (Mt 10.36-38) O que significam estas palavras? Frequentemente, nós encontramos situações assim. O pai crê e a mãe não, ou vice-versa. Hoje também é muito comum que os pais ainda crêem, mas os filhos não. A parentela está dividida em cristãos de diversas religiões cristãs, não cristãs e descrentes. Isto é uma situação difícil. Não podemos simplesmente sair pela tangente e dizer: Bem, cada um na sua. É problema de cada um. Não! A nós cabe, em amor, testemunhar a eles de Cristo. Cabe nos dizer a verdade. Isto causa atritos, separa as pessoas muitas vezes. Por isso Melanchton que buscou com grande esforço a unidade do cristianismo, mas vendo muitos de seus esforços inúteis. Sim, muitos se separaram dele, por causa do seu testemunho na proclamação da palavra de Deus. Ele disse: “Que suplício, ficar separado e ser odiado por tantos amigos, por causa do Evangelho.”
E não é só estar separado de amigos. A tentação de apegar-se também à vida neste mundo, às coisas materiais é muito forte. Mas apegar-se a uma vida sentenciada de morte é rumar para a morte. Por isso, se for necessário perder a vida, e/ou muitas alegrias materiais desta vida, por amor a Cristo, queremos fazê-lo com alegria, pois é deixar a vida sentenciada de morte e achar a verdadeira vida em Cristo. Como Jesus o afirmou: Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á. (Mt 10.38-39)
Realmente, Jesus não é um Deus soft, como muitos gostariam de vê-lo. Amor, amor, amor, paz e felicidade, mas ele também é santo e justo, que ameaça, castiga e condena; ao mesmo tempo, ele é um Deus que ama, que sacrificou seu próprio Filhos em nosso favor, que nos chama ao arrependimento e à fé.
Igualmente seus apóstolos não são beatos santos que olham suave para o céu, mas foram chamados para serem soldados de Cristo, que lutam por esta causa. Por isso o apóstolo Paulo escreveu a seu discípulo Timóteo: Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus (2 Tm 2.3)
Promessas de Jesus para a missão dos discípulos
Após isto, Jesus encoraja seus discípulos. Eles são mensageiros da paz, pregadores do evangelho, da boa nova do amor de Deus. De que Cristo reconciliou a humanidade com Deus e lhes confiou a palavra da reconciliação: Deixai-vos reconciliar com Deus. (2 Co 5.19-20) Eles chamam as pessoas ao arrependimento e a confiarem no perdão que há em Cristo, para serem aceitos por Deus como filhos e voltarem, pela fé, à comunhão com Deus, desfrutando da verdadeira paz.
Nisto, no entanto, não devem estranhar quando não são compreendidos pelo mundo que anda em trevas. Sim, não só não serem compreendidos, mas rejeitados, odiados e levados ao martírio. Em tudo isso devem ser corajosos e ousados na proclamação da verdadeira paz e da vida eterna, como servos de Cristo. Como seu mestre foi odiado, eles também o serão.
Ao mesmo tempo, Jesus os protege da ilusão de pensarem que irão salvar o mundo, modificar o mundo, trazer ao mundo uma paz social e felicidade material. Dá-lhes porém, a ordem e promessa de proclamarem o reino de Deus a todos e assim alguns serão salvos. Estes alguns serão em alguns lugares e tempos muitos e em outros lugares e tempos um pequeno rebanho, que não devem temer.
Todos nós conhecemos esta verdade e a experimentamos muitas vezes na carne e na própria família. Como gostaríamos que todos chegassem ao pleno conhecimento da verdade e à mesma fé, para serem salvos. Mas muitos resistem obstinadamente, outros por leviandade e amor ao mundo adiam o momento e perdem a oportunidade da salvação. Como Jesus chorou sobre Jerusalém, dizendo: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos, (Lc 19.42) por culpa deles próprios.
Então Jesus acrescentou uma bela promessa: Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. (Mateus 10.40-42 RA) Ele os selou com a promessa de que ninguém que prestou serviços na missão de Deus, e a seus mensageiros, serviu em vão. As obras mais insignificantes serão altamente recompensadas, na eternidade, mesmo as mais simples como o alcançar um copo de água a um cristão. E os conclama a testemunharem. Diz que como ele, Jesus, eles serão perseguidos e odiados, mas não devem temer. Cristo estará ao lado deles em todos os momentos, para ampará-los, fortalecer e livrar.
Conclusão
Quando chegamos à fé na graça de Cristo, somos libertados da escravidão de Satanás e enxertados na família de Deus. Então passamos a nos empenhar, com dedicação e fidelidade nos trabalhos do reino de Deus, e não devemos estranhar as dificuldades que brotam de todos os lados, mesmo inimizades dentro da família. Satanás procurará levanta contra nós nossos próprios familiares, amigos e os incrédulos em nossa volta. A luta será árdua. Nisto aproveitará também as fraquezas e incompreensões dos próprios irmãos na fé. Nestes momentos precisamos vigiar nosso próprio coração, para que o mesmo não nos engane. Em segundo lugar ter compaixão com as fraquezas dos irmãos e estar sempre pronto a perdoar, interpretar tudo da melhor maneira, reerguer. Em terceiro lugar amar nossos inimigos. Em quarto lugar não sonhar com grandezas e belezas bombásticas da Igreja cristã. Mas proclamar humildemente e com fidelidade a palavra de Deus. Que Deus nos fortaleça para tanto. Amém.
São Leopoldo, 13/06/2008
Horst R. Kuchenbecker
Introdução
É um texto impressionante. É palavra do Senhor Jesus. É palavra para nós. Como vamos entender. O Príncipe da paz traz a espada.
O evangelho de Mateus é o evangelho do discipulado. Jesus escolhe e chama seus discípulos e os prepara para o trabalho missionário. Temos muito a aprender com todos esses capítulos.
Vivemos numa época em que as pessoas querem encher igrejas a qualquer custo. Por isso precisamos nos perguntar: Qual é a ordem missionária? Como se faz missão? Ouçamos, portanto, a respeito do verdadeiro objetivo da missão de Cristo e de como os discípulos devem executá-la.
Isto este evangelho sobre o: O Messias traz a espada e divide, nos quer ensinar.
1. O Evangelho que divino.
Onde Cristo é proclamado corretamente, ali surgem, imediatamente, divisões. O grupo que crêem em Cristo e o grupo que o rejeitam. A razão dessa divisão entre as pessoas é Cristo. Por isso Jesus afirma: Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. (Mt 10.34 RA)
Isto me lembra um fato. Uma senhora fez profissão de fé em nossa comunidade. Ela estava alegre pela paz que encontrou na graça de Cristo. Imaginava que daqui para frente sua vida seria uma vida de paz e alegria. No seu primeiro a amor a Cristo, testemunhava corajosamente. Mas após alguns meses, ele nos disse: Encontrei a paz em Cristo, mas arranjei muitos problemas em meio à minha família, entre minhas amigas e até no prédio no qual resido. Lembramos a ela o presente texto.
Jesus, o Messias, o Príncipe da paz, traz a espada. (Mt 10.12,13) Ele não traz uma espada simples, material, mas a espada da Palavra. Jesus não nos trouxe uma paz material, elaborada por meio de consensos. Cede aqui e cede ali, para se chegar a um meio termo. Ele traz a paz que destrói do pecado, que vence a morte e confere a paz pela nova vida por sua ressurreição. Assim separa para si um povo que o escuta e o ama.
As pessoas, no entanto, amam o pecado e estão inclinadas para o mal. Isto os exclui da paz de Deus. Jesus veio para libertá-las desta escravidão de Satanás, do poder do pecado e da culpa, a fim de reconciliá-los com Deus. Lemos na carta aos Hebreus: Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mis cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. (Hb 4.12) Desta forma, a palavra de Deus, pela qual o Espírito Santo atua, quer conduzir ao arrependimento e consolar com a graça de Cristo. Esta palavra é poder de Deus para regenerar, dar vida e libertar.
Mesmo assim esta palavra é resistível. Estevão diz ao Sinédrio: Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistir ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. (At 7.51) Assim a Palavra leva a uma decisão. Sua mensagem é paz para os que se arrependem e crêem, mas para os que resistem e não se arrependem, esta mesma mensagem é juízo e julgamento.
Vamos repetir para compreendê-lo bem. Nascemos em pecado. Somos, por natureza, inimigos de Deus. Nosso coração está inclinado para todo o mal, dele brotam, constantemente, toda a sorte de maus pensamentos e inclinações. A palavra de Deus que penetra divide, isto é, ilumina o coração, leva ao reconhecimento do pecado e conduz ao arrependimento, ao reconhecimento dos pecados. Quando a consciência é despertada pela lei, a pessoa não encontra consolo em nenhuma outra coisa do que somente na graça de Cristo, que o evangelho anuncia.
O evangelho é a boa notícia do perdão dos pecados, que liberta, que nos dá um novo coração. A notícia que gera a fé e restabelece a comunhão com Deus. Toda a pessoa que se arrepende de seus pecados e crê na graça de Cristo, recebe perdão dos pecados, vida em comunhão com Deus e a vida eterna. A pessoa que renasce pela fé em Cristo, é tirada da escravidão de Satanás, libertada do poder da morte e do poder do pecado. Esta pessoa desfruta da paz que Cristo lhe dá, jubilam e passam a amar a Deus e o próximo.
Assim a fé no perdão de Cristo cria uma linha divisória. Esta linha se revela pela renúncia ao pecado, não só de um e outro pecado, mas de todos os pecados. E tem o firme propósito de seguir a Cristo. Esta linha pessoal no coração se manifesta na vida. E visto ser uma divisão absoluta, decisão de renúncia, ela se manifesta em todas as relações humanas, na família, na vizinhança, no trabalho, na sociedade.
Sendo Cristo a única luz, a única vida, o único libertador, (Mt 1.21; 4.16) não há possibilidade de uma fidelidade dividida entre ele e qualquer outra pessoa ou coisa, tais como pai, mãe, filho, filha, honra e vida.
Por isso Jesus afirma: Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. (Mt 10.36-38) O que significam estas palavras? Frequentemente, nós encontramos situações assim. O pai crê e a mãe não, ou vice-versa. Hoje também é muito comum que os pais ainda crêem, mas os filhos não. A parentela está dividida em cristãos de diversas religiões cristãs, não cristãs e descrentes. Isto é uma situação difícil. Não podemos simplesmente sair pela tangente e dizer: Bem, cada um na sua. É problema de cada um. Não! A nós cabe, em amor, testemunhar a eles de Cristo. Cabe nos dizer a verdade. Isto causa atritos, separa as pessoas muitas vezes. Por isso Melanchton que buscou com grande esforço a unidade do cristianismo, mas vendo muitos de seus esforços inúteis. Sim, muitos se separaram dele, por causa do seu testemunho na proclamação da palavra de Deus. Ele disse: “Que suplício, ficar separado e ser odiado por tantos amigos, por causa do Evangelho.”
E não é só estar separado de amigos. A tentação de apegar-se também à vida neste mundo, às coisas materiais é muito forte. Mas apegar-se a uma vida sentenciada de morte é rumar para a morte. Por isso, se for necessário perder a vida, e/ou muitas alegrias materiais desta vida, por amor a Cristo, queremos fazê-lo com alegria, pois é deixar a vida sentenciada de morte e achar a verdadeira vida em Cristo. Como Jesus o afirmou: Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á. (Mt 10.38-39)
Realmente, Jesus não é um Deus soft, como muitos gostariam de vê-lo. Amor, amor, amor, paz e felicidade, mas ele também é santo e justo, que ameaça, castiga e condena; ao mesmo tempo, ele é um Deus que ama, que sacrificou seu próprio Filhos em nosso favor, que nos chama ao arrependimento e à fé.
Igualmente seus apóstolos não são beatos santos que olham suave para o céu, mas foram chamados para serem soldados de Cristo, que lutam por esta causa. Por isso o apóstolo Paulo escreveu a seu discípulo Timóteo: Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus (2 Tm 2.3)
Promessas de Jesus para a missão dos discípulos
Após isto, Jesus encoraja seus discípulos. Eles são mensageiros da paz, pregadores do evangelho, da boa nova do amor de Deus. De que Cristo reconciliou a humanidade com Deus e lhes confiou a palavra da reconciliação: Deixai-vos reconciliar com Deus. (2 Co 5.19-20) Eles chamam as pessoas ao arrependimento e a confiarem no perdão que há em Cristo, para serem aceitos por Deus como filhos e voltarem, pela fé, à comunhão com Deus, desfrutando da verdadeira paz.
Nisto, no entanto, não devem estranhar quando não são compreendidos pelo mundo que anda em trevas. Sim, não só não serem compreendidos, mas rejeitados, odiados e levados ao martírio. Em tudo isso devem ser corajosos e ousados na proclamação da verdadeira paz e da vida eterna, como servos de Cristo. Como seu mestre foi odiado, eles também o serão.
Ao mesmo tempo, Jesus os protege da ilusão de pensarem que irão salvar o mundo, modificar o mundo, trazer ao mundo uma paz social e felicidade material. Dá-lhes porém, a ordem e promessa de proclamarem o reino de Deus a todos e assim alguns serão salvos. Estes alguns serão em alguns lugares e tempos muitos e em outros lugares e tempos um pequeno rebanho, que não devem temer.
Todos nós conhecemos esta verdade e a experimentamos muitas vezes na carne e na própria família. Como gostaríamos que todos chegassem ao pleno conhecimento da verdade e à mesma fé, para serem salvos. Mas muitos resistem obstinadamente, outros por leviandade e amor ao mundo adiam o momento e perdem a oportunidade da salvação. Como Jesus chorou sobre Jerusalém, dizendo: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos, (Lc 19.42) por culpa deles próprios.
Então Jesus acrescentou uma bela promessa: Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. (Mateus 10.40-42 RA) Ele os selou com a promessa de que ninguém que prestou serviços na missão de Deus, e a seus mensageiros, serviu em vão. As obras mais insignificantes serão altamente recompensadas, na eternidade, mesmo as mais simples como o alcançar um copo de água a um cristão. E os conclama a testemunharem. Diz que como ele, Jesus, eles serão perseguidos e odiados, mas não devem temer. Cristo estará ao lado deles em todos os momentos, para ampará-los, fortalecer e livrar.
Conclusão
Quando chegamos à fé na graça de Cristo, somos libertados da escravidão de Satanás e enxertados na família de Deus. Então passamos a nos empenhar, com dedicação e fidelidade nos trabalhos do reino de Deus, e não devemos estranhar as dificuldades que brotam de todos os lados, mesmo inimizades dentro da família. Satanás procurará levanta contra nós nossos próprios familiares, amigos e os incrédulos em nossa volta. A luta será árdua. Nisto aproveitará também as fraquezas e incompreensões dos próprios irmãos na fé. Nestes momentos precisamos vigiar nosso próprio coração, para que o mesmo não nos engane. Em segundo lugar ter compaixão com as fraquezas dos irmãos e estar sempre pronto a perdoar, interpretar tudo da melhor maneira, reerguer. Em terceiro lugar amar nossos inimigos. Em quarto lugar não sonhar com grandezas e belezas bombásticas da Igreja cristã. Mas proclamar humildemente e com fidelidade a palavra de Deus. Que Deus nos fortaleça para tanto. Amém.
São Leopoldo, 13/06/2008
Horst R. Kuchenbecker
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Mateus 9.35-10.4. A Miss]ao da Igreja
Mateus 9.35-10.4. A missão da Igreja.
Introdução
O presente texto dirige nossa atenção sobre a missão da Igreja. Isto interessa a todos nós. A missão é o principal trabalho de cada comunidade cristã.
É importante, de tempos em tempos, rever nossa ação missionária, sim todo o nosso trabalho missionário.
O presente texto destaca alguns elementos fundamentais: a compaixão de Cristo, a ordem dada aos apóstolos de pregar e o resultado do trabalho.
1. Compaixão
Jesus estava pregando já há um ano em Israel. Visitou muitas cidades. Falou com muitos e ouviu o povo. Seu coração se comoveu diante da miséria espiritual do povo de Deus. Ele expressou isso da seguinte forma: O povo está faminto e exausto. Um quadro muito parecido de nossos dias.
Nós nos denominamos um povo cristão, uma civilização cristã. Milhares de Bíblias são vendidas ao povo. Mas, são lidas? São compreendidas? Ouvimos sobre muitas interrogações, muitas duvidas, muitos estão desnorteados diante de tudo o que ouvem.
O tempo em que a alegria das pessoas estava na família, no trabalho e na igreja, parece que passou. Hoje se quer tempo para o lazer e no lazer diversão com muitas novidades, com sensações cada vez mais excitantes e desafiadoras.
Algumas religiões se lançaram a satisfazer tais desejos, prometem felicidade, prosperidade, basta a pessoa querer, se consagrar, crer e ofertar como sinal de sua fé, o que não é outra coisa do que a religião do: Faça-o você mesmo. Em outras palavras, a religião das obras da lei, que cansam e afadigam o povo, deixando o exausto. Os cultos são enfeitados e se tornam um momento de recreação. As pessoas correm de uma igreja para a outra, quando ouvem: Ali há um pregador com uma oração ainda mais poderosa e um culto mais sentimental e envolvente.
Jesus vendo este quadro, se entristeceu. Teve compaixão. Seu coração se moveu no seu íntimo e disse: São como ovelhas sem pastor.
Nossos olhos já se abriram para isto, de que toda a pessoa que não se arrepende de seus pecados e confia na graça de Cristo está rumando para a perdição, a eterna condenação? Olhamos assim para nossos parentes, amigos e conhecidos. Será que isto nos move à profunda compaixão para com tais pessoas para lhes anunciar a palavra de Deus?
2. A seara na verdade está branca – Provavelmente Jesus disse isto na época em que a seara estava madura. Trigais ondulando num ouro maravilhoso, prontos para serem colhidos. Tempo de colheita é tempo de muito trabalho e muita alegria. Mas Jesus não se referiu aos trigais, mas às almas sedentas pelo evangelho. E como a seara madura é visível, a sede das almas também o era. Multidões afluíam para as pregações e ensinamentos de Jesus.
Jesus acrescentou: Mas os trabalhadores são poucos. Mesmo assim não enviou logo seus discípulos ao campo. Eles precisam ser treinados. Por isso lhes diz:
3. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara.
A missão é de Deus. Ele prepara e envia trabalhadores. Quando o amor de Deus penetra no coração, ele não somente leva ao arrependimento e a confiança na graça de Deus, não infunde somente paz ao coração e o enche a vida de alegria e de esperança da vida eterna, mas enche o coração também de compaixão para com o próximo. O Espírito Santo nos faz ver a miséria do próximo. Disto brota a oração a Deus, pedindo obreiros, pedindo sabedoria, dizendo: Envia-me a mim.
Um pastor ao visitar seus membros, costumava perguntar a família sobre seus hábitos devocionais no lar. Então convidava para a devoção. No final da mesma pedia: Vocês têm uma lista de oração? A resposta era, normalmente, não. Isto lhe dava ocasião para falar da oração e da necessidade das diversas pessoas nos mais diferentes campos da vida humana, como por exemplo: família, missão da igreja, cristãos perseguição no mundo por causa da fé, a pátria, etc. Quão importante é a ordem de Jesus: Rogai ao Senhor da seara que mande trabalhadores.
4. Deu-lhes autoridade. Então Jesus os enviou, dando-lhes autoridade. Havia muitas cidades menores que Jesus não conseguiu visitar, a estas cidades os discípulos deveriam ir. Isto servia tanto para treiná-los para sua missão futura, como para a missão do momento. No reino de Deus, todos os cristãos são sacerdotes reais com o direito de lerem a Bíblia, falarem com Deus pela oração, testemunharem do amor de Deus. Mas a pregação pública é reservada aos pastores, aos que receberam autorização para tanto, pelo chamado de uma comunidade, que em conseqüência do seu chamado ou comissionamento foram ordenados e instalados no seu cargo. A eles cabe o direito de exercerem o santo ministério. Eles devem dedicar-se ao estudo e à oração, à pregação pública da palavra de Deus e à administração dos sacramentos. Por que o reino de Deus não é edificado por forças humanas, mas pelo poder de Deus. Deus Espírito Santo age por Palavra e sacramentos, quando e onde lhe aprouver, para levar ao arrependimento e à fé e conservar nesta fé.
A estas pessoas Deus concede dons especiais. Para esta missão especial de seus discípulos, Jesus lhes concedeu dons e autoridade especial sobre espíritos imundos para expeli-los, para curar toda sorte de doenças e enfermidades. Não quando e como queremos, mas quando Deus o julgava por bem. O evangelho de Marcos relata sobre a missão que receberam no dia da ascensão de Jesus e diz o seguinte: Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem. (Mc 16.17) Este acompanhar, até quando e onde Deus o determinar. Isto é confirmado pelo livro de Atos dos Apóstolos. Sua pregação consistia: Arrependei-vos porque está próximo o reino de Deus.
5. Quem for digno, ali ficai. Isto é, quem aceitar a fé, e pela fé se tornar filho de Deus e for fiel, ali ficai. Estas pessoas vos receberão e terão o máximo prazer em colaborar. São as pessoas que sustentam a missão de Deus também em nossos dias.
6. Esta mensagem é resistível. Vemos isto muitas vezes através de todo o livro de Atos dos Apóstolos. Esta verdade é espelhado também nas cartas dos apóstolos e testemunhado pela história da Igreja cristã e uma realidade também em nossos dias. Isto no entanto, não nos deve desanimar no trabalho. A nós cabe permanecer apegados à palavra de Deus, orar sem cessar e testemunhar corajosamente.
Que Deus em sua graça conceda trabalhadores à sua vinha, lhes conceda o dom da fé, sabedoria, e coragem e abençoe o trabalho. Amém.
São Leopoldo, 03/06/2008
Horst R. Kuchenbecker
Introdução
O presente texto dirige nossa atenção sobre a missão da Igreja. Isto interessa a todos nós. A missão é o principal trabalho de cada comunidade cristã.
É importante, de tempos em tempos, rever nossa ação missionária, sim todo o nosso trabalho missionário.
O presente texto destaca alguns elementos fundamentais: a compaixão de Cristo, a ordem dada aos apóstolos de pregar e o resultado do trabalho.
1. Compaixão
Jesus estava pregando já há um ano em Israel. Visitou muitas cidades. Falou com muitos e ouviu o povo. Seu coração se comoveu diante da miséria espiritual do povo de Deus. Ele expressou isso da seguinte forma: O povo está faminto e exausto. Um quadro muito parecido de nossos dias.
Nós nos denominamos um povo cristão, uma civilização cristã. Milhares de Bíblias são vendidas ao povo. Mas, são lidas? São compreendidas? Ouvimos sobre muitas interrogações, muitas duvidas, muitos estão desnorteados diante de tudo o que ouvem.
O tempo em que a alegria das pessoas estava na família, no trabalho e na igreja, parece que passou. Hoje se quer tempo para o lazer e no lazer diversão com muitas novidades, com sensações cada vez mais excitantes e desafiadoras.
Algumas religiões se lançaram a satisfazer tais desejos, prometem felicidade, prosperidade, basta a pessoa querer, se consagrar, crer e ofertar como sinal de sua fé, o que não é outra coisa do que a religião do: Faça-o você mesmo. Em outras palavras, a religião das obras da lei, que cansam e afadigam o povo, deixando o exausto. Os cultos são enfeitados e se tornam um momento de recreação. As pessoas correm de uma igreja para a outra, quando ouvem: Ali há um pregador com uma oração ainda mais poderosa e um culto mais sentimental e envolvente.
Jesus vendo este quadro, se entristeceu. Teve compaixão. Seu coração se moveu no seu íntimo e disse: São como ovelhas sem pastor.
Nossos olhos já se abriram para isto, de que toda a pessoa que não se arrepende de seus pecados e confia na graça de Cristo está rumando para a perdição, a eterna condenação? Olhamos assim para nossos parentes, amigos e conhecidos. Será que isto nos move à profunda compaixão para com tais pessoas para lhes anunciar a palavra de Deus?
2. A seara na verdade está branca – Provavelmente Jesus disse isto na época em que a seara estava madura. Trigais ondulando num ouro maravilhoso, prontos para serem colhidos. Tempo de colheita é tempo de muito trabalho e muita alegria. Mas Jesus não se referiu aos trigais, mas às almas sedentas pelo evangelho. E como a seara madura é visível, a sede das almas também o era. Multidões afluíam para as pregações e ensinamentos de Jesus.
Jesus acrescentou: Mas os trabalhadores são poucos. Mesmo assim não enviou logo seus discípulos ao campo. Eles precisam ser treinados. Por isso lhes diz:
3. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara.
A missão é de Deus. Ele prepara e envia trabalhadores. Quando o amor de Deus penetra no coração, ele não somente leva ao arrependimento e a confiança na graça de Deus, não infunde somente paz ao coração e o enche a vida de alegria e de esperança da vida eterna, mas enche o coração também de compaixão para com o próximo. O Espírito Santo nos faz ver a miséria do próximo. Disto brota a oração a Deus, pedindo obreiros, pedindo sabedoria, dizendo: Envia-me a mim.
Um pastor ao visitar seus membros, costumava perguntar a família sobre seus hábitos devocionais no lar. Então convidava para a devoção. No final da mesma pedia: Vocês têm uma lista de oração? A resposta era, normalmente, não. Isto lhe dava ocasião para falar da oração e da necessidade das diversas pessoas nos mais diferentes campos da vida humana, como por exemplo: família, missão da igreja, cristãos perseguição no mundo por causa da fé, a pátria, etc. Quão importante é a ordem de Jesus: Rogai ao Senhor da seara que mande trabalhadores.
4. Deu-lhes autoridade. Então Jesus os enviou, dando-lhes autoridade. Havia muitas cidades menores que Jesus não conseguiu visitar, a estas cidades os discípulos deveriam ir. Isto servia tanto para treiná-los para sua missão futura, como para a missão do momento. No reino de Deus, todos os cristãos são sacerdotes reais com o direito de lerem a Bíblia, falarem com Deus pela oração, testemunharem do amor de Deus. Mas a pregação pública é reservada aos pastores, aos que receberam autorização para tanto, pelo chamado de uma comunidade, que em conseqüência do seu chamado ou comissionamento foram ordenados e instalados no seu cargo. A eles cabe o direito de exercerem o santo ministério. Eles devem dedicar-se ao estudo e à oração, à pregação pública da palavra de Deus e à administração dos sacramentos. Por que o reino de Deus não é edificado por forças humanas, mas pelo poder de Deus. Deus Espírito Santo age por Palavra e sacramentos, quando e onde lhe aprouver, para levar ao arrependimento e à fé e conservar nesta fé.
A estas pessoas Deus concede dons especiais. Para esta missão especial de seus discípulos, Jesus lhes concedeu dons e autoridade especial sobre espíritos imundos para expeli-los, para curar toda sorte de doenças e enfermidades. Não quando e como queremos, mas quando Deus o julgava por bem. O evangelho de Marcos relata sobre a missão que receberam no dia da ascensão de Jesus e diz o seguinte: Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem. (Mc 16.17) Este acompanhar, até quando e onde Deus o determinar. Isto é confirmado pelo livro de Atos dos Apóstolos. Sua pregação consistia: Arrependei-vos porque está próximo o reino de Deus.
5. Quem for digno, ali ficai. Isto é, quem aceitar a fé, e pela fé se tornar filho de Deus e for fiel, ali ficai. Estas pessoas vos receberão e terão o máximo prazer em colaborar. São as pessoas que sustentam a missão de Deus também em nossos dias.
6. Esta mensagem é resistível. Vemos isto muitas vezes através de todo o livro de Atos dos Apóstolos. Esta verdade é espelhado também nas cartas dos apóstolos e testemunhado pela história da Igreja cristã e uma realidade também em nossos dias. Isto no entanto, não nos deve desanimar no trabalho. A nós cabe permanecer apegados à palavra de Deus, orar sem cessar e testemunhar corajosamente.
Que Deus em sua graça conceda trabalhadores à sua vinha, lhes conceda o dom da fé, sabedoria, e coragem e abençoe o trabalho. Amém.
São Leopoldo, 03/06/2008
Horst R. Kuchenbecker
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